A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
267 pág.
Controle de vocabulário   Recuperação da informação   Arquivologia   Aguiar

Pré-visualização | Página 5 de 50

dos pontos de 
acesso. Nesse sentido, entendemos que o controle de vocabulário, enquanto 
processo de normalização documentária e o vocabulário controlado como 
produto documentário pode ampliar o acesso e provocar o uso social da 
informação arquivística pela sua capacidade de organizar, representar e 
recuperar informações com consistência através dos recursos da normalização 
terminológica e das relações de significados entre os termos. 
É necessário enfatizar que os ruídos na recuperação da informação 
acontecem com freqüência devida falta de controle, consistência e pertinência 
da linguagem utilizada para organizar, representar e recuperar informações 
arquivísticas. 
A Organização e Tratamento da Informação Arquivística como um 
problema a ser investigado na área, é recente, por isso, ainda pouco estudado. 
Nesse sentido afirma Ribeiro (1996) “no campo da biblioteconomia, as técnicas 
de tratamento documental estão suficientemente estudadas e têm uma 
aplicação generalizada [...]. No campo da Arquivística, porém, as técnicas de 
tratamento documental não estão sendo devidamente aprofundadas, nem as 
normas que existem têm aplicação consensual” (RIBEIRO, 1996, p. 6 apud 
RODRIGUES, 2003, p.213). 
 22
Espera-se que a presente proposta de investigação venha contribuir 
para aproximar o corpus teórico-conceitual da CI, mediada pela área da 
Organização e Tratamento da Informação para o campo da Arquivística. Em 
especial, as questões sobre o controle de vocabulário como um dispositivo 
metodológico, além das possíveis contribuições interdisciplinares da lingüística, 
terminologia e da análise documentária. 
A partir da iniciativa, acredita-se estar contribuindo para o fortalecimento 
da institucionalização dos arquivos, principalmente, construir uma visão que 
possa orientar-se por ações que valorizem o acesso, a transferência e o uso 
em detrimento de uma visão clássica tradicionalista pautada e orientada pelo 
conservadorismo custodial e preservacionista cristalizado no pensamento e no 
fazer arquivístico. 
Em face ao crescimento exponencial de informações orgânicas 
produzidas e acumuladas pelas instituições arquivísticas, decorrentes do 
desenvolvimento das atividades e funções institucionais, além dos impactos 
advindos da inovação tecnológica, tornou-se crucial a criação de novos 
esquemas teórico-metodológicos e modelos paradigmáticos para otimizar os 
processos de transferência social da informação orgânica. 
Possibilitar somente o acesso à informação arquivística não garante a 
sua usabilidade, é necessário provocar e facilitar o seu uso, ou seja, é preciso 
oferecer sentido(s) semântico(s) social para o(s) usuário(s) em potencial(s), de 
modo a contemplar as diversas linguagens utilizadas pelos produtores, 
profissionais da informação, sistema de recuperação da informação arquivística 
e de seus utilizadores. Nesse sentido, o uso do vocabulário controlado e o 
controle de vocabulário são imprescindíveis ao tornar-se ponto de 
convergência organizativo por contemplar recursos para a ampliação dos 
pontos de acesso e de normalização e controle terminológico. Tálamo (1997) 
adverte que 
 
não basta, que a informação esteja organizada, ou até mesmo 
disponível. É necessário que sejam estabelecidos canais 
efetivos que não só a transmitam, mas efetivamente a 
 23
transfiram, isto é, uma organização que comunique. Isto implica 
que, os meios de comunicação organizacionais devem ser 
eficientes e confiáveis, permitindo a todos que dela necessitem, 
um acesso rápido e tempestivo das informações orgânicas 
produzidas e ou recebidas pela organização. 
 
 
 
Nesse sentido, destacam-se os vocabulários controlados por serem 
constituídos de dispositivos metodológicos para potencializar a ampliação dos 
sistemas de recuperação de informação arquivística, provocando o uso, a 
circulação e a transferência social de conteúdos arquivísticos. Além de ser 
mais um instrumento para organizar, representar e garantir a preservação da 
memória documentária arquivística. 
Diante dos enunciados acima, acreditamos ser vital o desenvolvimento 
de pesquisas que busquem compreender e aproximar o corpus teórico e 
metodológico da organização e tratamento da informação utilizado no campo 
da CI para auxiliar os processos de controle de vocabulário arquivístico e no 
desenvolvimento de vocabulários controlado como um instrumento de 
recuperação da informação arquivística. 
Como hipótese, considera-se que o controle de vocabulário (processo 
documentário) e vocabulário controlado (produto documentário) são 
dispositivos metodológicos ao oferecerem recursos normativos (controle 
gramatical, formas dos termos) e controle semântico (controle do significado) 
para possibilitar consistência nas atividades de organização, representação 
(descrição e classificação) e recuperação da informação arquivística. O seu 
uso poderá ainda contribuir para: 
? potencializar as possibilidades de acesso e recuperação da 
informação arquivística e, conseqüentemente, ampliar e fortalecer a 
visibilidade social das instituições arquivísticas no contexto das 
organizações e na sociedade em geral; 
? Ser um mecanismo interlocutor para compatibilizar as linguagens dos 
produtores da informação arquivística; dos profissionais da 
 24
informação – arquivistas; e dos utilizadores da informação 
arquivística; 
? Maior alcance social da linguagem(ns) – utilizando-se dos sinônimos 
e homônimos (indicando as relações de equivalência) para ampliar 
as possibilidades de representação e recuperação da informação 
arquivística; 
? Oferecer sentido(s) semântico(s) social para o(s) usuário(s) em 
potencial(s), de modo a contemplar as diversas linguagens utilizadas 
pelos produtores, profissionais da informação, sistema de 
recuperação da informação arquivística e de seus utilizadores. 
? Construir aportes metodológicos para a organização e tratamento da 
informação centrado no usuário em detrimento de modelos de 
organização centrado no acervo; 
 
Para melhor adequar o universo a ser investigado, a presente pesquisa 
encontra-se amparada em um estudo exploratório bibliográfico-documental e 
de natureza qualitativa. O extenso rastreamento bibliográfico e as resenhas da 
literatura nos darão oportunidades de enxergar a possibilidade de desenvolver 
um estudo exploratório a propósito do tema escolhido. Sob as finalidades que 
pesquisas exploratórias se propõem aumentar o conhecimento do pesquisador 
acerca do fenômeno que deseja investigar em estudo posterior, mais 
estruturado ou da situação em que pretende realizar o estudo: o 
esclarecimento de conceitos, o estabelecimento de prioridades para futura 
pesquisa (SELTTIZ et al 1975). 
Ainda de acordo com SELTTIZ et al (1975) “Uma pesquisa exploratória 
permite adquirir maior compreensão sobre um determinado fenômeno em que 
o conhecimento é muito reduzido e para o qual utilizamos métodos como: 
exame da literatura [...]”. 
 No primeiro capítulo sistematiza os pontos de convergências e 
divergências entre as práticas informacionais das instituições memória: 
Arquivos, Bibliotecas e Centros de Documentação. Recorre-se a ‘informação 
social’ e o usuário como componentes centrais das práticas de informação 
dessas instituições, ao considerar que ambas possuem objetivos e finalidades 
 25
em comum por desenvolverem ações e atividades de armazenamento, 
organização, representação, recuperação e disseminação de conteúdos 
documentais. Sistematiza as principais contribuições do Movimento da 
Documentação inaugurado por Paul Otlet e La Fontaine no final do século XIX 
na (des)construção de paradigmas. Além de revisitar os aspectos históricos do 
fazer e do

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.