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Módulo IV - Abrangências em Ações de Saúde (AAS)

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Daniela Junqueira Gomes Teixeira 
UNIME 2018.2 
 
abragências em 
ações de saúde 
módulo IV 
 
 
Daniela Junqueira Gomes Teixeira 
atenção 
primária à 
saúde 
ESTRATÉGIA DA SAÚDE DA FAMÍLIA 
A Atenção Primária à Sáude, conhecida no Brasil como Atenção Básica à Saúde (ABS), passou a 
ser organizada prioritariamenre por meio da Estratégia Saúde da Família (ESF), cuja emergência 
se deu em 1994, mediantes implantação do Programa Saúde da Família (PSF) – visava à 
reorganização do SUS e o aprofundamento da munipalização – 
Um estudo publicado por Gil, em 2006, contendo analise dos conceitos de Atenção Primaria, 
Atenção Básica e Saúde da Familia e baseado em documentos oficiais do Ministeiros da Saúde e 
revisão de literatura, mostrou que conceitos de APS e ABS eram comumente apresentados com 
o significado de unidade de saúde ou serviçi local, e em alguns documentos oficiais (NOBS, LEI 
8080/90...) nem são citados de forma explicita. 
 
A Estratégia de Saúde da Família (ESF) é um modelo assistencial orientado a partir da atenção 
primária, em um momento onde as necessidades de saúde não são mais atendidas pelo modelo 
hospitalocêntrico vigente até então 
Vanderlei e Almeida, 2007, apontam a Estratégia de Saúde da Família como alternativa para 
reorganização da oferta de serviços de saúde, inserindo a proposta no âmbito do debate em 
torno das opções para reorientação do modelo assistencial vigente, predominantemente 
hospitalocêntrico e curativo. A Estratégia de Saúde da Família em certos municípios brasileiros 
constitui-se em uma estratégia que completa tanto a organização de oferta sobre problemas e 
necessidades, aproximando-se do modelo da vigilância à saúde e da distritalização. Por isso, a 
Estratégia de Saúde da Família atualiza essa figura de modo a inserir-se entre os modelos 
alternativos. A principal mudança com a proposta da ESF é no foco de atenção, que deixa de ser 
centrado exclusivamente no indivíduo e na doença, passando também para o coletivo, sendo a 
família o espaço privilegiado de atuação. 
Assim foi instituída através da portaria nº 2.488, de 21 de outubro de 2011, a Política Nacional 
da Atenção Básica (PNAB) com vistas à revisão da regulamentação de implantação e 
operacionalização da Estratégia Saúde da Família vigente até então. 
Dá-se aqui a importância devida à hipertensão arterial sistêmica no contexto da atenção básica, 
já que segundo Brasil, 2006, na série de Pactos Pela Saúde, a hipertensão se encontra dentre as 
áreas estratégicas para atuação em todo o território nacional para a operacionalização da 
Atenção Básica, juntamente com a eliminação da hanseníase, o controle da tuberculose, o 
controle do diabetes mellitus, a eliminação da desnutrição infantil, a saúde da criança, a saúde 
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da mulher, a saúde do idoso, a saúde bucal e a promoção da saúde. Também foi lançado pelo 
Ministério da Saúde brasileiro, em 2011, o Plano de ações estratégicas para o enfrentamento 
das DCNT no Brasil, 2011-2022, dentre elas a hipertensão arterial sistêmica, com o objetivo de 
enfrentar e deter, nos próximos dez anos essas doenças. “No país, essas doenças constituem o 
problema de saúde de maior magnitude e correspondem a cerca de 70% das causas de mortes, 
atingindo fortemente camadas pobres da população e grupos mais vulneráveis, como a 
população de baixa escolaridade e renda. ” (BRASIL, 2011, p. 6) 
Cada UBS deve ser localizada dentro do território-área de sua responsabilidade e estar 
devidamente inscrita no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) do Ministério 
da Saúde (BRASIL, 2006). As especificações de área física e insumos apresentados a seguir foram 
retirados do “Manual de estrutura física das unidades básicas de saúde: saúde da família” 
(BRASIL, 2006) que foi norteado pelos princípios da Resolução da Diretoria Colegiada n. 50 da 
Anvisa, de fevereiro de 2002 (BRASIL, 2006), que dispõe sobre a regulamentação técnica para 
planejamento, programação e avaliação de projetos físicos de Estabelecimentos Assistenciais de 
Saúde (EAS). Conforme esse manual, cada UBS deve possuir estrutura física e insumos em 
qualidade e quantidade para permitir a realização de atenção primária com alta resolubilidade. 
A mínima composição da equipe de Saúde da Família requer a presença de um médico 
generalista, um enfermeiro, dois auxiliares de enfermagem e agentes comunitários de saúde em 
número suficiente para cobrir 100% da população adscrita, respeitando-se o teto máximo de 
um ACS para cada 750 pessoas e de 12 ACS para equipe da ESF (Brasil, 2006) 
ACOLHIMENTO 
O acolhimento é avaliado como estratégia para mudar o processo de trabalho em saúde. O ato 
de escuta é um momento de construção, em que o trabalhador utiliza seu saber para a 
construção de respostas as necessidades dos usuários, e pressupõe o envolvimento de toda a 
equipe que, por sua vez, deve assumir postura capaz de acolher, de escutar e de dar resposta 
mais adequada a cada usuário, responsabilizando-se e criando vínculos (TESSER; NETO; 
CAMPOS, 2010). Segundo Gomes e Pinheiro (2005), através do acolhimento se reconhece que 
através de uma escuta eficaz e qualificada cria novas alternativas que tirem de foco a consulta 
médica, tornando mais racional a sua utilização não servindo como barreira para disciplinar a 
população da demanda espontânea, ou seja, ao invés de facilitar o acesso dos cidadãos, colocar-
se como mais um obstáculo a ser ultrapassado para que o usuário chegue a assistência. O 
acolhimento envolve uma postura ética e respeitosa no cuidado com o usuário, devendo ser 
também um momento para o estabelecimento de prioridades (GOMES; PINHEIRO, 2005). 
A prática do acolhimento exige reflexões e mudanças a respeito da forma como atuam os 
serviços de saúde, de como o a formação dos profissionais de saúde está deixando de ser 
utilizada para a assistência integral da população e para a melhoria do serviço. O acolhimento 
exige postura ética e atitude, por parte da equipe de saúde, de atender, escutar com qualidade 
e tratar humanamente os usuários com suas demandas, para que se estabeleça uma relação 
confiança e apoio entre os profissionais e usuários. Nesta perspectiva, Lopes et al, 2014, afirmam 
que o acolhimento é considerado um processo, resultado das práticas de saúde e produto da 
relação entre trabalhadores de saúde e usuários, ensejando posturas ativas por parte dos 
trabalhadores para com as necessidades do usuário e resgatando a humanização e o respeito 
com o outro. 
Daniela Junqueira Gomes Teixeira 
Quanto ao acolhimento, foi constatado que apesar de o livre acesso proporcionar atendimento 
a usuários de outros territórios, faz-se presente a função da atenção primária de acolher seus 
usuários, estabelecendo mecanismos que assegurem “que a unidade de saúde deve receber e 
ouvir todas as pessoas que procuram os seus serviços, de modo universal e sem diferenciações 
excludentes” (BRASIL, 2012, p. 14). 
DEMANDA ESPONTÂNEA E DEMANDA PROGRAMADA 
Chama-se de demanda espontânea aquele que comparece a unidade inesperadamente, seja 
para problemas agudos ou por motivos que o próprio paciente julgue como necessidade de 
saúde. E ela deve ser acolhida na atenção básica por que: 1) o usuário apresenta queixas que 
devem ser acolhidas e problematizadas junto ao paciente, 2) a atenção básica consegue 
absorver e ser resolutiva em grande parte dos problemas de saúde, 3) para criação e 
fortalecimento de vínculos e 4) cria-se oportunidade para invenção de novas estratégias de 
cuidado e de reorganização do serviço (BRASIL, 2010). 
A Estratégia Saúde da Família tem como um dos principais desafios o desenvolvimento do 
processo de trabalho embasado em planejamento de ações.

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