Aula Nota 10 1
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DisciplinaControle de Estoque em Alimentos & Bebidas15 materiais1.270 seguidores
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Eric: "Semente de abóbora".
Darryl: "Semente de abóbora". Muito bem. Então nesta frase temos sujeito e
predicado, Raimundo?
Raimundo: Sim.
Darryl: Então, esta é uma oração?
Raimundo: Sim.
Darryl: Então, continuamos? O que fazemos agora, Sheila?
Sheila: Temos de dar uma olhada nas outras [duas opções de resposta],
porque esta parece certa, mas uma das outras duas pode parecer
certa também.
A sequência envolve chamar cinco alunos em rápida sucessão e segue uma pro-
gressão cuidadosa de dificuldade crescente. A primeira pergunta simplesmente pede
ao aluno que leia o que tem diante dos olhos. Baixo nível de dificuldade. Darryl
subiu o primeiro degrau: qualquer um pode responder certo. A próxima pergun-
ta ("Tem um sujeito?") é uma pergunta incrivelmente simples, do tipo sim-ou-nao,
projetada para o aluno acertar. Quando ele acerta, Darryl reage com a pergunta
mais difícil ("Qual é o sujeito?"), mas essa pergunta vem logo depois do sucesso do
aluno na resposta anterior e depois de Darryl o ter engajado no processo de pensar
sobre a estrutura das frases. Depois de fazer uma sequência parecida com outro
aluno, ele avança para perguntas mais difíceis, como saber se a frase é uma oração
ou qual é o próximo passo. Ao dividir a pergunta básica - "É uma oração?" - em
partes menores e ao começar com perguntas mais simples, Darryl consegue engajar
os alunos e garante que eles estarão prontos quando fizer as perguntas mais difíceis.
Ao distribuir a pergunta básica entre cinco alunos, em vez de um só, ele também ga-
rante uma participação mais abrangente e cria a expectativa de que, em suas aulas,
a participação é um evento previsível e sistemático.
Um método mais sutil de construir essa escada é permitir que os alunos co-
mecem a responder as sequências De surpresa com respostas contidas em tarefas
que já fizeram e que estão diante deles. Nesse caso também, é muito provável
que eles acertem a resposta da pergunta inicial da sequência. Darryl começou
sua sequência De surpresa acima ao pedir a Kelly que lesse a próxima opção [de
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resposta]. Isso já engaja a aluna, mas em um nivel em que ela está segura (ou
quase) de responder certo. A escada também funciona com esta pergunta De
surpresa: "Por favor, diga-nos sua resposta para o primeiro problema, Maria".
Funciona porque Maria fez a tarefa e sua resposta está bem diante de seus olhos.
Ela simplesmente relata o seu trabalho. Claro, uma sequência que começa com
perguntas tão simples idealmente progrediria para questões mais complexas, que
demandariam raciocínio de Kelly e Maria. Alguns professores têm uma per-
cepção equivocada desta técnica e acham que ela só serve para fazer perguntas
fáceis. Mas as perguntas devem ser as mais rigorosas que você puder fazer - e
os alunos acabarão tendo orgulho disso, de se verem lidando de improviso com
material exigente. Começar simples não obriga a terminar simples, pelo contrá-
rio, tende a engajar e motivar as crianças, que são até estimuladas pelos níveis
crescentes de rigor e desafio.
Usar De surpresa para dar seguimento a comentários anteriores em classe
destaca quanto você valoriza a participação e as percepções dos alunos. Também
enfatiza que o engajamento de seus alunos com aquilo que os colegas dizem é
tão importante quanto o engajamento deles com o que você diz. Há duas varie-
dades a considerar:
l Dar seguimento a uma pergunta anterior. Faça uma pergunta simples usan-
do De surpresa - pense nela como um aquecimento - e depois faça à aluna uma
série curta de outras perguntas (a maioria dos professores faz de duas a quatro),
nas quais ela possa desenvolver melhor suas opiniões ou você possa verificar
melhor seu entendimento.
\r seguimento ao comentário de outro aluno. Isso reforça que é tão im-
portante ouvir os colegas quanto o professor: "O Jair diz que o cenário é uma
noite escura de verão. Susana, isso nos diz tudo que precisamos saber sobre o
cenário?" ou "O que significa 'explorar', Estevão? (...) Muito bem. E quem é
explorado em MacBeth, Maria Luiza?".
l Dar seguimento ao comentário anterior do próprio aluno. Isso sinaliza que não é
por já ter falado uma vez que o aluno vai se livrar de novos pedidos de participação.
"Mas, Yolanda, antes você disse que a gente sempre deve multiplicar comprimento
e largura para encontrar a área. Por que não fizemos isso agora?".
Além destes princípios, há vários outros elementos que os professores exem-
plares aplicam, variam e adaptam para maximizar os benefícios da técnica De
surpresa. As principais variações do tema De surpresa são estas:
l Mãos levantadas, mãos abaixadas. Você pode usar De surpresa e permitir que
seus alunos continuem a levantar a mão, se quiserem, ou você pode instruí-los a
manter as mãos abaixadas. As duas versões enfatizam aspectos diferentes da técnica.
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Deixar que levantem a mão continua a encorajar e gratificar os alunos que
querem participar, mesmo que você de vez em quando chame aqueles que não
levantaram a mão. Você decide, ao seu arbítrio, quando escolher a mão levantada
ou usar a técnica De surpresa. Com isso, você continua a incentivar os alunos que
levantam a mão e, ao mesmo tempo, pode sofisticar a sua "escada". Quando você
está usando a técnica De surpresa, mas também permite as mãos levantadas, pode,
por exemplo, fazer três perguntas de surpresa em seguida e guardar a última, que
é potencialmente a mais difícil ou a mais interessante, para o aluno que levan-
tou a mão, diferenciando, assim, a instrução, e tornando o desafio académico um
prémio em si mesmo. Um fator a considerar, quando você autoriza os alunos a
continuar levantando as mãos enquanto você usa a técnica De surpresa, é que isso
pode tornar o seu uso menos visível e transparente e, portanto, menos sistemático.
Isso porque pode não ficar claro para os alunos se o colega chamado a responder
uma pergunta foi pego de surpresa ou estava com a mão levantada. Permitir as
mãos levantadas também lhe dá um dado importante: mesmo que você ignore es-
sas mãos, elas são uma informação sobre alunos que acham que sabem o bastante
para se voluntariar. Assim, se você quiser tentar a técnica De surpresa naqueles
cujo domínio é instável, você terá uma ideia mais clara sobre quem abordar.
Você também pode decidir que os alunos devem manter as mãos abaixadas
e depois sair usando a técnica De surpresa. Isso manda uma mensagem pode-
rosa sobre o seu controle firme da sala de aula e torna o seu uso da técnica
De surpresa mais explícito, previsível e transparente ("Agora estou chamando
de surpresa"). Também tende a tornar ainda mais rápido o ritmo dos seus
chamados de surpresa - e, portanto o ritmo da sua aula -, porque não perde
tempo percorrendo as mãos levantadas. Finalmente, as mãos abaixadas podem
ser mais eficientes na verificação da compreensão por duas razões. Em primei-
ro lugar, reduzem a probabilidade de os alunos ficarem ansiosos demais para
responder. O excesso de entusiasmo pode prejudicar o clima da sala de aula
e, principalmente, corroer a sua habilidade de propor questões aos alunos que
precisam se engajar mais ou àqueles cujo desempenho você precisa verificar.
Em segundo lugar, como os alunos que querem responder não podem levantar
a mão, acabam ficando menos visíveis, assim como sua decisão de escolher os
alunos mais reticentes para responder, tornando a técnica ainda mais impes-
soal. Um último senão é que a maioria dos excelentes professores analisados
parece ter o hábito de usar tanto mãos levantadas como mãos abaixadas, esco-
lhendo um ou outro conforme a situação. Uma razão possível para isso é que
usar só mãos levantadas não é tão dinâmico e usar só mãos abaixadas é um
desestímulo a que os alunos continuem a levantar as mãos. Já que esse gesto
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nunca gera gratificação, com o tempo a professora corre o risco de os alunos
pararem