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CPI Direito Constitucional

Sumário de aulas de Direito Constitucional I: conceito e teorias da Constituição; classificações; normas constitucionais; poder constituinte; hermenêutica e métodos de interpretação; poder reformador e mutação constitucional; controle de constitucionalidade (histórico, natureza, tipos, difuso x concentrado).

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Shirlei Weisz

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Direito Constitucional I
	
Aula 1 – Temas 1 e 2 – 24/11/2014[1: Ministrada pelo professor Jose Carlos Vasconcellos dos Reis. Temas: CP01.01.01 - Constituição: conceito, tipologia. Constituições brasileiras. Preâmbulo. Normas constitucionais: Espécies, eficácia, e diversas classificações; CP01.01.02 - Poder Constituinte. Supremacia constitucional. Vigência da norma constitucional. Inconstitucionalidade de normas constitucionais.]
Constituição
Conceito
A “constituição” é o modo de ser de uma estrutura, pessoa ou organismo. No âmbito jurídico, a Constituição seria o modo de ser do Estado, trazendo suas características. Trata-se de um conceito atemporal.
A Constituição denotava um conceito meramente descritivo. Contudo, hoje em dia o conceito contemporâneo de Constituição traz consigo a idéia de de Poder Constituinte, visto que ambos nasceram no mesmo momento histórico.
Dessa forma, o conceito moderno é eminentemente revolucionário. Por assim ser, a Constituição deixa de ser meramente descritiva para se transformar em um conceito transformador, ensejando seu caráter normativo. Bem vistas as coisas, a Constituição é o ato inaugural do Estado, sendo o ato que cria ou reconstrói o Estado.
Na Constituição do Brasil de 1824, a ideia de inauguração de um Estado que passa a existir naquele momento, denota essa característica. Por outro lado, a reconstrução está ligada à ruptura e transformação que foi a força motriz do Poder Constituinte.
Sieyès lançou as bases do que seria o conceito de Poder Constituinte e Constituição, representando os anseios do terceiro Estado na época da Revolução Francesa. Assim sendo, o Poder Constituinte, na teoria de Sieyès, é visto como um Poder político que sepulta uma ordem política, econômica e social por uma outra nova. Afirma-se que a origem filosófica da supremacia da Constituição reside no fato de que esse documento precisa se sobrepor a todas as leis passadas, servindo como parâmetro de aferição de todos os atos do Estado que vão se seguir à Constituição. 
Dessa forma, o conceito moderno de Constituição representa uma transformação. Essa noção moderna vem se repetindo em algumas ondas constitucionalizantes que aconteceram pelo mundo, tais como:
Revoluções burguesas do século XVIII;
Unificação da Itália e da Alemanha no século XIX;
Fim da primeira Guerra Mundial, queda das ditaduras, movimento de redemocratização na América Latina e queda do muro de Berlim no século XX – Exemplo: Constituição austríaca e Constituição de Weimer. 
Teorias
Carl Schmitt
Esse constitucionalista trouxe a ideia de Constituição como decisão política fundamental do Estado, fundamentada no momento de formação do Estado.
Ferdinand Lassalle
Esse autor traz uma visão sociológica da Constituição, marcada por um grande pessimismo. Sustentava-se que a Constituição seria formada pelos fatores reais de poder que imperam na sociedade. Exemplo: Modo de produção adotada, superioridade econômica e etc. A Constituição Jurídica seria uma mera folha de papel. Para que tivesse efetividade, ela deveria representar a realidade.
Barroso traz a ideia de que se a Constituição não é o retrato fiel da realidade social do Estado que ela visa estruturar e reger, isso seria da essência da Constituição, pois é importante que traga um caráter utópico que busque um “dever ser”, melhorando as questões econômicas, sociais e políticas de um Estado.
É importante que a Constituição não represente apenas o que “temos”, mas o que “queremos ter”, pois o Direito deve agir como propulsor. 
Hans Kelsen
Kelsen partia do pressuposto lógico-formal de que toda norma criada de acordo com processo legislativo constitucional nasce imperativa e produzindo seus efeitos jurídicos. A norma não precisava ser justa ou injusta para ser cumprida. Extraia-se o conteúdo da norma para lhe dar uma maior concretude. Trata-se de um conceito puramente jurídico-normativo.
Kelsen tratou de uma concepção da Constituição completamente contrária a Lassalle, já que este tratava a Constituição como um fato, enquanto Kelsen a tratava a como norma pura. Kelsen extrai a sua imperatividade do pressuposto lógico formal de que toda norma que nasce de acordo com o processo legislativo constitucional deve ser observada. 
A supremacia da Constituição já havia sido afirmada no caso Marbury x Madison, nos EUA. A contribuição de Kelsen foi a de abandonar o caráter político-filosófico e atentar para o caráter jurídico.
A visão do direito em graus hierárquicos funcionou muito bem durante todo o século XX, denotando uma simples forma de resolver conflitos entre normas de hierarquias diferentes. Ocorre que de alguns anos para cá, começamos a perceber que nem todos os problemas podem ser resolvidos dessa forma, uma vez que há diversas colisões normativas que não podem ser solucionadas. Exemplo: Confronto entre leis e normas, oriundos de fontes diferentes, mas que não são hierárquicos como conflitos aparentes entre leis federais, estaduais e municipais. Bem vistas as coisas, não há hierarquia entre os entes da federação, mas tão somente uma repartição de tarefas. O mesmo conflito ocorre entre leis complementares e ordinárias, que estão em um mesmo patamar, mas possuem uma repartição de matérias.
Isso demonstra que os conflitos normativos devem ser resolvidos com base em outros critérios que não o puramente hierárquico.
Com base nesse raciocínio a doutrina majoritária e jurisprudência pacífica do STF entendem que é possível a revogação de Lei Complementar por Lei Ordinária, desde que a matéria tratada não seja reservada a Lei Complementar. Nesse sentido, veja-se o seguinte aresto:
Embargos de declaração no agravo regimental no recurso extraordinário. Processual civil. Omissão. Inexistência. Efeitos infringentes. Impossibilidade. rejeição. 1. O inconformismo, que tem como real escopo a pretensão de reformar o decisum, não há como prosperar, porquanto inocorrentes as hipóteses de omissão, contradição ou obscuridade, sendo inviável a revisão em sede de embargos de declaração, em face dos estreitos limites do art. 535 do CPC. 2. O magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 3. A pretensão de revisão do julgado, em manifesta pretensão infringente, revela-se inadmissível, em sede de embargos. Precedentes: AI n. 799.509-AgR-ED, Relator o Ministro Marco Aurélio, 1ª Turma, DJe de 8.9.2011; e RE n. 591.260-AgR-ED, Relator o Ministro Celso de Mello, 2ª Turma, DJe de 9.9.2011. 4. A existência de precedente firmado pelo Pleno desta Corte autoriza o julgamento imediato de causas que versem sobre a mesma matéria, independentemente da publicação ou do trânsito em julgado do paradigma. (Precedentes: RE n. 408.167-AgR, 2ª Turma, Relator o Ministro Celso de Mello, DJ de 04.03.05, entre outros) 5. In casu, a decisão recorrida assentou: “Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. SOCIEDADE CIVIL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PROFISSÃO LEGALMENTE REGULAMENTADA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O FATURAMENTO - COFINS. ISENÇÃO. ARTIGO 6º, II, DA LEI COMPLEMENTAR N. 70/91. REVOGAÇÃO. ART. 56 DA LEI 9.430/96. CONSTITUCIONALIDADE. MODULAÇÃO DE EFEITOS. IMPOSSIBILIDADE. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONSONÂNCIA COM O ENTENDIMENTO DESTA CORTE. 1. A constitucionalidade do artigo 56 da Lei n. 9.430/96, que revogou a isenção da COFINS concedida às sociedades civis prestadoras de serviços profissionais pelo art. 6º, II, da Lei Complementar n. 70/91, foi reconhecida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento dos REs ns. 377.457 e 381.864, ambos da Relatoria do Ministro Gilmar Mendes. Na oportunidade, rejeitou-se pedido de modulação de efeitos da decisão e permitiu-se a aplicação do artigo 543-B do CPC. A ementa dos referidos julgados restou consignada nos seguintes termos, verbis: “EMENTA: Contribuição social sobre o faturamento - COFINS (CF, art. 195, I). 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 daisenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6º, II, da Lei Complementar 70/91. Legitimidade. 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente constitucional, relacionada à distribuição material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC 1, Rel. Moreira Alves, RTJ 156/721. 5. Recurso extraordinário conhecido mas negado provimento.” 2. Ainda nesse sentido, os seguintes precedentes de ambas as Turmas desta Corte: AI n. 551.597-AgR-terceiro, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, 2ª Turma, DJe de 19.12.11; RE n. 583.870-AgR, Relator o Ministro Ayres Britto, 2ª Turma, DJe de 01.06.11; RE n. 486.094-AgR, Relator o Ministro Dias Toffoli, 1ª Turma, DJe de 22.11.10; RE n. 511.916-AgR, Relator o Ministro Marco Aurélio, 1ª Turma, DJe de 09.10.09; RE n. 402.098-AgR-ED-ED, Relator o Ministro Cezar Peluso, 2ª Turma, DJe de 30.04.09; RE n. 515.890 - AgR, 1ª Turma, Relatora a Ministra Cármen Lúcia, DJe de 06.02.09; RE n. 558.017-AgR, 2ª Turma, Relatora a Ministra Ellen Gracie, DJe de 24.04.09; RE n. 456.182-AgR, Relator o Ministro Joaquim Barbosa, 2ª Turma, DJe de 05.12.08, entre outros. 3. As decisões tomadas pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal não possuem, por si, eficácia geral e vinculante, no entanto, formam orientação jurisprudencial dominante, pois são prolatadas pela expressão maior do princípio da colegialidade do órgão que ocupa a posição central no sistema jurisdicional. Vale dizer, as decisões proferidas pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, em controle difuso de constitucionalidade, têm densidade normativa suficiente para autorizar o julgamento monocrático, nos termos do art. 557 do Código de Processo Civil (cf., em reforço, o art. 101 do RISTF)” (RE n. 518.672-AgR, Relator o Ministro Joaquim Barbosa, 2ª Turma, DJe de 19.06.09). 4. In casu, o acórdão originariamente recorrido assentou: “EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. SOCIEDADE CIVIL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS. COFINS. ISENÇÃO. ART. 6º, II. L. C. 70/91. REVOGAÇÃO. ART. 56, LEI 9.430/96. LEGITIMIDADE. AUSÊNCIA DE HIERAQUIA ENTRE LEI COMPLEMENTAR E ORDINÁRIA. PRECEDENTES. STF. 1. Dispensável a lei complementar para veicular a instituição de Cofins conforme assentado na ADC nº 1/DF, Rel. Min. Moreira Alves, j. 01/12/93). 2. A isenção conferida pelo art. 6º da LC 70/91 pode, validamente, ser revogada, como o foi, pelo art. 56 da Lei 9.430/96, independentemente de ofensa aos princípios constitucionais, vez que ausente hierarquia entre lei complementar e lei ordinária, atuando, tais espécies normativas em âmbitos diversos. Precedentes. 3. Apelo improvido.” 5. Agravo regimental a que se nega provimento. 6 . Embargos de declaração REJEITADOS. (RE 677589 AgR-ED, Relator(a):  Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em 28/08/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-185 DIVULG 19-09-2012 PUBLIC 20-09-2012)
Classificações
Quanto à Origem
Promulgadas/Democráticas/Populares – Quando ela é elaborada por uma Assembleia Nacional constituinte composta por indivíduos do povo. Exemplos: Constituições de 1891, 1934, 1946 e 1988.
Outorgadas/Autocráticas/Impostas – Quando é imposta de forma unilateral pelo governante. Exemplos: Constituições de 1824, 1937, 1967 e 1969.
Pactuadas – Formalizada por meio de um pacto entre o soberano e seu povo. Exemplo: Carta Magna libertatum de 1.215, na Inglaterra. 
Cesaristas – Nasce da vontade unilateral do governante, mas é submetida ao crivo popular. Não é nem completamente outorgada e nem promulgada. 
Quanto à Forma
Escritas/Instrumentais/Positivas – Há uma sistematização com relação ao texto. Ou seja, toda constituição se encontra naquele Código. 
 Não escritas – O que falta nas constituições não escritas é a codificação, ou seja, trata-se de leis esparsas. Exemplos: Inglaterra, Israel e Nova Zelândia. 
Quanto à Extensão 
Sintéticas/concisas/breves – Normalmente a Constituição trata apenas do esqueleto do Estado. Exemplo: Constituição Americana.
Analíticas/extensas/prolixas – Não esgotam a sua base constitucional nas matérias essencialmente constitucionais. Exemplo: Constituição de 1988.
Quanto ao Conteúdo
Materiais – Normalmente são as não escritas. Só reconhecem como Constituição aquilo que dispuser sobre assunto essencialmente constitucional (forma de estado, de governo, separação de poderes). 
Formais – Normalmente são as escritas. Privilegiam a forma, ou seja, tudo que se encontra escrito no texto deve ser considerado Constituição independente do seu conteúdo. 
Quanto ao Modo de Elaboração 
Dogmáticas/sistemáticas – Normalmente são escritas. Todas as constituições brasileiras foram dogmáticas. Constituição dogmática é aquela que traz a representação do sentimento político do que o país está vivenciando quando a constituição foi elaborada. Todas as constituições brasileiras foram momentâneas. 
Históricas – Normalmente são não escritas. Elas não têm uma ligação com uma determinada época, elas são fruto da síntese da história e tradições de toda uma vida do Estado. Normalmente são não escritas, pois não tem o compromisso com uma época apenas. A Constituição inglesa é histórica, pois compila todas as experiências constitucionais que juntou durante todos os anos. É algo mais permanente, mas estável. 
Quanto à Alterabilidade 
Imutáveis – Aquela que nunca poderia ser modificada. Ressalte-se que uma Constituição sem mecanismo de reforma já nasce, na verdade, morta. Nunca houve uma Constituição assim, mas já houve a previsão de imutabilidade por tempo determinado. Exemplo: Constituição de 1824 foi imutável durante 5 anos.
Fixas – A Constituição só poderia ser alterada quando surgisse nova Constituição. 
Super-rígidas – Alguns autores defendem que, em razão das cláusulas pétreas, a CRFB/88 seria super-rígida. O núcleo da super-rigidez encontra-se no art. 60, §4º e em limitações circunstanciais como, por exemplo, o Estado de Sítio. 
Rígidas – A partir da CRFB/1891 o Brasil passou a adotar a rigidez constitucional. É a Constituição que só pode ser alterada por processo mais solene e dificultoso do que aquele que existe para a elaboração das demais normas jurídicas. Na CRFB/1988 o centro da rigidez constitucional se encontra no art. 60. 
Semi-rígidas – Traz um processo híbrido de alteração constitucional. A CRFB/1824, no art. 178 dizia que tudo aquilo que representasse decisão política fundamental só poderia ser alterada por processo mais rigoroso, enquanto o resto poderia ser alterado mais facilmente. Exemplo: Constituição de 1824, visto que estabelecia que a parte relativa aos poderes e direitos fundamentais seriam as únicas partes rígidas. 
Flexíveis – Pode ser alterada facilmente, pelo mesmo processo de elaboração de outras normas jurídicas. 
Obs.: O fato de uma matéria ser vista como cláusula pétrea, não quer dizer que não possa haver alteração. Desse modo, o que não pode ser feito é abolir essas matérias, atentando quanto ao seu núcleo essencial.
Quanto à Finalidade 
Dirigentes/programáticas – Estabelecem metas, programas e diretrizes. Pretendem resolver problemas por meio do texto constitucional. Via de regra, a Constituição programática é analítica. 
Garantias/liberais/negativas – São constituições que se preocupam em legitimar a atuação do estado e também limitar a sua atuação, protegendo os direitos. Não trata de políticas públicas no corpo normativo. 
Quanto à Ideologia 
Ortodoxas – Traz uma ideologia, que normalmente é a ideologia do estado. 
Ecléticas – Com pluralidade ideológica. 
Quanto à Correspondência ou Não com a Realidade (Critério Ontológico) – Karl Lowenstein
A doutrina diverge muito sobre qual seria a classificação da CRFB/88 nesse quesito. Alguns dizem que ela é nominativa e outros dizem que ela é normativa.
Normativas – “É a roupa que cai bem”. Há uma perfeita integração entre a sociedade e a Cconstituição, que conseguiuregular a sociedade. É uma Constituição perfeitamente concatenada com a realidade. 
Nominativas/nominais/nominalistas – “É a roupa que vai cair bem um dia”. A Constituição foi feita para regular a vida social, mas isso ainda não aconteceu. Um dia a Constituição vai se encontrar com a realidade, mas isso ainda não aconteceu. 
Semânticas – “É a roupa que não foi feita para você”. Não há nenhum compromisso da Constituição com a realidade, normalmente é autoritária, apenas para reforçar aquele poder. 
Obs.: A CRFB/88 é promulgada, escrita, analítica, formal, dogmática, rígida (ou super-rígida), programática, eclética, normativa (ou nominativa). 
Normas Constitucionais 
Para Barroso as normas constitucionais classificam-se de acordo com o seu conteúdo, ou seja, de acordo com as matérias nela versadas:
Normas de Organização – As que se destinam a organizar os poderes e funções do Estado;
Normas Definidoras de Direito – São as que definem direitos individuais, sociais e difusos e coletivos;
Normas Programáticas – São as que estabelecem finalidades, ou seja, metas a serem buscadas pelo Estado.
A Teoria Tripartida de José Afonso da Silva
Muito influenciado pela visão italiana e norte-americana, foi criada em 1968 por José Afonso da Silva. Embora seja uma teoria tripartida, deve ser dividida em dois grandes grupos, quais sejam: i) auto-aplicáveis, que não dependem de atuação futura por parte do poder público para que possa produzir os seus efeitos, ou seja, desde a sua entrada em vigor podem produzir os seus efeitos jurídicos essenciais; ii) e não auto-aplicáveis que exigem a atuação futura do Estado para que sejam aplicadas.
Normas Constitucionais de Eficácia Plena (auto-aplicáveis) – Trazem em si mesmas a completa disciplina de sua matéria, não necessitando de qualquer legislação posterior para produzir os seus efeitos. Desde a sua entrada em vigor produzem ou podem produzir seus efeitos essenciais. As plenas têm incidência direta e imediata. Tem eficácia integral, pois não podem sofrer condicionamentos por parte do poder público. Exemplos: Arts. 1º, 2º, 5º, III. A norma plena se basta.
Normas Constitucionais de Eficácia Contida (auto-aplicáveis) – O melhor nome seria “eficácia contível”, pois ela possui eficácia plena, mas prevê a possibilidade de edição de lei que restrinja a sua abrangência. Tem incidência direta e imediata. Não tem eficácia integral, porque a possibilidade de condicionamento administrativo ou legislativo posterior se encontra no próprio bojo da norma. Exemplos: Arts. 5º, XIII, XV e 93, IX.
Normas Constitucionais de Eficácia Limitada ou Reduzida (não auto-aplicáveis) – Não consegue produzir seus efeitos, sem a intervenção do legislador ou administrador. Tem eficácia indireta, mediata e não integral. Seriam ainda divididas em normas de conteúdo programático (arts. 196, 205) e institutivo/organizatório (art. 93, caput, 134, §1º). As programáticas são aquelas que estabelecem metas, programas e diretrizes para que o poder público possa fazer valer a previsão constitucional na realidade do país, são normas de conteúdo mais social, são normas em que o Estado se encontra com o bem estar social que ainda não é realidade nacional. Já as normas de conteúdo institutivo ou organizatório são aquelas que criam órgãos, institutos, funções, institutos, serviços, que precisam ser regulamentados para que a norma possa produzir seus efeitos. 
O mandado de injunção e a ADO são instrumentos que visam defender as normas de eficácia contida? Não. As normas contidas não precisam desse socorro, pois elas são auto-aplicáveis, ou seja, já nascem produzindo seus efeitos. O foco do MI e da ADO são as normas de eficácia limitada dependentes de regulamentação. 
Na aula de hermenêutica vamos questionar essa visão clássica em relação às normas de eficácia limitada. A hermenêutica contemporânea defende que todas as normas da Constituição possam produzir seus efeitos máximos e não os seus efeitos mínimos.
Preâmbulo e Atos das Disposições COnstitucionais Transitórias
Entende-se que o preâmbulo não tem caráter de norma preceptiva, mas isso não retira a eficácia jurídica do mesmo. Ingo Sarlet, Gilmar Ferreira e Luís Roberto Barroso sustentam o valor interpretativo e integrativo da Constituição, podendo ser invocado como um critério de interpretação e integração. Por outro lado, o preâmbulo revela as origens democráticas da Constituição, trazendo os valores que alicerçaram a redemocratização do país. Diante disso, deve ser reconhecido certo valor jurídico ao preâmbulo.
Gilmar Ferreira, Luís Roberto Barroso e Manuel Gonçalves Ferreira Filho defendem a impossibilidade de alteração do núcleo essencial ao ato das disposições transitórias. Trata-se de uma limitação material implícita ao poder constituinte derivado. O caráter do ADCT prevê normas transitórias que se exaurem com o tempo. Eventual transformação teria o condão de burlar o poder constituinte.
Casos Concretos – Tema 1
1ª Questão
FLORÊNCIO, Deputado Federal, impetra mandado de segurança contra ato da Mesa Diretora que indicou para votação, no próximo dia 05, texto do projeto de Emenda à Constituição que suprime o preâmbulo da Carta Magna, bem como alguns artigos da Disposições Constitucionais transitórias.
O impetrante requer o impedimento da tramitação do projeto. Aduz que tais textos são imodifícáveis, de acordo com princípios constitucionais.
Responda, fundamentadamente, como deve ser julgado o pedido.
Resposta
O pedido deve ser julgado procedente, pois todo parlamentar tem direito liquido e certo à participar de um projeto legislativo constitucional. Ademais, segundo Canotilho, o preâmbulo e as Disposições Constitucionais Transitória são elementos que garantem a interpretação, possuindo legitimidade constitucional material, motivo pelo qual sua supressão ensejaria uma inconstitucionalidade material. 
Comentários na aula – A hipótese de mandado de segurança impetrado por parlamentar contra votação de um projeto de lei que seja conta a Constituição é pacificamente aceita pela jurisprudência do STF. Gilmar Mendes sustenta que não seria possível a pura e simples abolição do preâmbulo por meio de Emenda Constitucional dada a força interpretativa e integrativa do mesmo, bem como a valoração por ele trazida.
2ª Questão
Inconformados com a inércia do Chefe do Poder Executivo diante da regra constante do art. 37, inciso X da Constituição da República, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 19/1998 , alguns servidores estaduais propõem ação judicial objetivando a condenação do Estado a encaminhar o projeto de lei de revisão geral ou a indenizá-los pelas perdas inflacionárias apuradas nos últimos doze meses. Aduzem, em reforço de sua pretensão, que o STF já havia declarado a mora do Estado em Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão. Decida o pleito dos servidores, observando a necessária fundamentação.
Resposta
Em que pese seja flagrante a mora do Poder Executivo em apresentar a lei, não é possível que o Poder Judiciário obrigue o Chefe do Poder Executivo a apresentar o projeto de lei, sob pena de afronta ao princípio da separação dos poderes. 
Comentários na aula – O STF sempre entendeu que não poderia compelir o poder omisso a editar a norma, mas tão somente reconhecer a sua mora. Contudo, em 2007, no caso do direito de greve do servidor público, o STF passou a entender que nos casos de inércia legislativa, o próprio STF pode estabelecer uma regulamentação provisória para o direito pleiteado. 
Com relação ao artigo do caso em tela, o STF entendeu que não cabia ao judiciário se substituir ao poder omisso, estabelecendo uma legislação temporária. Nesse sentido: STF, RE 527.622.
3ª Questão
Sociedade empresarial insurge-se contra uma lei que revogou determinada isenção tributária. Ocorre que esta sociedade se beneficiava da isenção tributária prevista na lei complementar nº 70/91 e a Fazenda, com o advento da Lei 9430/96, passou a cobrar o valor do tributo. Alega que a suposta revogação de uma lei complementar por uma leiordinária fere de morte a estrutura hierarquizada da legislação brasileira, amparada pela pirâmide de Kelsen.
Responda, fundamentadamente, se o argumento da sociedade encontra respaldo na ordem jurídica brasileira.
Resposta
Tendo em vista que a lei em tela é materialmente ordinária e apenas formalmente complementar, não há óbice para que sua revogação seja feita por lei ordinária. Dessa forma, não há de se falar em inconstitucionalidade da referida lei.
Comentários na aula – Deve-se refletir sobre a diferença entre Lei Complementar e Lei Ordinária. A doutrina majoritária e a jurisprudência pacífica do STJ e STF entendem que não há hierarquia entre essas espécies normativas, mas sim uma divisão de matéria. Ambas retiram fundamento de validade da própria Constituição da República. A diferença restringe-se ao quórum de aprovação e ao âmbito de matérias que competem a cada uma delas, no sentido de que a Constituição exige Lei Complementar para o tratamento de certas matérias que o constituinte entendeu que seria interessante uma dificuldade maior para mudança. 
A Lei Ordinária que invade Lei Complementar é inconstitucional por violar o artigo da Constituição que restringia determinada matéria ao tratamento por Lei Complementar. A visão hierarquizada não satisfaz mais os conflitos contemporâneos. Isenção de tributo não é reservada à Lei Complementar, motivo pelo qual a revogação por Lei Ordinária é possível.
Poder Constituinte
Espécies 
São duas espécies:
Originário – Responsável por criar a nova Constituição. Há poder constituinte na criação de toda constituição, seja ela democrática ou não. Esse é um poder de 1º grau, inicial, inaugural. 
Derivado/constituído/instituído – Esse é um poder de 2º grau, que se manifesta na sua via reformadora e decorrente. O reformador é responsável pelas alterações formais que a Constituição receberá ao longo de sua vida (art. 60); o poder decorrente é o poder de auto-organização estadual (art. 11, ADCT). O poder de reforma se manifesta por meio das emendas constitucionais (art. 60) e já se manifestou também pelas emendas de revisão (art. 3º ADCT). 
Características do Poder Constituinte Originário
O poder constituinte originário é o poder que permitirá a elaboração da nova constituição e possui como uma de suas principais características a liberdade jurídica, pois não está condicionado a normas anteriores. As limitações são encontradas na ética interna do próprio elemento que lhe deu origem, sendo de ordem política, econômica, social e histórica. 
Além dessa, há de se dizer que é um poder permanente, como defende o Ministro Gilmar Mendes e, por isso, não se esgotaria com a criação de uma nova Constituição. 
Outra característica é o poder inicial, pois é responsável por criar um novo ordenamento jurídico constitucional e criará um novo estado consubstanciado no novo texto constitucional. 
É também um poder incondicionado diante dos aspectos formais, pois não há uma forma predefinida a respeito da manifestação o PCO. Muitos confundem essa característica com a ilimitação. Lembre-se que condicionado está ligado ao aspecto formal e ilimitado está ligado ao aspecto material, ao seu conteúdo. 
Por isso remete-se ao poder ilimitado, porém apenas no que tange ao direito positivo, uma vez que o PCO não precisa respeitar direito adquirido, ato jurídico perfeito e etc. As normas constitucionais originárias são normas livres no seu aspecto jurídico. Segundo a visão jus naturalista predomina o entendimento de que esse poder constituinte originário não seria completamente ilimitado, pois precisaria respeitar os valores superiores à própria existência humana como a vida, a dignidade da pessoa humana e etc.
Já o PCD é um poder de 2º grau que não goza da autonomia do PCO. O PCD é elaborado de acordo com o que anuncia a própria Constituição, seja na sua manifestação reformadora ou a possibilidade de auto-organização dos estados membros. Por isso é um poder subordinado, estando hierarquicamente abaixo das manifestações do PCO. É também um poder condicionado, pois as formas de sua atuação encontram-se presentes no texto constitucional (ex. previsão das emendas e constituição estadual), isso está relacionado ao aspecto formal. É um poder limitado no que tange ao aspecto material, em que as cláusulas pétreas formam o núcleo material de limitação.
Inconstitucionalidade Superveniente x Revogação 
O Constituinte originário não deve reverência a nada relacionado à ordem jurídica anterior. Do ponto de vista prático, a Constituição seria o marco zero de uma nova ordem jurídica. Ocorre que é inviável que todas as outras leis sejam refeitas à luz da nova Constituição. 
Para sanar esse problema, Kelsen criou o conceito de recepção, para permitir que não haja uma ruptura completa em que as leis anteriores continuam em vigor, caso sejam compatíveis, ou seja, recepcionadas pela CRFB/88, ganhando um novo fundamento de validade. 
O primeiro entendimento foi defendido por Vezio Crisafulli, predominante na Itália e Alemanha, segundo o qual quando uma nova Constituição entra em vigor ela torna inconstitucionais as normas anteriores incompatíveis com ela, em razão da inconstitucionalidade superveniente, atingindo a validade da lei. Diante disso, essas normas poderiam ser atacadas em sede de ação direta de inconstitucionalidade.
Contudo, não é esse o entendimento que prevaleceu no direito brasileiro. Aqui, adota-se o posicionamento tranquilamente encampado pela jurisprudência do STF no sentido da revogação. Assim sendo, a Constituição revoga as normas anteriores incompatíveis com ela, atingindo a própria existência da lei. Com base nesse entendimento, o STF aduz que não é cabível ação direta de inconstitucionalidade contra leis anteriores à Constituição. 
Anteriormente não havia instrumento apto ao exercício do controle acerca da revogação das normas, ficando a questão ao sabor do controle difuso. Contudo, após o advento da ADPF essa questão foi solucionada, já que essa ação abarca as normas anteriores à Constituição da República.
Casos Concretos – Tema 2
1ª Questão
Trata-se de ADI, proposta perante o STF, cujo objeto é a averiguação da constitucionalidade do § 13 do artigo 40 da CFRB, com a redação dada pela EC 20/98. Alega-se que a referida norma, ao alterar a forma de participação dos servidores estaduais detentores, exclusivamente, de cargos em comissão no regime previdenciário, violaria a proibição contida no artigo 60, § 4º, I, da CFRB, ofendendo o Princípio Federativo, ao interferir na organização e autonomia dos Estados (ver artigo 18). Afrontaria também a norma do parágrafo único do artigo 149. Aduz que a referida emenda retira dos entes federados a capacidade de auto-organização, de autolegislação, de autogoverno e de auto-administração. É procedente o pedido? Quais seriam os limites materiais impostos às futuras emendas à Constituição, no que tange ao Princípio Federativo?
Resposta
Primeiramente, ressalte-se que o STF já reconheceu a possibilidade de aplicação de controle de constitucionalidade das Emendas constitucionais com os limites formais e materiais impostos pela própria CRFB/88 ao poder constituinte derivado. Entende-se que os limites materiais são as cláusulas pétreas previstas no artigo 60, §4º, CRFB/88.
No caso em tela, o pedido deve ser julgado improcedente, pois deve ser preservado o núcleo essencial do pacto federativo, o que não foi violado com a Emenda Constitucional em questão. Bem vistas as coisas, a União poderia legislar sobre regras gerais, mas preferiu fazê-lo pela Constituição o que não retira a autonomia dos estados.
Comentários na aula – Deve-se atentar para que não haja violação do núcleo essencial das cláusulas pétreas. 
2ª Questão
Governador do Rio Grande do Sul ajuíza Ação Direta de Inconstitucionalidade em face do art. 45, §§ 1º e 2º, da Constituição da República Federativa do Brasil. Acentua, juridicamente, que a norma constitucional em pauta fere princípios constitucionais superiores, que estão albergados pelas cláusulas pétreas, e,por consubstanciarem concreções positivas do direito supralegal, estariam em um patamar superior de hierarquia. Alega a violação dos princípios da Igualdade (artigo 5º da CRFB/88), da Igualdade do Voto (artigo 14 da CRFB/88), do exercício, pelo povo, do poder (artigo 1º, parágrafo único, da CRFB/88), da Cidadania (artigo 1º, inciso II, da CRFB/88), da Democracia (artigo 1º da CRFB/88) e do Regime Federativo (artigo 60, parágrafo quarto, inciso I c/c artigo 1º da CRFB/88). Sob fundamento lógico-jurídico, explica de forma técnica que há uma real desproporção e discriminação relacionada à distribuição da população no país, sua participação no PIB e composição do Congresso Nacional. Assim, demonstra que a região do SUL/SUDESTE detém 57,7% da população brasileira, participa de 77,4% do PIB e compõe 45% do Congresso Nacional. Enquanto isso, a região NORTE/NORDESTE detém 42,3% da população, participa de 22,6% do PIB e compõe 54,3% do Congresso Nacional. Dessa forma, sublinha que há uma disparidade, um descompasso real nessa divisão, que se torna discriminatória e injusta, tendo em vista que atribui pesos diferentes a cidadãos absolutamente iguais, afirmando que há uma colisão entre os valores de justiça e de eqüidade.
À luz da jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal, comente a plausibilidade da tese invocada pelo Governador do Rio Grande do Sul.
Resposta
No caso em tela, a ação deve ser julgada improcedente considerando-se a impossibilidade jurídica do pedido. Ressalte-se que não há de se falar em hierarquia entre as normas constitucionais originárias, o que não permite o controle de constitucionalidade de uma em face das outras. Isso porque a Constituição da República deve ser vista como um todo, não sendo cabível ao STF, nos moldes do artigo 102, da CRFB/88, exercer o papel de fiscal do constituinte originário.
Comentários na aula – A ação deve ser extinta sem resolução do mérito por impossibilidade jurídica do pedido. Há de se falar na necessidade da Emendas Constitucional respeitar o núcleo essencial das cláusulas pétreas. O grande argumento nessa ADI é que o constituinte originário sempre deu um tratamento unificado ao regime próprio de previdência. Nesse sentido: STF, ADI 2.024.
3ª Questão
Com a superveniência da Constituição de 1988, o Procurador-Geral da República entende que uma determinada Lei promulgada alguns anos antes não guarda compatibilidade com a nova Carta e, dessa feita, propõe ação direta de inconstitucionalidade para impugná-la.
O Advogado-Geral da União, ao defender a constitucionalidade do texto impugnado, aduz que o mesmo fora editado sob a égide da Constituição anterior, que com ela mantém compatibilidade, tanto material, quanto formalmente.
Responda, fundamentadamente, em no máximo 15 (quinze) linhas, se agiu corretamente o autor.
Resposta
O autor não agiu corretamente, visto que deve ser ajuizada uma ADPF, já que a Lei foi promulgada antes da Constituição de 1988. Dessa forma, não há de se falar em exata inconstitucionalidade, mas sim a análise se fora ou não recepcionada pela Constituição da República. 
Comentários na aula – As normas do constituinte originário possuem liberdade jurídica, pois as normas são incondicionadas e ilimitadas do ponto de vista jurídico. Na doutrina e jurisprudência brasileira não prevaleceu o entendimento de Otto Bachof, que escreveu a obra “Normas constitucionais inconstitucionais?”, que sustentava que é perfeitamente possível a existência de normas constitucionais originárias inconstitucionais por agredirem direitos da personalidade humana e que fundamentam a própria existência do Estado. O STF entende que a Constituição forma um bloco unitário com suas normas originárias de igual hierarquia, motivo pelo qual não é possível a analise da constitucionalidade dessas normas.
Aula 2 – Temas 3 e 4 – 25/11/2014[2: Ministrada pelo professor Marcio Ayala Pereira Filho. Temas: CP01.01.03 - Hermenêutica constitucional: Princípios da interpretação constitucional. Critérios de interpretação; CP01.01.04 - Reformas constitucionais: Emendas; Revisão; Mutação constitucional formal e informal. Limites do poder de reforma. Cláusulas pétreas e sua extensão. O papel do Supremo Tribunal Federal.  ]
Bibliografia: Luís Roberto Barroso – Direito Constitucional Contemporâneo. 
Hermenêutica Constitucional
Interpretação Constitucional
A interpretação constitucional depende da teoria que está sendo discutida. Devemos ter em mente que não existe um neoconstitucionalismo, mas sim diversas correntes que reestruturam a teoria da Constituição. 
A nossa de interpretação vem das próprias fases cognitivas de leitura, quais sejam:
Intelecção – Nível em o que o sujeito entende, mas dentro de um conceito limitado;
Compreensão – Sujeito compreende o conjunto das palavras;
Interpretação – Trata-se da revelação do sentido e o alcance de determinadas palavras. No direito, seria conferir efetividade ao enunciado normativo compreendido.
Ressalte-se que enunciado normativo é o que está escrito, ou seja, o texto constitucional, ao passo em que a norma é o resultado da interpretação. 
A interpretação nem sempre foi vista dessa forma, pois para o positivista, por exemplo, a interpretação reduz ao silogismo, ou seja, a subsunção da norma ao fato típico. 
Neoconstitucionalismo
Na visão de Daniel Sarmento, neoconstitucionalismo é resumido a 5 características:
Força normativa dos princípios – No positivismo, os princípios eram métodos de integração de normas. Contudo, no neoconstitucionalismo, os princípios são alçados a categoria de normas de natureza norma-genética, visto que são o fundamento de validade de criação das normas jurídicas;
A diferença básica entre regras e princípios para uma lógica neoconstitucionalista é que os princípios são vistos como mandados de otimização, podendo ser afastados em determinados casos e admitindo ponderação. Já as regras são comandos concretos, sendo um comando bivalente, segundo Dworkin (existe e é aplicável ou não existe e não é aplicável). Os postulados normativos, por sua vez, são meta-normas, pois orientam a aplicação dos princípios. Os postulados da razoabilidade e da proporcionalidade (não possuem diferença semântica) são importantes nessa seara. Por fim, os valores são meta-jurídicos, pois pertencem a um núcleo estritamente moral, estando fora do direito. O valor não é gênero de norma jurídica, apenas permeando a norma jurídica, mas sem cogência. 
Obs.: Preâmbulo é tão somente certificado de origem e protocolo de intenções, não possuindo cogência para ser estabelecido como parâmetro para controle de constitucionalidade.
Rejeição ao formalismo – Não significa dizer que o neoconstitucionalismo abandona a lógica subsuntiva, pois o próprio direito penal ainda se utiliza. No entanto, há uma tendência a rejeição ao formalismo, tendo em vista uma maior possibilidade de interpretação pela ponderação de interesses;
Não podem ser utilizados argumentos particulares, tais como argumentos religiosos no aborto, visto que o Estado é laico e nem todos acreditam em Deus.
Para ponderar interesses é necessário seguir os seguintes passos: i) Escolher os princípios que estão em conflito; ii) Verificar reserva legal, de modo a observar se o legislador já previu essa ponderação. Exemplo: Aborto em caso de estupro; iii) Atribuir peso e aplicar argumentação jurídica, lembrando-se que a argumentação não pode contar com particularidades; iv) Verificar supressão, com fundamento no princípio da unidade da Constituição. Caso haja afetação do núcleo essencial do princípio a ponderação deve ser inválida.
Relação do direito com a moral – Falar em neoconstitucionalismo é admitir a moral dentro do direito. No positivismo, o cientificismo foi baseado na teoria pura do direito. Contudo, no neoconstitucionalismo a moral permeia o direito como um todo;
Constitucionalização de todo o direito – A Constituição passa a reger todo o ordenamento jurídico infraconstitucional. Sobretudo, por meio do controle constitucional, reforçando o princípio daSupremacia da Constituição;
Judicializaçāo de política pública – O Judiciário passa a ser um ato de realização dos princípios constitucionais, não contendo-se com as normas de caráter programático e conferindo-lhes efetividade. 
No âmbito da juridicialização de política pública, a reserva do possível e o mínimo existencial são conflitantes. Contudo, para o STF o primeiro não se aplica ao segundo, tendo em vista o direito de liberdade.
A constitucionalização simbólica é uma crise de efetividade da Constituição, em que o Estado se valeria de um álibi que seria uma mera declaração de direitos. 
Métodos de Interpretação
Métodos Clássicos
Literal/ gramatical
Esse é o ponto de partida da análise do intérprete. Faz-se indispensável. A interpretação literal de hoje se deferência da interpretação do século XIX na medida em que a norma significava aquilo que estava escrito e mão havia leis que geravam tantas normas distintas.
Hoje a interpretação literal é o ponto de partida, mas não é o ponto de chegada do interprete, pois uma lei pode ter inúmeras normas e interpretações. Um exemplo disso é o artigo 5º, LVI que trata das provas ilícitas que podem ser passiveis de ponderação como aduz o próprio STF em caso de beneficio do réu ou estado de defesa. 
Histórica
O intérprete verifica as circunstancias históricas de criação de determinado enunciado normativo.
Faz-se muito importante, sobretudo, em constituições jovens como a nossa. A CRFB/88 foi desejada, pois o povo precisava disso para trazer esperança e acabar com o fantasma ditatorial. O habeas data e o mandado de injunção estão perfeitamente afinados com as violações da época da ditadura. O MI foi importado do direito norte-americano para dar efetividade às disposições constitucionais.
O STF aplicou a interpretação histórica no caso da lei de anistia.
Os autores tendem a defender que a geração atual não pode encarcerar toda a geração passada. Logo, o que interessa hoje não é a ocasio legis (época de criação da CRFB/88), mas sim a ratio legis (fundamento racional que mantém a CRFB/88 em vigor até hoje. 
Sistemático
Trata-se do método que mais e adéqua a uma lógica neoconstitucionalista de interpretação. É o método que comporta uma estrutura dialógica. Permite uma análise mais ampla dos dispositivos constitucionais. 
É inviável a análise da Constituição de forma isolada, pois não é coerente com o constitucionalismo atual as visões fragmentadas do texto. Um exemplo é o meio ambiente que foi enaltecido na CRFB/88 como em nenhuma outra. Sabemos disso por diversos dispositivos da nossa constituição, como competência legislativa, o art. 225 que vale do princípio da igualdade inter-geracional, dentre outros. Veja-se o microssistema da tutela coletiva. Deve haver uma análise de conjunto.
TELEOLÓGICO
Defende a finalidade dos institutos. O direito não é um fim em si mesmo, pois os meios são necessários para serem atingidos os seus fins. Um exemplo é o de duas moças que moravam como família em um determinado município. Uma delas era prefeita e a outra resolveu se candidatar a cargo para o mesmo município. Em 2004 o tema da união afetiva não estava tão a frente como hoje. O TSE, de qualquer modo, resolveu impugnar a candidatura. Ao recorrer a mulher alegou que não poderia arcar somente com os ônus. O Ministro Gilmar Mendes interpretou o inciso 14, §7º, tratava de pessoas com vinculo afetivo próximas que não poderiam concorrer, pois isso aniquilaria a democracia. Para a população local, elas são vistas como núcleo familiar e que não poderia se candidatar. 
 Lógico
Está muito ligado a teoria positivista e ao método subsuntivo. 
Métodos Modernos
tópico problemáticO – Theodor Vienweg
O método tópico problemático, parte do caso, do conflito, da situação concreta, ou seja, o intérprete analisa o caso, analisa o conflito e só assim vai buscar uma norma para solucionar aquele conflito. Ele parte então da situação concreta para buscar inspiração na norma que será aplicada para resolver aquele conflito. Permite-se uma análise minuciosa da situação e somente depois é que se busca uma solução no ordenamento. 
Esse método serve para resolver casos concretos, aproximando-se com a ideia de precedentes da common law.
Hermenêutico Concretizador – Konrad Hesse
Já o método hermenêutico concretizador tem como ponto de partida a norma, ou seja, ele parte da norma para aí sim aplicá-la ao caso concreto. O intérprete primeiro avalia o que existe de disponível no ordenamento para resolver aquele conflito e só então vai fazer uma análise mais especifica daquela situação-problema. 
Trata-se de um método contrário ao tópico problemático, pois no segundo parte-se da situação concreta e no primeiro parte-se da norma. 
científico-espiritual – Rudolf Smend
O método científico espiritual é aquele que reconhece que o direito é muito mais do que uma análise do caso e da norma, ele recebe influência dos fenômenos sociais, culturais, ou seja, é um método que parte das influencias externas para só então analisar o caso e a norma aplicável. São os fenômenos externos que muito influenciam o direito.
Nesse método, o intérprete aproxima-se mais da política do que da teoria pura do direito.
normativo estruturante – Frederich Muller 
O método normativo estruturante é aquele que destaca que não há uma solução pronta para todos os conflitos. Não há sempre uma identidade entre a lei e a norma. A cada caso será feito um novo encontro entre a lei e a norma que dela pode se extrair. 
O enunciado normativo seria muito menos que a norma, pois dele surge um feixe de possibilidades. Normalmente, um enunciado normativo é plurissignificativo e, por isso, é tarefa do intérprete conseguir extrair toda a sua normatividade.
Então, esse método indica que o direito vai ser feito no caso a caso, que haverá um encontro entre a norma e a lei, e que nem sempre a norma vai ser mera reprodução da lei, pois vai depender justamente do conflito apontado. Esse método promove o encontro entre a norma e a lei em cada situação apresentada ao judiciário. 
comparação constitucional – peter haberle
Esse método defende que na verdade não há só um método ou um princípio e a cada caso você pode aplicar diversos métodos e princípios. Esse método indica que você não tem um arcabouço de métodos e princípios prontos, pois a cada situação será necessária a aplicação de vários métodos e princípios. 
Interpretação Conforme
Esse princípio é um princípio de hermenêutica e também uma técnica de decisão no controle de constitucionalidade, conforme prevê o art. 28, parágrafo único, da Lei 9.868/99:
 Art. 28. Dentro do prazo de dez dias após o trânsito em julgado da decisão, o Supremo Tribunal Federal fará publicar em seção especial do Diário da Justiça e do Diário Oficial da União a parte dispositiva do acórdão.
Parágrafo único. A declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade, inclusive a interpretação conforme a Constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto, têm eficácia contra todos e efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal, estadual e municipal.
Ressalte-se que o enunciado normativo plurissignificativo é pressuposto da interpretação conforme. 
A interpretação conforme pode ser vista como princípio constitucional ou técnica de decisão. Enquanto princípio constitucional, deriva-se da presunção de constitucionalidade das leis, ou seja, se estivermos diante de uma norma plurissignificativa e se pelo menos uma das interpretações dessa lei estiver em conformidade com a CRFB, cabe ao intérprete decidir pela manutenção da norma no ordenamento jurídico, desde que interpretada daquela forma, afastando todas as demais interpretações de forma contrária à CRFB. Assim, parte-se de uma norma plurissignificativa e, se essa norma produzir pelo menos um efeito válido e harmonioso com a Constituição, cabe ao intérprete afastar todas as interpretações em desconformidade com o texto e manter a norma aplicável naquela situação,confirmando inclusive a sua constitucionalidade, desde que interpretada daquela maneira. Desse modo, preserva-se o enunciado normativo e aplica-se a técnica de decisão. 
A admissão da interpretação conforme, denota a utilização da teoria neoconstitucionalista. Veja-se que no controle de judicialidade, o Poder Judiciário atua como legislador negativo, pois retira a validade de enunciados normativos que venham a ofender a Constituição. Contudo, a interpretação conforme permite que o intérprete tenha uma atividade criativa, eis que ele cria a norma jurídica. 
Essa atividade criativa pode ocorrer em diversos graus. A doutrina fala em dois grupos, quais sejam: i) decisões interpretativas (denotam um baixo grau de criação); ii) e decisões manipuladoras (alto grau de inovação na ordem jurídica).
Decisão Interpretativa
A decisão interpretativa se subdivide em: i) Decisão de aceitação; ii) e Decisão de rechaço.
Na decisão de aceitação, devemos imaginar um enunciado normativo com 3 interpretações possíveis. O STF aduz que a “N3”, por exemplo, é a mais indicada, mas que em eventual mudança da situação fática, a melhor interpretação seria alguma outra. Veja-se que a interpretação conforme indica a que mais se aproxima da Constituição, mas a Corte sinaliza que a mudança de circunstância, outras aplicações seriam possíveis. 
A decisão meramente interpretativa de rechaço promove a seleção da interpretação que mais se coaduna, mas a Corte aponta outras tantas interpretações que não podem ser operacionalizadas. Ressalte-se que, para Rodrigo Brandão, a decisão meramente interpretativa de rechaço seria sinônimo da declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto.
Decisão Manipuladora
Essa decisão subdivide-se em: i) Decisão aditiva; ii) e Decisão substitutiva.
Na decisão manipuladora aditiva, o enunciado já contém enunciados pré-determinados, mas o Poder Judiciário, com base no princípio da isonomia, estende o rol de contemplados a terceiros, incialmente não previstos pela norma jurídica. Exemplo: Reconhecimento da união estável entre casal homoafetivo.
Observe-se que o STJ, há poucos meses, estabeleceu que não seria possível a tomada de decisões manipuladores aditivas em questões tributárias. 
Já na decisão manipuladora substitutiva, o Poder Judiciário promove uma alteração diametral ao que foi estabelecido pelo legislador. Exemplo: O artigo 15, do Decreto 3.365/41, estabelecia que os juros compensatórios em caso de desapropriação seriam de 12% a.a. Em 2002 foi editada MP que revogou o mencionado artigo e estabeleceu o índice de 6% a.a. Essa MP foi objeto de ADI, em que o STF aplicou interpretação conforme para que onde se lê 6%, leia-se 12%. 
Nesse caso, encontra-se o maior ponto de tensão entre o Legislativo e o Judiciário.
Casos Concretos – Tema 3
1ª Questão
Responda, fundamentadamente, se há diferença entre interpretação e aplicação da Constituição, ou se elas consubstanciam-se ou não em um só ato.
Resposta
Segundo Eros Roberto Grau, a interpretação e a aplicação são parte de um processo unitário, visto que a interpretação consiste na concreção da lei ao caso concreto, ou seja, na sua própria aplicação.
Comentários na aula – Na ótica neoconstitucionalista a interpretação e a aplicação dialogam em um mesmo processo.
2ª Questão
Determinado partido político postula, via ação direta de inconstitucionalidade, a declaração de inconstitucionalidade da norma prevista no art. 14, §4º da CRFB. Alega ser uma exigência inconstitucional, descabida e inoportuna, que estabelece regra incompatível com os princípios naturais e os critérios isonômicos de um Estado que se diz democrático, bem como viola o princípio republicano.
Responda fundamentadamente, com base nos princípios de interpretação constitucional, se o pedido deve ser julgado procedente.
Resposta
O pedido deve ser julgado improcedente, pois se trata de uma norma constitucional originária, motivo pelo qual se aplica o princípio da unidade hierárquico-normativo diante do caráter rígido da CRFB/88. Desse modo, o STF entende que a norma constitucional originária não pode ser objeto de controle de constitucionalidade.
Comentários na aula – Não houve comentários.
3ª Questão
A alteração na situação de fato que foi levada em consideração no momento de elaboração de uma lei pode levar ao reconhecimento de que ela passou a ser inconstitucional?
Resposta
O Supremo Tribunal Federal reconhece essa possibilidade com base na idéia de “norma ainda constitucional” trazida pela doutrina alemã. Isso porque, por exemplo, caso uma situação de desigualdade não seja mais configurada, a lei que conferiu privilégio a certas pessoas, pode ser considerada inconstitucional, visto que se estaria tratando de forma desigual pessoas iguais.
Comentários na aula – Sim, considerando-se toda a nova aplicação neoconstitucional. Podemos até utilizar o moderno método científico-espiritual.
Poder Reformador
O núcleo essencial da Constituição está no artigo 60:
Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:
I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal;
II - do Presidente da República;
III - de mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros.
§ 1º - A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio.
§ 2º - A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros.
§ 3º - A emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o respectivo número de ordem.
§ 4º - Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:
I - a forma federativa de Estado;
II - o voto direto, secreto, universal e periódico;
III - a separação dos Poderes;
IV - os direitos e garantias individuais.
§ 5º - A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa.
A Constituição pode ser alterada de dois pontos de vista, quais sejam:
Formal – Promove a alteração por revisão constitucional (art. 3o, do ADCT) ou por Emenda Constitucional (art. 60, da CRFB/88). No artigo 3º, ADCT, encontramos a previsão das emendas de revisão que tinham como quorum de aprovação a maioria absoluta de votos em sessão unicameral. Foram aprovadas 6 emendas no ano de 1994. O STF entendeu que em 1994 se esgotou a possibilidade de reforma através de emenda de revisão. Já a Emenda é uma alteração pontual da CRFB/88. A doutrina majoritária entende que não seria possível outra revisão constitucional. Contudo, a doutrina minoritária entende que seria possível uma Emenda ao artigo 3o para que fosse feita nova revisão. 
Informal – Por meio da mutação constitucional que, segundo a doutrina, consiste em uma mudança da letragem e não da letra da Constituição. Ocorre quando já existe interpretação anterior. Difere-se da interpretação construtiva, não pressupor uma interpretação anterior, criando-se um significado não determinado por parâmetros anteriores. É muito usado no controle difuso;
A Constituição deve estar sempre próxima da realidade e de sua aplicação, não permitindo que ocorra um hiato constitucional autoritário.
A constituinte exclusiva deveria ser considerada, segundo parte da doutrina, como inconstitucional, pois subverte a própria ótica da constituinte originária, sendo uma fraude ao poder reformador.
Emenda Constitucional estadual pode ser objeto de controle de constitucionalidade face a Constituição estadual?
Parte da doutrina entende que não seria possível o controle de Emenda Constitucional estadual em face da Constituição Estadual, pois trata-se de poder constituinte derivado decorrente reformador, tendo a mesma base axiológica do poder constituinte derivado decorrente institucionalizador. A doutrina no Riode Janeiro tende a aceitar o controle, pois deve ser estabelecida uma estabilidade mínima que deve ter o seu núcleo essencial resguardado.
Limitações do poder reformador
Como já visto, é um poder de 2º grau, subordinado, condicionado e limitado.
São 4 categorias principais de limitações:
Formais (art. 60, I, II, III, §2º, §3º, §5º);
Circunstanciais (art. 60, §1º).
Temporais;
Materiais (Expressas (art. 60, §4º) e Implícitas);
Formais (art. 60, I, II, III, §2º, §3º, §5º) 
Estão associadas ao processo legislativo de elaboração da emenda. O rol desses incisos é taxativo e a iniciativa é concorrente, pois qualquer tipo de composição é permitido. Não há iniciativa popular para a apresentação da PEC, pois não há previsão expressa e admitir legitimados não previstos violaria o próprio limite implícito ao poder de reforma. Contudo José Afonso da Silva sustenta a possibilidade de iniciativa popular de Emenda em razão do princípio dos poderes implícitos. 
O artigo 60, §2º traz os dois turnos de votação de 3/5 dos votos dos membros de cada uma das casas do Congresso e do Senado. Esses dois turnos não podem ocorrer no mesmo dia, em um mesmo momento. Não há propriamente uma casa revisora, pois ela precisa receber a anuência de ambas as casas, com exceção das Emendas redacionais, ou seja, apenas as substanciais precisam voltar para outra casa para serem aprovadas. As emendas não passam pela sanção ou veto do Presidente, uma vez que aprovadas já passam para o processo de promulgação. Apenas as mesas da Câmara e do Senado participam do processo de elaboração das emendas e não a mesa do Congresso Nacional. Tanto as mesas da Câmara quanto do Senado podem realizar a promulgação. 
O último limite é o do §5º que aduz que a proposta rejeitada não pode ser objeto de votação na mesma sessão legislativa (que é o período legiferante dos parlamentares, iniciado em 2 de fevereiro, que compreende o ano inteiro, inclusive os recessos do meio e do fim do ano). Não confundir legislatura com sessão legislativa, já que legislatura é o período de 4 anos de mandato que compreende 4 sessões legislativas. Atente-se que a PEC não pode ser rejeitada e reapresentada em uma mesma sessão legislativa, mas ela pode ser rejeitada e reapresentada na mesma legislatura, desde que em sessão distintas. Dentre as sessões existem as ordinárias (período normal de trabalho) e as extraordinárias (período do recesso). Não importa se a PEC foi apresentada em sessão ordinário ou extraordinária, uma vez rejeitada, ela não pode ser reapresentada na sessão seguinte. Se a PEC é rejeitada em janeiro de 2013, ela pode ser reapresentada em fevereiro de 2013, pois as sessões legislativas são distintas. Rejeitar e prejudicar não são sinônimas: a rejeição está relacionada ao vício de forma e prejudica ao vício de matéria. 
Circunstanciais (art. 60, §1º) 
Trata-se do regime de legalidade extraordinária. Há limitações circunstanciais, como é o caso do estado de defesa, estado de sítio e etc. Em resumo os atos do processo de construção das emendas estão representados (iniciativa, discussão, votação, promulgação e publicação). Durante a IF (art. 34 a 36), ED/ES (art. 136 a 141), nada impede que a proposta seja oferecida durante essas situações excepcionais e podem ser discutidas. Contudo, elas não podem ser votadas, promulgadas ou publicadas. Caso a PEC já tiver sido discutida e já iniciado o processo de votação, em uma dessas situações de urgência, o processo deve ser suspenso até o período de exceção terminar, em nome da proteção da Constituição e da rigidez constitucional. 
Temporais 
O poder revisional, espécie do poder reformador, sofreu um limite temporal bem específico que foi destinado somente a ele, já que não poderia ser realizada reforma antes do período de 5 anos contados da promulgação da Constituição. No entanto, quando estudamos esse tema, devemos analisar o poder revisional em si, do gênero poder reformador. Dessa forma o poder reformador não sofreu limitação temporal alguma, como prevê o artigo 60, CRFB/88. É esse o entendimento majoritário da doutrina. Contudo, temos o exemplo do artigo 174, da Constituição de 1824, que previa a impossibilidade de alteração antes de 4 anos contados a partir da outorga da Constituição.
Materiais Expressos (art. 60, §4º) e Implícitos 
As cláusulas pétreas são as limitações materiais expressas, que na verdade podem sofrer alterações, mas não podem ser destruídas ou restringidas a tal ponto que percam a sua essência. As previsões do art. 60, §4º trazem, no inciso I, a forma federativa do Estado. Neste ponto, os principais pontos são a autonomia dos entes, a impossibilidade de secessão (art. 1º, CRFB/88), a repartição de competências (EC 69/12), princípio da imunidade tributária recíproca entre os entes (ADI 939), CNJ (ADI 3367). 
Obs.: Por que houve a impugnação à criação do CNJ à luz do princípio federativo? Bem, os magistrados alegaram que o CNJ seria um órgão da União que fiscalizaria um órgão do estado o que traria um desequilíbrio federativo. O STF refutou essa defesa ao dizer que o CNJ não é um órgão da União e sim um órgão nacional (e não federal), sendo assim poderia fiscalizar as atividades dos órgãos judiciais tanto estaduais quanto federais.
O inciso II fala do voto que é um instrumento democrático dos mais relevantes. O sufrágio é o direito público subjetivo político do cidadão que vai permitir que ele participe da vida nacional. É como se o sufrágio fosse o gênero que possui inúmeras espécies como o plebiscito, o referendo, o voto, a ação popular e etc. Na realidade, o que é protegido nesse inciso não é o sufrágio e sim o voto. O voto está protegido até mesmo porque a própria CRFB/88 é fruto do movimento “diretas já”. O voto é secreto, em nome do princípio da liberdade de convicção política, é universal, pois o sufrágio é universal e é periódico, pois vivemos em uma República. Há, ainda, uma obrigatoriedade formal para se comparecer as urnas. Essa previsão, contudo, é perfeitamente passível de alteração para o voto facultativo, pois essa não é uma cláusula pétrea. 
Obs.: O artigo 55, §2º diz que no processo de cassação é um voto secreto. Esse voto previsto no artigo é protegido como cláusula pétrea ou pode haver uma EC alterando esse dispositivo? O entendimento é de que o voto protegido como cláusula pétrea é o voto do povo nos seus representantes, o voto citado é dos representantes em uma questão administrativa. Logo, não é a mesma qualidade de voto e poderia ser alterado.
O inciso III fala da separação de poderes, um dos corolários do constitucionalismo. Cada órgão do poder político assume funções típicas e atípicas. O princípio dos freios e contrapesos é indispensável. A CRFB/88 estabelece uma série de prerrogativas e imunidades para os ocupantes de certos cargos públicos que visam trazer independência funcional. O entendimento é de que não é possível que uma EC acabe com o estatuto dos congressistas e, por conseguinte, com as prerrogativas e imunidades, pois isso abalaria a harmonia entre os poderes, além da sua independência e liberdade funcional.
Obs: Quando o CNJ foi criado e associação dos magistrados ajuizou a ADI outro argumento foi a violação ao princípio das separações de poderes sob o argumento de que o CNJ não feriria a separação de poderes até porque o CNJ não exerce a função jurisdicional típica e sim para fiscalizar as funções administrativas e financeiras. Na composição do CNJ não existem apenas magistrados e o entendimento é de que há a necessidade da composição mista para sua melhor atuação.
O inciso IV traz os direitos e garantias fundamentais. As cláusulas pétreas, expressamente, protegem os direitos de 1º geração (vida, liberdade, propriedade) em uma leitura bem gramatical. Contudo, na ADI 939, o STF deixou claro que os direitos não se esgotam no rol do artigo 5º, como no caso do julgado que reconhece o princípio da anterioridade (art. 150, III) em matéria tributária como garantia individual protegido como cláusula pétrea. O princípio da dignidade da pessoahumana (art. 1º, III) se irradia por todo ordenamento jurídico e, portanto, no próprio art. 60, §4º, IV que também irradiaria e não se esgotaria nos direitos de 1ª geração.
Além dos expressos, boa parte da doutrina fala das limitações implícitas, também chamadas de cláusulas tácitas. Este é o caso da forma de governo, pois como prevê o artigo 2º, ADCT, o povo foi às urnas para decidir que queria viver em uma república presidencialista. Portanto, a forma de governo republicana e o sistema de governo presidencialista são cláusulas pétreas implícitas. A titularidade do poder constituinte pertencente ao povo (art. 1º, CRFB/88) e o próprio artigo 60, que é o coração da rigidez constitucional, é exemplo de cláusula pétrea tácita. 
Mutação Constitucional
Este é o termo mais usado, mas pode se encontrar expressões como poder constituinte difuso (Georges Burdeau), transição constitucional (Canotilho), interpretação evolutiva e mudanças informais da constituição (Ana Cândida da Cunha Ferraz).
A mutação é o processo informal de mudança da constituição que permite a releitura do texto à luz de novos fatos e uma nova realidade. Esse não é um fenômeno exclusivo do poder judiciário. Ana Cândida diz que a mutação não é atividade exclusiva do poder judiciário e pode ocorrer pelo legislativo, em sede administrativa e até pelo próprio povo. Muito embora, segundo Barroso, o STF esteja em uma posição privilegiada para realizar a mutação constitucional. 
Alguns autores questionam se uma Constituição rígida admite a mutação e a resposta é positiva. Contudo, não se permite que com esse argumento as cláusulas pétreas sejam alteradas. Alguns exemplos de mutação constitucional são a ADI 4277 a respeito do artigo 226,§3º e a SV nº 25 com relação ao artigo 5º, LXVII, da CRFB/88. A ADI fala da união estável entre homem e mulher. A jurisprudência já estava bem a frente, até que o STF se pronunciou dizendo que esse artigo se aplica também à união homoafetiva.
O artigo 5º, LXVII, CRFB/88, fala das duas possibilidades de prisão civil por dívida. Porém, como sabemos o STF decidiu que não seria mais possível a prisão civil do depositário infiel de acordo com base no Pacto de São José da Costa Rica que recebeu status supralegal e pode revogar a legislação ordinária (Súmula Vinculante 25). 
Casos Concretos – Tema 4
1ª Questão
Com vistas a tutelar o consumidor, Estado membro promulga lei na qual obriga os revendedores de botijões de gás para consumo domiciliar que portem uma balança de precisão, efetuem a pesagem dos mesmos quando da venda do produto aos consumidores e, caso haja diferença entre o peso ideal e o peso efetivamente vendido ao consumidor, que haja o proporcional abatimento do valor da transação.
A Confederação que representa estes fornecedores ajuíza uma ação direta de inconstitucionalidade, em que alega a violação de vários princípios constitucionais, bem como argumenta a inviabilidade prática da obrigatoriedade desta conduta.
Responda fundamentadamente, em no máximo 15 (quinze) linhas, como deve ser julgado o pedido.
Resposta
Verifica-se, no caso em tela, que a lei padece do vício de inconstitucionalidade formal, tendo em vista que a competência para legislar sobre o tema é privativa da União, conforme disposto no artigo 22, IV e 238, da CRFB/88. Ademais, a referida lei viola os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, motivo pelo qual o pedido deve ser julgado procedente. 
Comentários na aula – Não houve comentários.
2ª Questão
Lei Distrital dispôs sobre a emissão de certificado de conclusão do ensino médio, no sentido de que as escolas expedirão o respectivo certificado e o histórico escolar aos alunos da terceira série de ensino médio que comprovarem aprovação em vestibular para ingresso em curso de nível superior, independente do número de aulas frequentadas pelo aluno.
Deverá o referido documento ser providenciado em tempo hábil de modo que o aluno possa matricular-se no curso superior para o qual for habilitado.
Inconformada, a Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino propôs ação arguindo a inconstitucionalidade da referida lei. Comente a hipótese discorrendo a respeito dos princípios da proporcionalidade, razoabilidade e recepção da norma.
Resposta
A referida lei deve ser considerada inconstitucional, visto que os Estados e o Distrito Federal apenas têm competência suplementar para legislar, conforme previsto no artigo 24, §2º, da CRFB/88. Bem vistas as coisas, as normas gerais devem ser estabelecidas pela União (art. 24, §1º, CRFB/88). A extrapolação a tais parâmetros gerais fere o princípio da razoabilidade e da proporcionalidade, ocasionando a inconstitucionalidade da norma.
Comentários na aula – Não houve comentários.
3ª Questão
PROVA ESPECÍFICA PARA INGRESSO NA CARREIRA DA MAGISTRATURA - RJ
XXIX Concurso (08/04/98)
O Promotor de Justiça da sua Comarca requereu, com fundamento no artigo 247, § 2º, do ECA, a apreensão de toda a edição do Jornal local relativa ao dia 08.04.98, por ter divulgado assalto com emprego de arma praticado por dois menores (15 e 16 anos de idade) residentes na cidade. Em face da liberdade de informação garantida na Constituição Federal, como decidiria a questão?
Fundamente.
Resposta
A atitude do promotor foi correta, tendo em vista que, ponderando os princípios em questão, a imagem do menor está acobertada pelo próprio princípio da dignidade da pessoa humana. Desse modo, a liberdade de informação não pode se sobrepor a uma exceção prevista na própria Lei.
Comentários na aula – Não houve comentários.
Aula 3 – Temas 5 e 6 – 26/11/2014[3: Ministrada pelo professor Jose Carlos Vasconcellos dos Reis. Temas: CP01.01.05 - Controle da constitucionalidade. Conceito, modalidades, histórico, sistemas no Direito Comparado. Tipos de inconstitucionalidade. Reserva de Plenário. Interpretação conforme a Constituição. Declaração de inconstitucionalidade sem pronúncia de invalidação. Declaração de inconstitucionalidade com ou sem redução do texto; CP01.01.06 - Controle incidental de inconstitucionalidade. Aspectos procedimentais. Efeitos da decisão que reconhece a inconstitucionalidade incidental. Papel dos órgãos de controle da constitucionalidade. O papel do Senado Federal. Arguição de Inconstitucionalidade. Repercussão geral. Abstrativização do controle difuso. ]
Controle de Constitucionalidade 
A inconstitucionalidade reside no plano da validade do negócio jurídico em geral e da lei em especial. A lei inconstitucional existe no ordenamento. Ressalte-se que a revogação atua no plano da existência, de modo que a lei inconstitucional não é revogada.
Ademais, a lei inconstitucional é dotada de presunção de constitucionalidade e produz seus efeitos, de modo que é eficaz. 
Histórico
O Brasil foi muito influenciado pelo direito comparado no que tange ao controle de constitucionalidade. 
Criação do Sistema Difuso
O sistema mais antigo é oriundo do sistema americano, instituído pelo caso do Marbury vs. Madison, que foi um dos primeiros casos em que a Suprema Corte aplicou o artigo 6º da Constituição americana, que diz que nenhuma lei ou ato pode prevalecer em detrimento da Constituição e que cabe ao juiz analisar essa compatibilidade dos atos/leis para com o texto constitucional. 
Após esse caso, a Suprema Corte passou a aplicar/não aplicar as leis perseguindo os ideias de justiça e em defesa da constituição. Essa foi a criação do sistema difuso, que permite que qualquer juiz/ Tribunal possa, na análise do caso concreto, aplicar ou deixar de aplicar uma lei que entenda violar ou não a Constituição.
Em suma, entendeu-se que a Constituição está no patamar mais elevado do ordenamento, cabendo ao intérprete deixar de aplicar a lei, no caso concreto, quando entender pela sua inconstitucionalidade.
Criação do Sistema Concentrado
Já a Áustria é conhecida como a base do controle concentrado, também conhecido como modelo europeu. Esse controle concentrado, intitulado de reservado ou fechado, surge em 1920 e permite que apenas um tribunal realizea fiscalização das leis. Kelsen, que muito influenciou nesse modelo europeu, tentou trazer um modelo que não permitisse que todo juiz/tribunal pudesse realizar a fiscalização das leis, pois isso fragilizaria o poder do parlamento.
Esse controle se espalhou pelas demais Cortes européias e a partir daí se permite que uma Corte Constitucional fiscalize as leis. Não são todos os tribunais e juízes, mas somente o tribunal constitucional que poderá exercer esse controle.
O Poder do Estado de exercer o controle denota o poder político (executivo e legislativo) e o poder jurisdicional (judicial).
No Brasil
O direito brasileiro foi sendo influenciado por ambos os modelos.
1824 – Não tinha controle; 
1891 – Foi instituído o controle difuso, por influência de Ruy Barbosa. Desde essa Constituição qualquer juiz pode, na análise de um caso concreto submetido à sua fiscalização, aplicar ou deixar de aplicar a lei;
1934 – Manteve o controle difuso, trouxe o papel do senado (que hoje está no art. 52, X, CRFB/88), instituiu o princípio da reserva de plenário (art. 97, CRFB/88) e também trouxe a RI interventiva federal – que foi a primeira ação do controle concreto, que hoje está no art. 36, III;
1937 – Não cuidou do papel do Senado, também excluiu a RI interventiva federal, manteve a reserva de plenário e o controle difuso. Mas ai estabeleceu o art. 96, que absurdamente dizia que se o Judiciário tivesse declarado a inconstitucionalidade de uma lei e o presidente não concordasse, ele poderia submeter essa lei ao crivo do parlamento e se o Congresso votasse favoravelmente a norma, a decisão judicial era desconsiderada;
1946 – Extinguiu-se a disposição do art. 96 da Constituição anterior, manteve o controle de 1891 e recuperou as novidades instituídas em 1934;
EC 16/1965 – Trouxe a principal ação do controle concentrado e a primeira do controle abstrato no Brasil. Criou a genérica representação de inconstitucionalidade, que seria o que hoje é ADI, contudo só podia ser ajuizada pelo PGR;
1967 e 1969 – Não houve inovações. 
Já a Constituição de 1988 mantém o controle difuso, mantém o papel do Senado Federal, preservou o princípio da reserva de plenário, manteve a representação de inconstitucionalidade interventiva, mas, de destaque, foi a ampliação do controle concentrado de constitucionalidade, pois além de ter transformado a RI interventiva na ADI, também criou a ADO, a ADC e também a ADPF. Além disso, o rol de legitimados ativos para a propositura dessas ações também aumentou. 
Natureza Jurídica
A tese que prevalece é a tese da nulidade do ato inconstitucional, pois este já nasce eivado de vício. A decisão que reconhece o vício é declaratória, motivo pelo qual, em regra, ensejará efeitos retroativos (ex nunc). 
Contudo, há uma corrente minoritária que aduz que o ato inconstitucional seria anulável (tese da anulabilidade do ato inconstitucional). Assim sendo a decisão que reconhece a inconstitucionalidade seria constitutiva e teria efeito ex tunc. O fundamento de tal tese seria a presunção de constitucionalidade das normas. 
Tipos de inconstitucionalidade
Material x Formal
Em que pese sejam vícios diversos com consequências distintas, nada impede que uma lei seja materialmente e formalmente inconstitucional. 
Formal (Nomodinâmica) – Será observada no curso do processo legislativo. Por conta disso, somente poderá ser verificado no momento de criação da lei, não sendo possível a sua inconstitucionalidade superveniente. Subdivide-se em: 
Subjetiva – Ocorre nos casos em que o vício for de iniciativa ou competência. O art. 61, §1º aponta o rol de iniciativa privativa do presidente e esse artigo é muitas vezes violado; o art. 60, I, II, e III aponta a iniciativa para a propositura da PEC – é importante ressaltar que o governador dos estados não tem legitimidade para apresentar PEC, se assim o fizer a norma será inconstitucional por vício de iniciativa. A sanção do chefe do executivo não convalida vício de iniciativa na apresentação dos projetos de lei. Os atos do processo não se tornam livres do vício por ato posterior. Quando há um vício de competência, presente nos arts. 21 a 25 e 30, CRFB/88, temos também uma inconstitucionalidade formal subjetiva. Exemplo: Direito penal e do trabalho devem ser regulados por lei federal e não estadual. 
Objetiva – Verifica-se nos casos em que o vício ocorrer nos demais atos do processo legislativo. Existem muitos atos no processo legislativo e se houver vício em qualquer um dos atos do processo de formação, estaremos diante de um vício de inconstitucionalidade formal objetiva. Exemplo: Projeto de lei de iniciativa do presidente deve começar a tramitar na Câmara e não no Senado; Casa revisora fez alteração e não remeteu o projeto à casa iniciadora, etc.
Obs.1: A inconstitucionalidade de lei editada pela União enquanto deveria ter sido feita pelo Município é caso de inconstitucionalidade por vício formal por vício de competência. 
Obs.2: Para o Barroso, a inconstitucionalidade formal é dividida em orgânica ou propriamente dita. A orgânica é aquela observada quando há vicio de competência federativa. A propriamente dita é aquela observada quando há vício nos atos do processo legislativo propriamente dito, como por exemplo, a iniciativa, as votações, etc. 
Material (Nomoestática) – É residual, ou seja, se não for formal, provavelmente será material. Refere-se ao conteúdo normativo, ferindo o próprio conteúdo material. Lembrando que o conteúdo da Constituição é um repertório formado por princípios e regras. Ressalte-se que em virtude de alguma mutação inconstitucional, a lei pode ser considerada inconstitucional superveniente material.
Ação x Omissão
Por Ação – Está presente no nosso ordenamento jurídico, mas agride a Constituição da República de alguma forma, cabendo ao controle de constitucionalidade retirá-la do ordenamento. Nesse caso, a lei é fruto de uma conduta comissiva por parte do Poder Público, violando a Constituição. A ação que vai combatê-la é a ADI.
Por omissão – Trata-se da conduta inerte do Poder Público de elaborar norma exigida pela Constituição. A ação para combatê-la é a ADO.
Controle difuso x Controle Concentrado
	
	Controle Difuso por Via Incidental
	Controle Concentrado por Via Principal
	Competência 
	Compete a todo juiz ou tribunal a análise da constitucionalidade de uma lei. Deve-se respeitar a cláusula de reserva de plenário prevista no art. 97.
	Concentra-se em um único Tribunal, ou seja, em um órgão de cúpula do Judiciário. No caso do Brasil, é exercido pelo STF.
	Forma pela qual o controle é exercido
	Feito, via de regra, no caso concreto, na análise de um conflito real. Assim sendo, ocorre no bojo de qualquer ação judicial, em que a questão constitucional será prévia ao mérito (questão incidental).
	O controle será exercido por meio do ajuizamento de uma ação que terá como única finalidade apenas a decisão da Corte a respeito da constitucionalidade da lei ou ato do Poder Público.
	Legitimidade Ativa
	Pode ser suscitado por qualquer pessoa que seja parte em um processo, seja autor, réu, terceiro, MP, ou o próprio juiz ou Tribunal de ofício (iura novit curia).
	Apenas os legitimados ativos previstos no rol do artigo 103, incisos de I a IX, da CRFB/88, podem propor.
	Efeito Subjetivo da Decisão 
	O juiz só julga no limite da sua atividade jurisdicional. Então, via de regra, as decisões são inter partes. Atenção para o papel do Senado, previsto no art. 52, X, CRFB/88.
	Os efeitos são erga omnes, afinal de contas não há parte no sentido formal, não há pretensão resistida, não há lide, ou seja, o STF pode decidir a inconstitucionalidade com repercussão geral. Os efeitos vinculantes das decisões no controle concentrado não são erga omnes, conforme prevê o artigo 102, §2o, CRFB/88, visto que não vincula o Poder Legislativo e Executivo. Ademais, o próprio STF não está vinculado ao seu entendimento, pois nova ADI pode ser ajuizada em face de lei anteriormente considerada constitucional no caso de mutação constitucional.Obs.: O STF entende que não é possível impetração de MS para controle de constitucionalidade material. O primeiro fundamento é a reverência das formas de controle interna corporis do próprio parlamento (Exemplo: Comissão de Constituição de Justiça), não podendo o STF se antecipar a avaliação do próprio Poder Legislativo, sob pena de violação do princípio da separação de poderes. Outro fundamento, é que nesse caso o MS estaria sendo utilizado como uma forma de controle concentrado preventivo disfarçado, pois o parlamentar não está se insurgindo contra o processo legislativo, mas sim contra o próprio projeto que pode ser alterado ao longo das votações. Nesse sentido: STF, MS 32.033/DF.
Casos Concretos – Tema 5
1ª Questão
Após os lamentáveis incidentes de 11 de setembro de 2001 (aeronaves lançadas contra edifícios), que ocasionaram a morte de várias pessoas, a fobia em relação ao povo muçulmano cresceu e alastrou-se, chegando até mesmo a algumas pessoas no Brasil. Imbuído por esse sentimento, certo Deputado federal resolve propor emenda à CRFB que dispõe sobre o banimento dos cultos religiosos islâmicos, e, para isso, consegue a adesão de 1/3 dos membros da Câmara.
Irresignados, por entenderem que tal proposta afrontaria o inc. IV do §4º do art. 60, um deputado e um representante do Islã resolvem, separadamente, impugná-la, por via mandamental.
Pergunta-se: De quem é a legitimidade ativa ad causam para provocar o controle de constitucionalidade na hipótese? Esse controle preventivo é difuso ou concentrado? Quais são as consequências na hipótese de conversão da proposta em emenda no curso do mandado de segurança? 
Resposta
Somente o parlamentar é parte legítima para a impetração do referido Mandado de Segurança, considerando-se o seu direito líquido e certo de participar de um processo legislativo constitucional, de modo a proteger a integridade jurídica do processo de elaboração à Emenda Constitucional.
Trata-se de um controle preventivo difuso de constitucionalidade exercido pelo Poder Judiciário.
Em caso de conversão em Emenda Constitucional, o STF entende que ensejará a perda superveniente de legitimidade ativa do congressista, pois o remédio cabível passará a ser a Ação Direta de Inconstitucionalidade.
Comentários na aula – O STF reconhece a possibilidade de impetração de MS por parlamentar contra proposta de Emenda ou proposta de lei que viole processo legislativo. Isso parte do pressuposto de que o parlamentar tem direito liquido e certo a observância do processo legislativo constitucional. Contudo, o STF não admite que pessoas estranhas ao processo legislativo impetrem MS, pois isso seria uma subversão ao controle de constitucionalidade, visto que teríamos controle difuso subvertido em um controle abstrato disfarçado. Trata-se de hipótese de controle difuso por via incidental de caráter repressivo. 
O STF aduz que há perda superveniente da legitimidade ativa, pois o parlamentar estaria se voltando com o texto em abstrato de uma espécie normativa já em vigor. Nesse sentido: STF, MS 22487/DF.
2ª Questão
De acordo com o art. 195, inciso II, da Constituição da República, em sua redação original, seriam contribuintes obrigatórios do Regime Geral da Previdência Social (RGPS) os "trabalhadores". A Administração Federal deu interpretação ampla o bastante ao citado dispositivo para submeter àquele regime os titulares de mandato eletivo de todas as esferas governamentais, desde que não vinculados a outro regime de previdência, chegando mesmo a editar a Lei nº 9.506/1997, que incluiu formalmente os referidos agentes políticos no conceito de segurados do RGPS (art. 12, inciso I, alínea "h", da Lei nº 8.212/1991).
Irresignado, determinado Vereador ajuizou mandado de segurança com o fim de livrar-se do vínculo previdenciário com o INSS. Alegou: (1) que agente político não é equiparável ao "trabalhador" da iniciativa privada; (2) que, por força do art. 195, §4º, da CRFB/1988, somente mediante lei complementar poderiam ser instituídos novos segurados para o RGPS.
Após longa batalha judicial, vencido no TRF da 4ª Região, o Vereador interpôs recurso extraordinário, no qual renovou os dois argumentos acima mencionados. Em contrarrazões, salientou o INSS que a questão estaria prejudicada pela superveniente edição da Emenda Constitucional nº 20/1998, que, além de modificar o inciso II do art. 195 da CRFB/1988, acrescentou o §13 ao seu art. 40, estabelecendo, assim, novo sistema previdenciário que alcançaria os titulares de mandato eletivo. 
O Supremo Tribunal Federal, no entanto, deu provimento ao recurso extraordinário, acolhendo os dois argumentos apresentados pelo Vereador, em julgamento realizado por seu Plenário em 2003.
Responda às perguntas abaixo, sempre com fundamentação adequada:
(1) Segundo o critério do conteúdo (formal/material), quais são os tipos de inconstitucionalidade alegados pelo Recorrente?
(2) É possível a convalidação de inconstitucionalidade originária por emenda constitucional?
(3) A mudança do regime constitucional (no caso, por emenda) repercute sobre o controle de constitucionalidade realizado no plano incidental? E no plano concentrado?
(4) Quais são os efeitos da declaração de inconstitucionalidade do STF no referido recurso extraordinário? 
Resposta
(1) O recorrente alega inconstitucionalidade formal, visto que o erro haveria ocorrido no processo legislativo em si, pois a matéria seria reservada a lei complementar, não podendo ser veiculada por lei ordinária.
(2) O STF não encampou o fenômeno da constitucionalização superveniente, não admitindo a convalidação de norma infraconstitucional pelo advento de reformas constitucionais. Nesse sentido: STF, RE 390.840/MG.
(3) A desconstituição da coisa julgada, demanda o ajuizamento de ação própria no ordenamento jurídico brasileiro. No que tange ao controle concentrado, a decisão poderá ser afetada desde que ajuizada uma nova ação direta, pois o STF não está vinculado.
(4) O efeito da decisão no Recurso Extraordinário só vale entre as partes no processo, e para elas a lei é inconstitucional desde o seu surgimento.
Comentários na aula – (1) A primeira é material e a segunda inconstitucionalidade é formal; (2) Não se convalida, pois no período que a lei estava em vigor antes da EC ela era inválida e produziu efeitos; (3) Não altera, pois para tanto será necessário o ajuizamento de ação rescisória. 
3ª Questão
Parte da doutrina contesta o judicial review pela falta de legitimidade do Poder Judiciário. Argumenta ser ilógico e incoerente que os órgãos judiciários, que não têm legitimação democrática (pois não são eleitos pelo voto popular), declarem a invalidade de leis ou atos normativos expedidos por quem a tem. Trata-se da denominada "legitimidade contramajoritária".
Responda, fundamentadamente, quais são os argumentos pelo qual o judicial review se impõe. 
Resposta
Os argumentos defendidos por Luís Roberto Barroso consistem no fato de que o grande papel do controle constitucional residiria na proteção dos valores e direitos fundamentais, mesmo contra a vontade circunstancial de quem eventualmente venha a ter mais votos. Ademais, cumpre a Constituição assegurar as regras do jogo democrático, de modo que seja garantida a participação política ampla e o governo da maioria.
 Comentários na aula – O Pode Judiciário legitima suas decisões pela fundamentação. 
4ª Questão
Em sede de mandado de segurança preventivo, Senador da República alega violação constitucional em razão da tramitação de Projeto de Lei.wW
O impetrante alega que, logo após o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade que dispôs expressamente sobre o tema, houve a apresentação do projeto de lei impugnado, com disposições que colidiriam com os termos da mencionada decisão do STF acerca da adequada interpretação de dispositivos constitucionais e legais.
O Senador afirma, ainda, que, após ficar sem tramitação desde meados de 2012, o projeto de lei em questão voltou a tramitar no ano de 2013, com aprovação rápida de adoção de regime deurgência na Câmara dos Deputados, com o nítido objetivo de prejudicar alguns grupos. Assevera o impetrante que se trata de uma manobra arbitrária, casuística e inconstitucional da maioria parlamentar para, no caso, obstaculizar a criação de novas agremiações partidárias antes das eleições gerais de 2014, por meio de utilização inadequada do processo legislativo como forma de sufocamento da legítima mobilização das minorias parlamentares que intentariam formar novos partidos políticos (já em estado avançado e com notoriedade nacional). Aduz também o impetrante que a proposição do referido projeto de lei é diametralmente oposta às diretrizes definidas na decisão tomada pelo STF no recente julgamento da ADI 4.430, o que pode ser constatado por simples cotejo analítico.
Responda, fundamentadamente, se o controle pretendido pelo parlamentar é viável. 
Resposta
O controle pretendido pelo parlamentar não é viável, pois não é admitido, no sistema brasileiro, o controle jurisdicional de constitucionalidade material de projetos de lei, na forma de controle preventivo de normas em curso de formação. Bem vistas as coisas, admite-se a legitimidade do parlamentar para impetração de mandado de segurança em casos que o processo legislativo, portanto no exercício do controle formal, estejam sendo violados. 
A viabilidade de tal pretensão ensejaria a violação da separação de poderes e conferiria ao parlamentar a legitimidade para o controle preventivo abstrato pelo Poder Judiciário, o que não se pode admitir. 
Comentários na aula – O STF entende que não é possível impetração de MS para controle de constitucionalidade material. O primeiro fundamento é a reverencia das formas de controle interna corporis do próprio parlamento (Exemplo: Comissão de Constituição de Justiça), não podendo o STF se antecipar a avaliação do próprio Poder Legislativo, sob pena de violação do princípio da separação de poderes. Outro fundamento, é que nesse caso o MS estaria sendo utilizado como uma forma de controle concentrado preventivo disfarçado, pois o parlamentar não está se insurgindo contra o processo legislativo, mas sim contra o próprio projeto que pode ser alterado ao longo das votações. 
Controle Incidental de Constitucionalidade
A doutrina dizia que por força da eficácia erga omnes da decisão nas ações coletivas, seria uma usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. Contudo, a doutrina moderna superou esse entendimento, bem como a jurisprudência do STJ e do STF, entendendo que é perfeitamente possível o controle incidental de constitucionalidade também nas ações coletivas, pois também há um caso concreto sendo resolvido e essa decisão que fará coisa julgada erga omnes e não a decisão incidental sobre a constitucionalidade ou não de determinada lei. 
Bem vistas as coisas, trata-se de questão previa ao mérito. Ressalte-se que não é possível que o autor da ação peça exclusivamente a declaração de inconstitucionalidade de determinada lei, sob pena de usurpação da competência do STF.
Efeitos da Decisão 
Os efeitos da decisão, em regra, são restritos às partes envolvidas no caso concreto. Assim sendo, a inconstitucionalidade em questão incidental, não faz coisa julgada como prevê o próprio CPC. 
Ocorre que o controle difuso, por via incidental, é realizado por todos os Órgãos, inclusive pelo STF. Bem vistas as coisas que o controle difuso desempenhado pelo STF vincularia apenas as partes do caso concreto. O artigo 52, X, da CRFB/88 aduz:
Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal:
X - suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal;
Esse artigo fala sobre as leis declaradas inconstitucionais em controle difuso, de modo a conferir eficácia erga omnes à decisão do STF.
Hoje em dia, esse entendimento vem sendo alterado pela própria via judicial e pela EC 45, em que o direito positivo brasileiro vem ocorrendo o fenômeno chamado de abstrativização do controle incidental. Isso é devido, sobretudo ao requisito de repercussão geral, que é a soma de relevância e transcendência, para o julgamento de Recurso Extraordinário, nos moldes do art. 102, §3o, da CRFB/88:
Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe:
§ 3º No recurso extraordinário o recorrente deverá demonstrar a repercussão geral das questões constitucionais discutidas no caso, nos termos da lei, a fim de que o Tribunal examine a admissão do recurso, somente podendo recusá-lo pela manifestação de dois terços de seus membros.
Ademais, o artigo 543-C, do CPC, estabelece uma disciplina para os recursos repetitivos, não sendo mais necessário que o STJ e STF julguem cada um dos recursos especiais e extraordinários, respectivamente, conferindo efeito erga omnes às decisões para os processos que veiculem a mesma questão.
Abstratização ou abstrativização do controle difuso. 
O STF, no HC 82.959, decidiu pela inconstitucionalidade do art. 2º da Lei de Crimes hediondos que vedava a progressão do regime. Aprendemos que no sistema difuso a decisão vale para as partes, então foi afastada aquela norma para aquela situação específica. Mas a DPU do Acre resolveu questionar perante o juiz de execução local porque ele não havia cumprido a decisão do STF. O juiz respondeu que ele não é obrigado a afastar uma norma de seu julgamento porque o STF em um HC específico decidiu por sua inconstitucionalidade, até porque o Senado não suspendeu a norma. A DPU apresenta uma reclamação constitucional em face dessa decisão do juiz de execuções e a reclamação chega nas mãos dos ministros Eros Grau e Gilmar Mendes. 
Nessa reclamação 4.335, os ministros concordaram que hoje, a atual jurisdição constitucional está tão fortalecida, que todas as decisões do STF, seja no controle concentrado ou difuso, já possuem efeito erga omnes, sem a necessidade de participação do Senado, que serviria como mera secretaria de publicação das decisões do STF. Eros Grau disse ainda que esse papel do Senado estaria passando por um processo de mutação constitucional. 
Essa reclamação não foi concluída e essa não é a visão do STF de forma geral, mas de alguns ministros. Assim sendo, essa é uma tendência e não uma realidade. 
“O Tribunal retomou julgamento de reclamação ajuizada contra decisões do Juiz de Direito da Vara de Execuções Penais da Comarca de Rio Branco-AC, pelas quais indeferira pedido de progressão de regime em favor de condenados a penas de reclusão em regime integralmente fechado em decorrência da prática de crimes hediondos. 
Alega-se, na espécie, ofensa à autoridade da decisão da Corte no HC 82959/SP (DJU de 1º.9.2006), em que declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 2º da Lei 8.072/90, que veda a progressão de regime a condenados pela prática de crimes hediondos - v. Informativo 454. 
O Min. Eros Grau, em voto-vista, julgou procedente a reclamação, acompanhando o voto do relator, no sentido de que, pelo art. 52, X, da CF, ao Senado Federal, no quadro de uma verdadeira mutação constitucional, está atribuída competência apenas para dar publicidade à suspensão da execução de lei declarada inconstitucional, no todo ou em parte, por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, haja vista que essa decisão contém força normativa bastante para suspender a execução da lei. Rcl 4335/AC, rel. Min. Gilmar Mendes, 19.4.2007. (Rcl-4335)”
Obs.: Na ADPF 144, restou decido que a lei que fosse incompatível com Emenda Constitucional posterior seria objeto de ADPF e não de ADI, ainda que posterior a Constituição.
Casos Concretos – Tema 6
1ª Questão
Determinado Partido Político propõe Reclamação (CRFB, art. 102, I) com o objetivo de fazer preservar a competência do STF por entender que um magistrado, em 1ª instância, a teria usurpado ao julgar procedente ação civil pública promovida pelo Ministério Público estadual, na qual declarou incidentemente a inconstitucionalidade de norma contida em Lei Orgânica de determinado Município. Como conseqüência desseato, o número de Vereadores da Câmara Municipal diminuiria de 21 para 14. O reclamante entende que, desta forma, o limite subjetivo da coisa julgada estender-se-ia além das partes litigantes, já que teria efeito erga omnes, representando disfarçada utilização de ADIN pelo MP em sede de ação civil pública. Procede o pedido? 
Resposta
O pedido deve ser julgado improcedente, pois a pacífica jurisprudência da Egrégia Corte reconhece a legitimidade da utilização da ação civil pública como instrumento próprio e idôneo de fiscalização incidental de constitucionalidade, de quaisquer leis ou atos do Poder Público, pela via difusa, mesmo quando contestados em face da Constituição da República.
Ressalte-se que isso pode ser feito desde que, nesse processo coletivo, a controvérsia constitucional, qualifique-se como simples questão prejudicial, mas não como objeto principal, de modo que seja indispensável à resolução do litígio principal. 
Comentários na aula – O STF reconhece a possibilidade de controle incidental nas ações coletivas. Nesse sentido: RCL1.733/SP.
2ª Questão
JOÃO CARLOS, condenado por crime hediondo no Estado do Acre, ajuíza uma reclamação em maio de 2006, junto ao STF, pretendendo a progressão de seu regime. Alega que o STF, ao julgar o HC 82959/SP, declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do art. 2º § 1º da Lei 8072/90, motivo pelo qual o benefício dever-lhe-ia ser deferido.
Ao se manifestar sobre o tema, o Ministério Público alega que o benefício não deve ser deferido ao reclamante, já que a decisão apontada como paradigma declarou a inconstitucionalidade apenas incidentalmente.
Responda fundamentadamente, sem levar em consideração a superveniência da lei 11.464/07, se o pedido deve ser deferido. 
Resposta
O pedido não deve ser deferido, pois a decisão do Supremo Tribunal Federal ocorreu em sede de controle difuso, apenas produzindo efeitos inter partes e não erga omnes, como pretende João Carlos. Desse modo, para que a lei fosse afastada seria necessária manifestação do Senado Federal, nos moldes do artigo 52, X, CRFB/88, ou decisão da Egrégia Corte em sede de controle de constitucionalidade. 
Comentários na aula – Não houve comentários.
3ª Questão
Em autos de representação de inconstitucionalidade em que o Procurador-Geral de Justiça interpôs recurso extraordinário que, por ora, encontra-se sobrestado no Tribunal de origem em face do reconhecimento da existência de repercussão geral da matéria constitucional tratada, o recorrente ajuíza ação cautelar no Supremo Tribunal Federal, a fim de que a Corte conceda efeito suspensivo ao recurso, para evitar lesão irreparável à ordem econômica do Estado.
Responda, fundamentadamente, se, no caso, o PGJ acertou no direcionamento da demanda cautelar. 
Resposta
Não, pois a competência para julgamento de ações cautelares, ainda que o Recurso Extraordinário já tenha obtido juízo de admissibilidade é do Tribunal de Origem, conforme a jurisprudência pacífica do STF. Nesse sentido: STF, AC 2.177 MC-QO/PE.
Comentários na aula – Os processos devem ficar suspensos aguardando a decisão do STF, mas em alguns casos pode ocorrer uma situação emergencial, situação esta que ajuíza-se uma ação cautelar que é endereçada ao próprio tribunal de origem. Nesse sentido, STF, AC 2.177, que discorre a autonomia do tribunal a quo para ver se estão presentes o fumus boni iuris e o periculum in mora. 
Aula 4 – Temas 7 e 8 – 27/11/2014[4: Ministrada pelos professores Flavia Bahia Martins e Marcelo Leonardo Tavares. Temas: CP01.01.07 - Controle concentrado de constitucionalidade I. Natureza jurídica das ações constitucionais. Ação direta de inconstitucionalidade. Legitimados; CP01.01.08 - Controle concentrado de constitucionalidade II. Efeitos da decisão que reconhece a inconstitucionalidade. Inconstitucionalidade por omissão. Súmula vinculante.   ]
Controle Concentrado de Constitucionalidade – Processo Objetivo
Histórico e Definição
Até 1988 se falava de um processo subjetivo, ou seja, processo com partes, lide, ampla defesa, contraditório, etc. 
O processo objetivo é novo no Brasil. Apesar da ADI ter sido criada na década de 60, ela só podia ser proposta pelo PGR, sendo uma ação que não tinha independência. O controle concentrado realizado pelo STF começa a ganhar reforço no Brasil a partir da nova previsão acerca do rol de legitimados na ADI. Ademais, foram criadas, em 1988, a ADO, ADPF e depois a ADC. Ressalte-se que esse processo não tem os seus contornos definidos. 
Alguns autores dizem que esse processo nasce no direito administrativo, pois há processos que visam defender a manutenção da administração pública. Gilmar Mendes diz que o processo objetivo ganhou esses contornos com as decisões do Tribunal Constitucional Federal Alemão. 
Bem vistas as coisas, o processo objetivo nasce pelo modelo europeu de controle de constitucionalidade, em que o controle concentrado é predominante. Por meio desse processo é provocada atividade jurisdicional do Estado, como em qualquer outro processo. Contudo, a sua finalidade é a defesa da supremacia da Constituição, pois não visa resolver litígio entre as partes, não havendo vencedor e vencido. 
O processo é objetivo, porque diferente do subjetivo, há limitação das partes em um rol taxativo, não admitindo extensão. Ademais, não se admite a desistência da ação e nem litisconsortes, a não ser entre os próprios previstos no rol. No processo objetivo também não se admite intervenção de terceiros. Sendo assim ele é objetivo porque ele não provoca a atividade jurisdicional comum (partes, casos concretos, lide, etc.).
Em suma, confira-se a seguinte lição:
Para o Ministro Gilmar Mendes, o processo objetivo tem origem no direito Germânico com a necessidade de se defender a supremacia constitucional. Não há lide no sentido formal da expressão e o processo visa defender a supremacia constitucional. A atuação jurisdicional do Estado é provocada de forma singular, pois não há pretensão resistida de interesse, tampouco solução de conflitos reais.
O art. 102, I, a diz que compete ao STF processar e julgar, originariamente, ADI de lei ou ato normativo federal ou estadual.
A ADI é a mais antiga ação do controle concentrado abstrato de constitucionalidade, ainda que tenha sido criada sob o nome de RI e só podia ser proposta pelo PGR. Na CRFB/88 ela passa a ser chamada ADI e também na Lei 9.868/99. 
A finalidade da ADI é de declarar a inconstitucionalidade de uma lei que contrarie a constituição no aspecto formal e/ou material, parcialmente ou completamente.
Características
Não se admite intervenção de terceiros;
Não há desistência;
Suspeição e Impedimento?;
Decisões de Mérito (efeitos erga omnes e vinculantes);
Decisões irrecorríveis;
Causa de Pedir aberta;
Rol de Legitimados
Uma das características do processo objetivo é o rol restrito de legitimados ativos, quais sejam aqueles previstos no artigo 103, da CRFB/88:
Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade: 
I - o Presidente da República;
II - a Mesa do Senado Federal;
III - a Mesa da Câmara dos Deputados;
IV - a Mesa de Assembléia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal; 
V - o Governador de Estado ou do Distrito Federal; 
VI - o Procurador-Geral da República;
VII - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;
VIII - partido político com representação no Congresso Nacional;
IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional.
Qual é o instituto do processo subjetivo que o STF admitiu para rol de legitimados ativos do processo objetivo de controle de constitucionalidade? A pertinência temática. Isso foi muito criticado na década de 90, dada a sua incompatibilidade com o processo objetivo. Bem vistas as coisas, a pertinência temática é um pressuposto qualificador da legitimidade ativa ad causam.
A legitimidade ativa valerá para a ADI, ADC, ADO e ADPF. 
Antes de 1988, a ADI só podia ser proposta pelo PGR. O STF tratou, logo no início da décadade 90, de realizar um filtro nas ações do controle concentrado e instituiu o instituto da pertinência temática. 
Os legitimados ativos para a propositura das ações do controle concentrado são os mesmos e estão previstos no art. 103, I a IX. São divididos em legitimados especiais (IV, V e IX) e universais (I a III, VI e VIII). Os legitimados especiais precisam comprovar a pertinência temática – deve existir relação de congruência entre o objeto da ação e o interesse do grupo/categoria. Exemplo: Governador do Estado da BA não pode ajuizar ADI contra lei do estado do ES, que em nada tenha prejudicado o interesse dos baianos.
Os legitimados ativos especiais, ou seja que dependem de comprovação de pertinência temática são: 
Mesa da Assembléia Legislativa ou da Câmara Legislativa do DF (IV); 
Governador do estado ou do DF (V); e 
Confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional (IX). 
Os legitimados universais são os do inciso I a III e VI a VIII.
Ressalte-se que o litisconsórcio ativo é permitido por qualquer um dos legitimados do artigo 103, incisos de I a IX da CRFB/88. 
Partidos Políticos 
A CRFB/88 exige que eles tenham representação no Congresso Nacional, e basta que essa representação seja em uma das Casas, ou seja, o partido político precisa comprovar que tenha representação em uma das casas. A ação deve ser proposta por seu diretório nacional, os diretórios regionais não podem ajuizar as ações do controle concentrado federal. Além disso, o partido não precisa comprovar a pertinência temática, pois ele é um instrumento essencial à democracia, nos moldes do artigo 17, da CRFB/88, inserido no Titulo II que fala dos Direitos e Garantias Fundamentais. O STF não quis romper o pacto democrático entre o partido e a Constituição, motivo pelo qual a Egrégia Corte não exige a comprovação de pertinência temática.
Atente-se para o fato de que, em muitas situações, o partido tem um representante, mas no curso do feito o partido perde seu único representante. Nesse caso, para o STF o momento de aferição da existência ou não de representação é o momento da propositura da ação. Então, se no curso do feito o partido perde a sua representação, não tem problema, ele vai continuar atuando no processo, em nome até dos interesses objetivos, indisponíveis, questões de ordem pública que giram em torno do controle de constitucionalidade. Assim, a perda superveniente da representação do partido no curso da ação não gera a extinção do feito sem julgamento de mérito. 
Confederações Sindicais 
Sindicatos e federações sindicais não podem ajuizar as ações diretas, mas apenas a confederação sindical. A confederação sindical é aquela criada na forma do art. 535, CLT, composta por, no mínimo 3 federações. Logo, o STF entende que apenas as confederações podem propor ações de diretas do controle de constitucionalidade.
Entidades de Âmbito Nacional 
Essas entidades são as entidades de classe, de categorias profissionais e econômicas e o que forma uma entidade de âmbito nacional, segundo o STF, é a interpretação analógica do art. 8º da Lei dos Partidos Políticos (Lei 9.096/95), que diz que esse âmbito nacional depende da representação em pelo menos nove estados da federação. A entidade, para ser de âmbito nacional, precisa ter representação em pelo menos nove estados. Além disso, o STF tem exigido a homogeneidade dos interesses envolvidos naquela entidade, ou seja, é preciso que a entidade tenha em sua finalidade institucional interesses homogêneos, de uma mesma classe/categoria e não interesses heterogêneos. 
Associações de associações ou associações de 2º grau
Durante muito tempo, o STF entendeu que as associações apenas poderiam ser compostas por pessoas naturais. Bem vistas as coisas, as associações de associações são as associações formadas por outras associações, ou seja, associações que têm em sua base societária outras associações. Contudo, durante uma época o STF entendeu que essas associações não podiam ajuizar ADI, mas já houve mudança de posicionamento faz tempo e hoje admite-se que associações de 2º grau ajuízem ADI desde que comprovem que seus interesses são homogêneos, desde o julgamento da ADI 3.153.
Obs.: A CUT e a UNE não são legitimadas ativas para propositura de nenhuma das ações do controle concentrado por não serem nem confederação sindical nem entidade de classe de âmbito nacional. Ademais, não há previsão de possibilidade de propositura de nenhuma dessas ações do controle concentrado para eles.
Intervenção de Terceiros e Amicus Curiae
O artigo 7o, da Lei 9.868/99 aduz:
Art. 7o Não se admitirá intervenção de terceiros no processo de ação direta de inconstitucionalidade.
§ 2o O relator, considerando a relevância da matéria e a representatividade dos postulantes, poderá, por despacho irrecorrível, admitir, observado o prazo fixado no parágrafo anterior, a manifestação de outros órgãos ou entidades.
Não é permitida a intervenção de terceiros. Contudo, o parágrafo único permite a participação do amicus curiae.
Não há consenso no STF sobre a natureza jurídica do amicus curiae. Bem vistas as coisas, trata-se de figura indispensável para legitimar socialmente as decisões do STF.
É indispensável que haja ligação entre o objeto institucional do amicus curiae e o que está sendo discutido no STF. Por conta disso, seja o amicus curiae uma ONG, uma entidade, um partido, um sindicato, etc., deve haver dentre as suas finalidades pertinência temática com o tema discutido. Pessoas naturais não são aceitas como amicus curiae, pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. 
Não há recurso contra decisão que aceite o amigo da corte, mas há possibilidade de interposição de agravo interno contra decisão que não aceite. Sendo aceita a sua participação, ele poderá oferecer memoriais, pericias, poderá fazer sustentação oral. 
O amicus curiae não é parte do processo, é apenas um colaborador. 
Até que momento o amicus curiae pode pedir para atuar? O amicus curiae formaliza o seu pedido de atuação perante o Ministro Relator e esse pedido pode ser feito até a data da remessa dos autos para julgamento. 
Como o amicus curiae não se torna parte do processo, sendo apenas um colaborador, ele não pode, por exemplo, oferecer embargos de declaração da decisão final. Todas as decisões do controle concentrado de constitucionalidade são irrecorríveis, como vamos ver, mas a lei 9.868/99 prevê a possibilidade de oposição dos embargos de declaração. Lembre-se que o amicus curiae não pode oferecer ED, pois não possui interesse recursal, tendo em vista que ele não é parte. 
Desistência 
O artigo 5o, da Lei 9.868/99 aduz que não há possibilidade de desistência nas ações do controle concentrado:
Art. 5o Proposta a ação direta, não se admitirá desistência.
Isso porque o processo objetivo visa proteger a supremacia da Constituição, não sendo esses interesses disponíveis. 
Impedimento e Suspeição 
A suspeição diz respeito a uma questão subjetiva, ao passo em que no impedimento as questões são objetivas.
A suspeição não condiz com o processo objetivo, pois não há subjetividade na analise da lei frente ao texto constitucional. 
O impedimento, contudo, apresenta questões objetivas, de modo que em alguns casos como, por exemplo, Ministros que já atuaram como PGR e AGU não participaram de determinadas ações do controle concentrado.
Decisões de Mérito
Todas as decisões do controle concentrado geram efeitos erga omnes e vinculantes, por ser um processo abstrato.
As decisões não vinculam, contudo, a função legiferante do Estado, nem o próprio STF, de acordo com o princípio da separação de poderes e para se evitar o engessamento do ordenamento jurídico brasileiro.
Recorribilidade
O STF não é uma Corte constitucional nos moldes europeus. Trata-se do órgão de cúpula do Judiciário brasileiro, de modo que as decisões proferidas em sede de controle concentrado de constitucionalidade são irrecorríveis, nos moldes do artigo 26, da Lei 9.868/99:
Art. 26. A decisão que declara a constitucionalidade ou a inconstitucionalidadeda lei ou do ato normativo em ação direta ou em ação declaratória é irrecorrível, ressalvada a interposição de embargos declaratórios, não podendo, igualmente, ser objeto de ação rescisória.
Contudo, é possível a oposição de embargos de declaração, sobretudo, como instrumento de modulações dos efeitos temporais da decisão proferida pela Corte.
Causa de Pedir e Pedido
O princípio da congruência ou correlação não se aplica sempre ao processo objetivo. O STF, em inúmeras decisões, já reconheceu a possibilidade de reconhecer a inconstitucionalidade por arrastamento.
O entendimento é que estamos em um processo objetivo, sem partes, sem lide, então o STF não é obrigado a declarar a inconstitucionalidade apenas do dispositivo indicado, ou seja, se houver outros dispositivos a ele associados o STF, por arrastamento, também pode declarar a sua inconstitucionalidade. O princípio da congruência/correlação não se aplica ao processo objetivo. 
Sabemos que no processo subjetivo, o juiz não pode julgar nem além e nem aquém do que foi pedido, mas no processo objetivo a causa de pedir é aberta e o princípio da congruência pode ser flexibilizado em nome do princípio da supremacia da constituição, da segurança jurídica e da economia processual. 
Nesse sentido, confira-se o seguinte aresto;
O Tribunal iniciou julgamento de ação direta de inconstitucionalidade ajuizada pelo Governador do Distrito Federal contra a Lei distrital 3.228/2003, que obriga as distribuidoras de combustíveis locais a colocar lacres eletrônicos nos tanques dos postos de combustíveis que exibam sua marca e dá outras providências. 
A Min. Cármen Lúcia, relatora, julgou procedente o pedido, registrando que as normas dos artigos 1º e 2º determinam a declaração de inconstitucionalidade das demais por arrastamento, por se tornarem ineficazes, quando não inexeqüíveis, sem aqueles dispositivos, no que foi acompanhada pelos Ministros Ricardo Lewandowski e Joaquim Barbosa. (ADI 3236/DF, rel. Min. Cármen Lúcia, 17.9.2007).
Atente-se que o STF entende que caso seja pedido apenas a inconstitucionalidade formal, não seria possível a declaração de inconstitucionalidade de determinados dispositivos diante da inconstitucionalidade material. Essa seria uma limitação da causa de pedir aberta. 
Casos Concretos – Tema 7
1ª Questão
Ministro do Supremo levanta uma questão de ordem no sentido de que, ainda que postulada unicamente a inconstitucionalidade formal de determinado texto de lei, deve ser julgado procedente o pedido no caso de, ainda que não haja a inconstitucionalidade formal postulada, haver inconstitucionalidade material do texto.
Responda fundamentadamente como o Supremo Tribunal Federal responde a este tipo de questão. 
Resposta
O Supremo Tribunal Federal entende que, nesse caso, não seria possível adentrar no exame da constitucionalidade material, uma vez que o pedido da ação direta de inconstitucionalidade se refere unicamente ao vício formal. Nesse sentido: STF, ADI 2.182/DF.
Comentários na aula – Na ADI 2.182 prevaleceu o entendimento, sustentando pelo Relator Min. Marco Aurélio, no sentido de que a causa de pedir aberta do processo objetivo não poderia ser levada às últimas consequências, sob pena de o Tribunal comprometer o próprio da separação de poderes. No mesmo sentido, opinou a Min. Carmen Lúcia. Em sentido contrário, os Ministros Celso de Melo e Gilmar Mendes que defenderam a possibilidade de que a norma impugnada deveria ser examinada à luz de toda a Constituição em nome da supremacia constitucional, da segurança jurídica e da economia processual. Flávia Bahia acredita que o último posicionamento seja mais compatível, hoje em dia, com a jurisdição constitucional.
2ª Questão
O Procurador-Geral do Estado, nos autos de representação de inconstitucionalidade promovida pelo Procurador-Geral de Justiça, requer ao Relator a extinção do processo, já que o Procurador-Geral da República também ajuizou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no STF, questionando o mesmo texto legal objeto da presente representação.
O Procurador-Geral de Justiça alega que o pedido do PGE carece de fundamento legal, já que o mesmo texto está sendo analisado segundo parâmetros diferentes, cujas coisas julgadas terão efeitos diferentes.
Responda, fundamentadamente, como deve ser julgado o pedido da extinção da representação de inconstitucionalidade.
Resposta
Trata-se de causa de suspensão prejudicial do processo de controle concentrado em face da Constituição estadual, perante Tribunal de Justiça, nos moldes do artigo 125, §2º, CRFB/88. Assim sendo, o feito não deve ser julgado extinto sem resolução do mérito, mas tão somente suspenso.
Comentários na aula – Na ADI 4.138, o STF entendeu que para evitar decisões controvertidas a respeito da mesma norma, o recebimento da ação federal suspenderia o julgamento da ação estadual. Caso a ADI federal seja julgada procedente, a ação estadual é julgada extinta sem resolução do mérito pela perda do objeto. Se, entretanto, a ação for julgada improcedente, na visão do Ministro Gilmar Mendes, como a decisão não vincula o próprio STF, também não vincularia o TJ que poderia vir a declarar a inconstitucionalidade da lei. 
Obs.: RE 341.717 (inconstitucionalidade progressiva).
3ª Questão
Em Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental para garantir o exercício dos direitos fundamentais de reunião e de livre manifestação do pensamento, a autoria requer que o STF confira a um determinado texto de lei interpretação conforme à Constituição, de forma a excluir qualquer exegese que possa ensejar a criminalização da defesa da legalização das drogas, ou de qualquer substancia entorpecente específica, inclusive através de manifestações e eventos públicos. Sustenta que tais direitos devem ser garantidos a todas as pessoas. Admitida como amici curiae, determinada associação pretende ainda a declaração da atipicidade penal de condutas como o cultivo doméstico, o porte de pequena quantidade e o uso em âmbito privado da maconha; a utilização de referida substância para fins medicinais, inclusive para efeito de realização de pesquisas médicas; o uso ritual da maconha em celebrações litúrgicas; a utilização da substância canábica para fins econômicos; ou então a submissão dos mencionados pleitos a processo prévio de regulamentação, com a participação democrática dos órgãos e entidades que manifestem interesse no assunto. Requer ainda a concessão, de ofício, em caráter abstrato, de ordem de habeas corpus em favor de quaisquer pessoas que incidam nos comportamentos anteriormente referidos.
Responda, fundamentadamente, se o pleito do amigo da Corte merece ser provido.
Resposta
O Supremo Tribunal Federal, em nome dos direitos fundamentais de liberdade de expressão, manifestação e petição, previstos no artigo 5º, da CRFB/88, conferiu interpretação conforme ao artigo 287, de modo a excluir quaisquer formas de interpretação que enseje a criminalização na defesa pela ligação das drogas.
Contudo, não há possibilidade de descriminalização do uso propriamente dito da maconha, pois o intérprete estaria se substituindo à atividade do próprio legislador. 
Comentários na aula – Na ADPF 187, a Corte entendeu que o amicus curiae não pode opinar para delimitar o objeto da demanda , tampouco com base em uma ação de caráter abstrato apresentar um Habeas Corpus sem vinculação à caso concreto específico. 
Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão 
Está prevista no artigo 102, I c/c art. 103, p. 2o, da CRFB/88:
Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe:
I - processar e julgar, originariamente:
a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal; 
Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade: 
§ 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderáser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade.
Essa ação está muito atrelada as normas de eficácia limitada, sendo muito comum em constituições dirigentes. Não existe esse modelo de controle de constitucionalidade nos EUA, por exemplo.
Advém da Constituição de 1976 de Portugal e 1978 da Espanha.
Fundamento e Objeto
A omissão inconstitucional nasce da falta de regulamentação de uma norma constitucional de eficácia limitada que, por esse motivo, deixa de incidir sobre os fatos.
Dessa forma, busca conceder eficácia plena às normas constitucionais de eficácia limitada que dependam de complementação de ato normativo federal ou estadual. Visa-se, assim, tornar concreta a vontade da Constituição. 
A omissão constitucional divide-se em:
Total – Ausência da norma infraconstitucional;
Parcial – Insuficiência de regulamentação.
O beneficio incompatível com o princípio da igualdade ou vantagem incompatível com o princípio da isonomia é um fenômeno da omissão parcial. Exemplo: A e B em igual situação. Imagine-se que a lei apenas confira vantagem à A. A inconstitucionalidade reside no fato da lei ter conferido vantagem à A e não à B, embora sejam considerados iguais perante a CRFB/88. Nesse caso, retira-se a vantagem de A ou garante a vantagem a B. Em que pese o problema do judiciário não poder atuar como legislador positivo, deve-se ter em mente que isso sempre ocorre. Exemplo: Caso do auxílio moradia para os juízes.
Temos omissões de várias naturezas, quais sejam: i) judiciais; ii) administrativas; e iii) normativas. As omissões nas sentenças judiciais são combatidas pelos recursos próprios, e não pela ADO. As omissões administrativas, dependendo da situação, podem ser combatidas por outras ações como a ACP, AP, MS, e não pela ADO. A ADO visa combater a omissão normativa. Exemplos: Art. 18, §4º; 37, VII, 40, §4º (esses são casos de omissão total). Temos ainda os casos de omissão parcial, como o art. 7º, IV. Essas omissões podem ser de normas primárias ou de secundárias. O foco da ADO é dar plena eficácia a normas constitucionais dependentes de regulamentação.
Há três formas da omissão ser sanada, quais sejam:
ADO – Forma concentrada de controle constitucional em que a omissão é discutida em tese, possuindo um componente político que vai exigir que o poder que deixou de controlar a omissão tenha respeito institucional pela decisão do Supremo Tribunal Federal, sob pena da decisão não ter efeito. Dessa forma, caso o Congresso Nacional ou o Presidente da República não legislem quando constituídos em mora, denotar-se-á certa crise institucional entre esses órgãos e a corte constitucional.
MI – O segundo modelo é o mandado de injunção que é uma ação do controle difuso. A estrutura da ADI é aplicável à ADO, da mesma forma que a estrutura do controle difuso aplica-se ao mandado de injunção. 
Funcionamento normal do Judiciário – Eventualmente, o magistrado poderá se deparar com eventual lacuna. Dessa forma, ele poderá se utilizar de métodos de integração para a prestação da tutela jurisdicional, previstos na LINDB. 
ADO X MI
Ambas nasceram em 1988 com o objetivo de defender a constituição da síndrome de inefetividade das normas constitucionais. Assim sendo, servem para combater as omissões inconstitucionais. Contudo, essas ações possuem várias características distintas, como depreende-se do quadro abaixo:
	
	
MANDADO DE INJUNÇÃO
	
ADO
	
Natureza Jurídica
	
Remédio constitucional que cria um processo subjetivo.
	
Ação do controle concentrado, formadora de um processo objetivo (sem partes, sem lide, sem pretensão resistida de interesses). 
	
Legitimidade Ativa
	
O MI individual pode ser impetrado por qualquer pessoa (natural ou jurídica; nacional ou estrangeiro). O MI coletivo pode ser impetrado pelos legitimados do art. 5º, LXX, CRFB/88. 
	
Só pode ser ajuizada pelos legitimados do art. 103, I a IX.
	
Finalidade
	
Defender direitos fundamentais dependentes de regulamentação. 
	
Defender normas constitucionais dependentes de regulamentação. Tudo que pode ser defendido pelo MI, pode ser defendido pela ADO, mas a recíproca não é verdadeira. 
	
Cautelar
	
Não cabe medida cautelar em MI.
	
Cabe cautelar em sede de ADO.
	
Efeitos Subjetivos da Decisão
	
Normalmente gera efeitos subjetivos inter partes. 
	
Via de regra, gera efeitos subjetivos erga omnes. 
	
Órgão Competente
	
Depende do pólo passivo. Não há regra específica.
	
STF, no plano federal. 
Competência
Os artigos 161 e 162, da Constituição estadual prevêem a possibilidade de ajuizamento de Representação de Inconstitucionalidade por omissão estadual: 
Art. 161 - Compete ao Tribunal de Justiça:
 a) a representação de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, estadual ou municipal, em face da Constituição Estadual;
 Art. 162 - A representação de inconstitucionalidade de leis ou de atos normativos estaduais ou municipais, em face desta Constituição, pode ser proposta pelo Governador do Estado, pela Mesa, por Comissão Permanente ou pelos membros da Assembléia Legislativa, pelo Procurador-Geral da Justiça, pelo Procurador-Geral do Estado, pelo Procurador-Geral da Defensoria Pública, **Defensor Público Geral do Estado, por Prefeito Municipal, por Mesa de Câmara de Vereadores, pelo Conselho Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil, por partido político com representação na Assembléia Legislativa ou em Câmara de Vereadores, e por federação sindical ou entidade de classe de âmbito estadual. 
Legitimação
Os legitimados ativos são mesmos da ADI e ADC. Os legitimados ativos especiais precisam comprovar a pertinência temática para que suas ações sejam recebidas em juízo (relação entre objeto da ação e interesse da categoria); já os legitimados universais não precisam comprovar a pertinência. 
Os legitimados passivos são os órgãos que deveriam editar a norma.
Procedimento
O PGR vai atuar como custus legis (art. 12-E, §3º da Lei 9.868/99); se ele for autor, não atuará como fiscal da lei. 
No que diz respeito a atuação do AGU, temos o art. 12-E, §2º da Lei 9.868/99. Essa manifestação não é obrigatória, é o relator que vai decidir se ele vai participar ou não. Ressalte-se que na ADI o AGU é citado para responder no prazo de 15 dias.
Cautelar na ADO
Está prevista no art. 12-F, §1º, Lei 9.868/99:
Art. 12-F.  Em caso de excepcional urgência e relevância da matéria, o Tribunal, por decisão da maioria absoluta de seus membros, observado o disposto no art. 22, poderá conceder medida cautelar, após a audiência dos órgãos ou autoridades responsáveis pela omissão inconstitucional, que deverão pronunciar-se no prazo de 5 (cinco) dias.  
§ 1o  A medida cautelar poderá consistir na suspensão da aplicação da lei ou do ato normativo questionado, no caso de omissão parcial, bem como na suspensão de processos judiciais ou de procedimentos administrativos, ou ainda em outra providência a ser fixada pelo Tribunal.  
§ 2o  O relator, julgando indispensável, ouvirá o Procurador-Geral da República, no prazo de 3 (três) dias. 
§ 3o  No julgamento do pedido de medida cautelar, será facultada sustentação oral aos representantes judiciais do requerente e das autoridades ou órgãos responsáveis pela omissão inconstitucional, na forma estabelecida no Regimento do Tribunal. 
O STF não tem tradição de conceder cautelar em sede de ADO. Contudo, é perfeitamente cabível. Temos a possibilidade de suspensão da aplicação da lei, suspensão de processos ou qualquer outra providência. Ela gera efeitos erga omnes e vinculantes, como as cautelares em geral no controle concentrado. 
Entende-se que a natureza jurídica seria cautelar mesmo, de modo que a nomenclatura está correta. A natureza da decisão de ADI será a pronúncia de nulidade, ao passo em que a cautelar suspende a eficácia. 
Efeitos
A ciência ao Poder competente para a edição da norma (apelo) e, em se tratando de órgão administrativo, para suprir a omissão em trinta dias ou em prazo razoável (erga omnes).Trata-se do chamado apelo ao legislador.
Se a decisão for pela omissão total, a decisão será de inconstitucionalidade sem pronuncia de nulidade com apelo ao legislador. Ressalte-se que a Lei 9.868/99 prevê o prazo de 30 dias ou outro que seja definido pelo STF.
Questão: Em 2001, a Associação Nacional dos Servidos Públicos Estaduais propôs ADO no STF aduzindo que até aquele momento não havia sido apresentada a lei geral remuneratória no estado do Rio de Janeiro. 
1) A associação está legitimada? Há pertinência temática? 
Trata-se de legitimada especial que possui pertinência temática, pois há identidade do objeto institucional com o direito pleiteado. 
2) Quem deve ocupar o pólo passivo? 
O legitimado é o Governador do estado, com base no artigo 61, §1o, II, a, da CRFB/88 por simetria.
3) Há omissão inconstitucional? Em caso positivo, há um marco objetivo da omissão inconstitucional ou ela é verificada pelo decurso do prazo razoável para legislar? 
Há omissão inconstitucional. O marco é objetivo, pois deve ser feito ao fim do exercício fiscal. 
4) Haverá ou não notificação por prazo certo de 30 dias?
A notificação não será por prazo certo, pois o Governador não é órgão administrativo, mas sim atua no legislativo.
A resposta da questão está no artigo 61, §2o, a c/c 37, X.
Casos Concretos – Tema 8
1ª Questão
Em março de 2000, Estado-membro da federação editou uma lei que emancipou o Distrito de São Barnabéu. Um Partido legitimado ajuíza uma ação direta de inconstitucionalidade contra o texto dessa lei, em que alega: a falta da lei complementar prevista no art. 18, § 4º da CRFB88; a falta de consulta à população diretamente envolvida; e a falta de moralidade em virtude de a criação ter se dado em época de eleições municipais.
Assembleia Legislativa, em suas informações, afirma: que a Constituição garantiu esse direito absoluto aos Estados; que a Constituição Estadual permite a criação dos municípios no período entre 12 e 6 meses anteriores às eleições para Governador e Prefeitos; e também que a população do então Distrito fora consultada. Alega, ainda, que o Município tem um elevado índice de crescimento populacional e econômico em virtude de diversas empresas lá instaladas.
Responda, fundamentadamente, levando em consideração que o julgamento se dará neste ano, como deve ser julgado o pedido e quais são os efeitos que devem ser dados à decisão.
Resposta
Trata-se de situação excepcional não prevista no ordenamento jurídico pátrio. Por assim ser, aplicando-se o princípio da segurança jurídica e da continuidade do Estado, deve ser preservada a criação do Município. Dessa forma, cabe ao Congresso Nacional, editar lei complementar que o reconheça, na forma do artigo 18, §4º, CRFB/88.
Comentários na aula – Não houve comentários. 
2ª Questão
PROVA PRELIMINAR PARA INGRESSO NA CARREIRA DA MAGISTRATURA – RJ XXXVII Concurso (27/04/2003):
Servidora pública municipal, depois de ver indeferido, por força de inexistência de norma municipal que o previsse, pleito administrativo de inclusão de seu marido na condição de seu dependente para fins previdenciários e assistenciais, intentou ação propugnando, incidentalmente, pela declaração de inconstitucionalidade da norma local, por omissão em qualificar-lhe o marido como dependente.
Deve o juiz acolher-lhe o anseio? Fundamente sua resposta.
Resposta
O anseio não merece ser acolhido, pois a via adequada seria a impetração de mandado de injunção. Haveria, no caso em tela, impossibilidade jurídica do pedido, sendo incompetente o Tribunal para analisar a inconstitucionalidade por omissão por via difusa.
Comentários na aula – O professor defende que o juiz pode enfrentar qualquer tipo de omissão, seja constitucional ou não. Nesse caso, poderia ser aplicado método de integração como a analogia. Contudo, o gabarito é no sentido de que o pleito não deve ser acolhido, pois a via adequada seria a impetração de mandado de injunção. 
3ª Questão
Levando em consideração a legitimidade para a propositura da ação direta de inconstitucionalidade por omissão, responda, fundamentadamente, como compatibilizar com a ordem constitucional a legitimidade do Presidente da República e das Mesas do Senado Federal e da Câmara dos Deputados se esses dispõem de direito de iniciativa legislativa?
Resposta
A doutrina, majoritariamente, confere essa possibilidade desde que não sejam eles próprios competentes para a iniciativa de tais leis, visto que seriam eles próprios os destinatários da própria ação. Contudo, o tema foi pacificado pelo artigo 12-A, introduzido na Lei 9.868/99, que estabeleceu serem legitimados para propor a ação direita de inconstitucionalidade por omissão os mesmos legitimados previstos para a ação direita de inconstitucionalidade. 
Comentários na aula – Não há problema que eles sejam legitimados ativos, até porque, em tese, a falta da regulamentação pode ser estadual. Contudo, não pode o mesmo órgão ocupar o pólo passivo e o ativo ao mesmo tempo.
Aula 5 – Temas 9 e 10 – 28/11/2014[5: Ministrada pelo professor João Mendes Rodrigues. Temas: CP01.01.09 - A Constituição e o Direito Internacional. As Cortes Internacionais de Direitos Humanos; CP01.01.10 - Ação declaratória de constitucionalidade. Origem. Legitimados. Efeitos da decisão.     ]
Direitos Humanos
Os direitos humanos estão relacionados ao direito internacional, no âmbito das declarações e tratados (proteção internacional). Já os direitos fundamentais se dão no plano do direito interno por meio da Constituição (proteção doméstica). 
Há direitos que são reconhecidos tanto no plano internacional como no plano interno, tais como o direito à vida, à liberdade de expressão, entre outros.
No caso do direito ser protegido nos dois âmbitos, a competência é da justiça doméstica, de modo a evitar a ocorrência de bis in idem. No âmbito da competência da justiça internacional vige o princípio da complementariedade, também chamado de princípio do prévio esgotamento da jurisdição doméstica.
O prévio esgotamento da justiça doméstica pode se dar pelo seguintes meios, quais sejam: 
Exaurimento dos recursos internos existentes; 
Verificação de demora injustificada; 
Vontade política ou falta de condições efetivas – Exemplo: Ditador que determina série de medidas que violam direitos humanos. Contudo, os órgãos estatais estão submetidos ao seu poder, de modo que a prestação jurisdicional resta prejudicada.
Sistema de Proteção
O sistema de proteção é composto pelo Sistema Internacional da ONU (Universal ou global); e pelos Sistemas Regionais que se subdivide em: i) Europeu; ii) Americano; iii) Africano.
Sistema Universal
A ONU foi criada e 1945, sendo composta por centenas de órgãos, dentre os quais os principais são:
Assembléia Geral da ONU;
Conselho de Segurança da ONU – Objetiva a manutenção ou promoção da paz;
Conselho Econômico e Social;
Conselho de Tutela – Responsável por tutelar territórios que se tornarão Estados independentes;
Tribunal de Justiça Internacional;
Secretaria Geral da ONU.
Veja-se que nenhum desses órgãos atua exclusivamente para a promoção dos direitos humanos. O Conselho de Direitos Humanos está ligado à Assembléia Geral, agregando vários países com o escopo de sugerir tratados, monitorar os fatos ocorridos no mundo e etc.
O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos é a mais alta autoridade, estando abaixo apenas do Secretário Geral, sendo ligado à Secretaria Geral da ONU.
O Tribunal de Justiça Internacional, situado em Haia, é responsável por julgar Estados por violações ao direito internacional. Exemplo: Ditador que determina genocídio. Nesse caso, existe ação estatal determinada pelo líder político que é o ditador. O Tribunal de Justiça Internacional julgará apenas o Estado e não o agente político. A pessoa natural só tem responsabilidade internacional perante o Tribunal Penal Internacional que tem competência criminal.
Sistemas Regionais 
Europeu
Esse sistema firma bases, principalmente, na Convenção Européia de Direitos Humanos, de 1950.O Tribunal Europeu de Direitos Humanos, situado na França é o principal órgão. 
Nesse sistema existe a possibilidade de petições individuais ao Tribunal Europeu, de modo que um cidadão de um país que seja signatário da Convenção pode recorrer à Corte Européia de Direitos Humanos, caso esteja insatisfeito com alguma decisão interna. 
Esse sistema não se confunde com a União Européia.
Africano
O sistema africano foi estabelecido pela Carta Africana de Direitos Humanos e dos Povos, também chamada de Carta de Banjul, de 1981. Essa Carta estabelece como órgão de proteção a Comissão Africana de Direitos Humanos e dos Povos e, posteriormente, cria uma Corte Africana de Direitos Humanos e dos Povos.
Americano
Em 1948 foi estabelecida a Declaração Americana de Direitos e Deveres do Homem, elaborado em uma conferência em Bogotá, existindo no contexto da OEA. Essa declaração não tem a mesma força normativa de um Tratado, sendo uma soft law.
A fonte primária do direito internacional são os tratados internacionais. Contudo, há outras normas que são elaboradas por organizações internacionais (resoluções, declarações, e etc.), sendo chamadas de soft law.
Obs.: Situação semelhante é a Declaração Universal de Direitos Humanos da ONU que também é uma soft law.
Em 1959 foi criada a Comissão Interamericana de Direitos Humanos.
Já em 1969, foi elaborada a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica) que é um tratado internacional propriamente dito, com toda a força normativa que lhe é atinente.
Dois órgãos de proteção foram estabelecidos pelo Pacto, quais sejam: i) Comissão Interamericana de Direitos Humanos; e ii) Core Interamericana de Direitos Humanos.
Caso o Estado não seja signatário do Pacto, mas seja membro da OEA a Declaração Americana de Direitos Humanos vale para ele, motivo pelo qual a Comissão pode atuar.
No caso do Estado não ser membro da OEA e ser signatário do Pacto, há uma cláusula facultativa de jurisdição obrigatória, também chamada de cláusula Raul Fernandes, em que a adesão é facultativa, mas uma vez que país aceite a adesão da Corte, ele estará obrigado a aceitar as decisões da corte. 
No caso do Estado ter aderido a tudo, tanto a Comissão quanto a Corte podem atuar em relação ao Estado. 
O Estado pode aderir de forma condicionada ou incondicionada. No primeiro caso, há a reciprocidade como condição. Exemplo: Violação de direitos humanos no Estado A e o Estado B comunica essa violação a Corte. Na adesão condicionada, o Estado só aceitará a jurisdição da Corte se o Estado denunciante for aderente a corte. Na incondicionada, o Estado será submetido independente do Estado denunciante ser aderente ou não.
O Brasil só aderiu ao Pacto em 1992 de forma condicionada. Ressalte-se que os EUA não aderiram ao Pacto.
Existem vários outros tratados internacionais dentre do sistema americano como, por exemplo: 
Protocolo de São Salvador – Prevê direitos econômicos, sociais e culturais (direitos de 2a geração); 
Convenção de Belém do Pará – Sobre direito das mulheres;
Convenção sobre o desaparecimento forçado de pessoas. 
Comissão Interamericana de Direitos Humanos
Tem como função a promoção e monitoramento dos direitos humanos ou, ainda, investigação de violação de direitos humanos. Nesse último, a comissão poderá realizar investigação in loco ou pela solicitação ao Estado da adoção de medidas cautelares. A investigação in loco demanda autorização prévia do Estado.
A Comissão não é um órgão judicial, de modo que a sua decisão não tem caráter condenatório. Ademais, a solicitação de adoção de medida cautelar não tem natureza judicial.
A provocação da Comissão pode ser feita pelos seguintes legitimados:
Indivíduos ou grupo de indivíduos;
Entidades não-governamentais reconhecidas em, pelo menos, um Estado-membro;
Estados-membros que podem comunicar a violação. 
Há alguns pressupostos a serem observados para o exercício do direito de petição, tais como:
Esgotamento da jurisdição doméstica;
Observância do prazo de 6 (seis) meses contados do esgotamento da jurisdição doméstica;
Ausência de litispendência internacional (evitar bis in idem).
O procedimento perante à Comissão, a partir do exercício do direito de petição (indivíduos) ou comunicação (Estado) ocorre nas seguintes etapas:
Comunica e solicita informações ao Estado;
Juízo de admissibilidade;
Admitida a petição ou comunicação, procede a investigação dos fatos;
Há tentativa de conciliação;
Não obtida a conciliação, a Comissão expede relatório com recomendações;
Veja que a Comissão não pode condenar, mas tão somente expedir relatório com recomendações. 
Corte Interamericana de Direitos Humanos
A Corte pode ser provocada pela Comissão ou por um Estado.
A atuação da Corte pode ser de dois tipos:
Função contenciosa ou jurisdicional – Em que a Corte pode condenar o Estado para restauração do status quo ante, se possível, ou o pagamento de indenização;
Consultiva – Em que a Corte é provocada para se manifestar sobre a compatibilidade de normas com as normas internacionais de direitos humanos. É o chamado controle de convencionalidade realizado pela Corte.
Casos Concretos – Tema 09
1ª Questão
Discorra sobre o papel da Comissão Interamericana de Direitos Humanos e da Assembleia Geral da OEA (Organização dos Estados Americanos) na proteção regional dos direitos humanos. 
Resposta
A Comissão Interamericana sobre Direitos Humanos foi criada em 1959 a fim de desempenhar um papel na área de pesquisa e consulta sobre questões relativas a Direitos Humanos, observando o cumprimento dos preceitos contidos na Declaração Americana de Diretos e Deveres do Homem. Neste sentido, esta recebe e examina queixas de indivíduos sobre a violação dos Direitos Humanos. Poderá inclusive, neste caso, estabelecer recomendações para o Estado acusado da violação. A Comissão não possui poderes jurisdicionais, mas, ainda assim, constitui órgão fundamental na defesa dos Direitos Humanos a nível regional. Sua importância advém da obrigatoriedade de que as demandas sejam apresentadas à Comissão antes de transitarem na Corte Interamericana de Direitos Humanos, passando por um procedimento prévio. A Comissão é composta por sete membros eleitos pela Assembléia Geral da OEA, por meio de uma lista tríplice, indicada pelos Estados-parte da Organização, por um período de 4 anos, podendo ser eleito por mais um período.
A Assembléia Geral, por sua vez, é o órgão máximo da OEA, composta pelas delegações de todos os Estados membros. Os Estados têm direito de se representar na Assembléia, tendo, cada um, a possibilidade de emitir um voto. A definição dos mecanismos, políticas, ações e mandatos da OEA tem origem na Assembléia Geral. Suas atribuições acham-se definidas no Capítulo IX da Carta, que, no artigo 57, dispõe que a Assembléia se reunirá anualmente na época que determine o Regulamento e na sede escolhida conforme o princípio de rotatividade. Em circunstâncias especiais e com a aprovação de dois terços dos Estados membros, o Conselho Permanente poderá convocar um período extraordinário de sessões da Assembléia Geral. Seu papel, como assinalado, se faz importante para a defesa dos Direitos Humanos, pois é a Assembléia que decide quem serão os membros eleitos, que irão compor a Comissão Interamericana de Direitos Humanos.
Comentários na aula – Não houve comentários.
Ação Declaratória de Constitucionalidade 
Base Legal
O artigo 102, I, a, CRFB/88, prevê que:
Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe:
I - processar e julgar, originariamente:
a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal;
Além desse dispositivo, temos o art. 102, §2º, CRFB/88 e a Lei nº 9.868/99.
Histórico
Foi trazida pela EC 3/93. O Min. Gilmar Mendes lembra que antes de nascer a ADC, a ADI era apresentada com o objetivo que o STF declarasse improcedente o pedido, reconhecendo a constitucionalidadedaquela norma e acabando com a insegurança jurídica.
Houve uma discussão acerca da constitucionalidade da ADC. Isso porque a separação de poderes embuti o sistema de freios e contrapesos, denotando a possibilidade de controle recíproco entre os poderes, do qual faz parte o controle de constitucionalidade. A Emenda Constitucional que trouxe a ADC trouxe mais poderes ao Judiciário, ocasionando um desequilíbrio entre os poderes e supostamente violando a cláusula pétrea da tripartição de poderes. 
Portanto, ao criar a ADC estar-se-ia dando ao STF um novo mecanismo de controle sobre os outros poderes. Isso foi objeto de discussão na ADC 1 e o STF decidiu que a criação da ADC é constitucional com base na sua natureza dúplice, visto que é uma ADI invertida.
Natureza Jurídica
Como visto, trata-se de ação de caráter dúplice de natureza bivalente ou ambivalente, pois a sua improcedência declara a inconstitucionalidade da lei.
Essa natureza foi confirmada pelo artigo 24, da Lei 9.868/99:
Art. 24. Proclamada a constitucionalidade, julgar-se-á improcedente a ação direta ou procedente eventual ação declaratória; e, proclamada a inconstitucionalidade, julgar-se-á procedente a ação direta ou improcedente eventual ação declaratória.
Elementos e Pressupostos do Controle
Os pressupostos do controle são: 
Constituição rígida;
Supremacia constitucional;
Órgão competente.
Ressalte-se que o controle envolve um conceito relacional.
Os dois elementos do controle de constitucionalidade são o parâmetro e o objeto. O parâmetro é também chamado de paradigma, referência, bloco de constitucionalidade (conjunto normativo que serve como parâmetro) ou norma constitucional revestida de parametricidade.
Parâmetro
O parâmetro possui a acepção restrita, referente ao texto constitucional, e a acepção que engloba o texto constitucional e as normas materialmente constitucionais fora do texto (ADCT, EC, princípios implícitos, TIDH (art. 5o, p. 3o, CRFB/88).
Normas formalmente infraconstitucionais, ainda que materialmente constitucionais, não podem servir como parâmetro. 
Existe uma tese (Gustavo Zagrebelsky) que fala de normas constitucionais interpostas, que seriam normas infraconstitucionais, mas que disciplinam temas constitucionais por expressa exigência da própria Constituição. Contudo, o STF não encampou essa tese, não admitindo essas normas como parâmetro. Exemplo: Os direitos políticos são direitos fundamentais, tanto o direito passivo quanto o ativo. As hipóteses de inelegibilidade são situações que afastam ou limitam o direito político passivo (art. 14, da CRFB/88). O §9o, do referido artigo permite a possibilidade de lei prever outras hipóteses que foi o que aconteceu com a Lei da Ficha Limpa. Segundo essa tese, a citada lei seria uma norma constitucional interposta. 
Objeto
Alguns autores dizem que a ADC é uma ADI de sinais contrários e com objeto reduzido.
Essa afirmação faz sentido, pois o objeto é a lei ou ato normativo primário desde que de natureza federal. Leis estaduais, distritais e municipais não podem ser objeto. Os não objetos da ADI valem para a ADC.
Pressuposto
O pressuposto para o ajuizamento de ADC é a controvérsia judicial atual e relevante.
A controvérsia deve ser órgãos do judiciário ou entre órgão judiciário e a administração pública. Ressalte-se que a mera controvérsia doutrinaria não basta.
Finalidade
Há autores que dizem que o objetivo é transformar a presunção relativa de inconstitucionalidade em absoluta. Contudo, isso não seria técnico, pois a declaração de constitucionalidade não gera efeito preclusivo. Outros, como a Flávia Bahia, acham que o objetivo é defender a segurança jurídica. 
Para o professor, a finalidade seria pacificar a controvérsia e homogeneizar o entendimento.
Um exemplo desse último é que art. 14, III, Lei 9.868/99 exige que sejam juntadas cópias de decisões controversas sobre o tema. Esse volume expressivo de decisões não foi quantificado pelo STF. Afinal de contas, toda lei é presumidamente constitucional, sendo assim porque colocá-la em risco sem um numero expressivo de controvérsias? Não faria sentido.
Legitimidade Ativa e Capacidade Postulatória
É exatamente a mesma da ADI.
Legitimidade Passiva
Não há legitimidade passivo, ao passo em que na ADI é o órgão do qual emanou a norma. 
Participação do PGR 
A participação do PGR em sede de ADI é a mesma que em sede de ADC, nos moldes do art. 103, §1º, CRFB/88:
Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade:
§ 1º - O Procurador-Geral da República deverá ser previamente ouvido nas ações de inconstitucionalidade e em todos os processos de competência do Supremo Tribunal Federal.
O PGR pode se manifestar pela improcedência da própria ação que ele propôs, não sendo essa uma forma de desistência. 
Participação da AGU
Veja-se o artigo 103, §3º, CRFB/88:
§ 3º - Quando o Supremo Tribunal Federal apreciar a inconstitucionalidade, em tese, de norma legal ou ato normativo, citará, previamente, o Advogado-Geral da União, que defenderá o ato ou texto impugnado.
Observando-se bem o artigo só trata da participação do AGU em ADI. Nada é previsto em relação a ADC. Logo, o entendimento jurisprudencial e doutrinário é no sentido de que não há participação do AGU em sede de ADC, pois se imagina que o autor da ação já fez uma boa defesa, não sendo necessária a atuação do AGU.
Participação do Amicus Curiae
Está previsto no artigo 7o, § 2o, da Lei 9.868/99:
Art. 7o Não se admitirá intervenção de terceiros no processo de ação direta de inconstitucionalidade.
§ 2o O relator, considerando a relevância da matéria e a representatividade dos postulantes, poderá, por despacho irrecorrível, admitir, observado o prazo fixado no parágrafo anterior, a manifestação de outros órgãos ou entidades.
A participação é a mesma de todas as outras ações do controle direto. 
Ressalte-se que pode haver a designação de peritos, audiência pública. Ademais, o STF pode ouvir os Tribunais para que prestem informações a respeito da controvérsia judiciária na respectiva jurisdição.
Cautelar
O artigo 21, da Lei 9.868/99, traz a concessão da medida cautelar em sede de ADC:
Art. 21. O Supremo Tribunal Federal, por decisão da maioria absoluta de seus membros, poderá deferir pedido de medida cautelar na ação declaratória de constitucionalidade, consistente na determinação de que os juízes e os Tribunais suspendam o julgamento dos processos que envolvam a aplicação da lei ou do ato normativo objeto da ação até seu julgamento definitivo.
Parágrafo único. Concedida a medida cautelar, o Supremo Tribunal Federal fará publicar em seção especial do Diário Oficial da União a parte dispositiva da decisão, no prazo de dez dias, devendo o Tribunal proceder ao julgamento da ação no prazo de cento e oitenta dias, sob pena de perda de sua eficácia.
Observe-se que a cautelar na ADI tem o objetivo de suspender a eficácia do ato normativo impugnado, já na ADC o objetivo é suspender o julgamento nos processos em curso que tem como objeto a lei que está sendo questionada até que haja uma decisão final sobre a constitucionalidade da norma. Essa suspensão só valerá por 180 dias, ao passo em que na ADI não há prazo. Embora a lei não preveja essa possibilidade, o STF já prorrogou esse prazo.
A eficácia da cautelar na ADC é erga omnes e vinculante, bem como na ADI.
Efeitos da Decisão 
Os artigos 22 a 28, Lei 9.868/99:
Art. 22. A decisão sobre a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade da lei ou do ato normativo somente será tomada se presentes na sessão pelo menos oito Ministros.
Art. 23. Efetuado o julgamento, proclamar-se-á a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade da disposição ou da norma impugnada se num ou noutro sentido se tiverem manifestado pelo menos seis Ministros, quer se trate de ação direta de inconstitucionalidade ou de ação declaratória de constitucionalidade.
Parágrafo único. Se não for alcançada a maioria necessária à declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade,estando ausentes Ministros em número que possa influir no julgamento, este será suspenso a fim de aguardar-se o comparecimento dos Ministros ausentes, até que se atinja o número necessário para prolação da decisão num ou noutro sentido.
Art. 24. Proclamada a constitucionalidade, julgar-se-á improcedente a ação direta ou procedente eventual ação declaratória; e, proclamada a inconstitucionalidade, julgar-se-á procedente a ação direta ou improcedente eventual ação declaratória.
Art. 25. Julgada a ação, far-se-á a comunicação à autoridade ou ao órgão responsável pela expedição do ato.
Art. 26. A decisão que declara a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade da lei ou do ato normativo em ação direta ou em ação declaratória é irrecorrível, ressalvada a interposição de embargos declaratórios, não podendo, igualmente, ser objeto de ação rescisória.
Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado.
Art. 28. Dentro do prazo de dez dias após o trânsito em julgado da decisão, o Supremo Tribunal Federal fará publicar em seção especial do Diário da Justiça e do Diário Oficial da União a parte dispositiva do acórdão.
Parágrafo único. A declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade, inclusive a interpretação conforme a Constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto, têm eficácia contra todos e efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal, estadual e municipal.
São os mesmos da ADI, quais sejam os efeitos erga omnes e vinculantes, não havendo de se falar em efeito preclusivo.
Há parte da doutrina que defende a modulação dos efeitos da decisão, em nome da segurança jurídica. Contudo, o artigo 27 prevê a possibilidade apenas na ADI.
Casos Concretos – Tema 10
1ª Questão
Os Estados podem instituir ação declaratória de constitucionalidade de Lei Estadual em face da Constituição do Estado?
A decisão cautelar ou definitiva na ação declaratória de constitucionalidade alcança os processos já findos, com sentença já transitada em julgado materialmente? 
Resposta
A admissão da instituição de ação análoga à ADC no âmbito estadual justifica-se na autonomia federativa e na ausência de vedação expressa por parte da CF/88. Além disso, a representação de inconstitucionalidade, medida já existente nas Constituições Estaduais possui natureza dúplice, ou seja, caso seja julgada improcedente o efeito será o reconhecimento da constitucionalidade da norma impugnada, mesmo efeito que se pretende obter com a ação declaratória de constitucionalidade. A instituição dessa medida não seria incompatível com o sistema que já existe.
A decisão do Supremo em sede de ação declaratória de constitucionalidade, seja cautelar ou definitiva, não possui eficácia rescisória. Assim, ainda que seus efeitos sejam vinculados, estes não alcançam situações que estão sob o manto da coisa julgada.
Comentários na aula – Na doutrina há controvérsia, mas a tendência é no sentido de que possa haver ADC estadual, por nada mais ser do que uma ADI invertida. A decisão definitiva da ADC enseja a possibilidade de ajuizamento de ação rescisória, com base da declaração de inconstitucionalidade no prazo de 2 anos.
2ª Questão
Sobre a ação declaratória de constitucionalidade, responda aos seguintes quesitos, com a indicação da jurisprudência predominante do STF sobre o tema:
a) É admissível o ajuizamento de ação declaratória de constitucionalidade de medida provisória ainda não convertida em lei?
b) É admissível a concessão de medida liminar no processo instaurado em razão do exercício da ação declaratória de constitucionalidade?
c) É imprescindível a atuação do Advogado Geral da União no processo instaurado em virtude do exercício da ação declaratória de constitucionalidade?
Resposta
a) O STF possui precedentes, como a ADC n. 9, que autorizam o ajuizamento de ADC em face de medida provisória ainda não convertida em lei, pois esta possui força de ato normativo legal e, portanto, pode ser objeto de controle concentrado de constitucionalidade.
b) A concessão de liminar em ADC está expressamente prevista no art. 21, L. 9868/99.
c) No caso da ADC, a Lei 9868/99 não exige expressamente que haja atuação do AGU, nesse sentido, o STF já se manifestou sobre a não obrigatoriedade de sua manifestação (ADC 1).
Comentários na aula – a) Há o entendimento de que como esses pressupostos são conceitos indeterminados não caberia controle. Contudo, o STF admite a possibilidade de controle desde que a análise se baseie em critérios objetivos. Nesse sentido: ADI 2.468; b) Cabe cautelar; c) Não é prescindível, conforme restou decidido na ADC 1.
3ª Questão
13º CONCURSO PARA INGRESSO NA CLASSE INICIAL DA CARREIRA DE PROCURADOR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
2ª Questão da Prova Escrita Geral realizada em 01.06.2003:
Em ação declaratória de constitucionalidade julgada procedente, o Supremo Tribunal Federal considerou válido determinado dispositivo legal. Indaga-se: se vier a ser posteriormente ajuizada ação direta de inconstitucionalidade tendo por objeto o mesmo dispositivo legal, pode o Supremo Tribunal Federal voltar a se pronunciar sobre a matéria?
Resposta
A eficácia vinculante do julgamento em sede de ADC não se aplica ao Supremo, que poderá rever seu entendimento ou, ainda, reconhecer que houve mutação constitucional e a norma deve ser declarada inconstitucional. 
Comentários na aula – É cabível, pois a decisão não tem efeito preclusivo.
Aula 6 – Temas 11 e 12 – 01/12/2014[6: Ministrada pelos professores Flavia Bahia Martins e Marcio Ayala Pereira Filho. Temas: CP01.01.11 - Argüição de descumprimento de preceito fundamental. Lei 9.882/99. Evolução histórica; CP01.01.12 - Controle de constitucionalidade nos Tribunais estaduais. Controles concentrado e difuso no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.     ]
Bibliografia: André Ramos Tavares – Curso de Direito Constitucional ou Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental
Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental
Histórico
A ADPF, na visão de André Ramos Tavares, buscou origem no recurso constitucional alemão e no recurso de amparo espanhol. Isso é devido à legitimidade ativa popular que estava originariamente prevista na ADPF. Contudo o Presidente da República à época vetou essa previsão de participação popular. 
Barroso e Gilmar Mendes, por sua vez, destacam que essa seria uma criação brasileira para suprir lacunas até então existentes no controle de constitucionalidade brasileiro como, por exemplo, o controle de lei municipal que ferisse a Constituição da República.
Essa ação surgiu em 1988, mas padeceu da síndrome de inefetividade das normas constitucionais, visto que não havia lei que regulasse o tema. Na ADPF 1, o STF entendeu que o artigo 102, §1o era uma norma de eficácia limitada que dependia de regulamentação.
A Lei 9.882 só foi editada em 1999. Contudo, o Conselho Federal da OAB ajuizou a ADI 2.231, ainda pendente de julgamento.
Base Legal
Está prevista no artigo 102, §1o, CRFB/88 e é regulamentada pela Lei 9.882/99:
Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe:
§ 1.º A argüição de descumprimento de preceito fundamental, decorrente desta Constituição, será apreciada pelo Supremo Tribunal Federal, na forma da lei.
O que é Preceito Fundamental? 
Sabe-se que a ADPF não protege toda a Constituição, mas tão somente os preceitos fundamentais.
José Afonso da Silva aduz que preceito fundamental seria todo direito, garantia ou princípio estabelecido na Constituição da República. Contudo, esse parâmetro é muito vago, pois a CRFB/88 é uma efervescência de direito, garantia e princípios.
Essanão foi a visão adotada pelo Supremo Tribunal Federal. Na ADPF 33, o STF decidiu, em rol exemplificativo, o que seriam preceitos fundamentais. Confiram-se: 
Princípios Fundamentais (art. 1º a 4º); 
Direitos e Garantias Fundamentais (art. 5º ao 17); 
Princípios Constitucionais Sensíveis (art. 34, VII); 
Princípios previsto no art. 37, caput (LIMPE); e
Cláusulas Pétreas (art. 60, §4º). 
Esse rol não é taxativo, mas é seguro para fins de prova. 
Caráter Subsidiário
O art. 4º, §1º da Lei 9.882/99 aduz que não será admitida ADPF quando houver qualquer outro meio eficaz de sanar a lesividade: 
Art. 4o A petição inicial será indeferida liminarmente, pelo relator, quando não for o caso de argüição de descumprimento de preceito fundamental, faltar algum dos requisitos prescritos nesta Lei ou for inepta.
§ 1o Não será admitida argüição de descumprimento de preceito fundamental quando houver qualquer outro meio eficaz de sanar a lesividade.
Sobre o caráter residual da ADPF, José Afonso da Silva e André Ramos Tavares sustentam a inconstitucionalidade do artigo 4º, §1º da Lei 9.882/99, tendo em vista que a Constituição não estabeleceu essa subsidiariedade. Para Alexandre de Moraes e Zeno Veloso, entretanto, a natureza residual da ADPF se refere, inclusive, aos remédios constitucionais. Na ADPF 17, o STF excluiu o cabimento da arguição porque, na hipótese, era possível o ajuizamento de uma ação popular.
Ocorre que no julgamento da ADPF 76, a Corte firmou entendimento no sentido de que o caráter residual da ação estaria associado às demais ações do controle concentrado abstrato federal, ou seja, se couber ADI, ADC ou ADO não caberá ADPF. Dessa forma, se uma lei federal viola um preceito fundamental, a ação cabível é a ADI. Do mesmo modo, se uma lei estadual violar preceito fundamental, a ação cabível é a ADI. Logo, a ADPF vai cuidar de tudo aquilo que não pode ser objeto de ADI, ADC e ADO. 
Na ADPF 100, o STF entendeu que se a lei municipal violar, ao mesmo tempo, a Constituição da República e a Constituição do estado em norma de observância obrigatória ao modelo federal, que não caberá ADPF, e sim RI, com base no art. 125, §2º, CRFB/88, assegurada interposição eventual do Recurso Extraordinário do artigo 102, III, CRFB/88. Assim, o STF reforçou e ampliou a natureza residual da ação. Veja-se que, em regra, teríamos a possibilidade de ADPF e RI, mas o STF entendeu que quando há essa dupla violação não caberá ADPF, apenas RI, com base no art. 125, §2º, CRFB/88. 
Obs.: Na ADI 4.277, o STF aplicou o princípio da fungibilidade recebendo a ADPF na forma de ADI.
Hipóteses de Cabimento 
O artigo 1o, da Lei 9.882/99 aduz:
Art. 1o A argüição prevista no § 1o do art. 102 da Constituição Federal será proposta perante o Supremo Tribunal Federal, e terá por objeto evitar ou reparar lesão a preceito fundamental, resultante de ato do Poder Público.
Parágrafo único. Caberá também argüição de descumprimento de preceito fundamental:
I - quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição;
Como visto, a ADPF só protege preceitos fundamentais que não possam ser protegidos por ações do controle concreto abstrato e pela ADI estadual.
Dessa forma, as hipóteses de cabimento da ADPF são: 
Lei Municipal que viole diretamente a Constituição Federal em um preceito fundamental, desde que não haja dupla violação; 
Lei Distrital de natureza municipal que viole diretamente a Constituição Federal;
Normas pré-constitucionais (ADPF 144, 153 (Lei da Anistia) e 187 (marcha da maconha));
Atos normativos secundários (portarias, decretos regulamentares, circulares, etc.);
Atos do Poder Público – Inclusive desprovidos de normatividade. Isso acaba deixando margem para que atos desprovidos de normatividades sejam objeto da ação;
Decisões Judiciais (ADPF 101) – Podem ser objeto de ADPF desde que não haja coisa julgada, visto que a ADPF não é sucedâneo recursal. 
No caso da ADPF 144, que impugnava dispositivos da LC 64/90, o parâmetro de confronto não foi com a CRFB/88 originária, mas sim com o artigo 14, §9o, trazido pela EC 4/94. Dessa forma, o parâmetro era posterior a norma confrontada, de modo que era cabível ADPF e não ADI. Estamos acostumados a dizer que norma pré-constitucional é anterior a 1988, isso não é verdade, pois é possível ter novos parâmetros para a recepção ou não recepção.
Não temos uma lista do que pode ser objeto de ADPF, mas temos algumas decisões do STF de casos em que não cabe ADPF, conforme se lê abaixo. Não podem ser atacados por ADPF: 
Súmulas não vinculantes (ADPF 80) – Isso porque não são atos de Poder Público prontos e acabados; 
Súmulas Vinculantes (ADPF 147) – O STF entendeu que existem mecanismo próprios para rever, interpretar ou cancelar Súmula Vinculante, de modo que a natureza residual da ADPF não permite seu ajuizamento; 
Veto do Presidente da República (ADPF 45 e 73) – A ADPF 45 (Informativo 345) deve ser lida sobre o tema de políticas públicas;
Coisa Julgada (ADPF 288 – Informativo 736) – ADPF não pode ser ajuizada no lugar da ação rescisória.
A ADPF não pode controlar proposta de Emenda, pois não existe controle preventivo judicial abstrato concentrado de constitucionalidade no país, em nome do princípio da separação de poderes.
Legitimidade
São os mesmos das demais ações do controle concentrado federal, previstos no artigo 103, I a IX, da CRFB/88. São divididos em especiais e universais. 
A capacidade postulatória também é a mesma da ADI (incisos VIII e IX precisam de advogado). 
Modalidades 
O art. 1º, parágrafo único, da Lei 9.882/99 diz que “caberá também ADPF”. Assim, a doutrina passou a defender a existência de duas modalidades de ADPF: 
Parágrafo único. Caberá também argüição de descumprimento de preceito fundamental:
I - quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição;
Principal – Proposta diretamente ao STF, criando processo objetivo na via de ação, sem partes, sem lide e etc. É uma situação abstrata (art. 1º, caput). São ADPFs que analisam a norma em tese e são ajuizadas diretamente no STF. Trata-se de modalidade como a ADI, ADC e ADO.
Incidental/indireta – Proposta no bojo de um processo subjetivo, em um caso concreto (art. 1º, parágrafo único, I). Ela foi desenhada para ser proposta pelo cidadão, considerando-se a sua origem em que o mesmo tinha legitimidade para propor ADPF. Contudo, foi vetado o artigo que dava legitimidade aos cidadãos, não podendo o cidadão ser legitimado nem da ADPF principal e nem da incidental. Então, se os legitimados ativos são os mesmos, os legitimados vão propor ADPF principal e não incidental. A ADPF incidental existe, mas ela não é operacionalizada. Ocorreu na ADPF 288, mas o mérito não foi julgado pela falta de ilegitimidade ativa e objeto. Trata-se uma ação de controle concentrado concreto incidental de constitucionalidade, porque é incluída na causa de pedir e não no pedido.
Decisão definitiva 
Efeitos erga omnes e vinculantes, sendo cabível a modulação temporal dos efeitos da decisão. 
Casos Concretos – Tema 11
1ª Questão
A Associação Brasileira de Loterias Estaduais propõe uma arguição de descumprimento de preceito fundamental a fim de obter a interpretação correta a ser emprestada à Súmula Vinculante nº 2 e no tocante à exploração dos serviços lotéricos pelos Estados. Pretende obter do STF o reconhecimento da competência dos Estados membros, para a exploração de loterias no âmbito de seus territórios, sob pretexto de que a edição da SV nº 02 teria dado azo ao descumprimento de preceitos fundamentais.
Responda, fundamentadamente, se o processo merece trânsito.
Resposta
O processo não merece trânsito, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal entende que a argüição de descumprimento de preceito fundamental não é a via adequada para obter a interpretação correta de Súmula Vinculante. Nessesentido: STF, AgRg na ADPF 147.
Comentários na aula – Na ADPF 147, a Corte entendeu que como há mecanismo próprio para revisão ou cancelamento de Súmula Vinculante, diante da natureza residual da ADPF, ela não deveria ser utilizada.
2ª Questão
Em arguição de descumprimento de preceito fundamental, o Advogado-Geral da União suscitou o não conhecimento da respectiva ação. Alegou que, no caso em discussão, há um recurso extraordinário que já se encontra no Supremo Tribunal Federal capaz de afastar a lesão ventilada.
Responda, fundamentadamente, se a arguição deve ser conhecida.
Resposta
Considerando-se que a ADPF é uma ação de caráter abstrato e objetivo, não há de se falar em violação ao princípio da subsidiariedade pelo simples fato de haver em trâmite recurso extraordinário que representa de controle difuso e incidental.
Comentários na aula – O fato de existir um RE não afasta o cabimento de ADPF.
3ª Questão
O Partido Político X, com representação no Congresso Nacional, interpôs agravo regimental contra decisão que negou seguimento à ADPF argüida contra Proposta de Emenda da CRFB/88, PEC 40, que tratava da Reforma da Previdência Social.
O Partido afirma que a PEC 40 viola o disposto no artigo 60, § 4º, da Constituição da República Federativa do Brasil e fere, além de outros princípios constitucionais, o da inviolabilidade do direito adquirido, conforme o artigo 5º, inciso XXXVI.
Pergunta-se: 
É cabível a argüição de descumprimento de preceito fundamental contra Proposta de Emenda Constitucional? Resposta fundamentada.
Resposta
Não é cabível a ADPF em face de Proposta de Emenda Constitucional, visto não estar essa elencada dentre as hipóteses do artigo 1º, parágrafo único, I, da Lei 9.882/99, que só prevê lei ou ato normativo.
Ademais, a ADPF apenas deve recais sobre atos do poder público não mais suscetíveis de alteração, o que não é o caso da PEC, sob pena de violação ao princípio da separação de poderes. 
Comentários na aula – Não é cabível como decidido na ADPF 73.
Controle Concentrado Estadual 
Bibliografia:
Léo Ferreira Leoncy - Controle Estadual de Constitucionalidade (livro sintético);
Gilmar Ferreira Mendes – Não aprofunda no estudo de normas de repetição obrigatória.
Histórico
Do mesmo modo que existe o controle concentrado federal, também existe o controle concentrado estadual, com o objetivo de preservar a constituição estadual. 
A EC 16/75 foi responsável pela criação da RI estadual, também chamada de ADI estadual. À época de sua criação, ela só podia ser proposta em face de lei municipal que violasse a constituição do estado. Em 1988, o objeto da RI foi ampliado, dizendo o art. 125, §2º que a RI estadual pode ter por objeto lei estadual ou municipal que viole a constituição estadual. 
O art. 11, ADCT diz que é obrigatória a criação das constituições estaduais. Isso pois a constituição estadual é uma manifestação de poder, poder este chamado poder constituinte derivado decorrente. É importante para a federação existir controle concentrado para preservar a Carta estadual, já que ela representa a auto-organização deste ente federativo.
Fundamento
O fundamento de validade de criação do controle estadual de constitucionalidade está previsto no art. 125, §2º da CRFB:
Art. 125. Os Estados organizarão sua Justiça, observados os princípios estabelecidos nesta Constituição.
§ 2º - Cabe aos Estados a instituição de representação de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais ou municipais em face da Constituição Estadual, vedada a atribuição da legitimação para agir a um único órgão.
A Representação de Inconstitucionalidade é sinônimo de Ação Direta de Inconstitucionalidade estadual. Existem estados (Exemplo: DF) que possuem em sua lei orgânica a previsão de ADI Estadual que, nada mais é em outros estados chamados de Representação de Inconstitucionalidade (Exemplo: art. 162 da Constituição Estadual do RJ).
Conceito
O controle estadual é o juízo de compatibilidade vertical, de lei estadual ou municipal em face da Constituição Estadual (no nosso caso a do Rio de Janeiro), com o objetivo de analisar a validade daquela em face desta. Assim sendo, a Representação de Inconstitucionalidade pertence ao controle abstrato estadual de constitucionalidade. 
É perfeitamente possível e válida a existência de controle difuso estadual de constitucionalidade, com fundamento no princípio da simetria ou autonomia federativa. 
Há a necessidade de observância do art. 97 da CRFB, ou seja, da reserva de plenário, no controle difuso que terá como parâmetro a Constituição estadual.
A possibilidade de ser dada eficácia erga omnes a uma decisão do órgão especial que julga no controle difuso de constitucionalidade, é por meio da Assembléia Legislativa do respectivo estado, observando-se a simetria do art. 52, X, CRFB/88. 
A CE RJ não pode usar objetos que não sejam lei municipal e lei estadual, não podendo haver a submissão de lei federal a controle estadual, sob pena de subverter-se a própria lógica federativa. Ao falarmos sobre controle de constitucionalidade temos que ter em mente que estamos falando de federação, pois esta é autonomia, senado federal, repartição de competências, controle de constitucionalidade. 
Sistema da Dupla Proteção
Neste controle vamos deslocar o parâmetro da CRFB, pois o parâmetro vai ser a Constituição do Estado.
É um sistema de dupla proteção porque o constituinte originário operacionalizou de forma simultânea o controle federal e estadual de constitucionalidade. Estes controles acontecem ao mesmo tempo. 
Normas de Observância ou de Reprodução Obrigatória 
Muitos autores, ao falar do controle de constitucionalidade estadual, dizem que ela é uma “mini” constituição federal, já que reproduz muitas das suas disposições. Na verdade, muitas dessas reproduções são obrigatórias.
Segundo José Afonso da Silva, essas normas de reprodução obrigatória são representadas por uma série de princípios. Temos os princípios constitucionais sensíveis, estabelecidos e extensíveis. Logo, norma de repetição obrigatória é aquilo que não ofende 4 elementos, quais sejam: 
Princípios Constitucionais Sensíveis – Art. 34, VII da CRFB, são sensíveis porque tratam de intervenção federal, estando o estado em crise, em que a autonomia federativa será excepcionalmente e temporariamente afastada. De acordo com José Afonso da Silva diz que eles são de fácil percepção sensitiva, pois eles compõe os elementos orgânicos de uma Constituição, sendo normas que trata de direitos e garantias fundamentais, forma de estado, sistema de governo, etc.; 
Pré-ordenação Constitucional – A própria CRFB já ordena a estruturação do ente federativo. A própria CRFB já delimita quais sejam as regras e princípios que o Estado membro deve necessariamente obedecer. Exemplo: Art. 25, que traz a estruturação do estado; Art. 29 que diz como vai ser organizado o Município; idade mínima, etc.;
Norma Federal Extensível – A destinação apriorística de organização de determinada benefício constitucional é direcionado a União, mas por uma lógica de simetria é extensível a estados membros e municípios;
Princípios Estabelecidos – São aqueles que não se referem somente a Estados, União e Municípios e sim a toda federação. Todos os entes federados devem necessariamente observar princípios estabelecidos. Exemplo: Art. 37, que trata do princípio da legalidade; Art. 150, que trata do princípio do concurso público; princípio da imunidade tributária. 
Seria possível CE admitisse que o controle difuso estadual teria eficácia erga omnes nos limites do estado tal como uma ADI Estadual ou Representação de Inconstitucionalidade? Não, pois ofende norma de repetição obrigatória. Um segundo argumento seria a igualação de controle difuso e controle concentrado quando a própria Constituição fez a distinção e criou o sistema da dupla proteção. 
A existência do artigo 52, X, é de reprodução obrigatória. 
A reprodução do artigo 52, X, CRFB/88, por simetria, pode ser colocado para condição de eficácia erga omnes na representaçãode inconstitucionalidade? O STF, no RE 199.293, entendeu pela inconstitucionalidade de dispositivo de Constituição estadual que venha submeter a decisão de Órgão Especial ao Poder Legislativo. 
Órgão Competente 
É o TJ do próprio estado. O STF já decidiu que a lei orgânica do DF tem natureza de Constituição estadual, então também existe controle concentrado estadual no DF. 
Parâmetro 
É a Constituição do próprio estado. 
A lei federal não pode ser usada como parâmetro de controle, pois a repartição constitucional de competência divide essas competências em uma lógica de federalismo cooperativo e não de forma hierárquica. 
O STF poderia se valer da Constituição do estado como parâmetro para defender a inconstitucionalidade de determinada lei estadual? O Tribunal de Justiça tem o monopólio de censura quando a deliberação diz respeito a Constituição do respectivo estado, como parâmetro. 
Ressalte-se que a Constituição do estado pode ser objeto de controle em face da Constituição da República.
Objeto 
De acordo com o art. 125, §2º é a lei estadual ou municipal que viole a Constituição do próprio estado:
Art. 125. Os Estados organizarão sua Justiça, observados os princípios estabelecidos nesta Constituição.
§ 2º - Cabe aos Estados a instituição de representação de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais ou municipais em face da Constituição Estadual, vedada a atribuição da legitimação para agir a um único órgão.
No que tange à Emenda Constitucional, há quem defenda que não seria possível por falta de hierarquia axiológica, já que ambas seriam decorrentes do poder constituinte derivado.
Ver, TJRJ, RI 45/09:
(copiar)
Outros Ações
Do art. 125, §2º, CRFB/88 extraímos que só há uma ação do controle concentrado estadual, que é a RI estadual. O STF, contudo, entendeu que em nome da auto-organização e autonomia do estado membro, seria possível a criação de outras ações. 
Expressamente a CRFB/88 diz que é obrigatória a criação da RI/ADI estadual. A Corte entendeu que é possível a criação da ADO, ADC e ADPF no plano estadual, desde que com base na Constituição do estado.
O Desembargador Nagib Slaibi entente por essa possibilidade.
Dentro de uma lógica de simetria, a previsão de ADC é perfeitamente possível. Contudo, há quem entenda que isso não seria possível, pois a EC 3/93 promoveu um silêncio eloquente, visto que não acrescentou a ADC estadual, mesmo que a Constituição do estado preveja.
A RI por omissão é admitida de forma pacífica. Contudo, na ADPF, a ideia de preceito fundamental seria um óbice, pois seria necessária uma reprodução imitada da Constituição da República.
Legitimidade Ativa
O STF já decidiu que não há necessidade de se reproduzir o art. 103, I a IX no plano dos estados. 
Ressalte-se que o art. 125, §2º diz que é vedada a legitimidade de agir a apenas um órgão. 
O artigo 162, da Constituição do Estado do Rio de Janeiro confere ao Defensor Público Geral do ERJ:
Art. 162 - A representação de inconstitucionalidade de leis ou de atos normativos estaduais ou municipais, em face desta Constituição, pode ser proposta pelo Governador do Estado, pela Mesa, por Comissão Permanente ou pelos membros da Assembléia Legislativa, pelo Procurador-Geral da Justiça, pelo Procurador-Geral do Estado, pelo Procurador-Geral da Defensoria Pública, **Defensor Público Geral do Estado, por Prefeito Municipal, por Mesa de Câmara de Vereadores, pelo Conselho Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil, por partido político com representação na Assembléia Legislativa ou em Câmara de Vereadores, e por federação sindical ou entidade de classe de âmbito estadual. 
Para José Afonso da Silva e Marcelo Neves, é possível que seja conferida a legitimidade ao cidadão. Contudo, o STF entendeu pela ilegitimidade ativa do cidadão, pois a Constituição não previu a chamada Ação Popular de Constitucionalidade (ADI 124). Ademais, a admissão popularizada teria o condão de tirar a rigidez da própria Constituição. 
Há quem diga que a legitimidade conferida somente ao Governador do Estado e ao PGE, seria uma burla ao art. 125, §2º, da CRFB/88, visto que o PGE não teria independência a tal ponto.
Fusão de Sistemas
Imagine-se que determinada RI foi proposta, pelo Defensor Público Geral, em face de Lei estadual que viola a CERJ. Ocorre que em uma questão de ordem, o PGJ dá parecer pela improcedência da referida ação, tendo em vista que a inconstitucionalidade é da CERJ em face da CRFB/88. Esse controle, inicialmente, é concentrado estadual de constitucionalidade, mas se torna um controle difuso federal de constitucionalidade. Delibera-se a inconstitucionalidade em sede de controle difuso incidental. Dessa decisão que delibera em controle concentrado e difuso, cabe Recurso Extraordinário interposto pelo legitimado que propôs a RI.
Caso o STF inadmita o RE e reconheça a constitucionalidade da CERJ, o parâmetro voltará apto ao julgamento da RI, visto que a decisão será anulada.
Esse é exemplo é chamado pela doutrina de fusão de sistemas. 
Amicus Curiae
O STF já entendeu que o amicus curiae deve atuar no controle estadual. Isso porque a legitimidade popular não é permitida, sendo o amicus curiae o elo entre o povo e o Tribunal. Assim sendo, aplica-se por analogia o art. 7º da lei 9.868/99. 
Modulação dos efeitos
Pode ser aplicada por analogia a Lei 9.868/99. 
Recorribilidade 
Caso a decisão do TJ no controle concentrado viole a Constituição Federal, será cabível a interposição do RE, ou seja, as decisões do TJ em controle concentrado não são irrecorríveis. 
Os efeitos do RE em Representação de Inconstitucionalidade será erga omnes, nos limites da competência do respectivo estado.
Tramitação Simultânea 
Hoje, a jurisprudência pacífica no STF é de que suspende-se a RI e se aguarda a decisão do STF sobre o tema, de modo que não haja decisões conflitantes. Nesse sentido, STF, ADI 1.423:
Ação direta de inconstitucionalidade. Pedido de liminar. Lei nº 9.332, de 27 de dezembro de 1995, do Estado de São Paulo. - Rejeição das preliminares de litispendência e de continência, porquanto, quando tramitam paralelamente duas ações diretas de inconstitucionalidade, uma no Tribunal de Justiça local e outra no Supremo Tribunal Federal, contra a mesma lei estadual impugnada em face de princípios constitucionais estaduais que são reprodução de princípios da Constituição Federal, suspende-se o curso da ação direta proposta perante o Tribunal estadual até o julgamento final da ação direta proposta perante o Supremo Tribunal Federal, conforme sustentou o relator da presente ação direta de inconstitucionalidade em voto que proferiu, em pedido de vista, na Reclamação 425. - Ocorrência, no caso, de relevância da fundamentação jurídica do autor, bem como de conveniência da concessão da cautelar. Suspenso o curso da ação direta de inconstitucionalidade nº 31.819 proposta perante o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, defere-se o pedido de liminar para suspender, ex nunc e até decisão final, a eficácia da Lei n 9.332, de 27 de dezembro de 1995, do Estado de São Paulo. (ADI 1423 MC, Relator(a):  Min. MOREIRA ALVES, Tribunal Pleno, julgado em 20/06/1996, DJ 22-11-1996 PP-45684 EMENT VOL-01851-01 PP-00120)
Casos Concretos – Tema 12
1ª Questão
O Procurador-Geral do Estado do Rio de Janeiro ajuizou Representação de Inconstitucionalidade junto ao Tribunal de Justiça, figurando como representada a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro e tendo como objeto a Lei Estadual nº 4.901/2006, que disciplina a instalação de medidores de água, eletricidade, telefonia e gás. 
O representante amparou-se no art. 162 da Constituição Estadual e aduziu, como causa de pedir, que a lei impugnada extrapolou os limites da competência estadual, por ser competência privativa da União legislar sobre eletricidade e telefonia, na forma do art. 72 da Constituição Estadual e do art. 22, inciso IV, da Constituição Federal. 
Pergunta-se: 
a) Qual a espécie de controle de constitucionalidade exercido pelo Tribunal de Justiça emsede de Representação de Inconstitucionalidade? 
b) Deve ser acolhida a pretensão do representante? 
Respostas objetivamente justificadas.
Artigo 72 da Constituição do Estado do Rio de Janeiro: "O Estado exerce todas as competências que não lhe sejam vedadas pela Constituição da República".
Artigo 162 da Constituição do Estado do Rio de Janeiro: "A representação de inconstitucionalidade de leis ou de atos normativos estaduais ou municipais, em face desta Constituição, pode ser proposta pelo Governador do Estado, pela Mesa, por Comissão Permanente ou pelos membros da Assembleia Legislativa, pelo Procurador-Geral da Justiça, pelo Procurador-Geral do Estado, pelo Procurador-Geral da Defensoria Pública, Defensor Público Geral do Estado, por Prefeito Municipal, por Mesa de Câmara de Vereadores, pelo Conselho Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil, por partido político com representação na Assembleia Legislativa ou em Câmara de Vereadores, e por federação sindical ou entidade de classe de âmbito estadual".
Resposta
a) Trata-se de espécie de controle abstrato de constitucionalidade que tem como paradigma a Constituição do estado.
b) A pretensão do representante não deve ser acolhida, pois não compete ao Tribunal de Justiça julgar eventual inconstitucionalidade que tenha como paradigma a Constituição da República, sob pena de usurpação de competência originária do STF para o julgamento de Ação Direta de Inconstitucionalidade. 
Comentários na aula – Não deve ser acolhida a pretensão. 
2ª Questão
Responda, fundamentadamente, em no máximo 15 (quinze) linhas, se a Constituição Estadual pode prever a legitimidade de um Partido Político sem representação na Assembléia Legislativa, para a proposição de representação de inconstitucionalidade.
Resposta
Sim, é possível, visto que a única exigência do artigo 125, §2º é que a representação de inconstitucionalidade não se restrinja a apenas um órgão legitimado. Desse modo, entende-se pela possibilidade das constituições estaduais preverem legitimados além daqueles previstos no artigo 103, incisos de I a IX, da CRFB/88.
Comentários na aula – Sim, desde que não seja esse o único legitimado.
3ª Questão
Federação nacional que congrega oito entidades na base sindical do Estado do Rio de Janeiro, voltada para a defesa dos interesses da categoria econômica de hotéis, restaurantes, bares e similares propõe demanda de inconstitucionalidade de lei do município do Rio de Janeiro, que proíbe a utilização de embalagens devassáveis de molhos e temperos de mesa e congêneres nos bares, restaurantes, padarias, lanchonetes e similares.
O prefeito, em suas informações, requer a extinção do feito sem resolução do mérito pela falta de legitimidade da parte autora, já que o disposto no art. 162 da Constituição do Estado do Rio de Janeiro, ao se referir à entidade de classe de âmbito estadual, restringiu somente à entidade de âmbito estadual a legitimação ativa ad causam na representação de inconstitucionalidade.
Responda, fundamentadamente, em no máximo 15 (quinze) linhas, se o mérito deve ser apreciado.
Resposta
O mérito deve ser apreciado, uma vez que o artigo 19, III, da CRFB/88 veda a criação de distinções entre brasileiros com base na sua origem. Desse modo, a federação nacional é parte legítima para o ajuizamento da representação de inconstitucionalidade.
Comentários na aula – Não houve comentários.
Informativos
STF
2014
Governador do Estado não pode reduzir proposta orçamentária da Defensoria Pública elaborada de acordo com a LDO. STF. Plenário. ADPF 307 Referendo-MC/DF, rel. Min. Dias Toffoli, julgada em 19/12/2013 (Informativo nº 733).
O Plenário do TJRN, em um processo administrativo envolvendo dois servidores do Poder Judiciário, reconheceu que eles teriam direito a determinada gratificação e, além disso, estendeu esse mesmo benefício para todos os demais servidores do Tribunal que estivessem em situação análoga. O STF decidiu que essa decisão administrativa poderia ser objeto de ADI porque ela teve conteúdo normativo, com generalidade e abstração. Quanto ao mérito, o STF decidiu que a decisão administrativa do TJ foi inconstitucional por violar a necessidade de lei para concessão da gratificação (art. 37, X), por implicar em equiparação remuneratória entre os servidores (art. 37, XIII) e por violar o entendimento exposto na Súmula 339 do STF. STF. Plenário. ADI 3202/RN, rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 5/2/2014. (Informativo nº 734). 
O Governador do Estado enviou um projeto de lei para a ALE tratando sobre servidores públicos estaduais e, por meio de uma emenda parlamentar, foi inserida determinada gratificação. O STF considerou essa previsão inconstitucional por violar o art. 63, I, da CF/88, que também se aplica na esfera estadual. STF. Plenário. ADI 4759 MC/BA, rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 5/2/2014. (Informativo nº 734).
É inconstitucional norma da Constituição estadual que impõe prazos para que o chefe do Poder Executivo apresente proposições legislativas ou pratique atos administrativos. STF. Plenário. ADI 179/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 19/2/2014. (Informativo nº 736).
Não é inconstitucional norma da Constituição do Estado que atribui ao Procurador da Assembleia Legislativa ou, alternativamente, ao Procurador-Geral do Estado, a incumbência de defender a constitucionalidade de ato normativo estadual questionado em controle abstrato de constitucionalidade na esfera de competência do Tribunal de Justiça. Essa previsão não afronta o art. 103, § 3o da CF/88 já que não existe, quanto a isso, um dever de simetria para com o modelo federal. Ademais, essa norma estadual não viola o art. 132 da CF/88 uma vez que a atuação do Procurador-Geral da ALE nos processos de controle de constitucionalidade não se confunde com o papel de representação judicial do Estado, esse sim de exclusividade da Procuradoria-Geral do Estado. STF. Plenário. ADI 119/RO, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 19/2/2014. (Informativo nº 736).
O STF não acolhe a teoria da abstrativização do controle difuso. Não houve mutação constitucional do art. 52, X, da CF/88. Para a maioria dos Ministros, a decisão em controle difuso continua produzindo, em regra, efeitos apenas inter partes e o papel do Senado é o de amplificar essa eficácia, transformando em eficácia erga omnes. STF. Plenário. Rcl 4335/AC, rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 20/3/2014. (Informativo nº 739).
Para a criação de novos Municípios, o art. 18, § 4º da CF/88 exige a edição de uma Lei Complementar Federal estabelecendo o procedimento e o período no qual os Municípios poderão ser criados, incorporados, fundidos ou desmembrados. Como atualmente não existe essa LC, as leis estaduais que forem editadas criando novos Municípios serão inconstitucionais por violarem a exigência do § 4º do art. 18. STF. Plenário. ADI 4992/RO, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 11/9/2014 (Informativo nº 758).
Se já houve pronunciamento anterior, emanado do Plenário do STF ou do órgão competente do TJ local declarando determinada lei ou ato normativo inconstitucional, será possível que o Tribunal julgue que esse ato é inconstitucional de forma monocrática (um só Ministro) ou por um colegiado que não é o Plenário (uma câmara, p. ex.), sem que isso implique violação à cláusula da reserva de plenário. Ora, se o próprio STF, ou o Plenário do TJ local, já decidiram que a lei é inconstitucional, não há sentido de, em todos os demais processos tratando sobre o mesmo tema, continuar se exigindo uma decisão do Plenário ou do órgão especial. Nesses casos, o próprio Relator monocraticamente, ou a Câmara (ou Turma) tem competência para aplicar o entendimento já consolidado e declarar a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo. STF. 2ª Turma. Rcl 17185 AgR/MT, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 30/9/2014 (Informativo nº 761).
2013
É INCONSTITUCIONAL a lei ESTADUAL que determina o fornecimento gratuito de água potável à população, por meio de caminhão-pipa, todas as vezes que haja a interrupção do fornecimentonormal. Dois fundamentos principais foram apontados: 1) O Estado-membro não pode interferir na relação jurídica e contratual estabelecida entre o poder concedente local (Município) e a empresa concessionária, nem alterar, por lei estadual, as condições do contrato. 2) A competência para legislar sobre o serviço público de fornecimento de água é do MUNICÍPIO (interesse local). Logo, é inconstitucional lei estadual que verse sobre o tema. STF. Plenário. ADI 2340/SC, rel. Min. Ricardo Lewandowski, 6/3/2013 (Info 697).
O STF decidiu que é constitucional lei estadual que determine que as empresas concessionárias de transporte coletivo intermunicipal devam fazer adaptações em seus veículos a fim de facilitar o acesso e a permanência de pessoas com deficiência física ou com dificuldade de locomoção. A competência para legislar sobre trânsito e transporte é da União (art. 22, XI da CF). No entanto, a lei questionada trata também sobre o direito à acessibilidade física das pessoas com deficiência, que é de competência concorrente entre União, os Estados e o Distrito Federal (art. 24, XIV). STF. Plenário. ADI 903/MG, rel. Min. Dias Toffoli, 22/5/2013 (Info 707).
É possível que o STF, ao julgar MS impetrado por parlamentar, exerça controle de constitucionalidade de projeto que tramita no Congresso Nacional e o declare inconstitucional, determinando seu arquivamento? Em regra, não. Existem, contudo, duas exceções nas quais o STF pode determinar o arquivamento da propositura: a) Proposta de emenda constitucional que viole cláusula pétrea; b) Proposta de emenda constitucional ou projeto de lei cuja tramitação esteja ocorrendo com violação às regras constitucionais sobre o processo legislativo. STF. Plenário. MS 32033/DF, rel. orig. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o acórdão Min. Teori Zavascki, 20/6/2013 (Info 711).
A CF/88 e a Convenção Internacional sobre Direitos das Pessoas com Deficiência asseguram o direito dos portadores de necessidades especiais ao acesso a prédios públicos, devendo a Administração adotar providências que o viabilizem. O Poder Judiciário, em situações excepcionais, pode determinar que a Administração Pública adote medidas assecuratórias de direitos constitucionalmente reconhecidos como essenciais, sem que isso configure violação do princípio da separação de poderes. STF. 1ª Turma. RE 440028/SP, rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 29/10/2013 (Info 726).

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