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Apostila Adm Financeira

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a) que não está pagando suas dívidas à medida que vencem; 
b) que dentro dos 120 dias imediatamente anteriores um custodiante (um 
terceiro) foi apontado ou tomou posse da propriedade do devedor; ou 
c) que o justo valor de mercado dos ativos da empresa é menor que o valor 
declarado de seus passivos. 
 
Procedimentos 
 Os procedimentos para iniciar e executar a reorganização de uma sociedade 
anônima envolvem cinco diferentes passos: 
a) Registro: uma petição de reorganização deve ser registrada em um tribunal 
federal de falência. No caso de uma petição involuntária, quando contestada 
pelo devedor, deve haver uma audiência para determinar se a empresa é 
insolvente. Se assim for, o tribunal “Defere a Petição”, o que formalmente dá 
início ao processo; 
b) Nominação: Após o registro da petição de reorganização, a empresa 
registrada torna-se o devedor em posse dos ativos. Se os credores 
impugnam o registro da empresa que está como devedor em posse, eles 
podem pedir ao juiz para designar um síndico; 
c) Plano de Reorganização: Após rever sua situação, o devedor em posse 
submete ao tribunal um plano de reorganização. O plano e um resumo das 
demonstrações financeiras são registrados. Uma audiência é realizada para 
determinar se o plano é justo, eqüitativo e viável, e se as demonstrações 
financeiras contém informações adequadas. A aprovação ou desaprovação 
do tribunal baseia-se na avaliação do plano, de acordo com esses padrões. 
Um plano é considerado justo e eqüitativo se mantém as prioridades das 
reivindicações contratuais dos credores, acionistas preferenciais e acionistas 
ordinários. O tribunal deve também considerar o plano de reorganização 
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viável, o que significa que sua aplicação é possível. A corporação 
reorganizada deve ter suficiente capital de giro, fundos para cobrir os custos 
fixos, perspectivas de crédito e capacidade para retirar ou reembolsar as 
dívidas, como proposto pelo plano. 
d) Aceitação do Plano de Reorganização: Uma vez aprovado o plano, 
juntamente com as demonstrações financeiras, é submetido aos credores e 
acionistas da empresa para sua aceitação. Segundo a Lei de Reforma da 
Falência, os credores e proprietários são separados em grupos com tipos 
similares de reivindicações. No caso de grupos de credores, é exigida a 
aprovação pelos detentores de pelo menos dois terços do montante em 
dólares das reivindicações, assim como uma maioria numérica de credores 
no grupo. No caso de grupos de proprietários (acionistas preferenciais e 
ordinários), dois terços das ações em cada grupo devem aprovar o plano de 
reorganização para que seja aceito. Uma vez aceito e aprovado o plano pelo 
tribunal, é posto em execução o mais rápido possível. 
e) Pagamento de Despesas: Depois de aprovado (ou não) o plano de 
reorganização, todas as partes na apuração cujos serviços beneficiaram ou 
contribuíram para a realização desse processo registram um demonstrativo 
de despesas. Se o tribunal achar que essas reivindicações são aceitáveis, a 
devedora precisa pagar as despesas dentro de um período de tempo 
razoável. 
 
 
Liquidação na Falência 
 A liquidação de uma empresa falida geralmente ocorre uma vez que o tribunal 
tenha determinado que a reorganização não é viável. Uma petição de reorganização 
deve ser registrada normalmente pela administração ou credores de uma empresa 
falida. Se não for registrada, e se uma petição for registrada e indeferida, ou se o plano 
de reorganização for indeferido, a empresa deve ser liquidada. Três importantes 
aspectos da liquidação em falência são: 
a) Procedimentos: Quando é adjudicada a falência a uma empresa, o juiz deve 
designar um síndico para desempenhar muitas rotinas obrigatórias exigidas 
na administração da falência. O síndico se responsabiliza pela propriedade 
da empresa falida e defende os interesses dos credores. Uma vez que tenha 
sido adjudicada a falência a uma empresa, uma reunião de credores deve ser 
realizada dentro de vinte e quatro a quarenta dias. Nessa reunião, os 
credores são conscientizados sobre as perspectivas da liquidação. A reunião 
é presidida pelo escrivão do tribunal. Ao síndico é atribuída a 
responsabilidade de liquidar a empresa, manter registros, examinar as 
reivindicações dos credores, desembolsar os fundos, fornecer informações 
quando solicitadas e realizar relatórios finais sobre a liquidação. Em 
essência, o síndico é responsável pela liquidação da empresa. 
Ocasionalmente, o tribunal poderá convocar os credores a reuniões 
posteriores, mas somente uma reunião final é exigida para encerrar a 
falência. 
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b) Prioridade das Reivindicações: Se o resultado da venda dos ativos relativos à 
garantia dos credores privilegiados for maior que suas reivindicações, esse 
excedente de fundos torna-se disponível para satisfazer as reivindicações 
dos credores quirografários. A ordem de prioridades de reivindicações é a 
seguinte: 
1) Despesas com os procedimentos de administração da massa falida; 
2) Quaisquer despesas interinas incorridas no curso ordinário do negócio 
entre o registro da petição de falência e o “deferimento da petição” em um 
procedimento involuntário; 
3) Salários não superiores a R$ 2.000,00 por funcionário que tenham sido 
ganhos pelos funcionários em um período de noventa dias imediatamente 
anteriores ao início dos procedimentos de falência; 
4) Benefícios não pagos a empregados no plano de contribuições que 
deveriam ter sido pagos nos 180 dias anteriores ao registro da falência ou 
encerramento do negócio, o que ocorrer primeiro; 
5) As reivindicações de lavradores ou pescadores em um silo ou em um 
frigorífico não podem exceder a R$ 2.000,00 para cada produtor; 
6) Depósitos não garantidos de clientes que não excedam R$ 900,00 cada, 
resultantes da compra ou leasing de um produto ou serviço de empresa 
falida; 
7) Impostos legalmente vencidos e devidos pela empresa falida ao governo 
federal, governo estadual e qualquer subdivisão governamental; 
8) Reivindicações dos credores privilegiados, que recebem os proventos da 
venda do colateral, independentemente das prioridades acima; 
9) Reivindicações dos credores quirografários; 
10) Acionistas preferenciais, os quais recebem um montante até o valor par 
ou determinado, de sua ação preferencial; 
11) Acionistas ordinários, que recebem quaisquer fundos remanescentes, os 
quais são distribuídos em base igual por ação. 
c) Contabilidade Final: Depois de liquidar todos os ativos da empresa falida e 
distribuir os proventos para satisfazer a todas as reivindicações comprovadas 
na devida ordem de prioridade, o síndico apresenta uma contabilidade final 
ao tribunal e aos credores. Uma vez que o tribunal aprove a contabilidade 
final, a liquidação está finalizada. 
 
 
 
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BIBLIOGRAFIA: 
 
BRAGA, Roberto. Fundamentos e Técnicas de Administração Financeira. São Paulo: 
Atlas. 
BRIGHAM, Eugene F. & HOUSTON, Joel F.Fundamentos da Moderna Adminsitração 
Financeira. Rio de Janeiro: Campus. 
GITMAN, Lawrence J. Princípios de Administração Financeira. São Paulo: Harbra. 
HOJI, Masakazu. Administração Financeira: uma abordagem prática. São Paulo: Atlas. 
ROSS, Stephen et al. Princípios de Administração Financeira. São Paulo: Atlas. 
SANVICENTE, Antônio Z. Administração Financeira. São Paulo: Atlas.

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