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Aula sócio cultura

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ser colocados em qualquer site ou em redes sociais — 
alertou. 
As transações feitas via e-commerce também são palco de golpes e fraudes na internet, tanto 
para consumidores quanto para as empresas. Segundo Beraldi, gerente de riscos e fraudes da 
Moip, o índice de perdas por fraude via e-commerce no Brasil só é menor do que o do México. — 
Os rackers costumam agir em áreas de risco, sistemas fracos, com brechas. Para combater a 
fraude, a empresa precisa ter uma plataforma de risco, se está operando na internet, para analisar 
pedidos em tempo real e o comportamento dos consumidores. Alguns produtos são mais 
atraentes para os fraudadores, como os celulares — explicou. De acordo com Beraldi, o cartão de 
crédito é a forma mais segura de se evitar golpes em compras on-line. Segundo ele, a taxa de 
aprovação dessa forma de pagamento on-line é de 84%. — A pessoa é apenas portadora do 
cartão, ele é do banco. Então a qualquer momento o banco pode tirar o cartão da pessoa, então 
dá segurança para isso. Para aproveitar as oportunidades da venda de produtos on-line sem ter 
prejuízo com compras fraudulentas, Beraldi explicou que é preciso buscar sempre o equilíbrio na 
gestão de riscos da empresa. — É preciso evitar a perda de receita, proteger os clientes e ao 
mesmo tempo focar na experiência que eles vão ter e na conversão de vendas. Não se pode 
penalizar os bons clientes porque a fraude é a menor parte do mercado on-line —avaliou. 
Disponível em: <https://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/circuitos-digitais-as-fraudes-golpes-na-internet-como-se-proteger-
21818701> Acesso em: 27 set 2017. 
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O anonimato e o fato de estar atrás de um computador faz com que usuários, ao 
navegarem pela internet, tenham a impressão de estarem entrando em uma terra onde 
tudo é permitido. Todavia, especialistas advertem que as condutas praticadas pela 
internet têm, sim, enquadramento penal e podem levar à cadeia. Fique por dentro! 
 
Conduta criminal na internet 
 
Internautas têm a falsa impressão de que a web não possui legislação para coibir abusos. Crimes on-line são previstos 
em leis já existentes 
 
Themys Cabral 
 
 “Existe uma visão equivocada de que não existe uma legislação que atende à internet”, critica o 
delegado-titular do Núcleo de Combate aos Ciber Crimes (Nuciber), Demétrius Gonzaga. “Essa 
falsa sensação de anonimato, por estar atrás de um computador e não ter contato direto com a 
vítima, faz com que pessoas, que não teriam coragem de praticar um crime na vida real, façam 
pela internet”, afirma Rony Vainzof, advogado-sócio da Ópice Blum e professor de Direito 
Eletrônico da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), Universidade Mackenzie e 
Escola Paulista de Direito. “Há pessoas que têm uma conduta ética e transparente na vida 
pessoal, mas na internet não”, diz Vainzof. De acordo com os especialistas, o que importa é a 
conduta prevista na legislação penal e não o meio usado para cometer o crime. Com isso, as 
penas a crimes previstos no Código Penal e outras legislações penais também são aplicadas 
àquelas condutas cometidas na internet. Por isso, advertem os especialistas, é preciso pensar 
bem antes de colocar qualquer coisa na internet. “Fica um rastro eterno do pensamento ali, com 
uma exposição mundial e de fácil propagação”, lembra Vainzof. 
 
Comunidades 
 
As comunidades do tipo “eu odeio”, em redes sociais, exemplifica Gonzaga, podem se tornar um 
risco. Um passo em direção ao abuso e ao crime. “O usuário entra nessas comunidades e depois 
passa a assumir condutas de dimensões maiores, estimular a violência e, com o tempo, pode 
chegar até a matar.” Até comunidades de fofocas podem virar caso de polícia. O episódio que 
envolveu a morte do estudante de Educação Física, Thiago Arruda, 19 anos, de Ponta Grossa, é 
um exemplo. Ele foi alvo de ataques em uma comunidade do Orkut, cujo único propósito era fazer 
fofocas e intrigas sobre os moradores da cidade. O rapaz foi chamado de homossexual e pedófilo 
e recebeu mensagens que diziam que pessoas como ele deveriam morrer e não poderiam 
conviver com a humanidade. Os boatos atravessaram as paredes virtuais e Arruda acabou 
agredido e hostilizado pelas ruas da cidade. Em março de 2008, o rapaz, não suportando mais as 
humilhações, deixou recados na internet dizendo que se mataria caso as acusações 
continuassem. Como resposta dos membros da própria comunidade, ele recebeu incentivos e 
orientações sobre a melhor forma de cometer suicídio. No dia seguinte, Arruda foi encontrado 
morto, dentro de um carro na garagem de sua casa. “Isso é claramente o crime de instigação ao 
suicídio”, diz Gonzaga. 
 
Leis só precisam de ajustes 
 
A legislação penal existente dá conta de atender a sociedade hoje, de forma geral, quando o 
assunto são crimes cibernéticos, dizem os especialistas. De acordo com eles, apenas alguns 
ajustes e atualizações pontuais seriam suficientes para adequar o que existe hoje. “Cerca de 95% 
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do que acontece hoje já tem previsão específica”, afirma Rony Vainzof, advogado e professor de 
Direito Eletrônico. Vainzof defende que falta hoje uma previsão específica contra a “disseminação 
de código malicioso”, ou seja, de vírus, e também contra a violação de domicílio eletrônico. Além 
disso, frisa o especialista, seria interessante a previsão de aumento de pena para alguns crimes 
quando cometidos pela internet, como dos crimes contra a honra e de concorrência desleal. 
 
O delegado-titular do Núcleo de Combate aos Ciber Crimes (Nuciber), Demétrius Gonzaga, 
defende a necessidade de previsão de um crime paralelo ao existente hoje de vilipêndio 
(desrespeito) a cadáver. “O vilipêndio a cadáver está ligado às cinzas e ao corpo. Precisaria de 
algo contra a fotografia exibida e propagada.” Gonzaga é um dos colaboradores da Comissão de 
Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados, que tem por objetivo propor melhorias na 
legislação em relação a crimes na internet. Veja exemplos de crimes que podem ser cometidos 
também pela internet: 
 
Discriminação ou preconceito 
 
O crime previsto no 2º parágrafo do artigo 20 da Lei 7.716/89 pode ser cometido com a 
propagação de uma mensagem em uma rede social ou um e-mail com conteúdo discriminatório. 
Quando se usa um meio de comunicação social, como a internet, a pena é maior: de dois a cinco 
anos de prisão. 
 
Calúnia, injúria e difamação 
 
Os crimes previstos nos artigos 138, 139, 140 do Código Penal, têm a pena aumentada em um 
terço quando ocorre na presença de várias pessoas ou por meio que facilite o ilícito. A internet é 
exemplo de meio que facilita o crime. 
 
Ameaça 
 
O crime previsto no artigo 147 do Código Penal também pode ser cometido pela internet. A pena é 
de um a seis meses. 
 
Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio 
 
Uma inconsequente brincadeira de mal gosto na internet pode configurar crime. Instigar alguém a 
cometer suicídio é crime previsto no artigo 122 do Código Penal e pode ser cometido pela internet. 
Se o suicídio se consuma a pena é de dois a seis anos. Se a tentativa resultar lesão corporal 
grave, a pena é de um a três anos. 
 
Falsa identidade 
 
Usar uma falsa identidade para obter vantagem ou causar dano é crime previsto no artigo 307 do 
Código Penal. Portanto, ao usar uma falsa identidade para falar mal de alguém ou para ter acesso 
a algum tipo de informação, o internauta pode estar cometendo um crime. A pena é de três meses 
a um ano. 
 
 
 
 
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Violação de segredo profissional 
 
O crime previsto no artigo 154 do Código Penal pode ser cometido pela internet se ela for usada 
como meio para que um dado confidencial de uma empresa seja transmitido. A pena é de três

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