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APOSTILA

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capital e avaliação de empresa;
de análise externa para processo decisório interno. 
Finanças no Brasil
No Brasil, a história das finanças é um pouco diferente. Alguns fenômenos são muito importantes nessa trajetória:
queda das bolsas no início dos anos 70 
A queda das bolsas no início dos anos 70 ocasionou o surgimento do arcabouço legal do mercado de capitais, a criação da Comissão de Valores Mobiliários e a Lei de Sociedade por Ações, em 1976.
inflação do final dos anos 70 até o Plano Real 
O longo período inflacionário do final dos anos 70 até o Plano Real, em 1994, levou à criação de mecanismos de proteção, como a correção monetária nos contratos e nos balanços patrimoniais. O gestor financeiro passou a dedicar-se à gestão de curto prazo, mais preocupado com o capital de giro e com a flutuação do poder aquisitivo da moeda do que com os demais aspectos. A queda e a manutenção da inflação em níveis ínfimos, a partir de 1994, permitiu o alargamento dos horizontes.
privatizações 
O processo de privatização de importantes grupos, como as siderúrgicas e as telecomunicações, imprimiram enormes repercussões nos mercados.
Da mesma forma, a consolidação do processo democrático, a crescente abertura comercial e a redução do risco-país têm feito com que a gestão financeira de nossas empresas se paute cada vez mais nas metodologias utilizadas em economias desenvolvidas.
expansão do mercado de capitais 
Nos últimos anos, temos observado um crescente movimento de abertura de capital e consequente expansão do papel do mercado de capitais no financiamento das empresas. O aparato legal-institucional também tem se aprimorado, e as Finanças, no Brasil, aproximam-se cada vez mais das práticas consagradas em mercados desenvolvidos.
O conhecimento e a atualização nos princípios e nas técnicas de Administração Financeira têm-se tornado efetivamente mais importantes durante esta era de mudanças, seja para especialistas no ramo, seja para profissionais de áreas não financeiras. 
5.2 Organização da função financeira
Empresas com portes distintos possuem executivos com atribuições distintas.
Nas empresas de pequeno e médio portes, as atividades relacionadas com a função financeira, geralmente, ficam sob a responsabilidade de um dos sócios. Não é incomum essa pessoa acumular outras atribuições e focar a gestão financeira tão somente nas questões de curto prazo, como fluxo de caixa. 
Nas grandes organizações, a função financeira situa-se entre as mais relevantes e costuma ser desempenhada por um executivo – um vice-presidente de finanças ou um diretor financeiro.
Organograma típico
A organização da função de Finanças e seu relacionamento com outros departamentos variam de companhia para companhia. No entanto, um organograma típico de uma grande empresa pode ser representado da seguinte forma, com destaque para a área financeira:
Presidente – CEO 
No topo do organograma, está o executivo principal da empresa – Chief Executive Officer –, que, normalmente, é o presidente.
Vice-Presidente de Finanças – CFO 
O executivo principal de finanças – Chief Financial Officer – é o vice-presidente responsável por todas as funções financeiras da empresa, reportando-se, diretamente, ao presidente. 
O CFO:
formula a política global da empresa e de suas subsidiárias; 
representa a empresa perante órgãos públicos e instituições ligadas ao mercado de capitais, na assinatura de grandes contratos de compra, venda, financiamento;
comanda três departamentos – tesouraria, planejamento financeiro e controladoria. 
Tesouraria 
O tesoureiro tem a responsabilidade de administrar atividades financeiras da empresa relacionadas ao capital de giro – gestão de caixa e bancos, créditos e cobranças, contas a pagar, custódia de valores. Suas funções são executivas, isto é, de linha.
Planejamento financeiro 
A função de planejamento financeiro inclui a análise de dispêndios importantes de capital, análises de aquisições e de investimentos, avaliação de desempenho.
Controladoria 
O controller supervisiona as atividades de Contabilidade e Auditoria da empresa. Isso inclui a preparação de relatórios gerenciais que comparam o que foi planejado com os custos realizados, as receitas e os lucros provenientes das várias unidades da empresa, a preparação das demonstrações financeiras para divulgação externa e assuntos fiscais. 
Além disso, o controller também desenvolve funções de assessoria – portanto, de staff.
5.3 Gestão para criação de valor
A essência de qualquer função gerencial é a tomada de decisões.
Logo, a pergunta fundamental que norteia a ação do administrador financeiro é:
Esta decisão criará valor para os proprietários da empresa?
Essa pergunta deve ser a preocupação não só do financeiro, mas de todos os administradores da empresa e se aplica:
a, praticamente, todas as situações;
à análise de alocação de recursos de um modo geral;
à condução das operações. 
Maximização de riqueza
Criar valor para os proprietários, muitas vezes, significa buscar a maximização de sua riqueza.
Caso se trate de uma companhia aberta, criar valor significa buscar a maximização do preço de mercado das ações, que, multiplicado pela quantidade de ações em circulação, reflete o valor de mercado da empresa.
Esse objetivo – criar valor, maximizar a riqueza ou maximizar o valor de mercado da empresa – está de acordo, inclusive, com o bom senso.
Se uma empresa não criar valor para seus proprietários, será incapaz de atrair capital próprio para financiar suas atividades e estará comprometendo sua sobrevivência.
Portanto, na companhia aberta:
Preço de mercado das ações X número de ações em circulação = valor de mercado da empresa
Empresas geridas com foco na criação de valor para seus proprietários estão entre aquelas que construíram relações duradouras e valiosas com seus clientes, empregados e fornecedores.
Atenção!
É sempre bom lembrar que, sem os proprietários, a empresa não tem como sobreviver. 
5.4 Princípio fundamental de finanças
Um projeto – seja relativo a um novo investimento, à aquisição de uma outra empresa ou a um plano de reestruturação – só aumentará o valor da empresa se o desembolso necessário para sua realização for menor do que o valor presente do fluxo de benefícios líquidos de caixa esperados do projeto.
O valor presente líquido do projeto – VPL – é a diferença entre o valor presente de uma proposta de investimento e os desembolsos necessários a sua implementação.
Desse modo, podemos reescrever, sucintamente, o princípio fundamental de finanças:
uma nova proposta de negócio cria valor se seu VPL é positivo;
uma nova proposta de negócio destrói valor se seu VPL é negativo.
Interpretação do princípio
O princípio fundamental de Finanças requer que o desembolso necessário ao projeto – assim como os fluxos de benefícios líquidos futuros esperados – seja medido em dinheiro, em caixa. 
As empresas, tipicamente, financiam suas propostas de investimento com uma combinação de capital próprio e capital de terceiros, e ambos – acionistas e credores – demandam um retorno por sua contribuição ao financiamento do projeto.
O custo combinado dessas duas fontes de fundos – o custo do capital de terceiros e o retorno requerido pelos acionistas – formará o custo médio ponderado de capital da empresa – CMPC, em inglês, weighted average cost of capital – WACC.
Esse custo médio ponderado de capital será utilizado como taxa de desconto para o cálculo do valor presente líquido. 
5.5 Meta fundamental
Em suma, a meta fundamental que deve nortear as decisões gerenciais de todas as áreas é a maximização do valor da empresa. Isso significa atuar, essencialmente, em duas frentes:
1 
incrementar a capacidade da empresa para gerar fluxos de caixa – que decorrem das receitas de vendas, dos custos e das despesas operacionais, dos tributos e dos investimentos requeridos pelas operações.
2 
gerenciar o custo médio ponderado de capital, que depende das fontes de financiamento – dívidas, ações, retenção de lucros

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