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História Antiga Oriental   Matéria Completa (10 aulas)   1º Semestre

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História Antiga Oriental. 
 
Aula 1 – As Origens da Civilização e do Estado. 
Ao final desta aula, o aluno será capaz de: 
1. Identificar os conceitos relacionados à História Antiga Oriental; 
2. reconhecer as dificuldades em estudar este período; 
3. relacionar a organização das sociedades humanas e o estudo histórico sobre elas. 
 
Nesta primeira aula, estaremos discutindo a construção da disciplina. Devemos nos perguntar o porquê de estudar 
História antiga e como estudá-la, o que é oriente, quando começa a história, enfim, é o momento de perguntas, de 
construir as bases para podermos trabalhar o nosso curso. 
Para começar, é absolutamente fundamental definir alguns conceitos. Mas, o que é um conceito? Conceito é a 
exposição teórica de uma ideia presente na sociedade. Exemplo: se peço para você conceituar cultura, não desejo 
saber sobre a influência da cultura na sua vida ou como ela é importante ao homem. 
A pergunta anterior versa de maneira direta sobre a definição de conceito, de forma que nos permite compreender 
o que é cultura. 
 
Veja um exemplo da história antiga. Antes, pare e pense um pouco! 
Temos escravidão na História Antiga? 
A resposta é sim. Mas, só se entender escravidão como um conceito, quer dizer, um sistema de trabalho que impõe 
ao submetido um regime compulsório. 
Poderia usar, por exemplo, o termo em grego doloi, mas, como muito bem salienta Finley, um dos maiores 
historiadores antigos em seu livro O Uso e o Abuso da História Antiga, quando eu explicasse que doloi era um grupo 
social que vivia sob um regime de trabalho compulsório em que seus senhores poderiam, por exemplo, ter direito 
sobre sua vida ou morte. O que viria na cabeça do aluno? Escravo. Então, perde o sentido conceituar de maneira 
diferente. 
Um aspecto nesse ponto é fundamental: os conceitos são inscritos no tempo. Podemos utilizá-los como referência, 
mas seu entendimento passará necessariamente por sua explicação no meio social. 
 
O Conceito de Oriente: 
Seguindo a busca dos conceitos, devemos entender o que é Oriente. Poderíamos entendê-lo somente como uma 
divisão geográfica? Em termos geográficos, a divisão entre Ocidente e Oriente é proveniente do mapa de fusos 
horários. 
 
Vamos um pouco para trás: o mundo após a II Guerra Mundial viveu uma separação político ideológica, dividida em 
países capitalistas e socialistas. Naquele momento, muito se usava o termo "Cortina de Ferro" para marcar o limite 
das forças capitalistas e socialistas na Europa, representado especialmente pela divisão da Alemanha e o muro 
construído em Berlim. Se naquele momento perguntássemos a qualquer pessoa minimamente esclarecida onde 
está o Ocidente e o Oriente, a explicação seria dada sob a perspectiva do momento. 
Da mesma forma, devemos entender a divisão na antiguidade entre Ocidente e Oriente e o que caracteriza cada um 
deles. De um lado, temos sociedades consideradas berço da humanidade: Egito e Mesopotâmia em especial. Do 
outro, a ideia do que é ser ocidental, certo orgulho de culturas como a grega e a romana, como se todos nós 
representássemos esses grupos. 
O olhar que desejamos é um olhar que fuja dessa dicotomia, desse dualismo. Entende-se Oriente como um espaço 
de poder caracterizado pela organização de importantes civilizações e como suas práticas constroem e influenciam o 
mundo conhecido. Precisamos construir um olhar crítico, que não veja as pirâmides com uma mostra de como esses 
povos eram avançados, mas uma sociedade à qual possamos entender, discutir, que nos permita refletir melhor 
sobre nossa própria sociedade. 
 
História antiga: como estudar? 
Primeiro é necessário pensar nesta periodização: o que é história antiga? O que é algo antigo? De onde surge uma 
ideia como essa? Como já conversamos, as coisas não são criadas ao acaso, em especial, uma divisão de tempo 
como a que utilizamos não é um acidente. Vamos lembrar: 
 
História Antiga: 
1. A linha tradicional do tempo mostra que, do surgimento da escrita (a maioria por cerca de 3.000 a. C.) ao fim do 
Império Romano do Ocidente - Séc. V d.C.: 
a. A Idade Média seria do século V ao XV; 
b. A Idade Moderna, do XVI ao XVIII; 
c. A Idade Contemporânea, do XIX ao XXI). 
Por essa conta, em que idade nós estamos? Contemporânea, certo? Sim e não. 
Se formos ao limite do conceito, todo homem é contemporâneo ao seu tempo, vive sua própria época. Mas, se 
adotarmos os modelos existentes, pode acontecer um congresso daqui a 20 anos que determine que tenhamos 
vivido uma idade de nome diverso. Isso vai alterar quem nós somos. 
Cada homem é filho de seu próprio tempo e os marcos são escolhidos como não naturais ou inquestionáveis. 
 Partindo desse pensamento, observamos ainda brevemente o nome dado às Idades: Antiga, Média, Moderna e 
Contemporânea. 
A que esses nomes nos remetem? Algo que passou, um período intermediário, o homem melhorando, se tornando 
moderno para chegar nos dias de hoje. Essa proposta surge no século XVII, época em que a Europa vivia um 
importante movimento intelectual chamado Iluminismo. Nele, havia a preocupação em marcar que o homem vivia 
um momento especial, a era da razão e da capacidade do homem. 
Na busca de uma afirmação nesse sentido, procura-se negar o período imediatamente anterior: assim, a Idade 
Média será caracterizada pelas trevas para a razão chegar e lhe oferecer a iluminação. 
A antiguidade, então, é o período em que o homem sai de sua condição animalesca e inferior para construir uma 
grande sociedade. O homem tem um tombo, uma falha, para atingir seu auge no período moderno. 
Devemos acreditar nisso? Definitivamente, não! Então, por que continuamos usando esses marcos? A resposta 
está em entendê-los como didáticos, uma forma de dividir e entender o mundo, mas sem acreditar que os períodos 
tem uma sucessão marcada. 
É impossível determinar quando começa ou termina um período. Vivemos em quadros constantes de transições, nos 
quais as sociedades têm continuidades e rupturas ao longo de sua existência. 
 
A história antiga é toda a história antes do fim do Império romano. Caros, estamos falando de milhares de anos, 
milhares de sociedades, práticas que precisam fugir das tradições eurocentristas, mas que marcaram as sociedades 
Ocidentais. 
 
Durante muito tempo, a resposta seria sim. Hoje, apesar de entender a importância da escrita cuneiforme, 
trabalhamos de maneira mais complexa. 
A tradição nos faz responder à questão, mostrando-nos que foi durante a organização dos sumérios na 
mesopotâmia, com o estabelecimento da escrita cuneiforme. Então, tudo o que não é escrito não é história. 
Mas, e agora? Quando começa a história? 
Toda e qualquer sociedade possui patrimônio, organizações, culturas que nos permite quebrar a ideia de um 
evolucionismo para pensar que as sociedade são complexas. As formas de escrita são sempre muitíssimo inferiores 
em quantidade aos relatos e tradições orais. 
Assim, não pretendemos utilizar as noções de pré-história e história, mas sim como as sociedades humanas se 
transformaram desde o aparecimento dos homo sapiens no continente africano há 100.000 anos. 
 
Para facilitar a observação do quão as práticas são complexas, separamos um quadro que mostra a evolução das 
sociedades humanas. 
Depois de ver o quadro, percebe-se que existe a falta de mais informações sobre a América e a África, o que não 
significa imobilismo, mas sim falta de investimento em arqueologia, que atualmente vem crescendo e modificando 
essas visões (vide a descoberta de Luzia em Minas Gerais e o estudo da expansão de bantos e os contatos com 
organizações diversas no espaço africano). 
Quando falamos em revolução do neolítico, precisamos entender o que isso