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Controle de vocabulário   Recuperação da informação   Arquivologia   Aguiar

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a noção da memória aliada ao fazer 
arquivístico. 
Ludolini (1989) afirma que “a memória assim registrada e conservada 
constituiu e constitui ainda a base de toda e qualquer actividade humana: a 
existência de um grupo social será impossível sem o registro da memória, ou 
seja, sem arquivos” (LUDOLINI,1989, p.157 apud 
ROUSSEAU;COUTURE,1998, p. 34). 
Pode-se afirmar que a constituição e a evolução do fazer arquivístico, se 
desenvolveram a partir do surgimento da escrita e, posteriormente, a 
necessidade de criação de espaços institucionais para custodiar e preservar os 
registros arquivísticos. A origem dos arquivos enquanto instituições 
responsáveis pela custódia de documentos, demarcam sua origem na Grécia 
Antiga, aproximadamente entre os meados dos séculos V a IV a.C. 
SILVA et al (2002, p. 94) enfatiza que o saber e o fazer arquivístico 
estão intimamente relacionados desde a antiguidade, sendo indissociáveis das 
práticas arquivísticas, mesmo considerando-se que não eram utilizadas bases 
textuais para regulamentar o fazer arquivístico. 
Entende-se como “fazer arquivístico” as atividades, ações e práticas 
desenvolvidas no âmbito dos arquivos, compreendido como instituição 
responsável pela organização e preservação de documentos. Refere-se às 
ações engendradas pelos profissionais da informação (Arquivistas), “haja vista 
que o valor da práxis reside na sua função social” (TARGINO, 1997, p.40). 
Desde a idade antiga o uso da escrita registrado em suporte, contendo 
um teor informativo, contribuiu efetivamente para a manutenção e o 
fortalecimento do poder dos impérios e governantes; os registros eram 
utilizados para gerir as relações entre o dominante e o dominado, através do 
registro tem-se a possibilidade de cristalizar as representações pelo viés 
religioso, cultural, político, econômico e social. 
 
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[...] a mais antiga transcrição da memória foi constituída por 
documentos correntes cujo modo de gestão, que por vezes, se 
perpetuou durante muito tempo, atingiu uma perfeição requintada nas 
civilizações do Próximo Oriente antigo, da Grécia e de Roma. Os 
documentos eram produzidos e conservados para as necessidades do 
governo e da administração; a gestão do poder e a gestão de 
documentos estavam estreitamente ligadas por toda a parte (LUDOLINI, 
1989, p.157, apud ROUSSEAU; COUTURE, 1998, p.32). 
 
Diante do exposto acima, percebe-se com clareza o início pragmático do 
fazer arquivístico ao relacionar-se diretamente com a necessidade de subsidiar 
a administração. Nesse período, os documentos exerciam duas funções 
básicas: eram utilizados para provar fatos e atos e garantir o fortalecimento do 
poder. 
Intimamente relacionado ao pragmatismo nasce as atividades 
organizativas da arquivística para responder às necessidades demandadas 
pelo acúmulo de registros e a urgente necessidade de organizá-los e preservá-
los pra uso futuro. Surgem os arquivos, enquanto instituições responsáveis 
pela custodia, preservação dos registros arquivísticos decorrentes do 
desenvolvimento das atividades e ações administrativas, políticas, econômicas, 
religiosas e intelectuais dos governantes. 
Desde a constituição dos primeiros arquivos nos períodos (Idade Antiga 
e Período Pré-clássico), já era possível identificar a presença de idéias 
rudimentares acerca das práticas arquivísticas utilizadas até hoje, mesmo que, 
orientadas pela intuição, desprovidas de arcabouço técnico ou conceitual. Um 
dos principais elementos encontrados na antiguidade destaca-se o princípio da 
proveniência4, considerado até hoje um dos pilares da Arquivística 
contemporânea (SILVA et al, 2002, p. 45). 
 
4 O princípio da proveniência pode ser definido como “princípio segundo o qual os arquivos 
originários de uma entidade ou de uma pessoa devem manter sua individualidade, não 
sendo misturados aos da origem diversa; a entidade ou pessoa é produtora do arquivo e 
somente no contexto de sua produção os documentos poderão ser compreendidos”. 
(TESSITORE, 1996, p. 41) 
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Também foi possível (re)conhecer a presença de outros aspectos e 
vestígios constituintes das práticas arquivísticas na Antiguidade, e que ainda 
permeiam o fazer e o pensar da arquivística contemporânea, são eles: 
? Léxicos e catálogos descritivos; 
? Servir a classes e grupos dominantes; 
? Documento como prova e testemunho; 
? Acesso irrestrito; 
? Arquivos centrais; 
? Arquivos de uso corrente; 
? Identidade e autenticidade dos documentos; 
? Respeito pelos aspectos orgânicos da estrutura arquivística; 
? Ampla tipologia documental; 
? Possuíam estrutura organizacional; 
? Critérios de seleção e de preservação; 
? Arquivos como prestadores de serviços; 
? Princípios sistemáticos de ordenação; 
? Diversidade funcional de documentos. 
 
A função social desempenhada pelas instituições arquivísticas nesse 
período é restritiva; ao subsidiar unicamente o fazer administrativo, a razão de 
sua existência era servir unicamente a administração dos governantes, através 
de ações e práticas de registros e preservação de documentos para gerir as 
relações políticas e econômicas para garantir o fortalecimento do poder. 
Na tentativa de estabelecer uma periodização histórica da Arquivística, 
Moreno (2004) afirma que os períodos que remontam desde a Antiguidade 
Clássica até o final da Idade Média são acentuadamente marcados por uma 
Arquivística instrumental, indutiva e funcional. Como características dessa fase, 
destacam-se: 
? A arquivística como procedimento empírico; 
? Consideração do arquivo como sujeito individual; 
? O arquivo como agente da função administrativa; 
? Aparição do conceito de Arquivo Público; 
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? Avanços no tratamento arquivístico. 
 
O período da antiguidade clássica caracteriza-se pela ausência de 
teorias e aportes conceituais; pauta-se na prática indutiva e funcionalista, 
orienta-se pelos costumes e utiliza-se de procedimentos operativos orientados 
para servir de apóio ao fazer administrativo. 
Nesse período a própria concepção do documento arquivístico ancora-
se em princípios unicamente administrativos e jurídicos com a função exclusiva 
de servir de prova ou testemunho. 
Vale ressaltar que desde a Grécia Antiga até o Império Romano 
destacaram-se grandes feitos no âmbito do fazer arquivístico, os gregos já 
dispunham de um local para conservar os documentos produzidos pelo 
governo, denominado Archeion5. 
Na Roma Antiga, eram conhecidos como Tabularium, tinham a função 
de organizar e conservar os documentos produzidos pelo estado e 
desempenhavam a função de Arquivo Central do Estado. 
De acordo com Silva et al (2002) o desenvolvimento dos arquivos e das 
práticas arquivísticas, na Roma Antiga, estiveram aliadas ao fazer 
administrativo, e que a Administração contribuiu para o desenvolvimento da 
institucionalização dos arquivos e do fazer arquivístico. Sendo os europeus 
herdeiros diretos da civilização romana, ao herdarem princípios administrativos. 
Sendo, este aspecto muitas vezes ignorado pelos teóricos da arquivística. O 
autor salienta a importância de investigação das práticas administrativas 
romanas no sentido de contribuir para compreender as matrizes que orientam a 
profissão, o pensar e fazer arquivístico na contemporaneidade (SILVA et al, 
2002, p.58-70). 
Silva et al (2002, p.58-70) refere-se que na Roma Antiga, foram 
desenvolvidas elevadas práticas arquivísticas no plano técnico e social, foi 
 
5 “O termo archeion, utilizado inicialmente pelos Gregos no século III e II a.C., desigina 
simultaneamente “government place, general administrator, Office of the magistrate, original

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