Arquitetura Barroca Mineira GLOSSARIO
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Arquitetura Barroca Mineira GLOSSARIO


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BARROCO 
MINEIRO 
GLOSSÁRIO DE 
ARQUITETURA E 
ORNAMENTAÇÃO 
Affonso Áv' 
João Marcos Machado Gontijo 
Remaldo Guedes Machado 
Esta edição de BARROCO MINEIRO/GLOSSÁRIO DE AR-
Q U I T E T U R A E O R N A M E N T A Ç Ã O , realizada em convênio pela 
FUNDAÇÃO JOÃO PINHEIRO e FUNDAÇÃO ROBERTO MARI-
NHO, constitui um marco no trabalho que ambas as entidades vêm de-
senvolvendo na área de preservação da Memória Nacional. Obra ao 
mesmo tempo de divulgação e pesquisa, vem colocar ao alcance de pú-
blico mais amplo, em linguagem objetiva e acessível, conhecimentos his-
tóricos e artísticos e terminologia técnica de caráter básico, até agora de 
domínio apenas dos estudiosos. Acreditamos que sua*publicação, em 
edição de apurado nível gráfico-visual, seja uma contribuição à própria 
cultura brasileira, que tem, no barroco mineiro, uma das manifestações 
criadoras mais autênticas e perenes. 
Antônio Octávio Cintra 
Presidente da Fundação João Pinheiro 
Roberto Marinho 
Presidente da Fundação Roberto Marinho 
BARROCO MINEIRO 
GLOSSÁRIO DE ARQUITETURA 
E ORNAMENTAÇÃO 
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P r o g r a m a ç ã o Visual e D iag ramação 
Sebast ião Nunes 
C a p a 
Risco de A n t ô n i o F ranc isco L isboa , 
o Aleijadinho, para o f ron t i sp íc io da Igreja 
de São Franc isco de Assis, 
e m São J o ã o del-Ftei 
( M u s e u d a i n c o n f i d ê n c i a - O u r o Preto) 
Capa In terna 
Recibo f i rmado por A n t ô n i o Franc isco L isboa, 
o Aleijadinho, 
{Museu da Incon f idênc ia - O u r o Preto) 
Letras Cap i tu la res 
d o l ivro Áureo Trono Episcopal ( L i sboa - 1749) 
Desenhos 
J o ã o Marcos M a c h a d o Gon t i j o 
Fo togra f ia 
Euler Andrés , G e o r g e Heit 
e M a u r o A f o n s o Ribe i ro 
Ar te- f ina l 
José Pau lo Cos ta 
I m p r e s s ã o 
G r á f i c a D a n ú b i o S.A. 
5 
Affonso Ávila 
Joáo Marcos Machado Gontijo 
Reinaldo Guedes Machado 
BARROCO MINEIRO 
GLOSSÁRIO DE ARQUITETURA 
E ORNAMENTAÇÃO 
Co-edição 
FUNDAÇÃO JOÃO PINHEIRO 
FUNDAÇÃO ROBERTO MARINHO 
Rio de Janeiro, 1979 
F.J,P. - Rltfl. Ii mxA 
* 6 0 0 0 0 4 6 6 * 
NAO DANfFIOUF ESTA ETTIQUETA 
BARROCO MINEIRO - GLOSSÁRIO DE 
ARQUITETURA E ORNAMENTAÇÃO 
Este Glossário foi organizado, em sua versão preliminar, com a finali-
dade de servir de orientação para os levantamentos de vistoria e inventário de 
Bens Culturais imóveis que viriam a ser procedidos, dentro do Programa de Recu-
peração de Cidades Históricas de Minas Gerais, pelos técnicos da Fundação João 
Pinheiro. Com a sua utilização, procurava-se dar maior homogeneidade às análises 
e descrições de edificações religiosas e civis, de modo a evitar, quanto possível, 
duplicidades ou imprevisões de terminologia. 
Entretanto, logrou o trabalho uma repercussão mais ampla e fora de seu 
alcance imediato, o que não estava de início nas cogitações dos organizadores. Atra-
vés de várias e ponderáveis manifestações a respeito, chegadas a conhecimento da 
Fundação João Pinheiro, ficou patenteado um interesse bastante generalizado pela 
mais larga utilidade informativa e didática que o mesmo poderia apresentar, se divul-
gado em tiragem capaz de atender a uma demanda maior de pessoas voltadas para a 
importância da matéria aqui codificada. Dentre as manifestações em questão, 
destacou-se a da Fundação Roberto Marinho, que, vislumbrando o sentido altamente 
cultural da iniciativa, se dispôs a colaborar com a Fundação João Pinheiro no sentido 
de promover-se, em compatível padrão gráfico, a presente edição deste Glossário. 
Levando-se em conta a nova destinação do trabalho, foi ele acrescido de 
algumas centenas de verbetes, de modo a oferecer uma série mais abrangente de in-
formes sobre o chamado Barroco Mineiro, suas técnicas construtivas, seus processos 
arquitetônicos e de ornamentação e os vários aspectos históricos, artísticos e materiais 
que os envolvem e caracterizam. Na elaboração geral dos verbetes, foram pesquisadas 
fontes originais de consulta, a exemplo de documentos de contrato de obras do século 
XVIII ainda existentes em arquivos oficiais ou religiosos, sendo também consultados 
estudos de diversos especialistas, fontes todas elas devidamente mencionadas na bi-
bliografia que vem ao fim do volume. 
Buscando ajustá-las às características principais do diversificado acervo 
artístico-arquitetônico que confere dimensão de grandeza à atividade criativa desen-
volvida em Minas Gerais no período da mineração do ouro e do diamante, as defini-
ções são sempre que possível seguidas de exemplos relativos às obras representativas 
desse acervo. Esta orientação não impede, entretanto, que muitos dos verbetes conte-
nham informações genéricas aplicáveis ao entendimento mais extensivo de toda a ar-
quitetura e arte brasileira da mesma época ou que traduzam aspectos teóricos de âm-
bito ainda mais geral, porém imprescindíveis ao adequado conhecimento do fenômeno 
barroco-rococó. Procurou-se, por outro lado, enriquecer o Glossário com variado ma-
terial ilustrativo, seja em desenho, seja em fotografia, salientando-se neste particular a 
reprodução de alguns riscos ou plantas originais da época e que chegaram até nossos 
dias. Como apêndice, publica-se uma listagem de pesos e medidas vigentes no período 
colonial. 
9 
Fica creditado o nosso reconhecimento à diretoria da Fundação João Pi-
nheiro, que estimulou e tomou possível a concretização deste trabalho, bem como a 
todos que para ele contribuíram com sugestões ou colaboração direta, de modo espe-
cial ao bibliógrafo Hélio Gravata e às historiadoras Myriam Andrade Ribeiro de Oli-
veira e Maria Juscelina de Faria Barroso, que colaboraram, respectivamente, na reda-
ção do verbete referente à pintura colonial mineira e na pesquisa arquivística. 
A e q u i p e de e labo ração : 
A f fonso Áv i la 
J o á o M a r c o s M a c h a d o G o n t i j o 
Re ina ldo G u e d e s M a c h a d o 
11 
I 
GLOSSÁRIO DE AfQUITETURA 
ABA 
1. Saliência do TELHADO, que apa-
rece além de sua prumada externa. 
2. Faixa lisa com que, pelo lado infe-
rior, se arrematam as CIMALHAS. 
ABALCOADO 
Em forma de BALCÀO ou que o pos-
sui. Diz-se principalmente de SACA-
DAS e MUXARABIS. 
ABOBADA 
Cobertura de secção curva. 
(Fígs. 1, 1-A, 1-B, 1-C, 1-D) 
ABÓBADA DE ARESTA 
É a que resulta da interseção de duas 
ABOBADAS DE BERÇO de igual al-
tura, cortando-se em ângulo reto. 
(Figs. 1, 1-A) 
ABOBADA DE BERÇO 
Abobada gerada pelo deslocamento de 
urna semicircunferencia ou de secção 
semicircular. 
(Fig. 1-B) 
ABOBADA FACETADA 
Diz-se da ABOBADA formada por pla-
nos. 
(Fig. 1-C) 
A B O B A D A S 
A B O B A D I L H A 
ABÓBADA em forma de semicilindro, 
construída geralmente de tijolos e usada 
na edificação de sobrados. 
AÇOTÉIA 
TERRAÇO ou EIRADO por cima de 
casas ou torres. 
A D O B E OU A D O B O 
Grande tijolo de barro seco ao sol. Na 
sua confecção, ao bano bem amassado 
às vezes eram adicionadas palha, crina, 
etc, para aumentar a resistência. 
A D R O 
Pátio, à frente ou em tomo das igrejas, 
geralmente cercado por muros baixos. 
A D U E L A 
1. Pedra talhada que compõe os 
ARCOS ou ABÓBADAS. 
2. Peças de sentido vertical dos quadros 
de portas e janelas que recebem as 
FOLHAS. Diz-se também da face in-
terna destas peças. 
(Figs. 18, 22) 
ADUFA 
FASQUIAS de madeira, superpostas e 
intervaladas. Ver também o verbete 
VENEZIANA. 
A G E N C I A M E N T O 
Tratamento de um determinado sítio ou 
aspecto de uma construção. 
ÁGUA 
Nome dado ao plano do TELHADO. 
Ver COBERTURA. 
(Fig. 2) 
ÁGUA-FURTADA 
1. SÓTÃO, TRAPEIRA ou MAN-
SARDA. 
2. Abertura na cobertura. 
3. Cômodo entre o TELHADO e o 
FORRO, dotado de janelas sobre o te-
lhado. 
Ver também MANSARDA. 
Á G U A - M E S T R A 
ÁGUA