Aula Nota 10 1
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Aula Nota 10 1


DisciplinaControle de Estoque em Alimentos & Bebidas15 materiais1.270 seguidores
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Anotar? Tentar
memorizar três diferenças básicas? Olhar e ouvir, mas responder a perguntas ocasio-
nais para toda a classe (do tipo "O que é que os números primos não são?")?
Pensar a respeito e planejar as atividades dos alunos é crucial. Ajuda você
a ver a aula pela perspectiva deles e a mante-los engajados de forma produtiva.
Também ajuda a lembrar que é importante que você e os alunos mudem o ritmo
de vez em quando, lançando mão de várias atividades diferentes durante a aula
- escrever, refletir, debater. Um bom jeito de começar é fazer um planejamento
em dobro: planeje suas aulas usando uma tabela com "você" de um lado e "eles"
de outro. Não conheço muitos professores que continuem usando esse sistema
quando se habituam a ele (o "eles" acaba naturalmente incluído no planejamen-
to). Mas vale a pena discipíinar-se para fazer assim, de maneira a chamar sua
atenção para a necessidade de manter seus alunos ativamente engajados.
PLANEJE EM DOBRO
Planejar o que seus alunos vão fazer em cada etapa da aula é tão importante
quanto planejar o que você vai fazer e dizer.
Planejar para garantir um bom desempenho académico 85
Há uma última parte para um planejamento efetivo, que quase todo professor
já usa. O problema é que, às vezes, os professores esquecem que a estão usando
ou a usam uma vez por ano e depois esquecem completamente de ajustá-la ou
adaptá-la. Estou me referindo ao controle e planejamento do ambiente físico
da^sala de aula, que deveria apoiar o objetivo específico de cada aula em .vez de
apoiar a "média" de todas as aulas ou, pior, apoiar crenças ideológicas sobre
como a sala de aula deve ser. Eu chamo essa última peça de Faça o mapa.
Em muitas salas de aula, os professores sentam seus alunos em grupos, um
de frente para o outro, porque acreditam que os alunos devem socializar e inte-
ragir na escola. Esta é uma crença geral (na verdade, excessivamente generaliza-
da) sobre a natureza e a filosofia da escolaridade. Com exceção do fato de que
alguns professores realinham as carteiras para as provas, esse desenho da sala
de aula raramente muda, mesmo que muitos momentos importantes da aula
envolvam, por exemplo, tomar notas sobre o que o professor escreve no quadro.
Interagir é importante, mas o melhor momento para isso certamente não é aque-
le em que os alunos devem produzir um registro escrito de informações chave.
Com as carteiras agrupadas, boa parte dos alunos agora precisa olhar sobre os
próprios ombros, para ver a informação que lhes será cobrada em breve, e depois
virar novamente para escrever no caderno à sua frente. Nesse tipo de aula, os
alunos têm de ignorar os colegas sentados diretamente à sua frente para poder
concentrar-se no professor, que, em muitos casos, está às suas costas. A disposi-
ção das carteiras criou um forte desestímulo e tornou muito mais difícil atingir o
objetivo primário da aula, em nome da teoria que valoriza a interação.
Em vez de se perguntar se os alunos devem interagir na escola, um professor
com essa configuração de sala de aula poderia se perguntar o seguinte:
> Quando os alunos devem interagir na escola?
> Como os alunos devem interagir na escola? (Há muitos jeitos e não é preciso
muita imaginação para se dar conta de que vale a pena evitar usar vários ao
mesmo tempo.)
l A disposição das carteiras em classe deveria sinalizar e incentivar exatamente
o quê e sobre que tipos de interação?
> Quais tipos de interação apoiam quais objetivos de aula?
l De que outros jeitos os alunos podem ser organizados para interagir, sem necessa-
riamente organizar a sala de aula ao redor dessa única ideia todos os dias?
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Pode ser que o professor queira os alunos em grupos, de frente uns para
os outros, só em algumas aulas. Pode ser que o professor deseje interação só
em partes da aula. Pode ser que, em uma disposição em fileiras, solicitar aos
alunos que se virem e conversem uns com os outros para discutir uma ideia
atinja o objetivo, sem que seja preciso estruturar a sala de aula de forma que
alguns alunos sempre estejam de costas para o professor. Estou revelando meu
próprio viés aqui, com respeito ao desenho da sala de aula, mas você não pre-
cisa concordar comigo para usar esta técnica. Faça o mapa significa incluir o
planejamento do espaço físico no seu plano de aula.
De fato, sou um grande fã das fileiras como estrutura-padrão da sala
de aula - especificamente três colunas de pares de carteiras (veja a Figura
2.1) -, principalmente porque muitos dos professores que observo usam essa
configuração. É um esquema enxuto e organizado, que estabelece o quadro
e o professor como foco principal dos alunos. Permite que o professor fique
diretamente ao lado de qualquer aluno que ele queira ou que dele precise
durante a aula, para verificar o trabalho ou se assegurar de que o aluno está
trabalhando no que deve. Dá a cada aluno um lugar para escrever que, na
maioria dos casos, está diretamente entre eles e aquilo sobre a que devem
escrever. Professores que querem ver mais interação direta entre os alunos
pedem que estes "olhem para quem está falando" ou pedem que virem suas
cadeiras conforme a situação ou, ainda, pedem que movam suas carteiras
rapidamente para uma outra formação.
FIGURA 2.1 Colunas e fileiras com pares de carteiras
Planejar para garantir um bom desempenho académico 87
Independentemente do esquema que você use, onde colocar as carteiras é tão
importante quanto determinar os "corredores" e as "fileiras". Na verdade, en-
quanto está dando a aula, você deve poder chegar a qualquer lugar da sala sem
precisar pronunciar uma palavra (preferivelmente à distância de 30 centímetros
de qualquer aluno, de maneira que você possa cochichar ao ouvido dele sem
precisar curvar-se sobre outro aluno). Se você precisar dizer "com licença" para
que um aluno empurre a cadeira ou mude a mochila de lugar, de forma que você
possa chegar onde quer, você estará basicamente pedindo autorização. Você vai
ter de interromper sua aula para chegar aonde quer na saía. Com isso, você terá
cedido controle da sala de aula e inviabilizado o seu acesso a todas as partes da
sala. Isso limita a sua capacidade de cobrar elevados padrões académicos e de
comportamento de seus alunos. Portanto, independentemente da disposição de
carteiras que você escolha, pense seriamente sobre fileiras e corredores também.
Finalmente, também é importante planejar as paredes. A primeira regra bá-
sica para as paredes das melhores salas de aula é que elas devem ajudar, não
atrapalhar. Isso quer dizer que é melhor evitar um amontoado de material afi-
xado nas paredes e evitar também a superestimulaçao. Algumas coisas cruciais
devem estar penduradas e não devem estar muito próximas do quadro-negro,
de forma a não distrair os alunos. O melhor é pendurar coisas que também se-
jam ferramentas úteis: lembretes das etapas-chave para somar fraçoes; exemplos
de temas comuns; os tipos de conflito em uma história; imagens representando
palavras recentemente incluídas no vocabulário da classe; regras para o uso do
banheiro; começo de frases para concordar ou discordar de um colega durante
um debate. Quando você ensina uma habilidade-chave, pendurar na parede uma
ferramenta útil imediatamente depois da aula vai ajudar os alunos a revisar e a
usar a nova habilidade com mais frequência. Embora a maioria dos professores
seja quase sempre aconselhada a pendurar nas paredes o trabalho dos alunos,
pendurar ferramentas desse tipo é pelo menos tão importante quanto.
Isso não significa que você não deva pendurar nenhum trabalho de aluno.
Deve, sim. Mas pendure trabalhos exemplares e que sirvam de modelo para
outros alunos. Ao expor à classe esses trabalhos selecionados, o professor
também tem uma contribuição importante a dar. Será que você pode fazer
comentários no trabalho pendurado, alinhados com os objetivos de aprendi-
zado? Será que você pode substituir a anotação