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Módulo IV - Abrangências em Ações de Saúde (AAS)

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a maternidade de referência na qual a gestante, de determinado território, 
deverá ser atendida no momento do parto e/ou ocorra intercorrências durante o pré-natal, 
porém, esta norma não traz um conceito formal deste termo. A Rede Cegonha usa a ideia 
“vinculação da gestante à unidade de referência e ao transporte seguro” (BRASIL, 2011). Esse 
estudo tem por objetivo analisar o processo de vinculação das gestantes residentes em um 
distrito sanitário de Salvador, à Maternidade de Referência do Estado 
A fomentação de ações na vinculação tem sido de salutar importância, tanto para o serviço 
quanto para as gestantes, dando oportunidade às mulheres de conhecer a maternidade onde 
serão atendidas durante o parto, de obter informações sobre as normas, rotinas e 
procedimentos que devem ser seguidos pelas gestantes e pelos seus respectivos 
acompanhantes, possibilita esclarecimentos das dúvidas, além de ser um redutor de ansiedade 
em momento tão importante para a mulher e sua família. Outro aspecto importante da 
vinculação é a aproximação e o fortalecimento do vínculo entre o profissional que atua na rede 
básica, que é a porta de entrada da gestante para o acesso aos serviços de saúde, e os 
profissionais da maternidade. Referida aproximação contribui para a eficácia e eficiência do 
atendimento e acompanhamento da saúde do binômio mãe/bebê antes, durante após o parto. 
Conclui-se que a mudança de paradigma na assistência ao parto e nascimento só é possível 
através do fortalecimento do vínculo entre profissionais da rede básica e da maternidade 
referenciada, da eficácia e eficiência do atendimento e acompanhamento do binômio 
mãe/bebe, do empoderamento das gestantes quanto as mudanças inerentes ao seu estado 
gravídico e dos direitos e deveres que as assistem, e do compromisso de cada sujeito engajado 
na defesa e na garantia de construir um sistema de saúde mais equânime, integral e acessível. 
REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL 
De acordo com os princípios da Reforma Psiquiátrica Brasileira, consolidados na Lei n° 10.216 
de 06/04/2001, a atenção a pessoas com transtornos mentais e com problemas decorrentes do 
uso/abuso e/ou dependência álcool e outras drogas deve se dar, preferencialmente, em serviços 
comunitários de saúde mental, portanto, busca consolidar um modelo de atenção aberto, 
Daniela Junqueira Gomes Teixeira 
garantindo a livre circulação das pessoas com problemas mentais pelos serviços, pela 
comunidade e pela cidade. 
A Portaria GM/MS, nº 3.088, de 23/12/2011, que institui a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) 
para atenção às pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes 
do uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), amplia a 
concepção de cuidado, não centrando em apenas uma unidade, mas expandindo as ofertas de 
atenção ao apontar novos serviços, distribuídos em (07) sete componentes: Atenção Básica, 
Atenção Psicossocial Especializada, Atenção de Urgência e Emergência, Atenção Hospitalar, 
Atenção Residencial de Caráter Transitório, Estratégias de Desinstitucionalização e Reabilitação 
Psicossocial. Estes componentes são constituídos por um elenco de pontos de atenção, dentre 
os quais se destacam os Centros de Atenção Psicossociais (CAPS) em todas as suas modalidades: 
CAPS I, CAPS II, CAPS III, CAPS i, CAPS ad e CAPS ad III. 
Os CAPS nas suas diferentes modalidades são pontos de atenção estratégicos da RAPS: serviços 
de saúde de caráter aberto e comunitário constituídos por equipe multiprofissional que atua 
sob a ótica interdisciplinar e realiza prioritariamente atendimento às pessoas com transtornos 
mentais graves e persistentes e às pessoas com sofrimento ou transtorno mental em geral, 
incluindo aquelas com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, em sua 
área territorial, sejam em situações de crise ou nos processos de reabilitação psicossocial (Brasil, 
2011) e são substitutivos ao modelo asilar. 
Os CAPS têm papel estratégico na articulação da RAPS, tanto no que se refere à atenção direta 
visando à promoção da vida comunitária e da autonomia dos usuários, quanto na ordenação do 
cuidado, trabalhando em conjunto com as Equipes de Saúde da Família e Agentes Comunitários 
de Saúde, articulando e ativando os recursos existentes em outras redes, assim como nos 
territórios. 
A SESAB vem apoiando tecnicamente os municípios na implantação e implementação da Rede 
de Atenção Psicossocial, sobretudo no que se refere ao processo de credenciamento, habilitação 
dos serviços junto ao Ministério da Saúde e na qualificação profissional. 
Atualmente, a Bahia dispõe de 263 CAPS no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde 
(CNES), sendo que destes 226 se encontram habilitados e financiados pelo MS e 19 em 
funcionamento sem habilitação, com processo em análise, no MS. Quanto aos demais (dezoito 
municípios), permanecem sendo custeados apenas pelo município, enquanto aguarda-se que os 
Gestores Municipais sanem as suas pendências processuais para inclusão em pauta, na 
Comissão Intergestores Bipartite, e posterior solicitação de habilitação ao MS. Até a presente 
data, o estado da Bahia tem co-finaciado dois CAPS III, localizados nos municípios de Feira de 
Santana e Salvador resultando em um investimento estadual de R$ 550.000,00. Salientamos, 
ainda, que o estado tem uma parceria firmada com a Universidade Federal da Bahia, através de 
um contrato, na manutenção e funcionamento do CAPS Ad docente assistencial Gregório de 
Matos cujo montante é de R$ 2.349.215,28. O referido CAPS integra ações do Pacto pela Vida e 
oferta qualificação para mais de 80% dos profissionais da rede SUS Bahia, no que se refere a 
álcool e drogas. 
CAPS – CENTROS DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL 
CAPS I 
Atende pessoas de todas as faixas etárias que apresentam prioritariamente intenso sofrimento 
psíquico decorrente de transtornos mentais graves e persistentes, incluindo aqueles 
Daniela Junqueira Gomes Teixeira 
relacionados ao uso de substâncias psicoativas, e outras situações clínicas que impossibilitem 
estabelecer laços sociais e realizar projetos de vida. Indicado para municípios ou regiões de 
saúde com população acima de 15.000 (quinze mil) habitantes. 
CAPS II 
Atende prioritariamente pessoas em intenso sofrimento psíquico decorrente de transtornos 
mentais graves e persistentes, incluindo aqueles relacionados ao uso de substâncias psicoativas, 
e outras situações clínicas que impossibilitem estabelecer laços sociais e realizar projetos de 
vida. Indicado para municípios ou regiões de saúde com população acima de 70.000 (setenta 
mil) habitantes. 
CAPS III 
Atende prioritariamente pessoas em intenso sofrimento psíquico decorrente de transtornos 
mentais graves e persistentes, incluindo aqueles relacionados ao uso de substâncias psicoativas, 
e outras situações clínicas que impossibilitem estabelecer laços sociais e realizar projetos de 
vida. Proporciona serviços de atenção contínua, com funcionamento vinte e quatro horas, 
incluindo feriados e finais de semana, ofertando retaguarda clínica e acolhimento noturno a 
outros serviços de saúde mental, inclusive CAPS AD. Indicado para municípios ou regiões de 
saúde com população acima de 150.000 (cento e cinquenta mil) habitantes. 
CAPSi 
Atende crianças e adolescentes que apresentam prioritariamente intenso sofrimento psíquico 
decorrente de transtornos mentais graves e persistentes, incluindo aqueles relacionados ao uso 
de substâncias psicoativas, e outras situações clínicas que impossibilitem estabelecer laços 
sociais e realizar projetos de vida. Indicado para municípios ou regiões com população acima de 
70.000 (setenta mil) habitantes. 
CAPS ad II 
Serviço de atenção