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QUESTÕES

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QUESTÕES
Discorra sobre a forma de controle abstrato de constitucionalidade das leis à luz dos dispositivos da Constituição de 1988 (3 pontos).
R: O autor trata sobre a forma pela qual o controle abstrato de constitucionalidade das leis foi estabelecido a partir da Constituição de 1988. Esse é o ponto utilizado para desenvolver a judicialização da política no Brasil. O contexto de emergência da Constituição de 1988 é importante para ele situar sobre esse controle. A Constituição foi elaborada, em termos práticos, sem contar com um anteprojeto. A Constituição mais do que ilustrar o processo de democracia, ela faz parte dessa democracia. Ela está no meio dessa correlação de forças, ou seja, dessa transição para a democracia. Isso tem relação com a própria questão de ela não contar com um anteprojeto. Na verdade, esse projeto existiu. Foi constituída uma Comissão Affonso Arinos que elabora o projeto, mas por questões políticas ele não foi apresentado à Constituinte. Por consequência, a Constituinte começou o trabalho do zero. Não obstante, a Constituinte contou com uma visão para a Constituição que é fruto desse projeto. Mesmo que esse projeto não tenha sido formalmente encaminhado para a Constituinte, essa utilizou e retoma suas referências. Nesse sentido, o autor chama a Constituição como um sistema aberto. De certa maneira, ela ilustra os valores compartilhados por uma determinada comunidade política. Caberia ao Constituinte (legislador ordinário), ao Congresso Nacional por meio de emendas e ao Poder Judiciário (particularmente ao STF) pela construção jurisprudencial do direito interpretar esses valores comunitários da comunidade política que estariam presentes na Constituição enquanto sistema aberto. Nesse viés, Werneck demonstra que a Constituição como um sistema aberto se opõe a Constituição como um sistema fechado que seria típico de um positivismo jurídico protetor das garantias e liberdades individuais. Esse sistema fechado fixa-se no tempo e não dá espaço para esse existir comunitário de valores de uma comunidade política que no sistema aberto pode ser constantemente percebido por meio do legislador originário, Congresso Nacional ou Poder Judiciário. Werneck explicita que a Constituição como um sistema aberto foi fruto de uma construção, sobretudo do trabalho de uma assessoria jurídica que foi dado aos partidos mais progressistas na época. A Constituição como um sistema aberto é um meio pelo qual a judicialização da política se concretiza no Brasil. Exemplos: mandado de injunção, maneira como a CF 1988 formatou e normatizou o controle abstrato da constitucionalidade das leis etc. A judicialização da política no Brasil relaciona-se com a maneira pela qual a Constituição de 1988 formalizou e normatizou o controle abstrato da constitucionalidade das leis. O controle abstrato de constitucionalidade das leis pela CF88 será assegurado pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, ele não faz de ofício, mas tão somente por meio de uma provocação por uma comunidade de intérpretes da Constituição Federal. O STF tem que ser provocado para o exercício desse controle através da provocação. Essa comunidade é definida pelo artigo 103 da Constituição Federal.
Cite os 2 grandes campos mais importantes do estudo das ADIN’s (1 ponto). 
R: Defesa dos direitos de cidadania e racionalização da estrutura administrativa do Estado.
Discussão acerca do caráter universalista versus restritivo da propositura das ADIN’s pelos “advogados da Constituição”, explicitando sobre a manifestação do STF (3 pontos).
R: No Brasil, o legislador constituinte confiou ao Supremo Tribunal Federal o controle abstrato da constitucionalidade das leis, mediante a provocação da chamada comunidade de interpretes da Constituição. Com isso, podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade conforme o artigo 103 da Constituição: presidente da República, mesa do Senado Federal, mesa da Câmara dos Deputados, mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do DF, governador de estado ou do DF, procurador-geral da República, Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, partido político com representação no Congresso Nacional e confederação sindical ou entidade de classe no âmbito nacional. Dessa natureza diversa dos atores, resulta uma motivação bastante variada para a proposição das Adins, cujo caráter cobre desde a defesa do mais restrito e particular interesse às ações de vocação universalista. Tal variação decorre, por certo, das suas diversas identidades, embora, como sustenta Gilmar Mendes, todos os membros da comunidade de intérpretes, em princípio, como “advogados da Constituição”, não precisando haver, necessariamente, relação de pertinência entre o objeto da ação de inconstitucionalidade e a natureza da sua representação de interesses. É a jurisprudência do STF, porém, que, ao exigir tal relação de pertinência, vem obstando a esfera dos interesses a participar de ações de inconstitucionalidade dotadas de um objeto universalista, o que explicaria o fato, por exemplo, de o mundo do interesse não ser propositor de Adins relativas à competição eleitoral ou referentes a procedimentos ou temas de alcance geral, salvo em casos excepcionais. Assim, ao restringir o campo de legitimidade de proposição de Adins a uma determinada área de interesse, o STF limita a possibilidade de ação como intérpretes da Constituição no sentido universalista, tendo um caráter restritivo.
Falar sobre o duplo caráter da judicialização da política no Brasil (3 pontos). 
R: Werneck elucida que, de fato, governadores e procuradores se apresentam como intérpretes especializados no tema da administração pública, sendo de sua autoria, e referentes a esta classe de diploma lega, 41,3% do total de Adins. Não se pode entender, consequentemente, o processo de judicialização da política no Brasil sem levar em conta a provocação efetiva pelo Poder Executivo e pelo Ministério Público. Daí o caráter dúplice da judicialização da política no Brasil, que, de um lado, apresenta um perfil que se identifica com o produzido pela biografia sobre o assunto – as minorias parlamentares demandam a intervenção do Judiciário contra a vontade da maioria. Por exemplo, as minorias vão judicializar questionando a constitucionalidade de determinada lei aprovada pela maioria. Mas, de outro, se afasta dele, singularizando-se pela ação dos Executivos estaduais e da Procuradoria da República contra a representação parlamentar, em sua esmagadora maioria de âmbito estadual, em uma indicação de que não apenas a sociedade, mas também a própria Federação, se encontra desajustada da vontade do soberano e tem reclamado a presença de um terceiro.

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