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GESTÃO DOS RESÍDUOS DE CONSTRUÇÃO E DEMOLIÇÃO:  ESTUDO DE CASO EM CAMPO GRANDE 2017

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extraídos na construção e manutenção e 16% do consumo de toda água potável no país é de responsabilidade da construção civil (CETESB, 2015). Estimativas apontam para uma produção mundial entre 2 e 3 bilhões de toneladas/ano de resíduos. Por todos estes motivos, a construção civil é um dos grandes vilões ao se falar em impactos ambientais.
De acordo com o estudo feito pelo Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (IMAZON) em 2009, foram consumidos 14,2 milhões de metros cúbicos de madeira pelas empresas madeireiras legalizadas, sendo 5,8 milhões de metros cúbicos de madeira processada. Destes 5,8 milhões, 72% corresponde a madeira serrada com baixo valor agregado (ripas, caibros, tábuas e similares), 15% foram transformados em madeira beneficiada com algum nível de agregação tecnológica (pisos, esquadrias, madeira aparelhada, entre outros) e 13% era madeira laminada e compensada.
O setor da construção civil é responsável por 30% a 40% de todo resíduo produzido por atividade humana. E em cidades de médio e grande porte, os resíduos de edifícios passam dos 50% dos resíduos sólidos urbanos (CETESB, 2015). A grande quantidade de resíduos gerados e o seu incorreto descarte, muitas vezes sendo despejados em lixões, meio urbano ou até mesmo meio natural, é outro problema que causa impacto ambiental, a poluição do ambiente.
De acordo com Almeida (2015), outro fator importante de ser citado é a poluição do ar causada pelas atividades da construção civil. Os poluentes são encontrados em processos de terraplanagem, demolição, extração de areia e argila, entre outros, pois quando se movimenta o material particulado utilizado nas obras - como terra, areia, pó de brita –, eles se misturam com o ar, o que causa alteração na qualidade do mesmo e na vida da população.
A produção de cerâmica, muito utilizada no meio da construção, também traz muitos impactos no meio ambiente em todas as etapas de produção, desde a extração de argila, até a queima da cerâmica. Em quase todas as etapas a água é muito utilizada e em grande quantidade. Como é necessária a queima do produto, consume-se muita energia, principalmente nos processos de secagem e queima, além de emitir poluentes gasosos (NUNES, 2012).
Conforme V. P. Souza et al. (2008), a liberação de poluentes gasosos não tem sido suficientemente investigada, porém, em geral, podem liberar monóxido de carbono (CO), dióxido de carbono (CO2), óxidos de nitrogênio (NOx), óxidos de enxofre (SOx), amônia (NH3) e metano (CH4), que em fortes concentrações prejudicam o meio-ambiente, equipamentos, ferramentas e principalmente a saúde humana.
 RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL
O estabelecimento de diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil consta no Art. 2º da Resolução n° 307/02 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), define o RCC como: “Resíduos da construção civil são os provenientes de construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil, e os resultantes da preparação e da escavação de terrenos tais como: tijolos, blocos cerâmicos, concreto em geral, solos, rochas, metais, resinas, colas, tintas, madeiras e compensados, forros, argamassa, gesso, telhas, pavimento asfáltico, vidros, plásticos, tubulações, fiação elétrica, comumente chamados de entulhos, caliça ou metralha (BRASIL, 2002).”
Segundo a Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição (ABRECON), o resíduo de construção e demolição (RCD) faz parte de um desenvolvimento sustentável, sendo fonte de trabalho e negócio. Contudo, a falta de educação e desinformação da população para o descarte correto, aliadas à defasagem na fiscalização por parte do poder público municipal, dificultam os avanços necessários para melhorias no setor.
Geração de resíduos
O Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2015, apresentado pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), aponta que 45 milhões de toneladas de RCD foram coletadas pelos municípios brasileiros em 2015. A região Centro-Oeste coletou aproximadamente 13.916 toneladas por dia (t/dia) de RCD, e teve o maior índice de RCD coletado por habitante entre as cinco regiões, sendo de 0,901kg/hab/dia. 
Causas diversas provocam a geração de resíduos na construção civil, conforme apresentado na tabela a seguir.
Tabela 1. Relação entre atividade e causa de resíduos na construção civil
Fonte: CORREA, BUTTLER, RAMALHO, 2009.
Os RCC no Brasil podem representar de 50% a 70% da massa dos resíduos sólidos urbanos (RSUs), sendo motivo de sobrecarga dos sistemas de limpeza pública municipais. Geralmente são considerados resíduos de baixa periculosidade, e o principal problema consiste no grande volume gerado (IPEA, 2012).
Geradores
Segundo o Art. 2º da Resolução nº 307/2002 do CONAMA, “os geradores podem ser pessoas, físicas ou jurídicas, pública ou privada, podendo ser responsáveis por alguma atividade ou empreendimento gerador de resíduos”. E devem ter como objetivo a não geração, redução, reutilização, reciclagem e tratamento dos resíduos sólidos, bem como disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos (BRASIL, 2010).
De acordo com a Lei municipal nº 4.864, de 7 de julho de 2010, os geradores são classificados em dois grupos: pequenos geradores e os geradores de grandes volumes. Aqueles contidos em volumes até um metro cúbico (1m³) são considerados pequenos geradores. 
O Plano Integrado de Gerenciamento de RCC incorpora o Programa Municipal De Gerenciamento, no qual o poder público deve dispor de uma rede de pequenos pontos de entrega e de qualificação pública de coleta. Os Pontos de Entrega devem incluir o Disque Coleta para que os geradores de pequenos volumes possam recorrer para a remoção remunerada dos resíduos, que além do serviço de transporte, efetua a descarga para a triagem obrigatória, depois o transbordo e destinação adequada dos diversos componentes.
Já para os geradores de grandes volumes (com mais de 1m³), o plano incorpora o Projeto de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil, o qual é de responsabilidade dos mesmos, tanto no desenvolvimento, implantação e execução, de acordo com as diretrizes da Resolução CONAMA nº 307. É necessário aos empreendimentos um alvará de aprovação e execução estabelecendo os procedimentos específicos da obra para o manejo e destinação ambientalmente adequados dos resíduos. (CAMPO GRANDE, 2010).
Os Projetos de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil deverão contemplar as seguintes etapas: caracterização dos resíduos; triagem respeitando as classes dos mesmos; acondicionamento adequado para que se possa reutilizar e reciclar; devido transporte e destinação (CONAMA, 2002). 
Logo, em um empreendimento com grande geração de RCC, o gerador tem total responsabilidade pelo resíduo desde a criação e implantação de sua gestão, com o auxílio de um projeto de gerenciamento, visando os procedimentos necessários para o manejo e destinação ambientalmente adequados dos resíduos, para ter a aprovação pelo Poder Público e Ambiental necessária (CONAMA, 2002).
Reciclagem 
Conforme NBR 15.114: Resíduos sólidos da construção civil – Áreas de reciclagem – Diretrizes para projeto, implantação e operação (ABNT, 2004), a reutilização consiste em um "processo de aproveitamento de um resíduo, sem sua transformação", enquanto a reciclagem é definida como "processo de aproveitamento de um resíduo, após ter sido submetido a transformação".
No Brasil, a utilização de agregados reciclados ainda é vista como fator de comprometimento da qualidade técnica dos serviços que os utilizam, mesmo que sejam aprovados por testes previstos em norma. Tal percepção evidencia a dificuldade na aceitação de novas tecnologias. A prática de reciclagem ainda é considerada sobrecarga de trabalho, o que inibe sua adesão na rotina das construtoras. (LIMA; LIMA, 2012).
O investimento em premiações de iniciativas que promovem o reaproveitamento e a reciclagem de resíduos, aliados a uma política ambiental rigorosa

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