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EDUCAÇÃO ESPECIAL 1

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Miryan Buzetti
Educação Especial
Sumário
03
CAPÍTULO 1 – O que é educação especial e inclusiva?.....................................................05
Introdução ....................................................................................................................05
1.1 A história da Educação Especial ................................................................................05
1.1.1 A Idade Contemporânea ..................................................................................07
1.2 A Educação Especial no Brasil ...................................................................................09
1.2.1 Da negação e descaso aos primeiros passos da Educação Especial e Inclusão .......09
1.2.2 As conquistas dos alunos com deficiências intelectual, auditiva e visual .................10
1.3 Educação Inclusiva ...................................................................................................12
1.3.1 A complexidade da Educação Especial e Inclusiva ...............................................13
1.3.2 Foco nas habilidades, não nas dificuldades ........................................................14
1.4 Políticas públicas nacionais .......................................................................................16
1.4.1 A legislação nos anos 2000 .............................................................................17
Síntese ..........................................................................................................................20
Referências Bibliográficas ................................................................................................21
Capítulo 1 
05
Introdução
Você já se perguntou o significado de Educação Especial? Qual será a diferença entre Educação 
Especial e Educação Inclusiva? Será que essas expressões sempre tiveram o mesmo significado 
ou ao longo do tempo seus conceitos foram se modificando?
Vivemos em uma sociedade democrática, na qual, de acordo com a Constituição Federal de 
1988, no seu artigo 205, todos temos direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento da 
pessoa humana. No artigo 208 está previsto, ainda, que o Estado deverá garantir o Atendimen-
to Educacional Especializado às pessoas com deficiência preferencialmente na rede regular de 
ensino. Seguindo, portanto, o que determina a Constituição, vamos refletir: quem atenderá esse 
aluno na rede regular de Ensino? Como deve ser realizado esse atendimento? 
Levando em conta tais questionamentos, o presente capítulo irá apresentar os significados de 
Educação Especial e de Educação Inclusiva; trará um breve histórico sobre a Educação Especial 
em nosso país e também revelará o que nos diz a legislação sobre o assunto.
Falar sobre a Educação Inclusiva nos leva a pensar sobre a concepção de educação e o papel 
da escola em nossa sociedade. A educação escolar deve oferecer aos alunos os desenvolvimen-
tos cognitivo, social, psicológico, afetivo, enfim, deve prepará-los para atuar na sociedade. A 
maneira como o professor trabalha irá não apenas influenciar, mas determinar o sucesso ou não 
dos objetivos de ensino e dos ideais de inclusão da educação.
1.1 A história da Educação Especial
A proposta de atendimento aos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento 
(TGD) e altas habilidades/superdotação, denominada de inclusão escolar, vem se estabelecendo 
no Brasil, nas últimas décadas, e uma de suas consequências, evidenciada pelos censos escola-
res, é a ampliação de matrículas em classes comuns, predominantemente em escolas municipais 
brasileiras. Até a década de 1950, não se falava em Educação Especial. Foi a partir de 1970 que 
ela passou a ser alvo de discussão, tornando-se uma preocupação dos governos com a criação 
de instituições públicas e órgãos especializados.
Diante da análise do processo histórico, podemos verificar que a maneira como a sociedade se relaciona 
com as pessoas com deficiência está interligada às conquistas dessa mesma sociedade. Diferentes con-
cepções de deficiência permearam esse debate, principalmente em se tratando de acesso à educação.
Até o século XVIII, a exclusão das pessoas com deficiência era prática regular. Elas eram alijadas 
da sociedade em todos os tipos de atividades. Eram consideradas inválidas, sem utilidade, um 
peso social, não sendo merecedoras, portanto, de nenhuma atenção.
Faremos agora uma breve viagem no tempo para entender essa história.
 O que é educação 
especial e inclusiva?
06 Laureate- International Universities
Educação Especial
• Pré-história: os povos eram nômades (não tinham um lugar fixo para morar; viviam em 
busca de lugar mais seguro e de alimentação), o que dificultava a vida das pessoas que 
tinham deficiência. Dependentes da tribo, eram abandonadas, sendo vítimas de outros 
animais selvagens ou da própria natureza (JANUZZI, 2004).
• Antiguidade: em Esparta e em Atenas, as pessoas que apresentavam alguma deficiência 
(física, sensorial e intelectual) eram consideradas subumanas, sendo eliminadas da sociedade 
e abandonadas à “própria sorte”, já que havia o culto à beleza e ao corpo atlético. No Egito, 
nesta época, os surdos eram considerados indivíduos não educáveis, sendo unicamente 
tratados com preparados e soluções para dores de ouvido (JANNUZZI, 2004).
VOCÊ QUER VER?
O filme “300”, dirigido por Zazk Snyder (2007), é centrado no Rei Leônidas, que lidera 
300 espartanos na guerra contra o “deus-rei” Xerxes da Pérsia e o seu exército com 
mais de 300.000 soldados. Enquanto a batalha ocorre, a Rainha Gorgo procura ajuda 
para o seu marido em Esparta. No filme, podemos ver o ideal de beleza da época e o 
abandono ou o homicídio (eram jogadas de um penhasco) de pessoas com deficiência, 
consideradas inadequadas para a guerra. Ilustra a visão dos deficientes como subuma-
nos, comum na Antiguidade. Neste trecho do filme, podemos conferir um pouco sobre 
a educação espartana: <https://www.youtube.com/watch?v=H95HI-QGsKs>.
• Idade Média: até a difusão do Cristianismo (principalmente da Igreja Católica Apostólica 
Romana), as pessoas com deficiência continuavam sendo “eliminadas” da sociedade. Com 
o Cristianismo, os deficientes “ganharam alma” e, portanto, passaram a ser considerados 
filhos de Deus. As pessoas com deficiência intelectual, por exemplo, obtiveram o direito de 
ser acolhidas em conventos, mas ainda assim não havia uma igualdade civil e de direito. 
No final do século XV, os deficientes eram marginalizados. Apesar de existirem exemplos 
de caridade e de solidariedade, em sua grande maioria, portadores de deformidades 
físicas, sensoriais ou mentais eram excluídos e pobres.
No século XIV, surge a primeira legislação sobre pessoas com deficiência mental, cria-
da por Eduardo II, na Inglaterra. Nela, o rei era responsável pelos cuidados com o 
deficiente e recebia a herança como forma de pagamento. A lei trouxe à tona a dife-
renciação entre deficiente mental (loucura/idiotia) e doença mental (alterações psiqui-
átricas transitórias). Na época, o doente mental tinha direito aos cuidados sem perder 
a herança (MAZZOTTA, 1996).
VOCÊ SABIA?
• Idade Moderna: No século XVI, destacamos os trabalhos de Paracelso (1493 – 1541), 
médico que escreveu, em 1526, um livro chamado “Sobre as doenças que privam o 
homem da razão”. Na obra, a deficiência mental era apresentada como um problema 
de Medicina, que deveria ser estudado e pesquisado pelos médicos. Em seu discurso, o 
médico e filósofo Jerônimo Cardano (1501 - 1576), além de concordar com o colega, 
se preocupava com a educação das pessoas que apresentavam a deficiência. Em 
Londres, outro médico, Thomas Willis (1621-1675) realiza um discurso com uma postura 
organicista da deficiência mental, demonstrando cientificamente que a deficiência tem 
origem de estruturas e eventos neurais, caminhando para uma

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