DIREITO ADMINISTRATIVO
27 pág.

DIREITO ADMINISTRATIVO


DisciplinaDireito Administrativo I36.188 materiais850.646 seguidores
Pré-visualização27 páginas
são sempre legítimos.

Trata-se de uma presunção juris tantum que dispensa para a

Administração Pública a prova de legitimidade de seus atos ou seja,

cabe ao particular provar o contrário, que ela agiu com ilegalidade

flagrante ou dissimulada sob a forma de abuso ou desvio de poder;

3- necessidade de Poder Discricionário => a discricionalidade é a

liberdade de ação que a Administração tem para melhor atender

aos interesses públicos ou seja, o funcionário público tem uma certa

margem de liberdade para o exercício de certos atos de interesse

coletivo. Contraposto ao Poder Discricionário temos o chamado

Poder Vinculado, através do qual o administrador tem a obrigação

de cumprir a lei.
Elementos do Ato Administrativo

Ato administrativo -> é uma espécie de ato jurídico praticado pela

administração com a finalidade pública (ex.: anulação, revogação

etc.) de criar, modificar ou extinguir direito.

Enquanto os elementos do ato jurídico são o agente capaz, a forma

e o objeto lícito, os do ato administrativo são oagente competente,

a forma, a finalidade pública, o motivo e o objeto lícito.

O ato administrativo será vinculado se todos esses elementos

estiverem em conformidade com a lei; oudiscricionário, se,

embora todos presentes, somente os três primeiros estiverem

regrados.

Torna-se importante ressaltar que, de forma liberada, é deixado

para o administrador o objeto e o motivo já que estes dois últimos

elementos não estão previstos em lei.

Neste caso é o administrador tem que dar uma solução pessoal

para o caso.

Por exemplo, se um servidor público (agente competente) falta por

mais de 30 dias (motivo) configurando abandono de cargo de

acordo com o Estatuto do Servidor Público (forma) deverá ser

demitido (objeto) para bem do Serviço Público (finalidade).

Trata-se de um ato vinculado onde o chefe não terá uma outra

opção a não ser despedí-lo. Em outro exemplo, sendo o Município

responsável pela salubridade pública (finalidade) e uma

determinada fábrica começa a poluir o ar contrariando portaria

existente sobre o assunto (forma), caberá ao Prefeito (agente

competente) decidir com discricionalidade que tipo de providência

deverá tomar ou seja, se fecha a fábrica ou se aplica multa.

Observa-se neste exemplo que o motivo (poluição do ar) e o objeto

( fechamento ou multa da fábrica) não devem ser considerados

porque quando a fábrica foi instalada, não estavam previstos na lei.

Nem o Poder Judiciário pode reverter atos discricionários da

Administração desde que eles estejam em conformidade com o

bom senso do administrador no que se diz respeito à relação entre

a proporcionalidade da infração e a sanção aplicada, a finalidade

social etc.. ou seja, esses atos têm que estar envoltos pelo princípio

da legalidade.

Hierarquia das Normas Administrativas

Há dois critérios para se aplicar a hierarquia das normas

administrativas:

1°) pela maior ou menor extensão da eficácia da lei: sendo as

normas administrativas federais (União),estaduais (Estados)

e municipais (Municípios), elas têm uma hierarquia territorial ou

seja, lei federal > lei estadual > lei municipal;

2°) pela maior ou menor intensidade criadora do direito: a

hierarquia começa pela Constituição e pelas emendas

constitucionais que a ela se incorporam.

De acordo com o Princípio da Constitucionalidade das Leis, o

ordenamento jurídico não pode se confrontar com a Constituição,

pois é ela que regula a organização e o funcionamento da estrutura

jurídica do País.

E se uma norma qualquer entrar em confronto com a Constituição,

ela será considerada como sendo uma norma inconstitucional.

Podemos dizer que uma determinada norma é inconstitucional se

ela apresentar um vício de origem ou de forma ou material. Existem

mecanismos de controle da Constituição que vão dizer se a norma

é ou não inconstitucional.

Mecanismos Constitucionais de Controle das Normas

I- Controle de inconstitucionalidade das normas -> pode ser

feito de forma direta, através da ADI (ação direta de

inconstitucionalidade) e da ADIO (ação direta de

inconstitucionalidade por omissão) ou de forma indireta, através de

casos concretos levados ao judiciário, como por exemplo, através

de um MI (Mandado de Injunção).

ADI -> segundo o art. 102 da CF, "Compete ao Supremo Tribunal

Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: I-

processar e julgar, originariamente:

a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo

federal ou estadual e a ação declaratória de inconstitucionalidade

de lei ou ato normativo federal".

Assim temos que:

a) a ADI vale contra todos;

b) o foro competente para apreciar a ADI é somente o S.T.F.;

c) a ADI pode ser proposta contra a lei, em tese, ou seja, não há

necessidade de se estar diante de um caso concreto;

d) quem tem legitimidade ativa para propor uma ADI são os

elencados no art. 103 da CF que diz: "Podem propor aADI: I - o

Presidente da República; II - a Mesa do Senado Federal; III - a

Mesa da Câmara dos Deputados; IV - a Mesa da Assembléia

Legislativa; V - o Governador do Estado; VI - o Procurador-Geral da

República; VII - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do

Brasil; VIII - partido político com representação no Congresso

Nacional; IX - confederação sindical ou entidade de classe de

âmbito nacional.

Segundo o art. 66, § 1º da CF: "Se o Presidente da República

considerar o projeto, no todo ou em parte, inconstitucional ou

contrário ao interesse público , vetá-lo-á total ou parcialmente, no

prazo de 15 dias úteis, contados da data do recebimento, e

comunicará dentro de quarenta e oito horas, ao Presidente do

Senado Federal os motivos do veto".

Quando o Presidente não veta determinada norma, isto não quer

dizer que esta norma não seja inconstitucional; ele apenas deixou

de vetá-la. E se uma lei é taxada como inconstitucional, o Senado

Federal manda suspender a sua eficácia, de acordo com o art. 52,

inc. X que diz: "Compete privativamente ao Senado Federal: X -

suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada

inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal

Federal".

ADIO -> Diz o § 2º do art. 103, da CF: "Declarada a

inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva

norma constitucional, será dada ciência ao Poder competente para

a adoção das providências necessárias e, em se tratando de órgão

administrativo para fazê-lo em trinta dias".

Pode-se ingressar com uma ADIO quando a ausência de uma lei

estiver gerando uma inconstitucionalidade. Ex: a hipótese de um

direito resguardado pela Constituição e que depende de lei futura

(que na verdade nunca é feita). Assim, toda vez que o S.T.F.

reconhecer que há uma ausência de lei, que há um vácuo

legislativo, ele não diz o direito, ele manda que outro Poder faça a

norma. De acordo com o inc. I "letra q" do art. 102 da C.F.,

"compete ao S.T.F. julgar originariamente quando a omissão de

norma for atribuída ao Presidente da República etc. ...". Observa-se,

no entanto, que se a falta de norma for atribuída a um dos Estados,

a competência será dos Tribunais de Justiça.

MI -> O inc. LXXI do art. 5º da C.F. diz: "conceder-se-á mandado de

injunção (MI) sempre que a falta de norma regulamentadora torne

inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das

prerrogativas inerentes á nacionalidade, á soberania e à cidadania".

O MI deve ser impetrado somente diante de casos concretos, na

presença de "vácuo legislativo", ou seja, na ausência de norma

regulamentadora. Ele se aplica quando existindo um determinado

direito esse não