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Apostila Adm Financeira

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Administração Financeira – Rodrigo Dullius 
 
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ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA 
 
ALTA
ADMINISTRAÇAO
R H
FINANÇAS
PRODUÇÃO
MARKETING
P & D
COMPRAS
 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
 
A função financeira é quase tão antiga quanto o homem. A partir do momento 
em que começaram as trocas, iniciou-se a função financeira. Mesmo antes do 
surgimento da primeira moeda, já haviam ganhos e perdas nas trocas. Os povos 
utilizavam-se do escambo entre produtos como meio de pagamento. 
Finanças só foi reconhecida como ciência em função das conseqüências da 
Revolução Industrial (Séc. XVIII) e, mais precisamente, a partir do início do século XX. 
Isso não só mudou a escala em que as trocas vinham sendo efetuadas, como criou 
melhor controle sobre as operações com dinheiro. Com a Revolução Industrial, de um 
comércio de reis passamos a um comércio de massa. 
 Administração Financeira é um componente essencial não só do currículo 
escolar ou de um programa de treinamento profissional, mas em seu trabalho diário, 
não importa a posição. Finanças é importante e simples. 
 
Administração Financeira – Rodrigo Dullius 
 
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1 - O PAPEL DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA 
 
 Administrar um negócio, seja um modesto empreendimento ou uma grande 
sociedade anônima, envolve muitas funções diferentes. 
 Sem capital que atenda às necessidades da empresa, seja para financiar seu 
crescimento ou para atender às operações do dia-a-dia, não podemos desenvolver e 
testar novos produtos, criam campanhas de marketing, comprar alimentos, manter as 
atuais empresas ou abrir novas. O papel do administrador financeiro é assegurar que 
esse capital esteja disponível nos montantes adequados, no momento certo e no 
menor custo. Se isso não ocorrer, a empresa não sobreviverá. 
 A área de Finanças está muito mais complexa e avança a passos mais rápidos 
atualmente. Os mercados financeiros estão voláteis; as taxas de juros podem subir ou 
cair acentuadamente, num período de tempo muito curto. Essas mudanças afetam as 
decisões financeiras. Financiar projetos quando os juros estão a 14% é muito diferente 
de quando estão a 7%. Ademais, há hoje muito mais estratégias financeiras possíveis, 
e novos produtos financeiros surgem a todo instante. 
 Provavelmente, num horizonte de longo prazo, são as decisões de investimento 
de capital – isto é, a seleção de projetos visando ao crescimento da empresa – que 
causam um maior impacto no valor global da empresa. Se suas decisões de 
investimento de capital forem ruins, seu negócio não terá sucesso. 
 Por exemplo, nós avaliamos propostas de abertura de novos restaurantes, 
considerando um horizonte superior a vinte anos nos nossos cálculos de retorno sobre 
o investimento original e só aprovamos o projeto se este prometer uma rentabilidade 
acima de uma determinada taxa de retorno. Do contrário, ele não agregará nada ao 
nosso valor de longo prazo. Uma vez selecionados os projetos, passamos a escolher a 
melhor forma de financia-los. 
 
 
1.1. ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA, ECONOMIA E CONTABILIDADE 
A Administração Financeira está intimamente ligada à Economia e à 
Contabilidade, já que se baseia amplamente em conceitos econômicos e aproveita 
certos dados da Contabilidade. 
 
A Administração Financeira e a Economia 
A importância da Economia para o desenvolvimento do ambiente financeiro e 
teoria financeira pode ser melhor descrita em função de suas áreas mais amplas - 
Macroeconomia e Microeconomia. A Macroeconomia estuda o ambiente global, 
institucional e internacional em que a empresa precisa operar, enquanto que a 
Microeconomia trata de determinação de estratégias operacionais ótimas para 
empresas ou indivíduos. 
Macroeconomia - estuda a estrutura institucional do sistema bancário, 
intermediários financeiros, o tesouro nacional e as políticas econômicas de que o 
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governo federal dispõe para controlar satisfatoriamente o nível de atividade econômica 
dentro da Economia. 
Uma vez que a empresa deve operar no âmbito macroeconômico, é importante 
que o administrador financeiro esteja ciente de sua estrutura institucional. Precisa 
também estar alerta para as conseqüências de diferentes níveis de atividade 
econômica e mudanças na política econômica que afetam seu próprio ambiente de 
decisão. 
Deve perceber as conseqüências de uma política monetária mais restritiva sobre 
a capacidade da empresa em obter recursos e gerar receitas. Precisa ainda conhecer 
as várias instituições financeiras e saber como estas operam, para poder avaliar os 
canais potenciais de investimento e financiamento. 
Microeconomia - fornece a base para a operação eficiente da empresa, visando 
definir as ações que permitirão à empresa obter sucesso. 
Os conceitos envolvidos nas relações de oferta e demanda e as estratégias de 
maximização do lucro são extraídos da Teoria Microeconômica. Questões relativas à 
composição de fatores produtivos, níveis “ótimos” de vendas e estratégias de 
determinação de preço do produto são todas afetadas por teorias no nível 
microeconômico. 
A análise marginal (princípio econômico segundo o qual devem ser tomadas 
decisões financeiras e realizadas ações, somente quando os benefícios adicionais 
superarem os custos adicionais) é o princípio básico que se aplica em Administração 
Financeira - deve-se tomar decisões e adotar medidas quando as receitas marginais 
excederem os custos marginais. 
 
A Administração Financeira e Contabilidade 
Embora haja relação íntima entre essas funções, a função contábil é melhor 
visualizada como um insumo necessário à função financeira. Há duas diferenças 
básicas de perspectiva entre a Administração Financeira e a Contabilidade - uma se 
refere ao tratamento de fundos e a outra à tomada de decisão. 
Tratamento de Fundos - O Contador, cuja função básica é desenvolver e 
fornecer dados para avaliar o desempenho da empresa, apurar sua situação financeira 
e pagar impostos, difere do administrador financeiro na maneira como vê os fundos da 
empresa. O Contador, usando certos princípios padronizados e geralmente aceitos, 
prepara as demonstrações financeiras com base na premissa de que as receitas 
devem ser reconhecidas por ocasião das vendas, e as despesas, quando incorridas 
(regime de competência). 
O Administrador Financeiro está mais preocupado em manter a solvência da 
empresa, proporcionando os fluxos de caixa necessários para honrar suas obrigações 
e adquirir e financiar os ativos circulantes e fixos, necessários para atingir as metas da 
empresa. Ao invés de reconhecer receitas no ponto de vendas e despesas, quando 
incorridas, reconhece receitas e despesas somente com respeito e entradas e saídas 
de caixa. 
 
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Ex.: Cia. Gaúcha 
Demonstração do Resultado em 31/12 Demonstração do Fluxo de Caixa em 
31/12 
Receitas de Vendas $ 100.000,00 Entradas de Caixa $ 0,00 
(-) Despesas $ 80.000,00 (-) Saídas de Caixa $ 80.000,00 
Lucro Líquido $ 20.000,00 Fluxo de Caixa Líquido $ (80.000,00) 
 
Comparando as duas demonstrações, pode-se perceber que, enquanto sob o 
ponto de vista contábil a empresa é bastante lucrativa, de acordo com a ótica financeira 
é um fracasso. Sem entradas adequadas de caixa para saldar suas obrigações, a 
empresa não sobreviverá a despeito de seu nível de lucro. 
O administrador financeiro precisa olhar além das demonstrações financeiras de 
sua empresa para perceber problemas que estão surgindo ou já existem. 
Tomada de decisões - enquanto o Contador dedica-se à coleta e apresentação 
dos dados financeiros, o Administrador Financeiro desenvolve dados adicionais e toma

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