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Como pensar a arte literária

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“Como pensar a arte literária, a infância e qualquer forma de produzir conhecimento pela linguagem, a partir de uma perspectiva histórica, cultural e estética. ”
Pensar em infância e a arte literária, envolve a ludicidade da linguagem, do sentir as palavras e imaginá-las de maneira muitas vezes não “tradicional”, sendo que o tradicional significa que as palavras são estruturadas e ordenadas racionalmente. Como o exemplo dado em sala de aula, sobre uma história em que o menino leva a “água na peneira”, foi uma maneira lúdica do autor Manoel de Barros de trazer em seu poema, o imaginário infantil em relação ao mundo que o cerca.
Leal aborda em seu texto, sobre uma nova concepção de infância, a comparando com a poesia, em que ambas não precisam ser analisadas e sim sentidas, pois assim olharemos a infância de uma maneira mais receptiva e não de maneira “ensinante”. E a literatura tem oferecido, por meio dos poetas e pensadores, uma intimidade com a infância diferente dos discursos pedagógicos dominante, que possuem um tom proprietário e sabedor do conhecimento. 
A maneira lúdica de expressar o “desejo de ser nas coisas”, como cita Leal, em que a criação de palavras, dando vida as pedras, sucatas, sentimentos, pensamentos e também em gerar ideias, fazem com que mudemos nosso sentido e significado de lugar e mostram o quão engessado os sentidos e significados têm sido, e também mostra que podemos aprender uma nova compreensão da infância.
Segundo Leal (2004, p. 24) “tal subversão rompe os limites dos sentidos usuais e permite que atributos desloquem-se livremente e transmutem-se no novo inalcançável pelo pensamento ordenado e linear da lógica estabelecida. ” 
A estética como forma literária, busca dar sentido, ou melhor, nos dá a percepção através dos sentidos, e de acordo com Pacheco (2004, p. 211) “os sentidos são uma forma imediata de aproximação e compreensão do mundo”. Sendo que o artista, o poeta e o escritor literário são pessoas que compreendem o mundo através dos sentidos e não apenas pela lógica, ou seja, eles usam sua intuição, emoção e sensibilidade pela arte como forma compreensão da realidade. 
Portanto a capacidade de sentir é fundamental, porém um dos males citados pela autora, é a incapacidade de sentir das pessoas, da falta de emoção, da conformidade, por conta do mundo atual voltado para tarefas e concepções utilitárias, atingindo inclusive a esfera escolar. 
Ainda segundo a autora,
A arte, então, muito mais que uma atitude contemplativa, provoca uma fruição estética em que não só o belo e o prazer tranquilo e sereno têm lugar, mas, também, o incômodo e o desconforto oriundos de uma experiência impactante, engendrando processos internos extremamente salutares e catárticos, que possibilitam a elaboração e reelaboração do sujeito, de sua subjetividade e da realidade em que se encontra. (PACHECO, 2004, p. 212)
 
Portanto, pensar a arte literária com sua estética, a infância e a escola, além de transmitir conteúdos, é mergulhar nas possibilidades de compreensão da realidade e de apropriação de mundo, através do sentimento, descontruindo uma ideia estruturalista da linguagem, para então produzir um conhecimento não apenas de maneira racional, mas também que provoque no leitor sensações que ultrapassem a experiência racional.

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