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A Diplomacia Na Construcao Do Brasil Ricupero

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sobre o programa nuclear do Irã: momento culminante 
 da diplomacia Lula/Amorim 
 O momento em que o Brasil parecia ter dado certo 
 Sombras da diplomacia presidencial de Lula 
671 GOVERNO DILMA: DESASTRE ECONÔMICO E DIPLOMACIA ROTINEIRA (2010-2016)
 672 O sonho acabou: desintegração econômica e fracasso político 
 Os primeiros abalos político-partidários 
 O voluntarismo da política econômica 
 Deterioração econômica gradual e constante 
 As grandes manifestações populares de 2013
 A emergência do fator China 
 Diplomacia desprestigiada e rotineira 
 O ato final: derrocada fiscal, reeleição, impeachment 
 690 Reflexões sobre um desastre 
 Um olhar retrospectivo 
699 PARTE XII | A DIPLOMACIA EM PERSPECTIVA HISTÓRICA 
701 UMA BREVE RECAPITULAÇÃO
705 IDEIAS, PRINCÍPIOS E VALORES DA POLÍTICA EXTERIOR 
 707 A construção dos valores a partir da era monárquica 
 Um Brasil pacífico, amante do Direito e da moderação 
 O poder brando ou suave e o poder inteligente ou do conhecimento
 O ideário diplomático brasileiro antes e depois de Rio Branco 
 A evolução da instituição diplomática
 716 As modificações na consciência da identidade do Brasil no mundo 
718 QUE PODER TEM O BRASIL?
737 A MORAL DA FÁBULA
743 POSFÁCIO
747 BIBLIOGRAFIA SELETIVA 
762 ÍNDICE ONOMÁSTICO
773 CRÉDITOS ICONOGRÁFICOS
781 SOBRE O AUTOR
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O Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, 
centro das decisões diplomáticas brasileiras 
durante a maior parte do século XX.
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POR QUE ESCREVI A DIPLOMACIA 
NA CONSTRUÇÃO DO BRASIL?
Escrevi este livro porque não consegui encontrar nas livrarias o texto que procurava. 
Quase quarenta anos atrás, comecei a dar aulas de história das relações diplomá-
ticas do Brasil. Precisava, para mim e meus alunos, de um compêndio que nos aju-
dasse, a mim a ensinar, a eles a aprender, a evolução da política externa como fio 
inseparável da trama da história nacional. Queria uma obra que acompanhasse a 
evolução da política externa misturada a tudo mais que acontecia naquele momento, 
como parte integral e não segregada da vida coletiva. 
Se tivesse encontrado o que queria, não me teria dado ao trabalho de escre-
ver. O problema é que, na época, não existia nada de parecido com o que desejava. 
No passado, as obras gerais sobre a história do Brasil costumavam dedicar atenção 
marginal aos eventos internacionais e da política externa, no máximo alguns poucos 
parágrafos ou notas esparsas ao pé da página. O mundo exterior não existia. A aten-
ção voltava-se aos fatores internos, como se a história de um país constituísse um 
todo suficiente e fechado em si mesmo, como se os acontecimentos nacionais se 
desenrolassem num vácuo perfeito. 
Mais tarde, certas obras coletivas, a começar pela História geral da civilização 
brasileira, organizada por Sérgio Buarque de Holanda, passaram a confiar a espe-
cialistas a redação de capítulos separados a respeito das relações internacionais 
de períodos determinados. Não havia, porém, unidade ou continuidade entre esses 
capítulos, que refletiam gostos e idiossincrasias individuais e focalizavam aspectos 
às vezes secundários; o conjunto dava a impressão de narrativa incompleta, sem 
coerência interna. 
PREFÁCIO DO AUTOR
Carlos, devote-se ao Brasil, junto comigo. Apesar de todo o ceticismo, 
apesar de todo o pessimismo, [...] seja ingênuo, seja bobo, mas acredite 
que um sacrifício é lindo [...]. Nós temos que dar ao Brasil o que ele não tem 
e que por isso até agora não viveu, nós temos que dar uma alma ao Brasil e 
para isso todo sacrifício é grandioso, é sublime. E nos dá felicidade. [...] 
é no Brasil que me acontece viver e agora só no Brasil eu penso...
(Carta de Mário de Andrade a Carlos Drummond de Andrade, datada de São Paulo, 10/11/1924. 
In: A lição do amigo: cartas de Mário de Andrade a Carlos Drummond de Andrade).
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A DIPLOMACIA NA CONSTRUÇÃO DO BRASIL 1750-2016 PREFÁCIO DO AUTOR
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modelo, este volume tem a cara do professor que se esforça em dar aulas claras e, se 
possível, interessantes. Terá, quem sabe, a vantagem de ser obra de autor único, de 
narrativa cuja unidade flui de um mesmo olhar, sem os benefícios, mas também sem 
a heterogeneidade de compilações de especialistas vários.
Ser obra de um professor, com a marca de uma visão pessoal do mundo e da 
história, não quer dizer que se haja sacrificado, ao menos conscientemente, o rigor 
e a objetividade dos fatos e do seu encadeamento. Buscou-se pisar terreno firme e 
valer-se do que mais seguro existe em matéria de guias em história política e econô-
mica do Brasil, em perspectivas comparativas com países latino-americanos e com 
os Estados Unidos, em cifras e estatísticas, sem abusar de notas, bibliografias ou 
aparato de erudição universitária. 
A ambição do livro é dialogar com os estudantes e também com aqueles que se 
interessam pela história do Brasil e sentem curiosidade pela forma como o país 
se relacionou com o mundo exterior e foi por ele influenciado. Deve muito às obras 
que o precederam, às sínteses pioneiras de Hélio Viana, Delgado de Carvalho, Renato 
de Almeida, Araújo Jorge, à História geral da civilização brasileira, citada antes, às 
mais recentes de José Honório Rodrigues e Ricardo Seitenfus, de Amado Cervo e 
Clodoaldo Bueno, da História do Brasil nação, em cinco volumes, coordenados por 
Lilia Moritz Schwarcz, à série monumental de Fernando de Mello Barreto dedicada 
aos “sucessores do Barão”.
Na área da evolução da economia brasileira, o autor deixou-se guiar, sobretudo, 
pela obra organizada por Marcelo de Paiva Abreu, A ordem do progresso: dois sécu-
los de política econômica no Brasil, nas versões de 1990 e 2014, onde se aprende e 
entende muita coisa além do domínio da economia.
Não houve, no ponto de partida da redação, nenhuma tese ou conclusão que 
se desejasse provar a priori. O próprio título e as observações sobre o papel da polí-
tica externa na construção dos valores do povo brasileiro nasceram com espon-
taneidade da lógica interior da narrativa e se impuseram pela força da evidência. 
Evitou-se o tom de sistemática apologia de algumas histórias antigas. Procurou-se 
compreender e valorizar as razões e as perspectivas do outro, de nossos vizinhos e 
parceiros, às vezes adversários, assumindo, onde cabe, a parcela de responsabili-
dade e culpa que nos corresponde nos conflitos e guerras, sobretudo na região do 
Rio da Prata.
Dito isso, não escondo que este é um olhar de dentro, de alguém cuja identidade 
pessoal, profunda e irredutível, é dada por uma vida inteira devotada ao Itamaraty 
e à diplomacia brasileira. A fim de contar como minha história de vida se enxertou 
no secular tronco da diplomacia do Brasil, permito-me transcrever o começo de um 
Por sua vez, as raras histórias diplomáticas, duas ou três, se tanto, quase todas 
velhas de décadas, incidiam no erro oposto. Isolavam a diplomacia dos fatores polí-
ticos, sociais, econômicos, demográficos que a condicionavam e lhe davam sentido. 
Com isso, a descrição das relações entre embaixadas e ministérios de negócios 
estrangeiros, de tratados e negociações assumia uma forma árida, na qual a enume-
ração de datas, a menção dos nomes de rios e serranias escolhidos como fronteiras 
apareciam ao leitor como alheias à sua própria experiência histórica. Faltava à narra-
tiva a palpitação da vida, o perfil humano de personagens que fizeram a diplomacia.