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Módulo IV - Abrangências em Ações de Saúde (AAS)

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por inúmeras 
dificuldades operacionais para cumprir as diretrizes estabelecidas na Política Nacional de 
Atenção à Saúde dos Povos Indígenas. Esses problemas levaram a recorrentes 
manifestações de insatisfação dos indígenas e à permanente demanda por mudanças. 
Isso gerou, na 4ª CNSI, ocorrida em 2006, um intenso debate sobre a mudança da gestão 
das ações de saúde indígena da Funasa para o Ministério da Saúde. 
Essa discussão foi retomada em um seminário nacional intitulado “Gestão e Controle 
Socialb– Desafios da Saúde Indígena”, que ocorreu em novembro de 2008, com o apoio 
do Conselho Nacional de Saúde, e culminou no consenso sobre a retirada da gestão da 
saúde indígena da Funasa e na reivindicação da criação da Secretaria Especial de Saúde 
Indígena (SESAI) no Ministério da Saúde. 
Nesse seminário, foi formado um grupo de trabalho para discutir e apresentar propostas 
de ações e medidas a serem implantadas no âmbito do Ministério da Saúde, 
particularmente, no que se refere à atenção a saúde dos povos indígenas, com vista à 
incorporação das competências e das atribuições procedentes da Funasa. 
Esse grupo de trabalho, composto por 26 membros (17 indígenas e 9 não indígenas) e 
coordenado pela Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa (SGEP) do Ministério da 
Saúde, iniciou as atividades em janeiro de 2009. Foram realizadas reuniões e seminários 
regionais nos quais as propostas eram debatidas por gestores, profissionais de saúde e 
representantes indígenas. 
Em 24 de março de 2010 o presidente Lula assinou a Medida Provisória (MP)483/10 que 
permitia a criação da SESAI. A MP foi aprovada pelo Plenário da Câmara dos Deputados 
em 6 de julho de 2010 e pelo Senado em 3 de agosto, transformando-se na Lei Ordinária 
nº 12.314, sancionada pelo Presidente Lula em 19 de agosto de 2010. 
Daniela Junqueira Gomes Teixeira 
Em 19 de outubro de 2010, foi publicado o Decreto que aprovou a estrutura regimental 
do Ministério da Saúde (Decreto nº 7.336), com a criação da Sesai, passando 
definitivamente a gestão do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena para o Ministério 
da Saúde. 
A SESAI tem o papel de coordenar e avaliar as ações de atenção à saúde no âmbito do 
subsistema, além de promover a articulação e a integração com os setores 
governamentais e não governamentais que possuem interface com a atenção à saúde 
indígena. 
É responsabilidade desta secretaria identificar, organizar e disseminar conhecimentos 
referentes à saúde indígena e estabelecer diretrizes e critérios para o planejamento, 
execução, monitoramento e avaliação das ações de saneamento ambiental e de 
edificações nos Distritos Sanitários Especiais Indígenas. Em relação ao controle social, a 
SESAI deve promover e apoiar o fortalecimento e o exercício pleno do controle social no 
Subsistema de Atenção à Saúde Indígena. A estrutura administrativa da Sesai é composta 
pelo Departamento de Atenção à Saúde Indígena, pelo Departamento de Gestão da 
Saúde Indígena e pelo Departamento de Saneamento e Edificações de Saúde Indígena. 
O envolvimento e o apoio do movimento indígena imprimiram ao processo de criação 
da SESAI um caráter amplamente participativo, o que trouxe para a SESAI, além do 
desafio de superar os problemas de gestão do subsistema, o compromisso de manter 
canais permanentes de comunicação com todos os atores envolvidos na atenção à saúde 
indígena e criar novas bases na relação entre os povos indígenas e o governo. 
DEMOGRAFIA INDÍGENA 
Dentre os dez Estados com maior população indígena autodeclarada destacam-se 
Amazonas com população de 168.680 indígenas, Mato Grosso do Sul com 73.295 
indígenas, Bahia com 56.381 indígenas, Pernambuco com 53.284 indígenas, Roraima com 
49.637 indígenas, Mato Grosso com 42.538 indígenas, São Paulo com 41.794 indígenas, 
Pará com 39.081 indígenas, Maranhão com 35.272 indígenas e Rio Grande do Sul com 
32.989 indígenas. 
Hoje se encontram no estado da Bahia, é perceptível que já havia uma grande 
diversidade de tribos indígenas diferentes do estado no passado. Curt Nimuendajú 
identificou mais de 50 sociedades indígenas diferentes e pelo menos 9 etnias diferentes. 
Hoje, ainda há uma grande diversidade de sociedades indígenas na Bahia, o Instituto 
Socioambiental (ISA) identificou 14 tribos. São elas: Atikum, Kaimbé, Kantaruré, Kiriri, 
Pankaru, Pankararé, Pataxó, Pataxó Hã-ha- hãe, Payayá, Truká, Tumbalalá, Tupinambá, 
Tuxá e Xukuru-Kariri 
 
 
 
Daniela Junqueira Gomes Teixeira 
 
 
mortalidade 
infantil 
CÁLCULO 
 Direto: 
𝑁ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑑𝑒 ó𝑏𝑖𝑡𝑜𝑠 𝑑𝑒 𝑟𝑒𝑠𝑖𝑑𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠 𝑐𝑜𝑚 𝑚𝑒𝑛𝑜𝑠 𝑑𝑒 𝑢𝑚 𝑎𝑛𝑜 𝑑𝑒 𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒
𝑁ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑑𝑒 𝑛𝑎𝑠𝑐𝑖𝑑𝑜𝑠 𝑣𝑖𝑣𝑜𝑠 𝑑𝑒 𝑚ã𝑒𝑠 𝑟𝑒𝑠𝑖𝑑𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠
 𝑥 1000 
 Indireto: estimativa por técnicas demográficas especiais. Os dados provenientes 
deste método têm sido adotados para os estados que apresentam cobertura do 
Sinasc inferior a 90% ou que não atingem o valor de 80% de um índice composto, 
especialmente criado, que combina a cobertura de óbitos infantis com a 
regularidade do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). 
 Estima o risco de morte dos nascidos vivos durante o seu primeiro ano de vida. 
 Reflete, de maneira geral, as condições de desenvolvimento socioeconômico e infra-
estrutura ambiental, bem como o acesso e a qualidade dos recursos disponíveis para 
atenção à saúde materna e da população infantil. 
 Expressa um conjunto de causas de morte cuja composição é diferenciada entre os 
subgrupos de idade. 
 Costuma-se classificar o valor da taxa como alto (50 por mil ou mais), médio (20 a 
49) e baixo (menos de 20), parâmetros esses que necessitam revisão periódica, em 
função de mudanças no perfil epidemio-lógico. Valores abaixo de 10 por mil são 
encontrados em vários países, mas deve-se considerar que taxas reduzidas podem 
estar encobrindo más condições de vida em segmentos sociais específicos. 
A MORTALIDADE INFANTIL NO BRASIL 
A mortalidade infantil é um indicador de saúde definido pelo número de mortes em 
menores de 01 ano para cada mil nascidos vivos e se relaciona com as condições de vida 
e saúde, eficiência dos serviços de saúde e desempenho dos programas dirigidos a sua 
redução. 
Recentemente, o Ministério da Saúde tem estimulado o debate sobre a forma mais 
adequada de estimar a mortalidade infantil no país. Parte-se do princípio de que nos 
locais para os quais a cobertura dos sistemas de informação é adequada, a mortalidade 
infantil deve ser calculada de forma direta 
Daniela Junqueira Gomes Teixeira 
No Brasil, a Mortalidade Infantil vem sendo considerada uma das questões prioritárias 
de saúde pública, onde suas causas vêm se alterando ao longo das últimas décadas. 
Fatores como desenvolvimento social e melhoria nas condições de habitação, assim 
como a redução da fecundidade na população brasileira influenciaram de forma 
significativa a redução das taxas de mortalidade infantil no país a partir dos anos 2000. 
Santos et al, (2010) colocam que as taxas de mortalidade infantil refletem a efetividade 
das intervenções feitas pelo governo no tocante à saúde pública, além de sofrerem 
influências diretas dos modelos socioeconômicos adotados pelo país. Dessa forma sua 
análise serve como subsídio nos processos de planejamento, gestão e avaliação das 
ações de saúde infantil. 
Atualmente a redução nas taxas de Mortalidade Infantil é visível no Brasil. As 
recentes reduções nas taxas observadas dos indicadores de morbimortalidade em 
menores de 05 anos são decorrentes das significativas melhorias dos aspectos 
demográficos, econômicos, sociais e também a ampliação das medidas de prevenção à 
saúde, além da implantação de Programas de Atenção Integral

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