Trilogia estrutural do processo e princípios
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Trilogia estrutural do processo e princípios


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Teoria Geral do Processo \u2013 Conceitos 
 
Trilogia estrutural do processo - A jurisdição, a ação e o processo. 
JURISDIÇÃO - Do latim jus, juris (direito) e dictio, dictionis (ação de dizer). É a atividade do Estado, exercida por 
intermédio do juiz, que busca a pacificação dos conflitos em sociedade pela aplicação das leis aos casos concretos. 
Montesquieu (Charles-Louis de Secondat \u2013 Barão de Brède): O Estado é a boca da lei. (O Espírito das Leis - L'Esprit 
des Lois). NCPC, art. 16. Jurisdição é o dever-poder do Estado de compor os litígios, de declarar e realizar o Direito. 
Jurisdição extraordinária \u2013 Jurisdição não exercida pelo Poder Judiciário. Ex.: exercida pelo Senado Federal, nos 
termos do artigo 52, inciso I e II, da Constituição Federal. 
Jurisdição voluntária - É aquela ação em que não há conflito entre duas partes adversárias. Por exemplo, as ações 
declaratórias de direitos são ações de jurisdição voluntária. 
Jurisdição contenciosa \u2013 É aquela que se caracteriza pela existência da ameaça ou violação de um bem através de 
ato ilícito como pressuposto fundamental de atuação da jurisdição contenciosa. É marcada pela existência de 
partes em polos antagônicos: de um lado o autor, pretendendo obter uma resposta judicial ao conflito de 
interesses; do outro, o réu, a pessoa que a pretensão da tutela jurisdicional é formulada. A decisão é substitutiva, 
no sentido de que substitui a vontade dos litigantes, e a sentença proferida pelo juiz é obrigatória para as partes. 
 
AÇÃO - É o poder de dar início a um processo, e dele participar, com o intuito de obter uma resposta do Poder 
Judiciário ao pleito formulado. NCPC, art. 17. 
Condições da ação (requisitos da ação ou requisitos do provimento final) - possibilidade jurídica do pedido; 
interesse de agir; legitimidade das partes. 
Possibilidade jurídica do pedido - Possibilidade jurídica do pedido é a admissibilidade, em abstrato, do 
provimento requerido, segundo as normas vigentes do ordenamento jurídico nacional. O cerne da questão 
envolvendo a possibilidade jurídica do pedido não está na efetiva previsão abstrata da lei, mas, sim, na não 
vedação ao pedido formulado. Se não há proibição legal, há possibilidade jurídica do pedido. Exemplo clássico na 
doutrina de pedido juridicamente impossível é a cobrança de dívida de jogo, expressamente proibida pelo art. 814, 
caput, do Código Civil. Cândido Rangel Dinamarco cita o exemplo da indissolubilidade da união dos Estados, então 
seria juridicamente impossível pedir o desligamento de um Estado da Federação. 
 Interesse de agir ou interesse processual \u2013 Está presente o interesse de agir quando o autor tem a 
necessidade de se valer da via processual para alcançar o bem da vida pretendido, interesse este que sofre 
resistência pela parte ex adversa. Segundo a doutrina, o exame do interesse de agir passa pela verificação de duas 
circunstâncias: Utilidade \u2013 Necessidade. (NCPC, art. 17) 
 Legitimidade das partes ou legitimidade ad causam - A parte autora da ação deve ser a titular do direito 
que está a exigir, devendo ter no polo passivo da ação aquele que é o titular da correspondente obrigação. 
Ainda, pode se falar em legitimidade ordinária ou extraordinária, dependendo da relação entre o legitimado e o 
objeto litigioso. Há legitimidade ordinária quando houver correspondência entre a situação legitimante e as 
situações jurídicas submetidas à apreciação do magistrado. Em simples palavras, legitimado ordinário é aquele 
que defende em juízo interesse próprio. De outra sorte, fala-se em legitimidade extraordinária, legitimação 
anômala ou substituição processual quando alguém defende em nome próprio interesse de outro sujeito de 
direito, ou seja, não há correspondência total entre a situação legitimante e as situações jurídicas submetidas à 
apreciação do magistrado. 
 
PROCESSO - O processo é um conjunto de atos destinados a um fim (que é o pronunciamento judicial a respeito 
dos pedidos formulado). É o instrumento de composição das lides; conjunto de peças que documentam o exercício 
da atividade jurisdicional em um caso concreto; autos. 
Dos pressupostos processuais - Doutrinariamente, os pressupostos processuais costumam ser classificados em: 
a) pressupostos de existência (ou de constituição válida), que são os requisitos para que a relação processual se 
constitua validamente; Os pressupostos de constituição válida podem ser subjetivos ou objetivos: 
 i) os subjetivos relacionam-se com os sujeitos do processo, compreendendo a competência do Juiz para a 
causa, a capacidade civil das partes e a sua representação por advogado; 
 ii) os objetivos dizem respeito à forma procedimental e com a ausência de fatos impeditivos à regular 
constituição do processo, os quais, segundo a doutrina, compreendem p.ex., a observância da forma processual 
adequada à pretensão e a inexistência de litispendência, coisa julgada, compromisso, ou de inépcia da petição 
inicial (NCPC, artigo 485, incisos V e VII). 
b) pressupostos de desenvolvimento, que são aqueles a ser atendidos depois que o processo se estabeleceu 
regularmente, a fim de que possa ter curso também regular, até a sentença de mérito ou a providência 
jurisdicional definitiva. 
Petição inicial \u2013 De forma geral a petição é o instrumento de formulação de pedidos e requerimentos escritos 
dirigidos ao tribunal. A petição Inicial é o pedido para que se comece um processo. Outras petições podem ser 
apresentadas durante o processo para requerer o que é de interesse ou de direito das partes, ou seja, dar impulso 
ao processo. 
Requisitos da petição inicial - Os requisitos da petição inicial se encontram quase todos elencados no artigo 319 
do NCPC e sua presença é essencial para a regularidade formal da demanda. A sua ausência acarreta a extinção do 
processo sem resolução do mérito. Contudo, antes de tal medida, deverá o Juiz, em obediência ao contraditório e 
à ampla defesa, dar ao demandante o prazo para que este corrija o vício de forma contido na inicial, para só 
depois, em não sendo sanado o defeito, extinguir o processo através do indeferimento da petição inicial (artigo 
320, NCPC). 
Aditamento \u2013 Adição. Acréscimo de informação, quando possível, a um documento com a finalidade de 
complementá-lo ou esclarecê-lo. 
Conexão, Continência e Litispendência 
Novo CPC/2015: 
Art. 55. Reputam-se conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o pedido OU a causa de pedir. 
§ 1º Os processos de ações conexas serão reunidos para decisão conjunta, salvo se um deles já houver sido 
sentenciado. 
§ 2º Aplica-se o disposto no caput: 
I \u2013 à execução de título extrajudicial e à ação de conhecimento relativa ao mesmo ato jurídico; 
II \u2013 às execuções fundadas no mesmo título executivo. 
§ 3º Serão reunidos para julgamento conjunto os processos que possam gerar risco de prolação de decisões 
conflitantes ou contraditórias caso decididos separadamente, mesmo sem conexão entre eles. 
Art. 56. Dá-se a continência entre 2 (duas) ou mais ações quando houver identidade quanto às partes E à causa de 
pedir, mas o pedido de uma, por ser mais amplo, abrange o das demais. 
Art. 59. O registro ou a distribuição da petição inicial torna prevento o juízo. 
Art. 337. 
§ 1o Verifica-se a litispendência ou a coisa julgada quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. 
§ 2o Uma ação é idêntica a outra quando possui as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido. 
§ 3o Há litispendência quando se repete ação que está em curso. 
PRINCÍPIOS - São aqueles fundamentos que servem para regular as relações humanas. São proposições que se 
colocam na base da Ciência Jurídica Processual e auxiliam na compreensão do conteúdo e extensão do comando 
inserido nas normas jurídicas e em caso de lacuna da norma, servem como fator de integração. 
Princípio do Devido Processo Legal (CRFB, art. 5°, LIV)