Ao Encontro da Sombra   Connie Zweig PSICANÁLISE
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Ao Encontro da Sombra Connie Zweig PSICANÁLISE

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"Quando o mundo estiver unido na busca do conhecimento, e não mais lutando
por dinheiro e poder, então nossa sociedade poderá enfim evoluir a um novo

nível."

Connie Zwe ig e Jeremiah Abrams (Orgs.)

AO ENCONTRO DA SOMB RA

O potenc ia l oculto do lado e scuro da na tureza hum ana

Tradução

MERLE SCOSS

EDITORA CULTRIX

São P aulo

O m a l do nosso tem po é te rm os pe rdido a consc iênc ia do m a l.

Krisknamurti

Algo que ocultávam os nos enf raquec ia , a té pe rcebe rm os que e sse
a lgo é ram os nós m esm os.

Robert Frost

Ah, se fosse a ssim tão sim ple s! Se houvesse pessoas m ás em um
luga r, insidiosam ente com e tendo m ás ações, e se nos basta sse sepa rá -
la s do re sto de nós e destruí- la s. Mas a linha que divide o bem do m a l
a travessa o coração de todo se r hum ano. E quem se dispor ia a de struir
um a pa r te do seu própr io coração?

Alexander Solzhenitsyn

Aquilo que não fazem os a f lora r à consc iênc ia apa rece em nossas
vidas com destino.

C.G.Jung

Agradecimentos

Nossos m a is profundos agradec im entos aos poe ta s e a r tista s a quem
seguim os em nossa exploração do lado e scuro da a lm a , e spec ia lm ente
àque le s cuj os pensam entos sobre a som bra tive ram um e fe ito tão
profundo sobre e ste traba lho e , com o re sultado, sobre nossa s vidas: C.
G. Jung, John A. Sanford, Adolf Guggenbühl-Cra ig, Mar ie -Louise von
Franz e Robe r t Bly . P e lo dedicado apoio e pe la c r ia tiva a ssistênc ia ,
agradecem os a Je rem y Ta rche r, Ba rba ra Shinde ll. Hank Stine , Danie l
Ma lvin, P aul Murphy , Susan Shankin, Susan De ixle r, Lisa Chadwick,
Steve Wolf , Joc l Covitz, Tom Rautenbe rg, Bob Ste in, Su-zanne Wagne r,
Linda Novack, Michae l e Ka fhry n Ja lim an, P e te rLeavitt, Deena
Metzge r, Marsha de la O e o c írculo lite rá r io fem inino, Bill e Vivienne
Howe , Bruce Burm an, Andrew Schultz e aos func ioná r ios das
bibliotecas do Instituto C. G. Jung de Los Ange le s e de San Franc isco.

A Jane , Mar ian, Susan e Apr il, "irm ãs na som bra" de Connie ; gra tidão
e te rna à sabedor ia dos nossos pa is; aos pac iente s f ilhos de Je rem iah,
Ray bean e P ito.

UMA NOTA SOBRE A LINGUAGEM

Reconhecem os que nosso idiom a c r ia , a ssim com o re f le te , a titudes
que e stão im pregnadas na nossa cultura . P or isso nos desculpam os
pe lo uso a rca ico da pa lavra homem que , quando lida hoj e , pode soa r
desagradáve l e antiquada . Nos trechos aqui reproduzidos, homem
designa o se r hum ano em ge ra l, a pe ssoa hipoté tica de quem se fa la .
Ainda não foi encontrada , infe lizm ente , um a pa lavra m e lhor.
Espe ram os que e la não ta rde a surgir.

Connie Zwe ig e Je rem iah Abram s,

Organizadore s

Prólogo

CONNIE ZWEIG

Na m e ia - idade , de f ronte i-m e com m eus dem ônios. Muita s coisa s que
eu conside rava bênçãos torna ram -se m a ldições. A la rga e strada
estre itou-se , a luz e scureceu. E nas trevas a santa em m im , tão bem
cuidada e tra tada , encontrou a pecadora .

Meu fa sc ínio pe la Luz, m eu vivo otim ism o em re lação aos re sultados,
m inha fé im plíc ita em re lação aos outros, m eu com prom isso com a
m editação e com um cam inho de ilum inação — tudo isso de ixou de
se r um a graça sa lvadora e tornou-se um a sutil m a ldição, um
entranhado hábito de pensa r e sentir que pa rec ia traze r-m e face a
face com o seu oposto, com o sof r im ento de idea is f racassados, com
o torm ento da m inha ingenuidade , com o lado e scuro de Deus.
Naque la época , tive e ste sonho com a m inha som bra : Estou numa
praia com meu namorado de infânc ia. As pessoas e stão nadando no
mar. Um grande tubarão negro surge . Todos sentem medo. Uma c riança
desaparece . As pessoas entram em pânico. Meu namorado quer seguir
o tubarão, uma c riatura mítica. Ele não compreende o perigo humano.

De algum modo, faço contato com o tubarão — e descubro que é de
plástico. Enfio o dedo e o Juro — e le murcha. Meu namorado se
enfurece , como se eu tiv e sse matado Deus. Ele dá mais valor ao pe ixe
que à v ida humana. Caminhando pe la praia, e le me de ixa. Vague io,
entro no bosque , onde um cobertor azul e stá à e spera.

Ana lisando e sse sonho, pe rcebi que eu nunca havia levado a sé r io a
som bra . Eu ac reditava , com ce r ta a r rogânc ia e spir itua l, que um a vida
inte r ior profunda e com prom e tida m e protege r ia contra o sof r im ento
hum ano, que eu pode r ia de a lgum m odo e svazia r o pode r da som bra
com m inhas prá tica s e c renças m e ta f ísica s. Eu a ssum ia , na ve rdade ,
que podia gove rna r a som bra — assim com o gove rnava m eus
sentim entos ou a m inha die ta — a través da disc iplina do autocontrole .

Mas o lado e scuro apa rece sob m uitos disfa rce s. Meu confronto com
e le , na m e ia - idade , foi chocante e devastador, um a te r r íve l de silusão.
Antigas e íntim as am izades pa rec iam se debilita r e rom per, pr ivadas
da vita lidade e da e la stic idade . Meus pontos for te s com eça ram a se
faze r sentir com o f raquezas, obstruindo o c re sc im ento em vez de
prom ovê- lo. Ao m esm o tem po, insuspe itadas aptidões adorm ec idas
despe r ta ram e vie ram à supe rf íc ie , de struindo a autoim agem com a
qua l eu havia m e acostum ado.

Meu ânim o vigoroso e m eu tem peram ento equilibrado de ram luga r a
um a profunda queda no va le do desespe ro. Aos qua renta anos, c a í em
depressão e vivi naquilo que Herm ann Hesse cham ou de "infe rno de
lam a". E a depre ssão a lte rnava -se com um a fúr ia de sconhec ida que
se desencadeava dentro de m im , de ixando-m e vazia e enve rgonhada ,

com o se tive sse sido tem pora r iam ente possuída por a lgum a rca ico
deus da ira .

Minha busca por signif icado, que ante s m e havia levado a um
questionam ento intensivo, à psicote rapia e a prá tica da m editação,
re ssurgiu m a is for te do que nunca . Minha autossuf ic iênc ia em oc iona l
e m inha capac idade cuidadosam ente cultivada de vive r sem depende r
dos hom ens de ram luga r a um a dolorosa vulne rabilidade . Súbito, eu
e ra um a d a q u e la s m ulhe re s obcecadas com os re lac ionam entos
íntim os.

Minha vida pa rec ia destroçada . Tudo aquilo que eu havia "conhec ido"
com o um a rea lidade bravia , de sm anchava -se agora com o um tigre de
pape l ao vento. Eu m e sentia com o se e stive sse m e transform ando
naquilo que eu não e ra , Tudo o que eu traba lha ra pa ra desenvolve r e
luta ra pa ra c r ia r se desfazia . O f io da m inha vida e ra puxado; a
histór ia se desenredava . E aque le s que eu despreza ra e de sdenha ra
nasc iam em m im — com o um a outra vida — m as, a inda a ssim , a
m inha vida , a sua im agem no e spe lho, o seu gêm eo invisíve l.

E então