Aula Nota 10 1
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Aula Nota 10 1


DisciplinaControle de Estoque em Alimentos & Bebidas15 materiais1.270 seguidores
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A intenção
é comparar o filme As Bruxas de Salem com o livro The Witch of the Blackbird
Pond (A Bruxa da Lagoa do Pássaro Preto), de Elizabeth George Speare17? Se
é isso que os alunos vão fazer, por quê? Para aprender o quê? Vão comparar a
descrição da feitiçaria colonial nas duas histórias? Se vão, com que propósito?
Por exemplo: será que eles vão entender melhor a perspectiva de Speare sobre fei-
tiçaria ao compará-la com outra história contemporânea? Se é isso que vai acon-
tecer, então é isso que deve ser descrito no objetivo: entender melhor a perspectiva
do autor sobre feitiçaria no período colonial da história dos Estados Unidos, por
meio da comparação com outra descrição contemporânea.
l Os alunos vão montar um cartaz para celebrar o Dia de Tiradentes. Este
objetivo não é "prioritário". Saber fazer cartazes não ajuda os alunos a enten-
der o conteúdo relacionado a Tiradentes. Compreendê-lo é com certeza muito
importante, e essa compreensão pode até ser refletida em um cartaz. Mas um
professor exemplar só consideraria útil fazer um cartaz se este fosse o melhor
jeito de garantir ou reforçar o aprendizado. O objetivo, neste caso, deveria ser
relacionado a Tiradentes.
DEIXE CLARO
Quando seu objetivo estiver completo, Deixe claro para todos qual é esse objetivo:
escreva-o no quadro-negro (todos os dias? em linguagem simples, de forma que qual-
quer um que chegue à classe, tanto alunos como colegas e gestores, possa identificar
_ - _ _ - . - . . . . . . _ _ . . . - ,
seu propósito nesse dia.
17 Elizabeth George Speare (l908-1994) notabilizou-se como escritora infanto-juvenil nos Estados <T
Unidos, especialmente no género da ficção histórica.
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Escrever seu objetivo é importante para os alunos porque eles devem saber
o que estão fazendo. Sabendo, vão trabalhar deliberadamente em direção à
meta. No exemplo de As Bruxas de Salem, os alunos vão prestar mais atenção
ao filme se souberem o que estão procurando. Você pode ir além e introduzir
o objetivo na própria conversa^ em classe. Pode sublinhar a importância dele
ao pedir aos alunos que discutam, revisem, copiem ou leiam o objetivo, como
um hábito cotidiano, no começo ou no fim da aula. Pode até criar o hábito de
pedir aos alunos para contextualizar o objetivo, dizer por que ele é importante,
conectá-lo com a aula do dia anterior e assim por diante.
Deixar o objetivo claro para obser-
vadores - seus colegas professores ou
seu supervisor - é importante porque
eles poderão dar feedback e porque o
feedback dos observadores é sempre
mais útil quando a pessoa sabe o que
você está tentando fazer: se, em vez de
um abstraio &quot;boa aula&quot;, ela puder di-
zer que a aula foi boa porque você se
aproximou (ou não) do objetivo.
O feedback dos observadores
é sempre mais útil quando a
pessoa sabe o que você está
tentando fazer - se, em vez
de um abstrato &quot;boa aula&quot;,
ela puder dizer que a aula foi
boa porque você se aproximou
(ou não) do objetivo.
Um observador que acha que você
deveria estar discutindo melhor o de-
senvolvimento de personagens literários em As Bruxas de Salem pode ou não
estar certo - passar mais tempo no desenvolvimento de personagens literários
é uma decisão que depende do seu objetivo. É de seu interesse disciplinar seus
observadores para focar naquilo que atende melhor ao objetivo. Caso con-
trário, os conselhos deles e a avaliação que fazem de sua aula vão obedecer
critérios idiossincráticos - como quando seu diretor assiste à sua aula e insiste
que você deveria enfatizar mais o desenvolvimento de personagens literários
porque, afinal, é isso que ele faz normalmente com a peça As Bruxas de Salem.
O CAMINHO MAIS CURTO
Quando você consegue pensar em mais de uma atividade possível para melhor atingir
seu objetivo, sua norma deveria ser algo como a máxima do filósofo inglês William
Ockhan: &quot;Se em tudo o mais forem idênticas as várias explicações de um fenómeno, a
mais simples é a melhor&quot;. Escolha a rota mais direta de um ponto a outrp, O caminho
Planejar para garantir um bom desempenho académico 83
mais curto até o objetivo. Substitua a solução complexa sempre que se possa obter um
resultado melhor a partir de alguma atividade menos intelectualizada, menos vanguar-
dista ou menos engenhosa. Use o que os dados lhe disserem que funciona melhor, mas,
quando estiver em dúvida, adote métodos comprovados, diretos, confiáveis, especial-
mente EuINósIVocês (veja Capítulo Três). Parece óbvio, mas, em uma atividade como
o magistério, em que os profissionais se acostumaram ao longo dos anos a tatear no
escuro - ou seja, sem ter critérios objetivos para medir a eficiência de suas aulas -,
emergiu uma cultura de critérios que não são baseados no domínio do conteúdo, mas
em noções genéricas de filosofia ou psicologia. As pessoas perguntam, ao observar
uma aula: Qual a concepção pedagógica por detrás dessa aula? Quão criativo é o plano de
aula? Quão democrático foi o clima da aula? Quão divertida foi essa aula? Quão partici-
pativos foram os alunos? Se você prestar atenção, vai ouvir constantes referências implí-
citas e explícitas a esse tipo de critério nas conversas entre os professores: &quot;Adorei sua
aula; as etapas estavam tão bem organizadas e havia tanta interação entre os alunos&quot;.
Parte-se do princípio de que as duas coisas - a concepção pedagógica e a participação
dos alunos - são intrinsecamente positivas por si só, quer atinjam o objetivo da aula ou
não, quer exijam o dobro do tempo (ou mais) para atingir o mesmo objetivo.
Repito: o Critério é alcançar o domínio do que está previsto no objetivo e o
que quer que leve você até lá de forma melhor e mais rápida. Que o professor use
trabalho em grupo, abordagens multissensoriais, inquirição aberta, seminários, dis-
cussões ou palestras não é bom nem ruim, exceto na sua relação com o objetivo
proposto. Use o caminho mais curto e jogue no lixo todos os outros critérios.
O caminho mais curto não significa necessariamente que o caminho mais cur-
to que você escolhe será a abordagem preferencial ao longo de 45 minutos ou por
uma hora e 45 minutos. Geralmente, os melhores professores tendem a. tornar
suas aulas mais estimulantes por meio da alternância de uma série de atividades,
com uma variedade de tons e ritmos, método que é melhor discutido na seção so-
bre ritmo no Capítulo Oito. Durante a mesma aula, eles podem ser muitas vezes
dinâmicos e espirituosos ou reflexivos e ponderados. O terreno muda o tempo
todo, mesmo no caminho mais curto entre dois pontos.
Os melhores planos de aula são os que trabalham um dos objetivos de uma sequência
cuidadosamente planejada de objetivos. Eles devem definir como avaliar seu resul-
tado antes de escolher as atividades que levam do ponto A ao ponto B. Grandes
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professores costumam até planejar suas perguntas e, como Julie Jackson, da North
Star Academy, memorizá-las no caminho para a escola ou para a sala de aula. Mas
há um último elemento para planejar uma aula eficaz, que é geralmente esquecido e
que é especialmente poderoso: Planeje em dobro.
A maioria dos planos de aula concen-
tra-se no que você, o professor, estará fa-
zendo - o que você vai dizer, explicar e mo-
delar, o que você vai distribuir e recolher,
o que vai passar de lição de casa. Muitas
vezes os professores esquecem de planejar
o que os alunos vão fazer a cada etapa do
processo. O que eles vão fazer enquanto
Muitas vezes os professores
esquecem de planejar o que os
alunos vão fazer a cada etapa
do processo. O que eles vão
fazer enquanto você analisa
as principais causas da Guerra
do Paraguai? você analisa as principais causas da Guerra
do Paraguai? Vão anotar? Onde? Em uma
folha de atividade? No caderno? E depois? Eles terão de rever essas notas e escrever
um resumo de uma frase? Enquanto você explica a diferença entre números primos e
números compostos, o que eles vão fazer? Ouvir com muita atenção?