Direito das obrigações
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Direito das obrigações
Surge em 323 a. c na Grécia antiga, Roma.
Justino estabelece a lei Lex Poetillia papiria\u201d onde o direito das obrigações não recai mais sob a pessoa devedora, e sim ao seu patrimônio.
A execução então passa a ser patrimonial
CONCEITO
A ideia de contrato, onde se estabelece o vínculo entre as partes, limitações naturais, livre manifestação do querer etc., surge da ais primitiva modalidade de contrato, a troca que mais tarde evolui para a figura de compra e venda.
Dessa forma passa a ter um vínculo jurídico, esse contrato se torna fonte de obrigação
Obrigação = vínculo de direito pelo qual alguém se propõe a dar, fazer, ou não fazer qualquer coisa em favor de outrem.
Elementos constitutivos das obrigações
Vínculo jurídico compreende de um lado, o dever, ou o débito da pessoa obrigada e do outro lado a responsabilidade em caso de inadimplemento .
As partes da relação obrigatória credor ( sujeito ativo) e o devedor ( sujeito passivo).podem ser sujeitos da obrigação tanto as pessoas naturais quanto jurídicas.
Objeto ou prestação dar, fazer ou não fazer alguma coisa. A maioria dos juristas apontam para que a prestação tenha sempre conteúdo patrimonial.
Para que haja uma obrigação é necessário que o objeto da obrigação tenha os seguintes requisitos:
Objeto possível: se o objeto da obrigação é impossível, nula será a obrigação.
Objeto lícito: é aquele que não é contrário a lei, moral e aos bons costumes
Objeto determinável: é em regra, o objeto da obrigação deve ser determinado pelo gênero , espécie, quantidade e pelos caracteres individuais. Quando não o for, que seja determinado pelos sujeitos da obrigação, ou por ato de terceiro.
Objeto com caráter patrimonial: o objeto pode ser reverter em uma obrigação de cunho pecuniário.
Fontes do direito das obrigações
Fontes imediatas das obrigações:
Lei ( tudo que a lei obriga a fazer)
Fontes mediatas :
Contrato
A declaração unilateral de vontades
O ato ilícito 
Fontes do direito das obrigações
Na visão de Silvia Rodrigues:
Obrigações que tem por fonte mediata ou vontade humana:
Se dividem entre aquelas que provêm do contrato (conjunto de vontades), e as que decorrem da manifestação unilateral da vontade, como, por exemplo: o título ao portador ou promessa de recompensa
Obrigações que tem por fonte mediata o ato ilícito:
São derivados dos atos ilícitos, são as que através de uma ação ou omissão culposa ou dolosa do agente causa dano à vítima. 
Obrigações que tem por fonte direta e imediata a lei:
A principal fonte do direito é a lei, onde há a obrigação de prestar alimentos, ou dar reparação do prejuízo causado em caso de responsabilidade informada pela teoria do risco.
\u201c lei fonte remota da obrigação, pois ela é que impõe ao devedor o mister de fornecer sua prestação e comina sanção para o caso de inadimplemento 
Classificação das obrigações 
Vínculo jurídico: sujeito ativo, sujeito passivo e objeto ou prestação.
Quanto ao vínculo:
São elementos essenciais à formação da relação jurídica ( credor e devedor, objeto e vínculo jurídico) fundada no vínculo juris decorrente da lei ( fonte direta), de ato strictu sensu, de negócios jurídicos bilaterais ou unilaterais, e de atos ilícitos ( fonte mediata), tendo- se portanto, debitum e obligatio
Há hipóteses em que se tem obrigações fundadas em um vinculum solius aequitatis ( sem obrigação) sem obligatio , apesar de ter o sujeito ativo, passivo e o objeto, falta a responsabilidade do devedor, de modo que não há o direito de ação para exigir seu cumprimento ( obrigação moral e natural não tem obligatio)
Trata-se das obrigações moral e natural, às quais a lei empresta um dos efeitos de uma obrigação civil, ou seja soluti retentio (liberado da retenção)
Obrigação moral
É aquela que constitui um dever de consciência, sendo cumprida apenas por razões de princípios, podemos exemplificar da seguinte forma: o cumprimento de declaração de última vontade, que não esteja expressamente em testamento ( no testamento há a prova, pois o testamento é um objeto)
Exemplo: no leito de morte, um homem entrega á seu neto uma joia e pede ao mesmo para que entregue a sua tia. Não há nada escrito, apenas o desejo de última vontade.
O dever moral não deverá permanecer alheio ao direito, pois uma vez cumprida espontaneamente a ordem jurídica a tornará irrevogável, conferindo a soluti retentio (direito de retenção) ao que recebeu a prestação a título de liberalidade.
Exemplo: logo se o neto entrega a joia e a quer de volta, a sua tia tem a soluti retentio.
Obrigação civil
São aqueles em que existe débito e responsabilidade, sendo juridicamente exigíveis. 
Exemplo: cheque, nota promissória, contrato de financiamento, duplicata etc.
E se estabelece um vínculo jurídico entre o credor e o devedor, sendo que a pessoa obrigada tem responsabilidade no caso de inadimplemento, o que dá possibilidade ao credor de exigir sua tutela jurisdicional, pedindo a execução do devedor e ainda que esta execução vá atingir diretamente o patrimônio do devedor.
Obrigação natural
São aqueles em que existe o débito, mas inexiste a responsabilidade, sendo portanto, inexigíveis juridicamente ( dividas prescrita)
Exemplo: uma dívidas adquirida, mas que no entanto já prescreveu, não é necessário pagar)
Os casos mais comuns no direito pátrio são as dívidas prescritas, as dívidas de jogo, o empréstimo feito a menor e os juros não previamente convencionados
Art. 814 do CC
As dívidas de jogos ou de apostas não obrigam a pagamento, mas não se pode recobrar a quantia, que voluntariamente se pagou, salvo se foi ganho por dolo, ou se o perdente é menor ou interdito.
Art. 588 do CC
O mútuo feito a pessoa menor, sem prévia autorização daquele cuja guarda estiver, não pode ser reavido sem do mutuário, nem de seus fiadores.
Classificação quanto aos objetos : dar, fazer e não fazer
Obrigação de dar : 
É aquela em que consiste em comprometer-se o devedor a entregar alguma coisa ao credor, sendo que esta coisa pode ser uma coisa certa ou incerta.
Certa: objeto definido, bem especificado.
Incerto: obrigação genérica, só se sabe o gênero e a quantidade.
Restituição:
A obrigação de restituir tem como característica principal a devolução da coisa, havendo ter recebido a coisa, terão que devolvê-la ao dono em determinado tempo, a relevância que existe neste caso é que o credor é o dono da coisa, já o que não acontece na obrigação de dar.
Exemplos: Empréstimo de um objeto, Aluguel de uma casa
Obrigação de dar a coisa certa:
É a obrigação que estabelece entre as partes, um vínculo através do qual o devedor se compromete a entregar ao credor um objeto perfeitamente determinado que se considera em sua individualidade
Exemplo: uma obra de arte, uma joia, um animal etc.
Art. 233 do CC
A obrigação de dar coisa certa, abrange os acessórios dela embora não mencionados, salvo se o contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso.
Art. 239 do CC
se a coisa se perder por culpa do devedor responderá este pelo equivalente a perdas e danos.
Art. 241 do CC
Se no caso do art. 238, sobrevier melhoramento ou acréscimo à coisa, sem despesa ou trabalho do devedor, lucrará o credor, desobrigado de indenização.
Art. 242 do CC
Se para o melhoramento, ou aumento, empregou o devedor trabalho ou dispêndio, o caso de regulará pelas normas deste código atinentes à benfeitorias realizadas pelo possuidor de boa-fé ou má-fé.
Obrigação de dar a coisa incerta:
Esta obrigação ao contrário de dar a coisa certa, tem em seu objeto a entrega da coisa não considerada em sua individualidade, mas sim ao gênero que pertence. Ela será mencionada com referência a seu gênero e quantidade. 
Exemplo: um fazendeiro (devedor) que vendeu ao atacadista (credor) 500 sacas de arroz de determinado tipo, ao credor não importa de o produto vem de sp ou mg, o que importa é o gênero e quantidade, essa é uma obrigação genérica.
Mas a obrigação de dar a coisa incerta pode ser transformada em coisa certa,