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Hemorragias Curso técnico em imobilizações ortopédicas Disciplina: Fisiopatologia do trauma Prof. Karina A. M. Utida Sistema circulatório Sistema circulatório: Coração como bomba do sistema Vasos sanguíneos Sangue: transporta oxigênio, dióxido de carbono, nutrientes e hormônios para dentro e para fora do organismo. Sangue Transporta nutrientes do trato gastrointestinal Oxigênio dos pulmões O dióxido de carbono e outros fragmentos se movimentam na direção contrária, das células do corpo para o líquido intersticial e, em seguida, para o sangue. Funções do sangue Transporte: Oxigênio, gás carbônico, nutrientes, hormônios, calor e produtos residuais para vários órgãos para eliminação pelo corpo. Regulação: O sangue circulante ajuda a manter a homeostasia de todos os líquidos do corpo. Também ajuda a ajustar a temperatura do corpo pelas propriedades de absorção de calor. Proteção: O sangue coagula, impedindo a perda excessiva; contém leucócitos, anticorpos, entre outras células de proteção. Os cinco principais tipos de vasos sanguíneos são: artérias arteríolas capilares vênulas veias Hemorragia é o extravasamento de sangue no espaço extravascular. Diferenças anatômicas determinam a função destas estruturas. SISTEMA ARTERIAL Artérias: transportam o sangue para LONGE do coração, levando-o para outros órgãos. Função final (capilares): permitir a troca de substâncias entre o sangue e os tecidos do corpo Sistema venoso Veias: são os vasos sanguíneos que transportam o sangue dos tecidos de volta para o coração. Transportar o sangue desoxigenado do corpo de volta para o coração e de lá para o pulmão. A troca de substâncias entre o sangue e os tecidos do corpo é função dos capilares. Por que veias e artérias não são capazes de trocar nutrientes e gases com os tecidos? Definição e causas de hemorragias Extravasamento de sangue no espaço extravascular. Causas: Qualquer doença ou trauma que cause secção, ruptura ou destruição da parede de um vaso Diáteses hemorrágicas Desordens nos mecanismos de hemostase Desordens hemorrágicas Hemostase: conjunto de mecanismos que o organismo emprega para coibir hemorragia. Algumas situações atrapalham estes mecanismos e podem desencadear desordens hemorrágicas, como: Problemas na função de plaquetas Problemas na constituição de vasos sanguíneos Problemas em fatores de coagulação Tipos de hemorragia Hemorragias podem ser: Externas – Quando a hemorragia está na superfície e pode ser visível. Internas – Quando não pode ser visível, como por exemplo, no abdôme ou tórax. Interna com fluxo externo: pode exteriorizar-se pelos orifícios naturais do organismo (boca, nariz, ouvido, ânus, etc) Interna com fluxo interno: é oculta, fica retida no organismo (pericárdio, cavidade peritoneal, tórax, articulações, etc) Exemplos de Hemorragia externa Exemplos de Hemorragia interna As hemorragias externas diferem quanto à origem: Arterial – O sangue está extravasando de uma artéria. O sangramento é vermelho vivo, em jatos, pulsando em sincronia com as batidas do coração. A perda de sangue é mais rápida e mais abundante. https://www.youtube.com/watch?v=HwpzXQzWpqw As hemorragias externas diferem quanto à origem: Venosa – O sangue está saindo de uma veia. O sangramento é uniforme e de cor escura. https://www.youtube.com/watch?v=0tpiWsGWwaw As hemorragias externas diferem quanto à origem: Capilar – O sangue está escoando de uma rede de capilares. A cor é vermelha, normalmente menos viva que o sangue arterial e o fluxo é lento. https://www.youtube.com/watch?v=gxxC4JxBZz4 Hemorragias internas Hematoma: qualquer acúmulo nos tecidos é chamado de hematoma. Tipos de hematoma: Petéquias: Hemorragias minúsculas (1 a 2 mm) na pele, nas membranas mucosas ou nas superfícies serosas. Púrpuras: Hemorragias levemente maiores (≥ 3 mm). Equimoses: Hematomas subcutâneos maiores (> 1 a 2 cm) (i. e., contusões). Dependendo da localização, um grande acúmulo de sangue em uma cavidade corporal é denominado de hemotórax, hemopericárdio, hemoperitônio ou hemartrose. Suspeitar de hemorragia interna se o acidentado estiver envolvido em: Acidente violento, sem lesão externa aparente Queda de altura Contusão contra volante ou objetos rígidos Queda de objetos pesados sobre o corpo Localização segundo o sintoma Sangue pela boca, nariz, ouvido: estrutura do crânio Escarro: pulmões, traquéia Vômito: estômago, esôfago Melena: intestinos, reto Vagina: sistema reprodutivo, sistema hormonal Intensidade GRAVE – PERDA DE SANGUE SUPERIOR A 15% MODERADA – PERDA DE 10 A 15% DE SANGUE LEVE – PERDA DE ATÉ 10% DE SANGUE Significado clínico Depende de fatores como: VOLUME DE SANGUE PERDIDO CALIBRE DO VASO ROMPIDO TAXA DE SANGRAMENTO (quantidade x velocidade) LOCAL o sangramento que seria trivial nos tecidos subcutâneos pode levar ao óbito se localizado no cérebro, pois o crânio é inflexível e a hemorragia intracraniana pode resultar em um aumento de pressão que é suficiente para comprometer o suprimentosanguíne. Sinais de alerta para suspeita de hemorragia interna a) Pulso fraco e rápido b) Pele fria c) Sudorese (transpiração abundante) d) Palidez intensa e mucosas descoradas e) Sede acentuada f) Apreensão e medo g) Vertigens h) Náuseas i) Vômito de sangue j) Calafrios k) Estado de choque l) Confusão mental e agitação m) "Abdômen em tábua" (duro e não compressível) n) Dispnéia (respiração rápida e superficial) o) Desmaio Posso perder a mesma quantidade de sangue e apresentar sintomas diferentes? Hemorragias graves não tratadas: choque hipovolêmico e morte por colapso circulatório. Hemorragias lentas e crônicas: causam um tipo específico de anemia. ***Readaptação constante do organismo Pesquise o que é e as possíveis causas de: Epistaxe Hemoptise Hematêmese Estomatorragia Melena Metrorragia Otorragia Hematúria CHOQUE Incapacidade do sistema circulatório de levar oxigênio e nutrientes em quantidades suficientes para atender as necessidades metabólicas celulares. Causas: INÚMERAS E VARIADAS, mas todas são caracterizadas por fluxo sanguíneo inadequado para os tecidos do corpo. Com fornecimento inadequado de oxigênio, as células passam da produção aeróbica de energia para a anaeróbica, e uma substância chamada lactato se acumula nos líquidos corporais. A depender da CAUSA, o choque será classificado em (1) choque hipovolêmico, decorrente da redução do volume de sangue; (2) choque cardiogênico, resultado do funcionamento inadequado do coração; (3) choque vascular, em razão da vasodilatação inapropriada; (4) choque obstrutivo, decorrente da obstrução do fluxo de sangue. CHOQUE HIPOVOLÊMICO Hemorragia súbita com perda de sangue interna ou externa Perda importante de líquido (diarreia, vômito, sudorese excessiva) Perda de líquido excessiva pela urina MORTE CELULAR Sinais e sintomas A pressão arterial sistólica é menor do que 90 mmHg. A frequência cardíaca em repouso é rápida, em virtude da estimulação simpática e do aumento nas concentrações sanguíneas de epinefrina e de norepinefrina. O pulso é rápido e fraco, decorrente da redução no débito cardíaco e da rápida frequência cardíaca. A pele é pálida, fria e pegajosa, em razão da vasoconstrição simpática dos vasos sanguíneos cutâneos e da estimulação simpática da sudorese. O estado mental é alterado, em consequência da redução do fornecimento de oxigênio ao encéfalo. Redução na formação de urina, como resultado do aumento nas concentrações de aldosterona e de hormônio antidiurético (ADH). A pessoa sente sede, em consequência da perda de líquido extracelular. A pessoa pode sentir náusea, como resultado do comprometimento do fluxo sanguíneo para os órgãos do sistemadigestório, decorrente da vasoconstrição simpática.