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Apostila Adm Financeira

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habilidade em avaliar a 
estrutura de capital da empresa e em entender seu relacionamento com risco, retorno e 
valor é um pré-requisito necessário para decisões efetivas de estrutura de capital. 
 
Riscos e Estrutura de Capital 
Administração Financeira – Rodrigo Dullius 
 
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Uma estrutura de capital da empresa deve ser desenvolvida não se perdendo de 
vista o risco. O risco entra em jogo de duas maneiras: 
a) a estrutura de capital deve estar consistente com o risco do negócio; 
b) a estrutura de capital resulta em determinado nível de risco financeiro. Em 
outras palavras, o risco preponderante do negócio tende a atuar como 
insumo no processo decisório da estrutura de capital, cuja saída é um 
determinado nível de risco financeiro. Devido à ligação direta entre risco e 
valor, o administrador financeiro deve entender o papel do risco financeiro e 
do negócio no processo decisório da estrutura de capital. 
 
Outras considerações importantes: 
Qualquer análise quantitativa de estrutura de capital deve ser balanceada com 
outras considerações importantes. Embora pudesse ser criada uma lista quase infinita 
de fatores adicionais relativos a decisões de estrutura de capital, apenas alguns dos 
mais importantes desses fatores serão discutidos: 
 Fluxo de Caixa: quando se considera uma nova estrutura de capital, o 
interesse básico da empresa deve se fixar em sua habilidade de gerar os 
fluxos de caixa necessários para cumprir obrigações; 
 Estabilidade de Receitas: o comportamento da função de receita da empresa 
pode afetar sua estrutura de capital, as empresas com receitas previsíveis e 
estáveis podem assumir sem alarde as estruturas de capitais mais 
alavancadas do que as empresas com padrões voláteis da receita de vendas; 
 Controle: já que o controle de voto da empresa está nas mãos de seus 
acionistas comuns, a venda de ações ordinárias adicionais pode afetar 
aquele que controla a empresa. Sem qualquer proteção, uma administração 
preocupada com controle pode preferir emitir empréstimo ao invés de ações 
ordinárias para levantar fundos; 
 Preferências da administração: às vezes, a administração da empresa impõe 
uma restrição interna sobre o uso de endividamento. Tais restrições internas 
são usadas para limitar a exposição de risco da empresa a um nível julgado 
aceitável à sua administração; 
 Avaliação externa do risco: visto que os credores, bem como as instituições 
que classificam o crédito das empresas, consideram os índices financeiros e 
os fluxos de caixa estimados da empresa quando fazem empréstimos ou 
classificam seu risco, o administrador financeiro deve avaliar o impacto 
potencial das decisões de estrutura de capital sobre esses fatores. A 
capacidade de a empresa levantar fundos rapidamente e a taxas favoráveis 
dependerá claramente das avaliações externas de risco pelos credores e 
classificadores da posição financeira. 
 
Risco Econômico 
O risco econômico, a incerteza ou variabilidade relativa dos resultados da 
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empresa nos seus setores de atividade, está intimamente associado ao tipo de 
operação da empresa (transformação e/ou distribuição), bem como à natureza do 
produto (bem de consumo não-durável, bem de consumo durável ou bem de produção) 
e às características de sua procura (por exemplo: oscilações sazonais ou cíclicas ?). 
Do ponto de vista da administração financeira de uma empresa, esse tipo de 
risco deve ser considerado como dado; pois não cabe ao administrador financeiro 
determinar as operações básicas da empresa, com vistas, por exemplo, a alterar o grau 
de risco assumido em conseqüência do ramo de atividade escolhido. O administrador 
financeiro deve contribuir com subsídios de sua área para as análises das 
conseqüências das diversas alternativas de operação, em termos de variabilidade ou 
incerteza dos resultados econômicos. 
Por isso, o risco econômico de uma empresa é considerado aqui como um dado 
do problema “estrutura de capital”. Isso não quer dizer que não seja importante. Ele o é 
à medida que, por exemplo, certas combinações entre recursos de terceiros e próprios 
não se tornam viáveis para a empresa pertencente a um determinado setor. Nesse 
caso, combinar alto grau de risco econômico a alto grau de risco financeiro (proporção 
elevada de capital de terceiros, com compromissos regulares e prioritários de 
remuneração) pode não ser uma alternativa aceitável, particularmente para as fontes 
de recursos por empréstimos (terceiros). 
Quando o grau de risco econômico é alto, não se recomenda (ou não é 
aceitável) um alto grau de endividamento (proporção elevada de capital de terceiros), 
pois, dada a incerteza quanto aos resultados das operações, pode ocorrer a situação 
em que estas não cheguem a gerar fundos suficientes para cobrir os elevados 
compromissos (fixos e inevitáveis) de pagamento de juros, amortização do principal 
etc., introduzidos pelo admitido recurso à obtenção de elevadas proporções de capital 
de terceiros. 
 
Risco Financeiro 
O segundo conceito importante em relação ao problema “estrutura de capital” é 
o risco financeiro. Assim como os resultados das operações de uma empresa, devido 
às características de seu ramo de atividade, podem variar muito (ou pouco) de um 
período para outro, também os resultados finais para o acionista ordinário podem 
apresentar um grau de variabilidade ou incerteza. 
O risco financeiro, ou a variabilidade dos retornos para o acionista ordinário, é 
determinado, além do risco econômico, pelo uso relativo de capital de terceiros, ou 
seja, pelo uso de recursos que exigem uma remuneração fixa ou prioritária em face da 
remuneração do capital dos acionistas. 
Conseqüentemente, dado um grau qualquer de variabilidade dos resultados das 
operações da empresa, quanto mais elevada for a proporção de recursos de terceiros 
maior será o risco assumido pelo acionista ordinário, pois menores serão as suas 
possibilidades de obter remuneração para o seu investimento quando, havendo um 
declínio dos resultados operacionais, certa proporção/quantia dos fundos gerados 
ainda precisar ser reservada para saldar compromissos com emprestadores de 
recursos. 
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Como se pode observar, portanto, se de um lado o risco econômico corresponde 
à estrutura de ativos da empresa, que decorre das atividades por ela desenvolvidas, o 
risco financeiro está associado à estrutura das fontes de recursos (dos passivos, 
exigíveis ou não), principalmente em termos de endividamento relativo. 
 
 
 
4.3. POLÍTICA DE DIVIDENDOS 
Os dividendos representam um desembolso importante para muitas empresas. À 
primeira vista, pode parecer evidente que uma empresa deva devolver o máximo 
possível a seus acionistas pagando dividendos. Poderia parecer igualmente evidente, 
entretanto, que uma empresa sempre poderia investir o dinheiro em nome de seus 
acionistas, em lugar de distribuí-lo. A base da política de dividendos é simplesmente 
esta: deve a empresa distribuir o dinheiro a seus acionistas, ou deve a empresa usar 
esse dinheiro investindo em nome deles? 
 
Reter ou Distribuir o Lucro Líquido ? 
A decisão de reter ou distribuir o lucro líquido da empresa, no todo ou em parte, 
cabe aos acionistas, através de aprovação ou rejeição das propostas apresentadas 
pela diretoria em Assembléia Geral Ordinária. 
A decisão que deve ser tomada, neste caso, está representada pelo montante a 
ser distribuído aos proprietários a partir do lucro líquido disponível; quando falamos 
numa proporção entre dividendos pagos e lucro líquido disponível, estamos referindo-
nos ao índice de “payout” da empresa. 
Ao ser determinado esse índice, não se pode ignorar que os

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