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Fichamento   Martinho Lutero   um destino   História Moderna 1

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Fichamento – História Moderna 1
FEBVRE, Lucien. Martinho Lutero: um destino. Trad. Dorothée de Buchard. São Paulo: Três Estrelas, 2012.
Capítulo 4 – A Alemanha de 1517 e Lutero
a. Biografia do autor e obras:
b. Resumo:
c. Identificar os objetivos principais: listá-los em forma de citação.
d. Identificação do tema: o tema não é o problema ou o objetivo do texto, mas o assunto que está sendo tratado. Por isso é só listar os temas principais abordados pelo (s) autor/es.
e. Tese (s) do autor (es): nem sempre a tese está explicita, nem mesmo no início do texto; ela pode estar nas entrelinhas ou no final do texto.
f. Ideias:
I. Misérias políticas
1)- A Alemanha era um país sem unidade: esse fato é fundamental. Havia alemães, numerosos, fortes, ativos, muitos alemães que falavam dialetos aproximados uns dos outros, que tinham muitos costumes, maneiras de ser e de pensar comuns. Formavam uma “nação” no sentido medieval da palavra. Não eram, contudo, agrupados solidamente em um Estado bem unificado e centralizado, como um corpo harmonioso de movimentos dirigidos por um único cérebro – Pg. 81.
2)- Havia um imperador, que era apenas um nome, em Império apenas demarcado territorialmente. Neste território desmesurado, o nome, demasiadamente grande, sufocava com seu povo um homem débil – algumas vezes mesmo um pobre homem – que um voto, disputado como em um mercado de feira, elevava finalmente à dignidade suprema, mas sempre impotente – Pg. 81.
3)- Titular de uma dignidade eminente e que não se transmitia, como um reino, por herança, e nascido de um voto a favor de um príncipe cristão que não necessitava ser alemão, como o Papa não necessitava ser italiano, o Imperador, dobrado sob o peso de uma coroa carregada com um passado demasiadamente grande devia correr de um lado para outro, e vigiar tanto o mundo quanto a Alemanha. Se, nesse país, sua autoridade decaía cada vez mais, isso se dava porque a própria grandeza impossibilitava a atuação desse soberano de outra época. Ela o mantinha subjugado aos verdadeiros senhores dos países germânicos: os príncipes, as cidades – Pg. 82.
4)- Vários deles, aproveitando circunstância favoráveis, felizes casualidades, dedicavam-se à constituição de estados sólidos, menos fragmentários que antes. No Palatinado, em Wurtemberg, na Baviera, em Hesse, em Brandemburgo e no Mecklemburgo, e também em outros locais, as casas que, na época moderna, desempenharão na história alemã um papel de primeira importância, em sua maioria afiram, desde o princípio do século XVI, um vigor novo, e unificam suas forças para futuras conquistas – Pg. 82.
5)- As cidades alemãs, nos umbrais do século XVI, encontram-se em pleno esplendor. Tanto isso é verdade que os estrangeiros só veem as cidades, quando visitam a Alemanha, como se o brilho delas deslumbrasse os olhos – Pg. 83.
6)- Na região do Fúcar, ao mesmo tempo admirados, invejados e detestados, colossais fortunas se edificam por todas as partes. Centenas de homens, mercadores robustos, cheios de audácia e de autoconfiança, trabalhando duro, gozando muito, saboreiam as alegrias da vida. Suas são as pesadas ourivesarias, sinais visíveis e tangíveis da riqueza; suas são as mesas copiosas e nutritivas, os móveis maciços de madeira esculpida, as tapeçarias de Flandres, os couros dourados da Itália; em um canto de mesa alguma jarra de Murano e, às vezes, na estante, ao lado de um globo, alguns livros...Esses homens são os reis de um mundo novo que derrubou a escala dos velhos valores. As cidades de onde eles saem são o orgulho da Alemanha. E também a sua fraqueza – Pg. 84.
7)- Debilidade sob aparências de prosperidade; surpreendente debilidade política em contraste com tanto poderio econômico. Em cidades tão brilhantes, que ofuscam com seu brilho as cidades francesas de seu tempo, os burgueses estão longe do sentido nacional, do sentido político, que, nas épocas de crise, agrupa ao redor do rei todas as boas cidades francesas, apressadas em manter Luís XI contra os homens do Bem Público ou apoiando Carlos VIII contra os príncipes! As cidades francesas partem de um todo bem ordenado, de onde a cultura se irradia sobre o campo, que elas urbanizam “segundo a sua imagem”. As cidades alemãs são egoísmo furiosos, em luta sem quartel contra outros egoísmos – Pg. 85.
8)- Dezenas de projetos de reforma são publicados no Império em fins do século XV. Dezenas de elucubrações mais ou menos sérias, de proposições mais ou menos ponderadas, de verdadeiros projetos de constituição que emanavam dos jurisconsultos, de teólogos, dos príncipes ou do Imperador. Nenhum teve êxito. Quando mais se fala em se aumentar a força do Imperador, em criar-se um exército imperial, uma justiça imperial, finanças imperiais sólidas e eficazes, mais restrições sobre, enfim, o poder do Imperador. Em vão Maximiliano invoca a honra do Santo Império, a necessidade de se rechaçar o Turco ou de manter o Francês dentro dos seus limites [...] – Pg. 85.
9)- Mas, em semelhante país, fazer triunfar uma Reforma, leva-la a bom termo, pelo menos pelas vias políticas e, como hoje diríamos, pela conquista dos poderes públicos, era, como se vê, um empreendimento aleatório e condenado por antecipação – Pg. 86.
10)- Ganhar o Imperador? Seria isso possível? Ele, seu rival, mas também sustentáculo do Papa, deixar-se-ia seduzir? E mesmo se isso acontecesse, nem tudo estaria ganho, pelo fato de se ter César ao seu lado. E havia também os príncipes. Todos os príncipes. Porque se o Imperador não os tivesse ao seu lado, ou se eles não tivessem a seu lado o Imperador, ou então ficassem divididos e as cidades, por sua vez, fossem atraídas em sentido contrários pelas forças rivais que disputavam entre si a influência sobre elas, se tudo isso acontecesse seria o naufrágio do empreendimento, o fracasso da Reforma. E por toda parte apareceriam divergências, redobrar-se-iam as rivalidades políticas, reforçar-se-iam os ódios confessionais... E que gênio político era necessário ao promotor do empreendimento, o Reformador, para que pudesse fazer andarem de acordo todas essas autonomias que se detestavam e lutavam entre si, cidades, príncipes, imperadores e cavaleiros, leigos e gente da Igreja! Que talento, e também que vontade de explorar as paixões rivais, de suscitar tantos interesses divergente, de formar com eles uma frente, de dirigir suas pontas ao caminho desejado! – Pg. 86.
11)- A Alemanha de 1517, tão dividida, tão inquieta, podia certamente destruir. Para deslocar uma instituição coerente e unificada, podia confiar nesses particularismos hostis, nessas paixões anárquicas. Mas o mesmo não daria para uma obra positiva, ou se fosse necessário construir ou reconstruir. Incapaz de se autodisciplinar, que apoio poderia proporcionar aos empreendedores de uma nova ordem, se estes limitavam seu horizonte às suas fronteiras? Um simples olhar ao mapa do Império parecia dizê-lo de antemão, e com bastante eloquência – Pg. 86.
II. Inquietações Sociais
1)- Diante do Papa o Imperador tinha seu papel tradicional a desempenhar, suas concepções de chefe temporal da cristandade a valorizar, sua palavra a dizer com autoridade. Os burgueses e os camponeses pagavam. Mas não gostavam de pagar; estavam dispostos a discutir sua obrigação. Havia finalmente os príncipes e os nobres, que olhavam com insistência os belos e vastos domínios da Igreja alemã. Conheciam-nos muito bem. Cada um, em sua casa, para seus filhos menores, tinha seu arcebispado, seus bispados, suas abadias. Em lugar de uma possessão vitalícia, sonhavam formoso sonho dourado, com uma segurança de plena propriedade, hereditária e dinástica ... – Pg. 87.
2)- Esses italianos, que zombavam dos bons e leais alemães; esses italianos vivos, astutos, desenvoltos, sem escrúpulos nem fé, sem seriedade nem profundidade, e que, com o pretexto de servirem aos grandes apetites, tiravam da Alemanha tantos belos ducados...! O ódio aumentava. Lutero, logo no início, já começara a senti-lo, fortemente no fundo do seu coração

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