A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
3 pág.
SOCIOLOGIA DAS INSTITUIÇÕES POLÍTICAS E JUDICIÁRIAS

Pré-visualização | Página 1 de 2

SOCIOLOGIA DAS INSTITUIÇÕES POLÍTICAS E JUDICIÁRIAS – PROF. LEONEL (PARTE 2)
Data: 06/11/2014
JUDICIALIZAÇÃO DA POLÍTICA NO BRASIL (páginas 38 a 54)
Nesse segundo momento, o autor trata sobre a forma pela qual o controle abstrato de constitucionalidade das leis foi estabelecido a partir da Constituição de 1988. Esse é o ponto utilizado para desenvolver a judicialização da política no Brasil. O contexto de emergência da Constituição de 1988 é importante para ele situar sobre esse controle. (item 4. Página 38)
A Constituição foi elaborada, em termos práticos, sem contar com um anteprojeto. A Constituição mais do que ilustrar o processo de democracia, ela faz parte dessa democracia. Ela está no meio dessa correlação de forças, ou seja, dessa transição para a democracia. Isso tem relação com a própria questão de ela não contar com um anteprojeto. Na verdade, esse projeto existiu. Foi constituída uma Comissão Affonso Arinos que elabora o projeto, mas por questões políticas ele não foi apresentado à Constituinte. Por consequência, a Constituinte começou o trabalho do zero. 
Não obstante, a Constituinte contou com uma visão para a Constituição que é fruto desse projeto. Mesmo que esse projeto não tenha sido formalmente encaminhado para a Constituinte, essa utilizou e retoma suas referências. 
Nesse sentido, o autor chama a Constituição como um sistema aberto. De certa maneira, ela ilustra os valores compartilhados por uma determinada comunidade política. Caberia ao Constituinte (legislador ordinário), ao Congresso Nacional por meio de emendas e ao Poder Judiciário (particularmente ao STF) pela construção jurisprudencial do direito interpretar esses valores comunitários da comunidade política que estariam presentes na Constituição enquanto sistema aberto. Nesse viés, Werneck demonstra que a Constituição como um sistema aberto se opõe a Constituição como um sistema fechado que seria típico de um positivismo jurídico protetor das garantias e liberdades individuais. Esse sistema fechado fixa-se no tempo e não dá espaço para esse existir comunitário de valores de uma comunidade política que no sistema aberto pode ser constantemente percebido por meio do legislador originário, Congresso Nacional ou Poder Judiciário. 
A partir da página 41, Werneck explicita que a Constituição como um sistema aberto foi fruto de uma construção, sobretudo do trabalho de uma assessoria jurídica que foi dado aos partidos mais progressistas na época. A Constituição como um sistema aberto é um meio pelo qual a judicialização da política se concretiza no Brasil. Exemplos: mandado de injunção, maneira como a CF 1988 formatou e normatizou o controle abstrato da constitucionalidade das leis etc. 
A judicialização da política no Brasil relaciona-se com a maneira pela qual a Constituição de 1988 formalizou e normatizou o controle abstrato da constitucionalidade das leis.
	
	SISTEMA ABERTO
	
	
	SISTEMA FECHADO
	
	
	
	
	
	
	COMUNIDADE POLÍTICA
	
	
	POSITIVISMO
	
	
	
	
	
	CONSTITUINTE
	CONGRESSO
	PODER JUDICIÁRIO (STF)
	
	GARANTIAS E LIBERDADES
	LEGISLADOR ORDINÁRIO
	EMENDAS
	JURISPRUDENCIAL DO DIREITO
	
	
CONTROLE ABSTRATO DE CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS (P.47)
O controle abstrato de constitucionalidade das leis pela CF88 será assegurado pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, ele não faz de ofício, mas tão somente por meio de uma provocação por uma comunidade de intérpretes da Constituição Federal. O STF tem que ser provocado para o exercício desse controle através da provocação. Essa comunidade é definida pelo artigo 103 da Constituição Federal. [1: Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade:  I - o Presidente da República;II - a Mesa do Senado Federal;III - a Mesa da Câmara dos Deputados;IV a Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal;  V o Governador de Estado ou do Distrito Federal;VI - o Procurador-Geral da República;VII - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;VIII - partido político com representação no Congresso Nacional;IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional.]
Com isso, Werneck analisa 1935 ADIN’s entre o período de 1988 até 1998. Uma primeira referência importante é a diferenciação entre os conjuntos temáticos dessas ADIN’s. Os dois grandes campos temáticos são: defesa dos direitos de cidadania e racionalização da estrutura administrativa do Estado. Encontra-se em um período de redemocratização e também de reforma do Estado (início do governo do Collor, Itamar Franco e o primeiro governo do Fernando Henrique Cardoso) no sentido de reconfiguração do Estado feita por meio de leis e normas que foram questionadas quanto a sua constitucionalidade. O PT era visto como partido de oposição e que faz uma vinculação clara de ações institucionais com os trabalhadores. E, com isso, há duas matrizes, a republicana e a liberal. Não obstante, a redemocratização representar essa compatibilização/ acordo/ configuração de interesses comuns, em 1989, há uma vitória da matriz liberal que não vem acompanhada de um consenso. Há uma inflação alta, sucessivos planos econômicos e regulamentação da economia em torno de medidas provisórias. Isso ocasiona algumas leituras como: abdicação do Poder Legislativo em proveito do Poder Executivo ou cooptação, o que cria um clima favorável para a judicialização da política no Brasil.
A comunidade de interpretes da Constituição figura como advogados da Constituição, ou seja, a princípio, qualquer um dos atores estabelecidos no artigo 103 pode propor ação direta de inconstitucionalidade contra uma norma federal, estadual, municipal etc. todos eles têm uma legitimidade processual constitucional estabelecida, na medida em que o artigo 103 faculta que essa é a comunidade. Todavia, o STF vai ao longo desses anos limitando essa prerrogativa num sentido universalista. O STF vai exigir uma compatibilidade entre o tema da ação direta de constitucionalidade e o interesse de um desses intérpretes da Constituição. Assim, ao restringir o campo de legitimidade de proposição de ADIN’s a uma determinada área de interesse, ele limita a possibilidade de ação como intérpretes da Constituição no sentido universalista. 
A partir da página 55, ele apresenta uma série de gráficos. As ADIN’s vão ter uma progressão numérica quantitativa ao longo desses 10 anos, sobretudo dos partidos políticos e das classes sindicais. Os partidos de esquerda são os mais ativos, porque nesse período reforça a ideia de proteção das garantias parlamentares. As ações dos governadores e dos procuradores são ações que versam sobre dispositivos estaduais. Já os partidos políticos propõem sobre dispositivos federais. 
Na página 63, ele propõe um conjunto temático de 7 grandes temas sobre os quais as ADIN’s versam nesse período: 1) administração pública; 2) políticas sociais; 3) regulação econômica; 4) política tributária; 5) regulação da sociedade civil; 6) competição política; 7) relações de trabalho. Na página 64, Werneck elucida que 63,3% das ADIN’s versam sobre Administração Pública. 
Data: 27/11/2014
Grande maioria das ADIN’s versa sobre a temática da Administração Pública (63,3%). O período houve toda uma reforma gerencial com a criação de agencias reguladoras, privatização de empresas públicas etc. Consequentemente, essa reforma do Estado dialoga com essa conjuntura de temática na propositura de ações diretas de inconstitucionalidade.
Nesse período, o STF funcionou como órgão racionalizador do funcionamento da Administração Público em função das demandas das ADIN’s. O STF vai atuar de forma semelhante a um Conselho de Estado (página 66) como o do governo francês.
Na página 68, atenta para o duplo caráter de judicialização da política no Brasil. Segundo ele, há um caráter comum aquilo que tem a literatura da judicialização nas democracias ocidentais, ou seja, a ação das minorias parlamentares na proteção dos seus possíveis direitos contra as

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.