Rodada 1.10
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Assuntos da Rodada 
NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO1: 1 Noções de organização administrativa. 
2 Administração direta e indireta, centralizada e descentralizada. 2.1 Legislação 
administrativa: Administração direta, indireta, e paraestatal. 3 Poderes 
administrativos. 3.1 Hierárquico, disciplinar, regulamentar e de polícia. 3.2 Uso e abuso 
do poder. 4 Ato administrativo: conceito, requisitos, atributos, classificação e espécies. 
4.1 Legislação administrativa: Atos administrativos. 5 Agentes públicos. 5.1 Espécies e 
classificação. 5.2 Cargo, emprego e função públicos. 5.3 Lei n. 8.112/1990 e alterações: 
regime disciplinar (deveres e proibições, acumulação, responsabilidades, penalidades). 
5.4 Requisição. 5.5 Regime jurídico dos servidores públicos federais: admissão, 
demissão, concurso público, estágio probatório, vencimento básico, licença, 
aposentadoria. 6 Lei n. 8.429/1992: das disposições gerais, dos atos de improbidade 
administrativa. 7 Licitação. 7.1 Princípios, dispensa e inexigibilidade. 7.2 Modalidades. 
7.3 Lei n. 8.666/1993. 8 Controle e responsabilização da administração. 8.1 Controles 
administrativo, judicial e legislativo. 8.2 Responsabilidade civil do Estado. 
 
 
																																																													
1	OBS.:	compreende	os	subitens	de	NOÇÕES	DE	DIREITO	ADMINISTRATIVO,	os	subitens	5.2	e	5.3	
de	ÉTICA	NO	SERVIÇO	PÚBLICO	e	o	 item	6	e	respectivos	subitens	de	ADMINISTRAÇÃO,	os	quais	
foram	aglutinados	e	organizados	com	objetivo	de	serem	estudados	em	ordem	lógica	e	didática.	
 
Rodada #1 
Direito Administrativo 
 
Professor Carlos Antônio Bandeira 
 
 
 
DIREITO ADMINISTRATIVO 
 
 
	
	
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a. Teoria 
 
Estado e Governo 
1. Estado - O Estado é pessoa jurídica territorial soberana, constituída por um povo, 
em um determinado território, regido por governo soberano. 
1.1. Povo: conjunto de indivíduos unidos para formação da vontade geral do 
Estado. 
1.1.1. População: conceito demográfico que significa contingente de 
pessoas que, em determinado momento, estão no território do 
Estado. 
1.1.2. Nação: conceito que pressupõe uma ligação cultural entre os 
indivíduos. 
1.2. Território: base geográfica do Estado (dimensão espacial). 
1.3. Soberania: atributo do Estado de não conhecer entidade superior na ordem 
externa, nem igual na ordem interna (JEAN BODIN). 
1.4. O Estado é sujeito capaz (ente personalizado) para adquirir direitos e 
contrair obrigações na ordem jurídica nacional e, no convívio com outros 
Estados soberanos, na internacional. 
1.5. A divisão política do território, organização de seus poderes, forma de 
governo e o modo de aquisição de poder dos governantes são temas 
previstos na Constituição Federal. 
1.6. A União, os Estados-membros, o Distrito Federal e os Municípios são 
pessoas jurídicas de direito público interno dotadas de autonomia política 
 
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[art. 18, \u201ccaput\u201d, da Constituição Federal (CF)], sendo que as demais pessoas 
jurídicas de direito público interno (autarquias, associações públicas e 
demais entidades de caráter público criadas por lei) possuem apenas 
autonomia administrativa, mas não política [art. 41, IV e V, do Código Civil 
em vigor (CC)]. 
 
2. Forma de Estado \u2013 A organização política estatal classifica-se em Estado unitário 
e Estado federado. 
2.1. Estado unitário: há apenas um poder central (\u201ccentralização política\u201d), que 
irradia sua competência, de modo exclusivo, para todo o território nacional e 
sua população. Esse poder controla todas as coletividades regionais e locais. 
Ex.: Uruguai. 
2.2. Estado federado (complexo ou composto): é marcado pela 
\u201cdescentralização política\u201d, tendo em vista a convivência, no mesmo 
território, de diferentes entidades políticas autônomas e regionalmente 
distribuídas. Ex.: Brasil (União, Estados, Municípios e Distrito Federal, no 
mesmo território), caso em que a forma federativa é cláusula pétrea, isto é, 
não pode ser abolida por intermédio de reforma constitucional (art. 60, § 4º, 
I, da CF). 
2.2.1. Ausência de subordinação: os entes federativos não são 
subordinados uns aos outros (não há hierarquia entre eles), pois 
cada ente possui autonomia politica, financeira e 
administrativa, e há inter-relacionamento entre os entes 
federativos por meio de coordenação, e não por subordinação. 
Obs.: a Constituição Federal prevê os casos em que a competência 
para editar normas gerais é privativa do Congresso Nacional, por 
 
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meio de leis de caráter nacional, de observação obrigatória por 
todos os entes da Federação. 
 
3. Poderes de Estado \u2013 O poder é uno e indivisível, porém o termo \u201cPoderes\u201d 
aplica-se para designar conjuntos de órgãos que recebem competências 
constitucionais para o desempenho de funções estatais. 
3.1. A tripartição dos Poderes também é cláusula pétrea, pois não pode ser 
abolida por reforma constitucional (art. 60, § 4º, III, da CF). 
3.2. Atenção: 
3.2.1. No âmbito da União, a ordem constitucional estabelece os três 
Poderes, os quais são \u201charmônicos e independentes entre si\u201d (art. 2o 
da CF). 
3.2.2. Nos Estados-Membros, a divisão é idêntica em relação à União. 
3.2.3. No Distrito Federal, é da competência da União organizar e 
manter o chamado Poder Judiciário do Distrito Federal e dos 
Territórios (art. 21, XIII, da CF). 
3.2.4. Os Municípios são os únicos entes da Federação que não 
possuem Poder Judiciário em sua estrutura. 
 
4. Funções típicas e atípicas - Cada Poder estatal possui competências próprias 
para exercer funções típicas (relacionadas com a natureza do órgão) e atípicas 
(funções de caráter acessório que são típicas de outros Poderes). Essa 
caracterização corresponde ao denominado modelo de separação de Poderes 
flexível. 
 
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4.1. Poder Legislativo: possui as funções típicas de legislar e fiscalizar o Poder 
Executivo, e as funções atípicas para administrar (na gestão de bens, 
pessoal e serviços) e julgar (nos casos de autoridades acusadas de praticar 
crime de responsabilidade. 
4.2. Poder Executivo: tem a função típica de administrar, e as funções 
atípicas de legislar (edições de lei delegada e medida provisória), e julgar 
(decisões proferidas em processos administrativos). 
4.3. Poder Judiciário: possui a função típica de julgar, e as funções atípicas 
de administrar (gestão de bens, pessoal e serviços) e legislar (edição de 
regimento interno de tribunais). 
4.3.1. Lembre-se que as funções típicas do Poder Legislativo são duas 
(e não apenas uma): legislar e fiscalizar os atos do Poder Executivo 
(arts. 49, X, 58, § 2º, III, e 70 da CF). 
4.3.2. Administração Pública: essa expressão não se confunde com o 
Poder Executivo! Na verdade, caracteriza o conjunto de órgãos e 
agentes estatais no exercício da função administrativa, 
independentemente se são pertencentes ao Poder Executivo, ao 
Legislativo, ao Judiciário, ou a qualquer outro organismo estatal, 
como o Ministério Público ou Defensorias Públicas. 
 
5. Sistemas de Governo \u2013 Mediante observação do relacionamento entre os 
Poderes Legislativo e o Executivo nas atividades governamentais, o sistema de 
governo pode ser presidencialista ou parlamentarista. 
5.1. Sistema presidencialista: predomina o princípio da divisão dos Poderes, 
que devem ser independentes e harmônicos entre si. O Presidente da 
 
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República exerce a chefia do Poder Executivo em toda a sua inteireza, 
acumulando as funções de Chefe de Estado e Chefe de Governo, e 
cumpre mandato