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DIREITO PENAL CONSTITUCIONAL  CRIMES EM ESPÉCIE

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de pena ao 
homicídio quando este for praticado por milícia privada quando esta estiver sob 
o pretexto de praticar segurança privada. A referida causa de aumento também
é aplicável para os casos de o homicídio ser cometido por grupo de extermínio. 
Induzimento, instigação e auxílio ao suicídio – Artigo 122 do 
Código Penal 
A autolesão e o sistema jurídico-penal vigente 
A conduta sancionada é atribuída ao terceiro, que induz, instiga ou auxilia 
alguém a suicidar-se, pois, a partir da interpretação do Princípio da Alteridade, 
a Legislação Penal pátria não sanciona a conduta de destruir a própria vida por 
questões de Política Criminal. 
Segundo Nélson Hungria apud Fernando Capez, são duas as razões de Política 
Criminal: 
• Caráter repressivo da sanção penal (não pode recair sobre um cadáver);
• Caráter preventivo da sanção penal (a ameaça da pena queda-se inútil ante
aquele indivíduo que nem sequer teme a morte). 
 
 
Consumação e tentativa 
No que concerne ao momento consumativo e possibilidade de caracterização da 
tentativa, a questão resta controvertida, ensejando dois entendimentos. O 
primeiro entendimento é no sentido de que, por ser um delito instantâneo e de 
mera conduta, os resultados lesão grave e morte são apenas condições de 
punibilidade. 
 
Nesse caso, seria correto afirmar que o delito se consuma com o mero 
induzimento, instigação ou auxílio. (PRADO, 2010, p. 70). O segundo 
entendimento é no sentido de que se trata de um delito material e, por isto, os 
resultados lesão grave e morte são elementares do tipo. Dessa forma, a 
consumação exige a ocorrência de tais resultados. Caso contrário, a conduta 
será atípica. (Fernando Capez. Op. Cit. p. 127). 
 
Código Penal 
Vale lembrar que, seja qual for o entendimento adotado, a tentativa é 
inadmissível. 
 
A figura majorada prevista no parágrafo único, inciso II do Artigo 122 
do Código Penal e o alcance da expressão “menoridade da vítima”. 
 
O dispositivo legal mencionar a menoridade da vítima, na verdade, refere-se ao 
menor de 21 e maior de 14 anos, pois, segundo melhor entendimento, face à 
interpretação extensiva do disposto no Artigo 217-A do Código Penal, o menor 
de 14 anos, considerado vulnerável pelo ordenamento jurídico pátrio, a 
princípio, não teria capacidade de discernimento para fins de ser instigado, 
induzido ou auxiliado a praticar seu suicídio, razão pela qual, nestes casos, a 
conduta de terceiro caracterizar-se-ia o delito de homicídio. 
 
 
 
 
 
Pacto de Morte 
O pacto de morte, também denominado ambicídio, caracteriza-se pelo acordo 
realizado entre duas pessoas com vistas à eliminação simultânea de suas vidas. 
A questão deve ser analisada com cuidado a fim de diferenciar a conduta 
descrita no Artigo 122 do Código Penal com o delito de homicídio, pois, o 
acordado no pacto de morte é a morte conjunta, logo, caso um dos agentes 
venha a praticar conduta correspondente a ato executório do homicídio de 
outrem, terá sua conduta como incursa neste delito. 
 
Tutela-se a vida extrauterina 
Mais uma vez, nesse caso, tutela-se a vida extrauterina, a qual será eliminada 
pela própria mãe do neonato durante ou logo após o parto, desde que ela 
esteja sob a influência do estado puerperal. Por tratar-se de crime material, 
consuma-se com a morte do nascituro, sendo admissível a tentativa, haja vista 
tratar-se de crime plurissubsistente. 
 
Infanticídio – Artigo 123 do Código Penal 
Natureza jurídica do estado puerperal - O estado puerperal configura 
elementar do tipo penal e, sendo um critério fisiopsíquico, deve ser aferido 
mediante laudo pericial com vistas à atenuação da culpabilidade. 
 
Para Guilherme de Souza Nucci, o estado puerperal “é o estado que envolve a 
parturiente durante a expulsão da criança do ventre materno (...) sendo uma 
hipótese de semi-imputabilidade que foi tratada pelo legislador (...) sendo o 
puerpério o período que se estende do início do parto até a volta da mulher às 
condições pré-gravidez”. (NUCCI, Guilherme de Souza, Código Penal 
Comentado, 9. ed. p. 612). 
 
Vale lembrar que, se for retirada total ou parcialmente a capacidade de 
entendimento ou de autodeterminação da parturiente em decorrência do grau 
de desequilíbrio fisiopsíquico, aplicar-se-ão as disposições do Artigo 26, caput, 
 
 
ou parágrafo único do CP. (CUNHA, Rogério Sanches. Direito Penal. Parte 
Especial. 2. ed. p. 38). 
 
 
Atenção 
 Você sabe o que é lapso temporal? Veja: 
Para Genival Veloso de França, puerpério, sobreparto ou pós-
parto é “o espaço de tempo variável que vai do desprendimento 
da placenta até a involução total do organismo materno às suas 
condições anteriores ao processo gestacional. Dura, em média, 
seis a oito semanas. Seu diagnóstico é muito importante nas 
questões médico-legais ligadas a sonegação, simulação e 
dissimulação do parto e da subtração de recém-nascidos, 
principalmente nos casos em que se discute a hipótese de aborto 
ou de infanticídio, ou ainda de parto próprio ou alheio”. 
(FRANÇA, 2001. p. 225). 
 
Questões relevantes 
Concurso de pessoas no delito de infanticídio: possibilidade e 
comunicabilidade do estado puerperal 
Para fins de esclarecimentos sobre o tema, analisemos a seguinte narrativa e 
consectários: 
 
Narrativa: Mãe que mata o próprio filho sob a influência do estado puerperal, 
e a possibilidade da interferência de conduta de terceiro. (Luiz Regis Prado) 
 
Hipótese 1 
Mãe e terceiro realizam o núcleo do tipo. Ambos respondem pelo delito de 
infanticídio por força do Artigo 29, CP. 
 
 
 
 
Hipótese 2 
Mãe mata o nascente e é ajudada pelo terceiro; ambos respondem pelo delito 
de infanticídio por força do Artigo 30, CP. Ele, entretanto, na condição de 
partícipe. 
 
Hipótese 3 
O terceiro mata a criança com a participação da mãe. Nesse caso, há a quebra 
da teoria unitária do concurso de pessoas, sendo o terceiro responsabilizado 
pelo delito de homicídio, e a mãe, infanticídio, por força do disposto no Artigo 
67 do Código Penal. 
Aborto – Artigo 124 a 128 do Código Penal 
Considera-se aborto a eliminação dolosa da vida intrauterina, seja por meio da 
expulsão do útero materno, seja por meio da interrupção dolosa da gravidez, 
levada a termo por terceiro – gestante (Artigo 124 do Código Penal) ou terceiro 
(Artigos 125 e 126 do Código Penal). É irrelevante para a caracterização do 
delito de aborto o estágio de desenvolvimento da gestação, bem como a 
capacidade de vida independente. Por se tratar de delito material, consuma-se 
com a morte do produto da concepção, sendo irrelevante que ela ocorra dentro 
ou fora do útero materno. 
 
A doutrina classifica as espécies de aborto para fins de tipificação das condutas 
ou para o reconhecimento de condutas atípicas e justificadas, ou seja, 
acobertadas por causas excludentes de ilicitude. 
 
Acerca do tema, cabe apresentar algumas das espécies elencadas por Rogério 
Sanches Cunha: 
a) Natural: geralmente ocorre por problemas de saúde da gestante – 
irrelevante penal (atípico). 
b) Acidental: decorrente de quedas, traumatismos e acidentes – em regra, 
atípico. 
c) Criminoso: previsto nos Artigos 124 a 127 do Código Penal. 
d) Legal ou permitido: previsto no Artigo 128 do Código Penal. 
 
 
Aborto com e sem consentimento da gestante 
Autoaborto 
É possível a prática das condutas do autoaborto pela própria gestante ou do 
consentimento desta para que terceiro o pratique. 
 
Na primeira modalidade, estamos diante de um delito de mão própria, ou seja, 
que exige, para a sua prática, a pessoalidade do sujeito ativo.