SEGURIDADE SOCIAL NO CONTEXTO NEOLIBERAL BRASILEIRO
16 pág.

SEGURIDADE SOCIAL NO CONTEXTO NEOLIBERAL BRASILEIRO


DisciplinaServiço Social15.455 materiais76.862 seguidores
Pré-visualização5 páginas
década de 1980. Nesse 
sentido, há uma apropriação ideológica do termo reforma, este utilizado pelo movimento 
socialista, em suas estratégias revolucionárias (BEHRIG; BOCHETTI, 2008). 
 Sendo assim, a década de 1990 é um cenário para a negação das conquistas 
alcançadas na década anterior, se instaurando no Brasil a ideologia de que seria 
necessária à \u201creforma\u201d do Estado como forma de superar a crise dos anos 1980, 
buscando através desse discurso causar um conformismo social e imobilizar a 
organização social. Para tanto, utiliza os meios de comunicação para divulgar a ideia de 
que essas medidas ocasionariam melhorias e avanços sociais, sendo que essa ideologia 
buscava camuflar os reais interesses da política neoliberal, que seria atender as 
necessidades do mercado. Assim, buscando adequar o Brasil aos ditames da economia 
internacional, na qual os interesses econômicos estão em posição privilegiada, enquanto 
os aspectos sociais são tratados de maneira desfavorável, ocasionando a ausência de 
medidas que contribuam para o desenvolvimento social. 
Essas circunstâncias influenciam diretamente na forma como tem sido 
operacionalizada a Seguridade Social no Brasil, que diante das determinações do ajuste 
neoliberal, a mesma se distancia dos princípios da universalidade e da igualdade, 
conforme determina a Carta Magna de 1988. Dessa forma, sendo alvo de privatizações e 
de limitações que impedem a efetivação desses princípios. 
Diante desse contexto desfavorável para Seguridade Social, Senna e Monnerat 
(2008) destacam que o ajuste econômico e a \u201creforma\u201d do Estado assumem papel central 
nas determinações neoliberais. Essas determinações são difundidas por agencias 
 
 
 
 
 
 
490 
internacionais, com um conjunto de ações direcionadas para a privatização do patrimônio 
estatal, reforma administrativa com a participação do setor privado, redução dos gastos 
públicos e desresponsabilização do Estado na provisão de serviços sociais. 
Dessa forma, nesse período assiste-se a uma reconfiguração do papel do Estado 
por meio dos diversos governos dos anos posteriores à década de 1980, que impulsionam 
a expansão do setor privado através das privatizações e parcerias com o mesmo, 
proporcionando sua participação administrativa. Assim, esses governos contribuíram para 
legitimação da burguesia brasileira e acirramento da desigualdade social, por meio do 
rebaixamento da Seguridade Social, que na sua operacionalização a desvia dos seus 
princípios fundantes. Por conseguinte, abre espaço para que os interesses capitalistas 
sejam concretizados. 
Nesse sentido, Marcosin e Santos (2008), apontam que o Brasil possui um 
desenvolvimento maculado pela subordinação econômica. Consequentemente, resulta 
em um sistema de proteção social fragilizado e distante de um sistema mais amplo, no 
qual os esforços da sociedade não alcançaram o objetivo de transformação dessa 
conjuntura. Vale ressaltar, que o Brasil é um país detentor de um mercado de trabalho 
precarizado e marcado por medidas frágeis de proteção social. 
Portanto, essa subordinação econômica favorece a implantação da política 
neoliberal no Brasil, que inicia um processo de desmobilização social por meio de 
ideologias conformistas e \u2018desmonte\u2019 dos direitos sociais, especialmente da Seguridade 
Social. Deste modo, causando efeitos perversos, uma vez o Estado compartilha suas 
responsabilidades com o setor privado, que se amplia e se restringe para um grupo 
específico, ou seja, aqueles que podem para pelos seus serviços. Assim, excluindo os 
indivíduos incapazes de prover sua subsistência. 
O orçamento da Seguridade Social é um exemplo da submissão da política social 
com relação à política econômica. Nesse sentido, Senna e Monnerat (2008) esclarecem 
que esse orçamento fica sob domínio da área econômica, resultando em sérias 
consequências para sua implementação, ocorrendo à dispersão da arrecadação dos 
recursos financeiros, proporcionando a detenção do poder pelo Ministério da Fazenda. 
Conjuntura que configura a subordinação da política social à política econômica, sendo 
que parte considerável dos recursos da Seguridade Social é desviada para custear gastos 
governamentais. Circunstâncias que provocam uma disputa interna entre as políticas 
integrantes da Seguridade Social por recursos na busca por ações intersetoriais. 
 
 
 
 
 
 
491 
Esse contexto reflete na realização das políticas que compõem a Seguridade 
Social, com a precarização dos seus serviços e descaracterização de suas finalidades. 
Assim, impossibilitando uma articulação entre essas políticas e desregulamentando os 
direitos garantidos constitucionalmente, logo se distanciando dos princípios de 
universalidade e igualdade, provocando o acirramento das problemáticas sociais e 
impulsionando a privatização, sobretudo da saúde e da previdência social. 
Mota (2010) explana que as políticas que constituem a Seguridade Social brasileira 
não se configuram em um sistema amplo e articulado de proteção. Isto ocorre por se 
tratar de uma unidade contraditória, uma vez que se ampliam a mercantilização e a 
privatização da saúde e da previdência social, na medida em que a assistência social - de 
caráter não contributivo - é utilizada para o enfrentamento da desigualdade social, se 
configurando como principal mecanismo da proteção social brasileira. Assim, a autora 
enfatiza que desde o início dos anos 1990, a Seguridade Social brasileira tinha a 
tendência de se organizar em dois pólos, que seriam a sua privatização e a sua 
assistencialização, tendência que se concretizou nos dias atuais. 
Nessa perspectiva, observa-se a descaraterização do acesso a benefícios e 
serviços sociais enquanto direito, se distanciando desse propósito e se aproximando da 
lógica do mercado. Conjuntura em que o pauperismo é percebido como único lócus de 
intervenção estatal e a assistência social como política capaz de resolvê-lo, sendo que a 
mesma é alvo de ações pontuais e seletivas. 
No contexto de avanço neoliberal, no qual são presentes processos de 
privatizações e redução de direitos. Essas circunstâncias têm como efeitos, segundo 
Behring e Bochetti (2008), uma defasagem entre direito e realidade, aumento da pobreza 
e da demanda por benefícios e serviços, restrição do acesso universal a bens de 
consumo coletivos e aos direitos sociais e expansão do mercado direcionado para o 
cidadão-consumidor. Sendo assim, o processo de privatização provoca o que as autoras 
chamam de dualidade discriminatória entre os que podem e os que não podem pagar 
pelos serviços. Enquanto que a seletividade integrada à focalização garante o acesso 
somente aos comprovadamente pobres. 
Compreende-se que o neoliberalismo provoca uma segmentação social, formando 
grupos conforme sua condição de prover ou não o acesso a serviços, que de maneira 
superficial e discriminatória podem ser caracterizadas como população consumidora e 
população \u201cextremamente pobre\u201d. Tais aspectos representam a negação da conquista de 
 
 
 
 
 
 
492 
direitos, ignorando a luta da sociedade brasileira nos anos de 1980 para que se 
avançasse no que diz respeito aos direitos sociais. 
Com base no ideário neoliberal de \u201creformas\u201d com o discurso de que 
proporcionarão o avanço econômico e social, no Brasil se efetivam algumas \u201creformas\u201d 
que resultam em sérias consequências para a população brasileira. Essas \u201creformas\u201d 
contribuem para fragmentação da Seguridade Social e fragilização no acesso a serviços e 
benefícios sociais. 
Boschetti (2009) aponta que as contrarreformas expressam o desmonte dos 
direitos garantidos constitucionalmente. Sendo assim, na previdência social ocorrem 
diversas contrarreformas,