Crimes contra a honra
4 pág.

Crimes contra a honra


DisciplinaDireito Penal - dos Crimes Contra A Pessoa31 materiais421 seguidores
Pré-visualização1 página
Quais as diferenças entre os crimes de injúria, difamação e calúnia?	
O crime de calúnia, como o de difamação, afeta a honra objetiva do indivíduo, ou seja, a reputação, aquilo que os outros pensam a respeito do cidadão no tocante a seus atributos físicos, intelectuais, morais, etc. Ao contrário, o crime de injúria ofende a honra subjetiva da pessoa, o sentimento de cada um a respeito de seus próprios atributos. Os crimes de calúnia e de difamação também se assemelham por o sujeito ativo atribuir ao passivo a prática de fato; no crime de calúnia, porém, caracteriza-se quando é imputado falsamente o fato, que necessariamente deve ser descrito em lei como crime, diferentemente do crime de difamação, onde o fato não precisa ser necessariamente falso e deve macular a honra perante a sociedade. No crime de injúria não existe atribuição de fato, porém imputa-se uma qualidade negativa da vítima, que diz respeito a seus atributos morais, físicos ou intelectuais.
Qual(s) a(s) consequências da prática de crime contra a honra contra funcionário público?	
A lei permite, em caráter excepcional, a exceção da verdade no crime de difamação, quando esse tratar de ofensa à reputação de funcionário público, tendo o fato difamatório relação com suas funções (propter officium). Essa exceção se dá pela importância e pelo interesse público em saber se há irregularidade no funcionamento do serviço público, maculando-se a honra deste perante a sociedade, como diz o professor Fernando Capez.		
Sobre o procedimento da ação penal nos crimes contra a honra, quando o crime for praticado contra funcionário público em razão de suas funções caberá tanto a ação penal privada ou a ação penal pública condicionada à representação, consoante súmula 714 do STF	
 Como se procede a ação penal nos crimes contra a honra?	
Em regra, os crimes são apurados por meio da ação penal privada, podendo ser promovida pela vítima ou por quem tenha qualidade legal para representá-la. Porém, há exceções: no caso de crime praticado contra a honra do Presidente da República ou contra chefe de governo estrangeiro, aplica-se a ação penal pública condicionada à requisição do ministro da justiça; quando for praticado contra funcionário público em razão de suas funções, aplica-se tanto a ação penal privada ou a ação penal pública condicionada à representação, consoante súmula 714 do STF; quando a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência (art. 140 §3º), aplica-se a ação penal pública condicionada à representação; quando for praticada a injúria real do art. 140 §2º (quando a injuria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou pelo meio empregado, se considerem aviltantes) é apurada por meio da ação penal pública condicionada à representação caso resulte lesão leve, ação penal pública incondicionada quando acarreta lesão grave, e ação penal privada caso seja praticada por vias de fato.
Com a revogação da Lei da Imprensa como se tipifica o crime contra a honra praticado por meio de imprensa?
Em 2009 O Supremo Tribunal Federal julgou procedente a Arguição de Descumprimento de Preceito fundamental, ADPF nº130, em face da Lei da Imprensa, argumentando que a referida lei não havia sido recepcionada pela nossa Constituição Federal de 1988, ferindo seus princípios. A perda da eficácia da Lei da Imprensa, e dos crimes nela previstos, não resulta na atipicidade dos crimes contra a honra cometidos por meio da imprensa. Os magistrados poderão aplicar dispositivos do Código Penal e da Lei Processual Penal, no tocante aos crimes contra a honra, que inclusive são mais benéficos aos agentes.
Explique a natureza jurídica do art. 142 do CP	
A doutrina diverge seu entendimento se o art. 142 contém causas excludentes da ilicitude (o fato é típico, mas não ilícito); se a hipótese é de inexistência do elemento subjetivo do tipo (animus injuriandi vel diffamandi), afastando-se a tipicidade, ou se se trata de causas excludentes da punibilidade (o fato é típico, ilícito e culpável, mas o legislador previu hipóteses que afastariam a aplicação da pena). 	
Damásio acredita que são causas especiais de exclusão da antijuridicidade; Hungria, que é uma causa de extinção da punibilidade; Fragoso diz que se exclui o elemento subjetivo especial no caso do inciso II (a opinião desfavorável da crítica literária, artística ou científica) tornando-o atípico, e a ilicitude nos artigos I (ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu procurador) e III (o conceito desfavorável emitido por funcionário público, em apreciação ou informação que preste no cumprimento de dever do ofício), tornando-os típicos, porém lícitos.
Explique a retratação e a exceção da verdade nos crimes contra a honra	
A exceção da verdade é um instrumento reconhecido a uma pessoa para demonstrar que o fato imputado a outrem é verídico. O momento para se levantar a exceção da verdade é o da defesa prévia, previsto no art. 395 do CPP. No crime de injúria não é admitido, já que lhe é atribuído uma qualidade negativa, e não um fato, atingindo a honra subjetiva. No crime de difamação em regra não é admitida, pois, além de não ser a imputação de um fato criminoso, a difamação também se constitui por imputação de fato verdadeiro, mas permite-se a exceção da verdade na hipótese do parágrafo único do artigo 138 do código penal, quando o ofendido é funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício das suas funções (propter officium), pois é do interesse público saber se há irregularidade no funcionamento do serviço público, maculando-se a honra deste perante a sociedade. Em regra geral, a exceção da verdade é aceita no crime de calúnia, já que consiste em imputar falsamente a outrem conduta definida como crime, e uma vez que se prove que o fato é verdadeiro, não há o que se falar nessa figura típica, isentando-se o acusado de responsabilidade. Porém, o código penal reserva três exceções ao uso do instrumento de exceção da verdade, elencados no parágrafo 3º do artigo 138: se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi condenado por sentença irrecorrível; se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no n. I do art. 141; se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível. 	
A retratação é o ato de desmentir uma afirmação, reconhecendo-a como inverídica. A retratação só é admita na calúnia e na injúria (que se processam por ação penal privada), pois dizem respeito à atribuição de um fato a alguém, que pode ser desmentido. No caso da injúria, é uma qualidade negativa, o que seria dificil de desfazer o efeito da ofensa. Segundo o art. 107, VI, do código penal, a retratação é causa extintiva de pena, porém só produz efeitos penalmente, não impedindo a propositura de reparação de danos (art. 67, II, CPP)
Referências
(DAMÁSIO, de Jesus \u2013 Direito Penal, Parte Especial, Vol. 2, 33ª Edição, Editora Saraiva)
(CAPEZ, Fernando \u2013 Curso de Direito Penal, Parte Especial \u2013 Vol. 2, 11ª Edição, Editora Saraiva)
Bianchi, J Análise crítica da decisão do STF na ADPF nº 130 (Lei de Imprensa) Em: <http://jus.com.br/artigos/24250/analise-critica-da-decisao-do-stf-na-adpf-n-130-lei-de-imprensa> Acesso em: 08 novembro 2014
<http://www.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/busca?q=CRIME+CONTRA+A+HONRA+COMETIDO+POR+MEIO+DA+IMPRENSA> Acesso em: 08 novembro 2014
FACULDADE ASSIS GURGACZ
CAMILA NAVA SMANIOTTO
TRABALHO DE DIREITO PENAL
CASCAVEL
2014