Aula Nota 10 1
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interferindo nele. Isso é ilógico e, curiosamente, é também um
dos fundamentos da educação estadunidense não compartilhado pelos sistemas
educacionais da Ásia, especialmente aqueles que são os sistemas escolares de
melhor desempenho no mundo. Esses países costumam ver que habilidades fun-
damentais, como a memorização da tabuada, libertam os alunos para pensar em
um nível mais alto e ter percepções mais profundas, porque não precisam usar
sua capacidade de processo cognitivo em cálculos básicos. Para poder perceber
que um princípio mais abstrato opera em um problema ou que há outro jeito de
Prefácio/ Introdução 37
resolver esse problema, você não pode estar concentrado na computação básica
dos números. Isso tem de ser automático, de fornia que a maior parte possível de
sua capacidade de processamento permaneça livre para refletir sobre aquilo que
você está fazendo. Quanto melhor você for nas habilidades cognitivas de "ordem
inferior", melhor você será nas habilidades de "ordem superior".
Então, como são as notas dos alunos dos professores que inspiraram este li-
vro? Como a maioria dos professores que estudei trabalha na minha organização
- a Uncommon Schools -, vou começar minha resposta por explicar quais são os
resultados gerais da Uncommon. Temos dezesseis escolas no Brooklyn (distrito
da cidade de Nova York), em Newark (cidade do estado de Nova Jersey) e em
Rochester e Troy, no norte do estado de Nova York. Nossa população é quase
inteiramente de minorias raciais e pobre (os dados mudam sempre, mas o índice
de pobreza dos nossos alunos é de 80% ou mais, até de 98%). Nossos alunos são
sorteados nos distritos escolares em que trabalhamos, têm um índice de pobreza
superior ao dos distritos onde os escolhemos e, contrariamente ao mito, são
quase sempre os piores, não os melhores alunos desses distritos (uma das prin-
cipais razões pelas quais os pais inscrevem seus filhos para o sorteio é que seus
filhos estão lutando e estão cada vez mais em risco nas escolas de onde vêm; eles
querem sair dessas escolas tanto quanto eles querem vir para as escolas charter).
Em 2009, 98% de nossos alunos passaram no teste de matemática do estado
de Nova York e 88% passaram no teste de inglês8. Como a nossa missão é eliminar
a desigualdade no desempenho escolar, nosso conselho administrativo requer que
nos comparemos ao outro lado do fosso da desigualdade no desempenho escolar: a
média branca do estado (conhecida pela sigla, em inglês, de SWA), ou seja, a nota
média de todos os alunos brancos do estado, que costuma ser superior à média geral
do estado. Reconhecemos as limitações desse parâmetro como medida comparati-
va, mas ele é a medida genuinamente aceita por formuladores de política pública e
patrocinadores de projetos educacionais nos Estados Unidos. Portanto, usamos esse
parâmetro mesmo para declarar o óbvio: raça não é sinónimo de pobreza, e muitas
famílias brancas pobres estão no nível mais baixo no mapa da desigualdade no de-
sempenho escolar, enquanto muitas famílias negras e hispânicas lutam para garantir
que seus filhos cheguem a nada menos que Yale9. Como demonstram os números
que seguem, nossas escolas não apenas superam os distritos escolares onde estamos
8 Alunos no estado de Nova York devem passar em provas estaduais padronizadas para receberem
o diploma de ensino médio.
9 A Universidade Yale, em New Haven, no estado de Connecticut, é uma das oito mais antigas dos
Estados Unidos e uma das 10 melhores universidades do mundo.
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localizados e a média de todos os alunos no estado, mas de fato superam até a SWA.
Depois de alguns anos com nossos professores, alunos pobres e de minorias raciais,
que vieram de distritos com baixo desempenho, superaram o desempenho dos alu-
nos de classes sociais mais altas. Todos nós que fazemos esse trabalho sabemos quão
frágil é esse sucesso e como é difícil sustentá-lo, então não vou me gabar sobre nossa
organização. Dito isto, meu enorme respeito pelo trabalho dos nossos professores
supera qualquer reticência aqui e eu digo que os professores da Uncommon, pelo
menos até agora, eliminaram a diferença social no desempenho escolar.
Mas claro que os professores que mais inspiraram este livro, os da Uncom-
mon e de escolas e grupos de escolas similares, como a escola charter Roxbury
Prep, as escolas do Programa Knowledge Is Power (KIPP) e o Achievement First,
não são professores típicos mesmo nessas escolas que eliminam a desigualdade.
Eles são os melhores entre os melhores. Portanto, seus resultados são ainda me-
lhores. Na Rochester Prep, a equipe de matemática, dirigida por Bob Zimmerli e
Kelli Ragin, garantiu a proficiência de 100% dos alunos de 6° e 7° anos, superan-
do todos os distritos escolares da região, inclusive os distritos dos bairros ricos.
A equipe de Linguagem, dirigida por Colleen Driggs, Jaimie Brillante, Patrick
Pastore e a diretora na época, Stacey Shells, não apenas igualaram o feito de
100% de proficiência no 7° ano, como também conseguiram que 20% dos alu-
nos alcançasse o nível mais alto de proficiência no teste (nível avançado). Como
comparação, menos de 1% dos alunos do Distrito Escolar da Cidade de Roches-
ter, do qual a Rochester Prep tirou seus alunos dois anos antes, conseguiram no-
tas no nível avançado. Se o parâmetro é a excelência e não apenas a proficiência
adequada, os resultados da equipe de Linguagem da Rochester Prep superaram
em 20 vezes o índice do distrito (veja as Figuras LI e 1.2).
Embora seja provavelmente verdade em todas as disciplinas, é especialmen-
te verdade em linguagem que equipes sequenciais de professores excepcionais
tendem a alcançar os resultados mais espetaculares. Por "sequencial", quero
dizer professores consistentemente eficazes e alinhados em relação ao método
de instrução, que passam suas turmas de um para outro ao final do ano esco-
lar. No caso da Rochester Prep, os membros da equipe de linguagem - Colleen,
Jaimie, Patrick e Stacey e outros colegas - estão altamente alinhados em termos
de metodologia, não apenas usando técnicas parecidas com as deste livro, mas
também pegando emprestadas adaptações e dicas um do outro, em um círculo
virtuoso de aperfeiçoamento (para professores) e de consistência (para alunos).
Olhar para os resultados obtidos por alunos de 7° ano, depois que o grupo todo
ensinou esses alunos, oferece um retrato claro da capacidade de um conjunto de
professores para garantir o sucesso escolar dos mais pobres.
100%
Prefácio / Introdução 39
Uncommon Schools
Exame de linguagem para os 3° a 8° anos do estado de Nova York, 2009
Porcentagem de proficientes e avançados
56%
69%
78%
Estado de
Nova York
Alunos brancos
do estado de
Nova York
Uncommon
Schools
FIGURA 1.1. Resultados acumulados, 3° a 8° anos, linguagem
Fonte: Secretaria de Educação do estado de Nova York
100%
Uncommon Schools
Exame de matemática para os 3° a 8° anos do estado de Nova York, 2009
Porcentagem de proficientes e avançados
63%
92%
Estado de
Nova York
Alunos brancos
do estado de
Nova York
Uncommon
Schools
FIGURA 1.2. Resultados acumulados, 3° a 8° anos, matemática
Fonte: Secretaria de Educação do estado de Nova York
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100%
20%
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FIGURA i.3. 7° ano, estado de Nova York, Linguagem: FRPL versus proficiência
Nota: FRPL significa Free and Reduced Price Lunch (almoço gratuito e de preço reduzido),
que é a medida-padrão de pobreza no setor de educação nos Estados Unidos.
Fonte: Análise pela Uncommon Schools dos dados da Secretaria de Educação do estado
de Nova York.
O gráfico na Figura 1.3 mostra os resultados de todas as escolas públicas no
estado de Nova York na avaliação de Linguagem em 2009 e, ao mesmo tempo,
compara com os índices de pobreza. Cada ponto no gráfico é uma escola. A
posição de cada ponto no eixo X (horizontal) mostra a porcentagem de alunos
pobres nessa escola e, no eixo