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Sabedoria e Ignorância em Sócrates

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não sabe, e mais, ele admite que tão pouco supõe saber, pois não tem como falar sobre aquilo que não se sabe. E é justamente por isso que Sócrates se considera mais sábio do que este homem, pois Sócrates admite que não sabe de todas as coisas, e se não sabe, não tem como supor que saiba. Já o homem cria a resposta sobre o que vai falar, assim não se pode caracteriza esta resposta como sendo verdadeira, pois foi criada e não é aquilo que realmente é. Ou não consegue explicar o que de fato é aquilo, então parte para o campo da invenção.
O filosofo fala que “ encontrou pessoas de boa reputação em relação a sabedoria, mas na verdade eram desprovidos de sabedoria. Enquanto os que eram vistos como pessoas sem o saber, estes se aproximavam mais da sabedoria. ” Para ele, não bastava que alguém fosse reconhecido pela sua sabedoria, fosse ovacionado pelo povo. Isso não era o suficiente, ou até mesmo, nem era requisito para identificar uma pessoa possuidora do saber. Pois aquele que realmente fosse possuidor da sabedoria devia provar que a possuía.[6: Cf. ibid., P. 46]
No decorrer do texto, Sócrates “ vai conversar com outras pessoas para saber se elas realmente são sábias como se dizem ser. Algumas dessas pessoas são os artesãos, ele diz que os artesãos possuem o mesmo defeito dos poetas, por praticar bem sua arte, cada um imagina ser instruidíssimo nos demais assuntos, os mais complicados, e esse engano ofuscava-lhes aquela sabedoria. De maneira que ele perguntou a si mesmo se preferia ser como é, sem a sabedoria deles, sem a ignorância deles. Ou possuir, como eles, uma e outra. E respondeu para si que desejava mais ser como é ”.[7: Cf. ibid.]
Nesta passagem Sócrates utiliza as palavras sabedoria e ignorância pela primeira vez. Ele observou que o fato de os artesãos serem muitos bons em fazer o seu trabalho, eles achavam que sabiam de todos os outros assuntos. Chegando até se acharem pessoas bem instruídas a falar sobre determinado assunto que não fosse sobre o seu trabalho. Não tem como alguém se tornar um grande conhecedor sobre tudo, sendo que, é especialista só em um determinado assunto. Pois não tem como saber de tudo dominando um único assunto. Na medida em que se especializa em algo, as outras coisas vão ficando para traz. Não tem como abraçar tudo ao mesmo tempo. Portanto, isso se caracteriza ignorância para Sócrates, pensar que sabe sobre determinado assunto, mas na verdade não o sabe. 
Por outro lado, também há sabedoria neles, pois ninguém sabe melhor que eles, como fazer artesanato. Mas como eles igualmente praticam a ignorância, essa sabedoria fica ofuscada, perdendo o destaque. A sabedoria dos artesoes fica ofuscada, não se consegue ver direito, a sua ignorância está colocando um véu sobre sua sabedoria, a qual, não se pode enxergar. Sabedoria também é admitir que não sabe tudo e reconhece aquilo que sabe, no caso dos artesãos, ninguém fazia artesanato melhor que eles. “ Sócrates se pergunta se deveria ser como os artesãos e ele responde dizendo que lhe é mais preferível ser como ele é. ” Não se pode ser como o outro, pois não vai conseguir ser igual ao outro e nem ser como si mesmo. Deve-se reconhecer suas capacidades e limitações, isso também é sabedoria. Além disso, ao meu ver, Sócrates percebe que as pessoas, por terem muito conhecimento sobre alguma coisa, acham que estão aptas para falarem sobre qualquer coisa. E acabam falando o que não deviam, provavelmente até criando a sua verdade e não falando o que de fato é.[8: Cf. ibid.]
	Sócrates também se utiliza da morte como exemplo, para explicar mais claramente possível, o que para ele, é ignorância e sabedoria. Ele diz que “ temer a morte é uma grande ignorância, pois como se pode chegar a essa conclusão se não se conhece a morte? Ora, se não se conhece, como posso julgar que saiba sobre alguma coisa? ” Para ele isso seria aquele que juga saber o que não sabe. Isso seria a pessoa ignorante. Sócrates continua e “ fala que se considera o mais sábio de todos pois assume a sua ignorância. ” Ele se considera mais sábio que os outros pois sabe das suas limitações, reconhece que não sabe de tudo, e se não sabe, não tem como supor saber. Mas também reconhece aquilo que sabe. Uma pessoa que é capaz de reconhecer tudo isso em si, é considerado por Sócrates, uma pessoa possuidora da sabedoria. [9: Cf. ibid., P. 55][10: Cf. ibid.]
	Em Mênon, um dos diálogos de Platão, “ Sócrates e Mênon estão discutindo sobre a virtude. E Sócrates quebra todo o conceito de Mênon sobre a virtude. E leva Mênon a se questionar que não se dá para procurar aquilo que não se sabe, e sim, só o que se sabe. E depois Sócrates vai explica-lo que este seu questionamento, a seu ver, está incorreto e aplica a teoria da reminiscência. ” Mas isso é outro assunto para outro momento, agora, vamos ficar com o questionamento de Mênon. Veja como este questionamento parece abrir os nossos olhos, não se pode procurar aquilo que não se sabe sobre ele, pois assim, não sabendo o que procurar, não acontece o ato, a ação de busca por algo. Mas quando se sabe sobre alguma coisa, então posso procurar por ela. Pois a conhecendo, posso reconhece-la quando me encontrar com o que busco. Assim, conclui-se que só podemos procurar por aquilo que já conhecemos, porque é impossível procurar por aquilo que não se conhece. [11: Cf. PLATÃO, Platão diálogos - Mênon, Rio de Janeiro; Edições de Ouro, 1994, 79 – 80]
	Agora façamos uma junção do pensamento de Sócrates a respeito da ignorância com o questionamento de Mênon. Sócrates diz que uma pessoa ignorante é aquela que supõem saber, mas na verdade não sabe. Bom, se não se sabe, agora entro com o questionamento de Mênon, como poderia estar falando sobre aquilo que não se sabe? Agora entro com o que já se foi mencionado no texto. Então não estaria criando um conceito sobre determinada coisa, sendo que este conceito é verdadeiro somente para aquele que criou, e assim não diria o que de fato realmente é?
	Concluo este capítulo dizendo que Sócrates cita todos esses acontecimentos para dizer somente uma coisa. O homem não pode alcançar a sabedoria, se ele não se voltar para a sua ignorância e aceita-la, reconhecê-la. Pois a partir do momento em que se percebe a ignorância que está presente em si, é que se pode buscar pela sabedoria para manter um equilíbrio entre sabedoria e ignorância. Pois Sócrates admiti ter os dois, então, o caminho não seria manter um equilíbrio entre os dois? Ou um crescer mais que o outro?
Aqui termino o segundo capitulo, onde tentei expressar o que ignorância e sabedoria significa para Sócrates. Agora no próximo capítulo que será o capitulo de conclusão, tentarei mostrar a minha opinião sobre tudo o que já foi abordado.
Conclusão 
Agora vamos recapitular um pouco do que já foi apresentado. Vimos que ignorância, para os dicionários, é quando alguém está ausente de sabedoria, pois uma pessoa ignorante é aquela que não tem nenhum tipo de conhecimento sobre qualquer coisa. E Sócrates vem e diz algo um pouco diferente, ele nos diz que ignorante é aquele que não reconhece a sua ignorância. É aquele que, por saber bem sobre algo, pensa que sabe muito bem sobre as outras coisas as quais ele não domina. É aquele que quer demonstra a sua sabedoria diante do povo, falando sobre assuntos que este não conhece. 
E aqui entra um problema, que é o questionamento de Mênon. Como buscar por algo que não se conhece? Só buscamos pelo que já conhecemos. Assim surge outra pergunta: se só buscamos o que já sabemos, então, só falamos sobre algo que também já sabemos. Então como se pode falar sobre aquilo que não se sabe? Aqui eu tenho uma resposta: invenção, inventa alguma coisa sobre determinado assunto, assim, não condiz com a verdade sobre este determinado assunto. Quando falo verdade quero dizer que é, aquilo que é aceito por todos e não só pelo que fala.
	Vimos também em sabedoria que os dicionários a define como aquele que porta o saber, sabendo distinguir o que bom para o homem e o que é mal. Já para Sócrates a sabedoria é