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Apostila Adm Financeira

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dos valores esperados. 
Porém, existem métodos para avaliar propostas de investimento de capital as 
quais auxiliam no processo de tomada de decisão. 
 
 
3.2.1. Períodos de Recuperação do Investimento (Payback) 
Sendo talvez o método mais simples de avaliação, o período de Payback é 
definido como sendo aquele número de anos ou meses, dependendo da escala 
utilizada, necessários para que o desembolso correspondente ao investimento inicial 
seja recuperado, ou ainda, igualado e superado pelas entradas líquidas acumuladas. 
A empresa deverá ter um padrão de aceitação que, neste caso, tenderá a ser 
um prazo limite. Em outras palavras, uma regra de decisão poderá ser: “aceitar e 
executar todos os projetos que recuperem o investimento inicial em, no máximo, três 
anos”. 
 
Exemplifiquemos um caso fictício: 
Empresa XPTO - Fluxo de Caixa Acumulado 
ANO FLUXOS DE CAIXA NO PERÍODO FLUXOS DE CAIXA ACUMULADOS 
0 (-) $ 180.000,00 (-) $ 180.000,00 
1 + $ 25.400,00 (-) $ 154.600,00 
2 + $ 57.900,00 (-) $ 96.700,00 
3 + $ 129.400,00 + $ 32.700,00 
4 + $ 96.900,00 + $ 129.600,00 
5 + $ 126.400,00 + $ 256.000,00 
SOMA + $ 436.000,00 
 
Verifique-se, portanto, que o projeto seria aceito, pois até o fim do terceiro ano o 
fluxo acumulado seria positivo. Note-se, ainda, que ele supera o investimento inicial 
durante o terceiro ano. Admitindo-se de que as entradas líquidas ocorram de maneira 
uniforme durante o terceiro ano, teríamos uma estimativa mais exata do período de 
recuperação, a saber: 
 
ano) 0,75(ou meses 8,96 
129.400,00 R$
meses 12 x 96.700,00 R$
 Período 
 
 
Portanto, a recuperação do investimento completar-se-ia em, aproximadamente, 
2 anos e 9 meses. 
Caso a administração da empresa desejasse introduzir a noção de risco ao 
avaliar esse projeto, uma possibilidade seria fixar um limite de variação entre o período 
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payback calculado e o prazo limite fixado. Digamos que a administração estabelecesse 
que a margem de risco seria de 20% do prazo calculado. Então: 
Se 1,2 (prazo calculado) for maior ou igual ao prazo limite, o projeto deverá ser 
aceito, caso contrário, deverá ser rejeitado. 
No citado exemplo, obteremos 1,2 x 2,75 anos = 3,30 anos; isso significa que os 
dois períodos estão excessivamente próximos para o gosto da empresa. Ou seja, uma 
variação real de entradas e/ou saídas conduzindo a um aumento do prazo efetivo, 
tornaria o projeto inaceitável. Já uma empresa cujo limite de variação do prazo 
calculado fosse de 5% aceitaria o projeto. 
Algumas objeções básicas costumam ser feitas ao método do período de 
recuperação do investimento. Uma delas, talvez a principal, já foi apresentada: o 
método não leva em conta a distribuição dos fluxos de caixa no tempo dentro do 
próprio período calculado. 
Além disso, o método não se interessa pelos fluxos que ocorrem após a 
recuperação do investimento, não proporcionando assim uma visão do projeto como 
um todo. 
Entretanto, o método pode ter alguma utilidade quando a empresa preocupa-se 
mais com a velocidade de retorno do investimento ou com a exigência de dispor de 
certos montantes em datas nas quais devam ser feitos alguns pagamentos importantes, 
ou seja, quando há uma preocupação maior com os efeitos do projeto sobre a liquidez 
da empresa. 
 
 
3.2.2. Taxas Médias de Retorno 
Neste caso, ainda sem levar em conta o conceito de valor do dinheiro no tempo 
(ou seja, não é um método de fluxo de caixa descontado), temos um método que exige 
o cumprimento das seguintes etapas: 
a) determinação do fluxo líquido médio por período, dividindo-se o fluxo líquido 
total do projeto pelo seu número de períodos; 
b) divisão do fluxo líquido médio, pelo investimento exigido. O resultado será 
uma porcentagem - a taxa média de retorno – indicando, aproximadamente, 
que x% do investimento retornam à empresa por ano ou período. 
Mais uma vez é indispensável a comparação a um padrão. Digamos que no caso 
ilustrativo ele seja de 35% a.a.. A tabela a seguir apresenta o cálculo da taxa média de 
retorno desse caso ilustrativo. 
 
 (*) Fluxo Líquido Total (tab. anterior) (A) $ 436.000,00 
Número de anos (B) 5 anos 
Fluxo líquido Médio (C) = (A) / (B) (C) $ 87.200,00 
Investimento Exigido (D) $ 180.000,00 
Taxa Média de Retorno (E) = (C) / (D) (E) 48,44% a.a. 
(*) Considerando os fluxos acumulados, ou seja, $ 25.400,00 + $ 57.900,00 + $ 129.400,00 + $ 96.900,00 
+ $ 126.400,00 = $ 436.000,00 
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O padrão de 35% a.a. fixado pela empresa exigiria um retorno líquido médio de 
$ 63.000,00 ao ano. O fluxo efetivamente calculado segundo as previsões do projeto é 
de $ 87.200,00 ao ano, levando a uma taxa de retorno de 48,44% a.a.; assim, o projeto 
deveria ser aceito. 
As observações feitas em relação ao período de payback, a título de limitações e 
deficiências, são válidas no caso da taxa média de retorno. Pode ser excetuada, 
porém, a observação relativa à visão do projeto como um todo, pois esse problema 
existente no método anterior deixa de ser encontrado em função do cálculo do retorno 
médio, que abrange o número total de períodos. 
Entretanto, surge neste caso um outro tipo de problema. Embora saibamos que 
a taxa corresponda a uma média, poderíamos ser levados à impressão errônea de que 
como a taxa é de praticamente 50% a.a. o investimento é recuperado em cerca de dois 
anos, o que não é verdade, pelo próprio fluxo de caixa elaborado. Aliás, o cálculo do 
período de payback indicou qual seria o prazo efetivo de recuperação. 
Com a determinação do fluxo líquido médio, este método ignora a distribuição 
efetiva dos componentes do fluxo total dentro do período do projeto. 
 A fórmula para se calcular a Taxa Média de Retorno é a seguinte: 
 
Exigido toInvestimen
Médio Líquido Fluxo
 TMR 
 
 
 
3.2.3. Valor Atual Líquido (ou Valor Presente Líquido) 
Este é o primeiro dos métodos de fluxo de caixa descontado que iremos 
apresentar. Como já foi dito, estes métodos são superiores aos anteriores porque 
levam em consideração tanto a magnitude dos fluxos previstos para cada período 
quanto a sua distribuição efetiva durante o projeto analisado. 
Estes métodos procuram expressar os fluxos do projeto em termos de valores 
monetários de uma mesma data, ou mais especificamente, a data de início do projeto 
ou de análise, o “momento atual”, e daí serem esses fluxos transformados em “valores 
atuais”. 
Esse procedimento exige um fator para descontar os fluxos futuros. Deve ser 
usada, assim, uma taxa de desconto que corresponda à nossa noção de custo de 
capital. 
Portanto, o método de valor atual líquido envolve o cumprimento das seguintes 
etapas: 
a) depois de montada a série de fluxos de caixa do projeto, escolher uma taxa 
de desconto (conhecida também como custo de oportunidade ou custo de 
capital). Digamos que o custo de capital da nossa empresa fictícia fosse 25% 
a.a.. Em outras palavras, se os seus recursos não forem aplicados com um 
retorno pelo menos igual a esse índice, os proprietários da empresa 
conseguirão maior rentabilidade aplicando em outras alternativas de 
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investimento fora da empresa e, no caso específico, a empresa deverá 
rejeitar a possibilidade de executar o projeto; 
b) com essa taxa de desconto, transformar os fluxos futuros de caixa em valores 
atuais, segundo a fórmula 1 / (1 + i) 
n 
 onde “i” é a taxa de desconto, e “n” é 
o número de períodos ao final dos quais ocorre

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