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DIREITO PENAL CONSTITUCIONAL  CRIMES EM ESPÉCIE

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descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com quem conviva ou tenha 
convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de 
coabitação ou de hospitalidade, a pena cominada passa a ser de detenção, de 3 
(três) meses a 3 (três) anos (art. 129, § 9º, Código Penal). 
 
 
 
Para as lesões corporais de natureza grave ou qualificada pelo resultado morte, 
praticadas no âmbito de violência doméstica, as penas serão majoradas em um 
terço (art. 129, § 10, Código Penal). No caso de lesões corporais praticadas no 
âmbito de violência doméstica contra pessoa portadora de deficiência, as penas 
serão majoradas em um terço (art. 129, § 11). 
 
Vale lembrar que, conforme as lições de Fernando Capez, "a modificação da Lei 
nº 10.886/2004 acabou sendo tímida, visto que a conduta continua a configurar 
infração de menor potencial ofensivo e a ação penal, condicionada à 
representação do ofendido. Na hipótese de lesões de natureza grave, 
gravíssima e de lesão seguida de morte (CP, art. 129, §§ 1º, 2º e 3º), não 
incide a qualificadora do mencionado § 9º, até por uma razão óbvia: a pena 
nele cominada é bastante inferior, de maneira que seria extremamente 
vantajoso agredir um parente, um cônjuge ou a companheira de modo grave 
ou gravíssimo. Evidentemente, não é o caso. A qualificadora incide mesmo 
apenas em relação às lesões dolosas leves". (Curso de Direito Penal - Parte 
Especial, v. 2) 
 
Perdão judicial 
Em relação ao instituto do perdão judicial, causa extintiva de punibilidade 
prevista no Artigo 107, IX, do Código Penal, e ao delito de lesões corporais 
culposas, vide Artigo 129, § 8º, também do Código Penal, utilizaremos os 
mesmos tópicos analisados em aula anterior quanto ao delito de homicídio e a 
incidência do instituto do perdão judicial nos casos de homicídio culposo, 
previsto no Código Penal e na legislação de trânsito. 
 
Natureza jurídica da sentença concessiva do perdão judicial. Sobre o tema, 
podemos citar três entendimentos: 
 
1º: decisão condenatória; subsistem todos os efeitos secundários da 
condenação (lançamento do nome no rol dos culpados para fins de reincidência 
e maus antecedentes, bem como obrigação de reparar o dano (Magalhães 
 
 
Noronha, Guilherme de Souza Nucci); para Guilherme de Souza Nucci é 
possível, inclusive, que o réu interponha recurso pleiteando a absolvição por 
negativa de autoria ou por ausência de culpa em relação ao evento danoso 
como forma de afastar os efeitos secundários da condenação. (NUCCI, op.cit. 
pp 590) 
 
2ª: decisão absolutória imprópria, pois subsistem todos os efeitos secundários 
da condenação (Frederico Marques). 
 
3ª: declaratória de extinção de punibilidade não gerando qualquer 
consequência para o réu – Verbete de Súmula n.18, do Superior Tribunal de 
Justiça. 
 
Art.120, CP. “A sentença que conceder perdão judicial não será considerada 
para efeitos de reincidência”. 
Súmula n.18, do Superior Tribunal de Justiça. 
 
A sentença concessiva do perdão judicial é declaratória da extinção da 
punibilidade, não subsistindo qualquer efeito condenatório. 
 
A representação como condição de procedibilidade da ação penal 
para o delito de lesões corporais leves e culposas 
Com o advento da Lei nº 9.099/1995, por critérios de política criminal, os 
delitos de lesões corporais leves e culposas, por expressa previsão legal, 
passaram a possuir como condição de procedibilidade para a deflagração da 
ação penal de iniciativa pública a representação da vítima, diferentemente da 
iniciativa incondicionada do Ministério Público aplicável aos demais casos de 
lesão corporal. 
 
Dessa forma, a partir da referida alteração legislativa, dois questionamentos 
devem ser feitos: O prazo decadencial para a representação e consequente 
 
 
propositura da ação penal, consoante o disposto nos Artigo 24 e 38 do Código 
de Processo Penal, é de seis meses a contar da data em que teve conhecimento 
da autoria do delito, sob pena de decadência do direito de ação. 
 
Violência doméstica contra a mulher 
Antes de encerrar este material, reflita sobre a seguinte questão: 
 
Nos casos de violência doméstica contra a mulher aplica-se a referida 
condição de procedibilidade? 
Nesse caso, a questão foi enfrentada pelo (Supremo Tribunal Federal) STF, 
tendo sido objeto de Ação Declaratória de Inconstitucionalidade (ADI 4.424) 
ajuizada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) quanto aos Artigos 12, 
inciso I; 16; e 41 da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006). 
O Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria de votos, vencido o 
presidente, ministro Cezar Peluso, julgou procedente, na sessão do dia 09 de 
fevereiro de 2012, a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4.424 e decidiu 
pela possibilidade de o Ministério Público dar início a ação penal sem 
necessidade de representação da vítima, bem como pela incompetência dos 
juizados especiais criminais em relação aos crimes cometidos no âmbito da Lei 
Maria da Penha. 
 
Assim dispõe o Artigo 41 da Lei Maria da Penha, não sendo aplicável a Lei nº 
9.099/1995 aos casos de violência contra a mulher. Vale lembrar que a ação 
penal para os delitos de lesão corporal leve somente passou a ser pública, 
condicionada à representação, após o advento da Lei dos Juizados Especiais, 
conforme dispõe seu Artigo 88. 
 
Cabe salientar que, o crime de lesão corporal, mesmo que leve ou culposa, 
praticado contra a mulher, no âmbito das relações domésticas, deve ser 
processado mediante ação penal pública incondicionada. Neste sentido, vide 
verbete de súmula n. 542, do Superior Tribunal de Justiça. 
 
 
 
Atividade proposta 
“No dia 16 de maio de 2008, por volta das 2 horas e 40 minutos, na Avenida 
Brasil, próximo ao número 9020, sentido Olaria/Centro, na comarca do Rio de 
Janeiro, Joseval Alves, inobservando o dever objetivo de cuidado inerente a 
qualquer motorista de veículo automotor, quando se encontrava na direção do 
veículo marca VW/SANTANA, cor azul-marinho, placa LPP XXXX/RIO, chassis 
XBWZZZXXZHPXXXXXX, atropelou as vítimas Analice de Oliveria e Kelly da Silva, 
causando a morte da primeira e lesões corporais na segunda, conforme se 
depreende do Auto de Exame Cadavérico de fls. 44 e do Auto de Exame de 
Corpo de Delito de fls. 82.” 
 
Dos fatos, Joseval Alves foi denunciado constando, ainda, na denúncia que: 
“(...) na data, horário e local acima descritos, o denunciado, conduzindo seu 
veículo automotor de forma imprudente, realizou manobra arriscada consistente 
em entrar em uma curva em velocidade incompatível com a do local, vindo a 
perder o controle do veículo e adentrando à calçada, ocasião em que atropelou 
as duas vítimas acima citadas, causando a morte de Analice de Oliveria e lesões 
corporais na vítima Kelly da Silva, conforme se depreende dos AEC de fls. 44 e 
do AECD de fls. 82, respectivamente. Por fim, aduz que o denunciado, logo 
após o atropelamento, se evadiu do local, deixando de prestar socorro a ambas 
as vítimas, quando era possível fazê-lo sem risco pessoal, uma vez que não 
sofreu qualquer lesão quando da colisão”. 
 
Ante o caso concreto exposto, com base nos estudos realizados sobre os crimes 
contra a pessoa, tipifique a conduta de Joseval Alves e responda se é possível a 
substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos. 
 
Chave de resposta: A presente questão tem por objeto a análise dos delitos 
de homicídio e lesões corporais culposas na direção de veículo automotor 
agravados pelas causas de aumento de pena dos incisos II e III do parágrafo 
único do Artigo 302 c/c parágrafo único do Artigo 303, todos da

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