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eletroterapia

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vários eventos celulares e químicos nos tecidos moles. O processo de reparo pode ser dividido em 3 fases:inflamação, proliferação e remodelamento e a efetividade do ultrassom depende da fase de reparo na qual é usado.
Inflamação
Caracterizado pela formação de coágulo, nessa fase numerosos tipos de células (como plaquetas, mastócitos,macrófagos e neutrófilos) entram e saem do local da ferida. O ultrassom pode interagir com as células acima. Influindo em sua atividade e levando à aceleração do reparo. O ultrassom tem uma ação pró-inflamatória, e não anti-inflamatória. O US terapêutico resulta em aumento do fluxo sanguíneo local. Uma das principais substancias químicas que modifica o ambiente da ferida após a lesão é a histamina. Os mastócitos são a principal fonte desse fator, que é normalmente liberado por um processo conhecido como degranulação de mastócitos, onde a membrana da célula em resposta aos níveis aumentados de cálcio intracelular se rompe e libera histamina e outros produtos dentro do local da ferida.
Proliferação
Os principais eventos que ocorrem durante essa fase de reparo incluem infiltração de células para dentro do leito da ferida, angiogênese, deposição da matriz, contração da ferida e repitalização. Começa aproximadamente 3 dias após a lesão e é o estágio na qual a estrutura do tecido conjuntivo é depositada pelos fibroblastos para os novos vasos sanguíneos. Durante o reparo, os fibroblastos podem ser estimulados a produzir mais colágeno. Tem-se mostrado que o ultrassom pode promover a síntese de colágeno, e isso parece ocorrer devido ao aumento da permeabilidade da membrana celular, causado pelo ultrassom, permitindo a entrada de íons cálcio que controlam a atividade celular. Acredita-se que o ultrassom estimule o crescimento de novos capilares no tecido isquêmico crônico, o qual poderia acontecer durante o reparo de tecidos moles após a lesão. Foi observado o aumento da liberação de fatores de crescimento pelos mcrófagos após exposição do US terapêutico. Isso pode decorrer da proliferação de fibroblastos que ocorre nos níveis terapêuticos de US.
Remodelamento
Durante o remodelamento, a ferida se torna relativamente acelular e avascular, o conteúdo de colágeno e a força tensil da ferida aumentam. A fase de remodelamento pode durar meses ou anos, até que o novo tecido esteja estruturalmente mais próximo possível do tecido original. Considera-se que o US melhore a extensibilidade do colágeno maduro, como o que é encontrado no tecido cicatricial. Acredita-se que isso ocorra com a promoção da orientação das fibras( remodelamento), levando a uma maior elasticidade sem perda de força. Essas alterações benéficas podem ocorrer de forma mais evidente quando o tratamento é iniciado no estágio inflamatório.
FONOFORESE
A fonoforese é definida como a migração de moléculas de drogas através da pele sob a influência do ultrassom. A fonoforese teoricamente é possível utilizando as forças de correntes acústicas que existem no campo de ultrassom. Contudo ainda é questionado se essas forças são fortes o suficientes para produzir um movimento resultante para a frente capaz de empurrar todas as drogas através da pele até seu tecido alvo. Além disso é difícil determinar se o efeito biológico de uma droga aplicada topicamente é resultado de sua ação direta no tecido alvo subjacente ou devido a um efeito isquêmico. É provável que a fonoforese dependa principalmente da natureza da molécula da droga. Necessário pesquisas para esclarecer acerca dos parâmetros mais eficientes para facilitar a difusão de drogas tópicas, e também quais drogas podem ser usadas de modo mais efetivo.
ULTRASSOM DE BAIXA FREQUENCIA
Essa modalidade opera a uma frequência em torno de 44-48khz, que é significativamente mais baixa do que a faixa usual de terapia de 1-3 Mhz. Um benefício do uso de uma frequência tão baixa é que a profundidade de penetração é grandemente aumentada e os riscos de ondas estacionárias é minimizado.
APLICAÇÃO DO ULTRASSOM
Vários fatores precisam ser considerados e um fator bastante importante é a escolha do meio acoplante visto que pela própria natureza do ultrassom, esse não pode percorrer através do ar e desse modo, sem uma via de saída adequada, o som gerado pelo transdutor será refletido de volta na interface entre o ar e a superfície de tratamento do aplicador, o que pode danificar o delicado transdutor.
O agente acoplante ideal deve ter não somente as propriedades acústicas da água, mas também deve satisfazer os seguintes requisitos:
Não ter bolhas de gás ou outros objetos refletivos
Viscosidade de gel, permitindo uso fácil
Ser estéril
Ser hipoalergênico
Ser quimicamente inerte
Funcionar como curativo para a ferida
Ser transparente
Ser barato
Existem vários agentes adequados como aguá desgaseificada, curativos, gel aquoso, óleo e emulsões, esse último mais utilizados pois podem ser aplicados diretamente na pele.
DOSIMETRIA
Três fatores determinam a dosagem do ultrassom:
Tamanho da área a ser tratada
Profundidade da lesão a partir da superfície
Natureza da lesão
Os parâmetros do US incluem:
Frequência
Intensidade
Forma de onda
Duração da sessão
FREQUÊNCIA
Tendo controle sobre a frequência de saída do US o terapeuta pode controlar a profundidade para onde a energia poderá ser direcionada, e também qual mecanismo físico estará ativo. A regra básica é que quanto mais alta a frequência, mais superficial a profundidade de penetração levando à rápida atenuação do ultrassom e causando um efeito biológico principalmente por meio de mecanismos térmicos ( é mais provável que ocorra cavitação em frequências mais baixas). Deve-se observar que a quantidade de atenuação depende também da natureza do tecido através do qual o US percorre. O tecidos com alto conteúdo de proteína absorvem energia mais prontamente do que aqueles com alto conteúdo de gordura ou água.
Ex: lesão de pele superficial usa-se 3MHz
Lesão muscular mais profunda usa-se 1MHz, conforme tabela abaixo:
 
INTENSIDADE
Depois de ter escolhido a frequência o terapeuta precisa decidir qual nível de intensidade usar. Não há informações comprovadas que indiquem que precisamos usar altos níveis de US, ou seja, acima de 1 W/cm²(SATA), para causar um efeito biológico significativo nos tecidos lesados. Pelo contrário, os dados pesquisados apoiam o uso de intensidade de 0,5 W/cm²(SATA) e menor para obter taxas máximas de regeneração em tecidos como pele, tendões e ossos. Evidências também mostraram que os níveis de US acima de 1,5 W/cm(SATA) têm um efeito adverso nos tecidos em regeneração. Efeitos térmicos significativos podem ser obtidos usando intensidades entre 0,5 W/cm²(SATA). O tratamento abaixo de 5 W/cm²(SATA) deve ser usado para invocar mecanismos não-térmicos.
O conselho dos terapeutas é:
USAR SEMPRE A INTENSIDADE MAIS BAIXA QUE PRODUZA O EFEITO TERAPÊUTICO DESEJADO, JÁ QUE INTENSIDADES MAIS ALTAS PODEM SER LESIVAS. ( DYSON, 1990)
Condições agudas não devem ultrapassar 0,5 W/cm²(SATA)
Condições crônicas não devem ultrapassar 1 W/cm²(SATA)
FORMA DE ONDA ( MODO PULSADO OU CONTÍNUO)
O modo contínuo tem sido recomendado a distúrbios musculoesqueléticos, como espasmo muscular, rigidez articular ou dor.
O modo pulsado é preferido para o reparo de tecidos moles.
DURAÇÃO DA SESSÃO
Tempos de aplicação muito curtos de poucos minutos em geral são considerados suficientes. Como o cabeçote é continuamente movido sobre a área tratada, o tamanho dessa área deve ser o determinante mais importante da duração da sessão. É conveniente fazer 1-2 minutos de aplicação para cada 10cm² de superfície coberta( muitos cabeçotes de transdutor têm uma área de 5cm²). Os tempos de aplicação mínimos são considerados como 1-2 minutos, os máximos de 10-15 minutos e a média ficaria na faixa de 5 minutos. Sugere-se também que as lesões crônicas se beneficiam em tempos de aplicação mais longos. As lesões recentes e as condições agudas devem ser tratadas ainda na fase inflamatória inicial de reparo. Durante essa fase os macrófagos