A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
3 pág.
Guerra Fria

Pré-visualização | Página 1 de 2

GUERRA FRIA 
A Segunda Guerra Mundial poder ser lida em termos clausewitzianos como total- com alocação de todos os recursos de uma nação- o que provocou em grande escala mortes, desabrigados, destruição industrial e agrícola etc. Nesse cenário, o objetivo era a destruição do nazismo e fascismo surgidos na década de 1930. Para isso, houve aliança entre Estados ideologicamente diferentes com o objetivo de enfrentar o inimigo comum. 
Em 1945, os Três Grandes – Roosevelt, Churchill e Stalin- se reúnem na Ucrânia para a Conferência de Yalta, expressando um caráter cooperativo no pós-guerra com objetivo de reestabelecer a ordem e a balança de poder com o estabelecimento de zonas de influência. No mesmo ano, ocorre a Conferência de Potsdam que objetiva a definição das indenizações que deveriam ser feitas pela Alemanha e estabelecer a divisão do país. Existe, entretanto, uma controversa sobre a política americana que se posicionava, devido ao passado histórico, contra o imperialismo. Além disso, era necessária cautela para que não ocorre um novo revanchismo. 
Esse status cooperativo não durou até que a insatisfação recíproca entre Estados Unidos e Inglaterra de um lado, e URSS de outro começassem a aparecer. Kennan expressa em 1946, a preocupação com as ações soviéticas no documento que ficou conhecido como Long Telegram. 
"A hostilidade Soviética ao mundo capitalista era tão imutável como era inevitável, Kennan enfatizou, o resultado da infeliz fusão da insegurança tradicional russa com o dogma marxista-leninista. Ele argumentou que os governantes do Kremlin tinham imposto um regime totalitário opressivo sobre o povo soviético, e agora usou a suposta ameaça representada por inimigos externos para justificar uma continuação da tirania interna que os mantinha no poder.O Conselho de Kennan foi apontado: Evite a acomodação, que nunca trabalharia em qualquer caso; concentrar, em vez disso, ao verificar a propagação do poder soviético e influência” ( MCMAHON, Robert. Cold War. P.27)
A preocupação com a expansão ideológica e militar comunista fez com que os EUA assumissem uma postura assistencialista à Grécia e Turquia, que até então era feita pelos britânicos, mas uma vez afetados diretamente pela guerra não seriam capazes de cumprir tal tarefa. O discurso no Congresso Estadunidense enfatiza o papel do país em apoiar a liberdade da população contra a subjugação e pressões externas. Assim, fica instaurada a Doutrina Truman. 
Três meses após o discurso de Truman, os EUA anunciaram ajuda para a recuperação a todos os Estados europeus que desejassem, assim, combateriam pobreza, fome, desmoralização que poderiam ser bases para a ascensão comunista. Mais tarde, ficou conhecido como Plano Marshall. Como resposta, os soviéticos criam a COMINFORM que estreitava o controle de informações tanto dos satélites do leste europeu como os partidos comunistas da Europa Oriental. 
A Alemanha fora divida em 4 zonas de influência entre Inglaterra, Estados Unidos, França e URSS, mas em 1948, houve uma consolidação da Alemanha Ocidental em uma só área comandada pelos capitalistas. A reação de Stálin foi isolar Berlim Ocidental- episódio conhecido como Bloqueio de Berlim- com objetivo de expor os adversários a vulnerabilidade. Assim, o abastecimento aéreo teve de ser feito aumentando os custos, além de afetar a opinião pública e as relações entre os países. 
Após a rendição incondicional do Japão, o país sofreu reformas militares, educacionais, jurídicas sob supervisão dos EUA. Diferentemente da Alemanha, que foi governada por quatro diferentes potências, a ocupação japonesa foi feita por apenas uma, que governada de forma indireta através do governo japonês. É importante destacar o foco na recuperação rápida uma vez que a tensão ocidente-oriente seja crescente. 
A COMECOM foi estabelecida em 1949 para o controle de comércio e indústria do bloco soviético. Coletivização da agricultura, forças policiais e exército eram integrados por um comando. Esse conselho pode ser interpretado como a resposta ao Plano Marshall de reconstrução feito pelos EUA. 
Ainda no ano de 1949, a OTAN foi formada entre EUA, Canadá e países da Europa Ocidental, solidificando a divisão política e econômica da Europa, enfatizando as similaridades dos participantes no sistema doméstico e dos valores. 
Em outubro de 1949, a China proclama sua República Comunista sob liderança de Mao Tsé Tung após longo período de guerra Civil entre nacionalistas e comunistas. Até 1912, a China era um Império antigo, até que tornou-se uma república, dando uma nova face política, apesar do problema de administrativo que gera instabilidade. Exitiam dois partidos: kuomitany e o comunista. Em 1931, a Manchúria foi invadida pelo Japão. Após a vitória comunista, ocorre um encontro bilateral entre Stálin e Mao, que resulta no pacto de cooperação e aliança entre as partes em 1951. 
A Guerra Fria passa a ter uma nova dinâmica a partir da Guerra da Coreia. A localização da Península Coreana faz fronteira com a China e Rússia, estando a 150km de distância do Japão, o que para o contexto da época significa estar em ponto de tensão. Historicamente, a Coreia era agregada ao Império Chinês, que em decadência perde seu território, passando ser disputada por Rússia e Japão. Os russos chegam a construir uma base naval de Port Arthur, considerada ameaça a segurança do Japão, iniciando a guerra russo-japonesa em 1904, quando os russos são expulsos, e em 1910 definitivamente é apossado pelo Japão. Mais tarde, eclode a Segunda Guerra Mundial em que o Japão é aliado Alemão, e ao ser derrotado, é posto sobre rendição incondicional e a Coreia seria independente. Entretanto, parte dela ficou sob domínio soviético e outra, americano. Em 1949, houve retirada das potencias interventoras, o que gerou uma instabilidade e falta de coesão. Assim, parte norte ficou sob liderança de Kim II Sung e a parte sul, de Syngman. A unificação era requerida por ambas partes, a discordância era quanto ao governo que comandaria. Até que em 1950, a Coreia do Norte invade o Sul em ataque surpresa a mando de Stálin- após revelação de arquivos- fazendo com que os EUA apoiassem a Coreia do Sul. 
Dois meses após a posse do presidente americano Eisenhower, em 1953, Stálin morre, assumindo Krushchev, que adota a política de de-stalinização com profundas reformas no sistema político , findando o culto ao líder e aliviando as repressões, mais tarde, denunciando os crimes do ditador. No mesmo ano, houve o armistício da Guerra das Coreias. 
A proliferação de tratados entre ocidentais, fez com que o Pacto de Varsóvia fosse constituído em 1955 sob proposta de defesa mutua entre os signatários, teria a equivalência da OTAN. 
Em 1959, ocorre a Revolução Cubana, país que sempre foi alvo de interesse de potências. Cuba era colônia espanhola, até que se torna protetorado americano no final do século XIX, com o resultado da Guerra Hispano-Americana, que durou até 1959 sob governo de Fulgêncio Batista, que governava desde 1930 e simbolizava a dominação estrangeira. As forças revolucionárias através da guerrilla instauram um novo governo temoroso a uma intervenção americana e o episódio da Baia do Porcos, fizeram com que inclinassem a URSS. Em 1962, uma aeronave U2 identifica misseis balísticos soviéticos em construção, resultou na declaração pública de Kennedy sobre o fato e o bloqueio a ilha até a retirada dos mísseis. Krushchev anuncia a condição de retirada de mísseis americanos da Turquia. O resultado além da tensão, foi a retirada dos mísseis sob supervisão americana. 
O debate sobre a posse de armas de destruição massiva é posto em questão nesse contexto de Guerra Fria. Após a destruição de Hiroshima e Nagasaki com bombas atômicas, os EUA tinham superioridade nesse âmbito, usando politicamente desse recurso. Até que em 1949, o monopólio das armas acabou, quando a URSS também desenvolveu seu arsenal. A ameaça do uso faz com que haja um equilíbrio de terror, afinal, o second strike significa destruição absoluta. Houve