A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
267 pág.
Controle de vocabulário   Recuperação da informação   Arquivologia   Aguiar

Pré-visualização | Página 6 de 50

pensar arquivístico da antiguidade clássica até a contemporaneidade 
com a intenção de reconstituir os principais marcos, postulados teóricos, 
conceituais e metodológicos constituídos na área. 
 No segundo capítulo apresenta considerações teórico-conceituais da 
informação arquivística, buscando evidenciar a mudança do paradigma 
documental para o dinamismo informacional. 
 No terceiro capítulo tece algumas considerações no intuito de identificar 
possíveis aproximações e contribuições a partir da abordagem da Teoria Geral 
dos Sistemas (TGS) desenvolvida por Bertalanffy (1975) para compreensão 
das instituições arquivísticas enquanto sistemas de recuperação da 
informação, buscando dentro dos limites desse trabalho re(significar) os 
arquivos sob a ótica dos sistemas. Também é apresentado um um panorama 
geral sobre os sistemas de recuperação da informação, buscando evidenciar 
as implicações teórico-conceituais em torno dos termos: dados, documentos, 
informação e conhecimento no contexto de um Sistema de Recuperação da 
Informação (SRI). 
 No quarto capítulo são abordados os fundamentos teóricos, conceituais 
e metodológicos da Organização e Tratamento da Informação sob a ótica da 
Ciência da Informação e da Arquivística. 
 E finalmente o quinto capítulo apresenta uma revisão teórica, conceitual 
e metodológica acerca do controle de vocabulário (processo) e do vocabulário 
controlado (produto documentário) na perspectiva da CI e da Arquivística, 
procurando evidenciar os aportes metodológicos para nortear a sua 
elaboração. 
 
 
 
 
 
 
 26
1 ARQUIVOS, BIBLIOTECAS E CENTROS DE DOCUMENTAÇÃO: 
UM DIÁLOGO POSSÍVEL 
 
1.1 Arquivos, Bibliotecas e Centros de Documentação: a informação como 
elemento integrador 
 
Desde o surgimento da escrita, o homem sentiu a necessidade de 
registrar a memória de suas ações, conhecimentos ou sentimentos para 
comunicar, primeiro sob a forma pictográfica e ideográfica, substituída em 
seguida por um sistema codificado de sinais, signos, significantes e 
significados. A partir de então identificou a necessidade de registrar e preservar 
para uso futuro (SILVA, 2002 et al p.45; LUDOLINI, 1989, p.157 apud 
ROUSSEAU, COUTURE, 1998, p. 34). 
Da antiguidade até os dias atuais os arquivos e bibliotecas têm sido 
instituições responsáveis pela organização e preservação do saber humano 
registrado em diversos suportes surgidos em diferentes épocas históricas: 
pedras, tábuas de argila, papiro, pergaminho, papel dentre outras mídias 
surgidas recentemente. Ao longo da história humana, ambas vem empenhando 
técnicas organizativas no intuito de preservar e recuperar a memória 
arquivística e bibliográfica produzida e acumulada por uma entidade 
institucional ou pessoal. 
Desde a antiguidade até os meados da Idade Média, ambas as 
instituições informativas desempenhavam funções e ações organizativas 
similares ao custodiarem documentos de qualquer natureza, produzidos e/ou 
acumulados em decorrência do desenvolvimento de atividades administrativas, 
religiosas e intelectuais da ação humana. 
Reafirmando o enunciado exposto acima Ortega (2004, p.2) afirma que 
“durante a Idade Antiga e a Idade Média, museus, arquivos e bibliotecas 
constituíam praticamente a mesma entidade, pois organizavam e 
armazenavam todos os tipos de documentos”. 
 27
(MARTINS, 1996; WITTY 1973 apud SMIT, 2000, p. 28) afirmam que as 
“Três Marias1 não nasceram separadas. Afastaram-se ao longo do tempo. Ao 
que tudo indica, as primeiras “bibliotecas” acumulavam tanto materiais 
bibliográficos quanto documentos de natureza arquivística (relações de 
propriedades de terras e respectivos impostos)”. 
Silva et al (2002, p.46) afirma que, na antiguidade, os palácios e templos 
dispunham de locais para a preservação de documentos de toda a espécie e 
natureza, eram considerados arquivos, embora algumas vezes exercessem a 
função de ‘bibliotecas privativas’. “Tanto se encontravam missivas e assentos 
contabilísticos, como textos literários, sob a forma de oráculos, hinos religiosos 
ou relatos históricos ”. 
O sincretismo de materiais custodiado num único lugar também é 
apontado por Fernández (1993), ao afirmar que 
 
se recuarmos até à crucial invenção da escrita, passando pela célebre 
Biblioteca Museu) de Alexandria, [...] prevaleceu um sincretismo 
espesso que prende, por um mesmo e único laço, Livrarias a Cartórios, 
documentos administrativos e oficiais a obras consideradas literárias. 
Ou ainda o Biblos com objectos vários guardados no Mouseion (“a casa 
das Musas”) (FERNÁNDEZ, 1993, p. 27 apud SILVA, 2002, p. 574). 
 
Ainda de acordo com Silva et al (2002, p. 46-49) nos arquivos de Ebla 
(Síria) foi encontrado armazenado registros em tabuinhas em escrita 
cuneiforme, respeitando os aspectos “orgânicos da estrutura arquivística”. É 
considerada uma das mais significantes descobertas do “ponto de vista 
organizativo”, datado ao século XXIV. a.C, cobrindo documentação acumulada 
e preservada durante um período de, aproximadamente, quarenta e cinco 
anos. O acervo era composto de “documentos de correspondência, tratados 
diplomáticos, assentos contabilísticos, listas de oferendas, algumas obras 
literárias e, ainda, instrumentos de referência, como dicionários e listas 
geográficas.” (Idem, p.5). 
 
1 Denominadas pela autora, no sentido de designar os profissionais Arquivistas, Bibliotecários 
e Museológos e suas áreas correspondentes: Arquivística, Biblioteconomia e Museologia. 
 28
Segundo (Sagredo e Nuño, 1994 apud Ortega, 2004, p. 2) 
 
A existência comprovada das primeiras coleções organizadas de 
documentos, ou o que se poderia chamar de primeira biblioteca 
primitiva, data do terceiro milênio a.C. Trata-se da biblioteca de Ebla, na 
Síria, cuja coleção era composta de textos administrativos, literários e 
científicos, registrados em 15 mil tábuas de argila, as quais foram 
dispostas criteriosamente em estantes segundo o tema abordado, além 
de 15 tábuas pequenas com resumos do conteúdo de documentos. [...] 
nela vem sendo considerada a origem dos princípios da 
Biblioteconomia. 
 
De acordo com (BARATIAN, JACOB, 2000), o significado de biblioteca 
remonta a Grécia Antiga e é compreendida como um espaço, onde eram 
armazenados os objetos documentais registrados em rolos de papiros, 
disponíveis para consulta. 
Braga (1995, p.2) “diz que a biblioteca precede o papel impresso; suas 
origens remontam e talvez até antecedam os tabletes de terracota da biblioteca 
de Assurbanipal e aos pergaminhos de Alexandria. A biblioteca nasceu como 
caixa, arquivo dos livros e evoluiu dentro do contexto do livro e seus 
sucedâneos”. 
Diante dos enunciados expostos por Sagrado e Nuño (1994), Silva et al 
(2002) e Braga (1995) ficam evidentes a imprecisão quanto ao surgimento das 
instituições Bibliotecas e dos Arquivos, não é evidenciado o que surgiu 
primeiro: Arquivos ou Bibliotecas, ao afirmarem a presença de documentos de 
natureza bibliográfica como também arquivística armazenados em um único 
local. 
Segundo Baratian e Jacob (2000, p.46), “Aristóteles é o primeiro, que se 
tem notícia, a ter reunido uma coleção de livros e a ter ensinado aos reis do 
Egito a maneira de organizar uma biblioteca. [...] livro suporte de arquivamento 
destinado a preservar a literalidade dos textos da falha da memória humana”. 
Como se vê, reconstituir uma linearidade histórica com a intenção de 
identificar com precisão a origem dos Arquivos e Bibliotecas, e ainda apontar 
 29
as semelhanças e diferenças entre a práxis organizativa das bibliotecas e 
arquivos não é uma tarefa tão simples assim. 
Ortega (2004), em

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.