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Controle de vocabulário   Recuperação da informação   Arquivologia   Aguiar

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Considera que há 
uma disputa discursiva, uma visão ancorada no paradigma do acervo e a outra 
apoiada numa visão mais ampla ao contemplar a responsabilidade social 
dessas instituições com a função de reunir, armazenar e disseminar conteúdos 
informativos. 
Enfatiza ainda que para melhor compreender as semelhanças e 
diferenças é necessário “discutir aquilo que as une, uma vez que se parte do 
princípio que há “algo” que as aproxima” (Idem). 
Nessa perspectiva, Esteban Navarro (1995) afirma haver uma 
proximidade entre as práticas de organização das bibliotecas, arquivos e 
centros de documentação a partir da perspectiva da “cadeia documental”, 
constatam-se três etapas sucessivas: 
 
 
 37
la entrada de los documentos em l sistema documental se 
denomina em un âmbito coleta y em outro reunión, pero 
participan del mismo objetivo de recoger y siguen um mismo 
proceso, caracterizado em los centros cuya organización se 
rige por un criterio colecionista, por las etapas de seleción, 
adquisión y registro, que tine su paralelismo em las areas de 
recepción, expurgo y registro que se realizan el los archivos, si 
bien mediatizadas por otros fatores (...) a segunda etapa 
consiste em el tratamiento de los documentos que han 
ingresado em el sistema mediante uma serie de operaciones 
destinadas a transformar, configurar, almacenar y restituir la 
información ue contienen, que se articulan em dos fases 
denomina da programación archivística y recuperación em los 
archivos, y análisis y recuperación em el resto de los centros. Y 
por ultimo, se produce la salida del sistema de esa información, 
mediante la difusión de los instrumentos de representación y el 
servicio de los documentos recuperados em repuesta a las 
peticiones de los usuarios (ESTEBAN NARRARRO, 1995, p.81 
apud RODRIGUES, 2003, p.211) 
 
 
 
Complementa ao afirmar semelhanças entre arquivos e bibliotecas, 
“quanto aos seus objetivos finais, isto é, atender às demandas de informações 
dos seus usuários” (ESTEBAN NAVARRO, 1995 apud RODRIGUES, 2003, 
p.211). 
Ao destacar algumas especificidades institucionais entre os arquivos, 
bibliotecas e centros de documentação, é oportuno evidenciar o “princípio da 
proveniência” ou “respeito aos fundos”. Este é o princípio base que norteia as 
atividades de organização e tratamento da informação arquivística, ele 
determina que não se devem misturar documentos provenientes de um fundo 
com outros, esse procedimento é que garante a identidade contextual de um 
fundo documental, distinguindo-os dos demais. 
Nesse sentido, o que caracteriza e define um documento arquivístico 
são as características contextuais, funcionais e orgânicas – reflexo das 
atividades e ações de uma instituição ou indivíduo, sua função é subsidiar a 
prática administrativa, fiscal, financeira, jurídica, etc. das instituições. Já o livro 
é resultado de uma atividade intelectual e preconiza em seu conteúdo 
assunto(s) ou temática(s). 
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Desse modo, pode-se dizer que o princípio da proveniência impõe um 
olhar organizativo ao documento arquivístico diferenciado do documento 
bibliográfico – ao respeitar a proveniência para assegurar os indícios e 
aspectos contextuais, orgânicos, funcionais e estruturais constituintes de um 
fundo ou um documento em detrimento do assunto/tema, característica 
intelectual indissociável de um documento bibliográfico. Não estamos 
afirmando que num documento arquivístico não exista um tema/assunto, 
porém, vale ressaltar que a incidência de um assunto ou tema no documento 
arquivístico, tanto na fase corrente como permanente é circunstancial. 
Mesmo diante desse dispositivo teórico-metodológico arquivístico 
(princípio da proveniência) é possível apontar como similaridades, ou “aquilo 
que as une”, dois elementos: a informação e o usuário (grifo nosso). Ou seja, 
ambas as instituições informativas possuem responsabilidades sociais diante 
da sociedade ao advogarem funções e objetivos em comuns. 
Numa perspectiva que visa evidenciar o usuário como a principal razão 
de uma instituição arquivística, Jardim e Fonseca (2004, p.1) apontam alguns 
pressupostos paradigmáticos que contrapõem a visão que procura valorizar as 
diferenças entre instituições informativas: Arquivos, Biblioteca e Centros de 
Documentação ao afirmar que: 
? O conceito de "lugar" torna-se secundário para o profissional da 
informação e para os usuários; 
? Onde a informação se encontra não é o mais importante e sim o 
acesso à informação; 
? A ênfase na gestão da informação desloca-se do acervo para o 
acesso, do estoque para o fluxo da informação, dos sistemas para as 
redes; 
? Instituições como arquivos, bibliotecas e centros de documentação 
adquirem novas vocações, renovam funções que lhes são históricas 
e superam outras; 
? Sob a banalização das tecnologias da informação, os usuários (aos 
menos os não excluídos do acesso às tecnologias da informação), 
produzem novas demandas aos arquivos, bibliotecas, centros de 
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documentação e provocam a realocação ou supressão de fronteiras 
que demarcam tais espaços; 
? Emergem espaços informacionais virtuais (bibliotecas, arquivos, etc.) 
cuja existência, longe de excluir as instituições documentais 
tradicionais, sugere-lhes novas possibilidades de gestão da 
informação. 
 
E ainda complementa ao afirmar que: 
 
 
Do ponto de vista dos impactos deste contexto no universo 
arquivístico, alguns autores sugerem que não apenas 
necessitamos nos movermos em direção a um paradigma da 
pós-custódia arquivística, mas também partirmos do modelo 
"arquivos direcionados para os arquivistas" para "arquivos 
direcionados para os usuários" (JARDIM, FONSECA, 2004, 
p.1) 
 
 
 
De acordo com Heredia (1992) 
 
 
Los archivos están ligados inevitablemente a cualquier 
institución... El archivo no se plantea como conveniente, sino 
aue nace “a pesar de”. Para las bibliotecas no existe esta 
dependência côn lãs instituciones, puden existir con total 
independencia. Los centros de documentación pueden gozar 
de independencia pero suelen estar relacionado con centros e 
instituciones específicas (HEREDIA, 1992 apud SANTAELLA 
RUIZ, 2006, p.166). 
 
 
Sem a pretensão de reduzir as especificidades e semelhanças entre a 
Arquivologia e Biblioteconomia, segue abaixo uma tabela para melhor 
ilustração: 
 
 
 
 
 
 
 40
 
Arquivologia 
 
 
Biblioteconomia 
 
Gestão da memória 
 
 
 
? Produção e avaliação 
de documentos 
 
? Temporalidade das 
séries documentais 
 
? Formação e 
desenvolvimento de acervos
 
? Gerenciamento de recursos 
informacionais 
 
Produção da 
informação 
documentária 
 
 
 
 
? Processamento técnico
 
 
? Representação e 
recuperação da informação 
 
Mediação da 
informação 
 
 
 
? Jurisdição e acesso 
 
? Programas de difusão 
 
? Serviços ao usuário 
 
? Ação cultural 
 
? Comunicação comunitária 
Tabela 1. Diferenças e semelhanças entre Arquivologia e Biblioteconomia 
Fonte: (SMIT, 2000, p.8) 
 
Santaella Ruiz (2006, p.166-168), aponta três fatores para assinalar as 
divergências institucionais entre Arquivos, Bibliotecas e Centros de 
Documentação: 
Diferença institucional: Demarca as unidades informativas por sua 
vinculação a uma organização ou por sua independência institucional. O 
arquivo, como receptor de documentos gerados por uma entidade no exercício 
de sua função diferentemente os centros de documentação e bibliotecas com 
caráter coletor. 
Divergências em torno da disseminação da informação: 
Tradicionalmente, se tem assinalado o perfil dinâmico do papel do 
Documentalista, frente a sua missão de difundir a informação

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