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Módulo IV - Abrangências em Ações de Saúde (AAS)

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Foi implantado com o intuito de 
reorganizar o acesso ao SUS e dar direcionamento as demandas da população adstrita, além de 
ter como um de seus eixos a promoção de saúde e prevenção de agravos, por meio da 
longitudinalidade. Para isso, as agendas dos profissionais são organizadas de forma programada 
com períodos específicos para procedimentos e atividades (VELLOSO, 2012). Friederich e 
Pierantone (2006) definem como demanda programada aquela que é agendada previamente, 
ou seja, toda demanda gerada de ação prévia a consulta, sendo um importante instrumento de 
ação quando se trata de um serviço que compões a rede de Atenção Primária a Saúde pautada 
em ações preventivas. 
PROGRAMAS DA ATENÇÃO PRIMÁRIA PARA NEGROS E QUILOMBOLAS 
POLÍTICA NACIONAL DE ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DA POPULAÇÃO NEGRA 
Em novembro de 2006, o Conselho Nacional de Saúde aprovou por unanimidade a criação da 
PNSIPN, reconhecendo as desigualdades raciais como fatores que interferem no processo saúde, 
doença, cuidado e morte, bem como a necessidade de implementar políticas que combatessem 
as iniquidades. Entretanto, a PNSIPN só foi pactuada na Comissão Intergestores Tripartite em 
2008, e o Ministério da Saúde só publicou em maio de 2009, a Portaria reconhecendo que o 
racismo existente na sociedade brasileira impacta a saúde, a redução das desigualdades sociais, 
considerando como causas determinantes e condicionantes de saúde: modos de vida, trabalho, 
habitação, ambiente, educação, lazer, cultura, acesso a bens e serviços essenciais, entre outros, 
podem estar associados ao racismo e a discriminação social” (BRASIL, 2009). A Política Nacional 
de Saúde Integral da População Negra, ao reconhecer o racismo, as desigualdades étnico-raciais 
e o racismo institucional como determinantes sociais das condições de saúde da população, 
elencou os seguintes objetivos específicos: 
• Aprimorar os sistemas de informação em saúde pela inclusão do quesito cor em todos 
os instrumentos de coleta de dados adotados pelo Sistema Único de Saúde (SUS); 
• Desenvolver ações para reduzir indicadores de morbimortalidade materna e infantil, 
doença falciforme, hipertensão arterial, diabetes mellitus, HIV/AIDS, tuberculose, 
Daniela Junqueira Gomes Teixeira 
hanseníase, cânceres de colo uterino e de mama, miomas, transtornos mentais na 
população negra; 
• Garantir e ampliar o acesso da população negra do campo e da floresta e, em particular, 
das populações quilombolas, às ações e aos serviços de saúde; e 
• Garantir o fomento à realização de estudos e pesquisas sobre racismo e saúde da 
população negra. 
A implantação da PNSIPN tinha a finalidade de destacar a importância do racismo como 
determinante social da saúde. A responsabilidade por sua implementação coube às diversas 
Secretarias Estaduais e Municipais e órgãos do Ministério da Saúde, sob a coordenação geral da 
Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa do Ministério da Saúde (SGEP-MS). A SGEP-MS 
seria responsável pela disseminação da Política, sensibilização dos profissionais, 
monitoramento, avaliação e apoio técnico aos departamentos e áreas do Ministério da Saúde, 
Secretarias de Saúde de estados e municípios. 
PROGRAMA BRASIL QUILOMBOLA 
O Programa Brasil Quilombola, criado em 2005 e coordenado pela Secretaria Especial de Política 
de Promoção da Igualdade Racial - Seppir - em ação conjunta com os organismos federais 
vinculados ao já citado Decreto n° 4.887/2003, “estabelece uma metodologia pautada em um 
conjunto de ações que possibilitem o desenvolvimento sustentável dos quilombolas em 
consonância com suas especialidades históricas e contemporâneas, garantindo direitos à 
titulação e a permanência na terra [...]” (Brasil, 2005) e tem como proposta essencial o 
enfrentamento das diferenças para que se valorizem as diversidades dos povos negros no 
tocante às dimensões do ecossistema, do gênero, da regulamentação fundiária, da saúde, da 
educação, dentre outros. O Brasil Quilombola ainda assegura acesso à alimentação, melhoria 
das condições socioeconômicas, benefícios sociais e educacionais, incentivo à cultura, bem estar 
comunitário, fatores relacionados ao processo de sucessão, ao esporte, amparo político, dentre 
outros. Seus pilares são fundamentados, a exemplo da PNATER, em princípios agroecológicos, 
estabelecendo que os quilombolas sejam posicionados como protagonistas em todo o processo 
de decisão, fortalecendo-se, desta forma, a identidade cultural e política. Com esta sucinta 
apresentação é possível reter que há uma espécie de duplicidade de funções e premissas em 
relação ao que preconizam as políticas públicas citadas. Uma visão otimista poderia prever que 
uma política suplantaria as faltas da outra, já que ambas apresentam diretrizes semelhantes. A 
oferta dupla de propostas, entretanto, não garante que esses grupos obtenham seguridade de 
seus direitos em termos fundiários e de desenvolvimento sustentável. Defende-se que a questão 
essencial no tocante às comunidades quilombolas não é a de criação de outras leis ou políticas 
que façam valer direitos já assegurados oficialmente. 
O Programa Brasil Quilombola é um conjunto de medidas descentralizadas entre instituições 
governamentais nos âmbitos federal, estadual, municipal e organizações da sociedade civil, co 
ordenadas pela Seppir por meio da Subsecretaria de Políticas para Comunidades Tradicionais. 
Tais medidas foram estruturadas em quatro eixos: 1) Regularização Fundiária; 2) Infraestrutura 
e Serviços; 3) Desenvolvimento Econômico e Social e 4) Controle e Participação Social. 
A regularização fundiária compreende uma série de etapas administrativas. O grau de 
importância da titulação territorial pode ser avaliado tanto pelos entraves à sua efetivação 
quanto pela ótica do seu significado para as comunidades quilombolas. O território é 
Daniela Junqueira Gomes Teixeira 
fundamental para a reprodução física, social e cultural das comunidades. Nesse sentido, vai além 
da dimensão da terra como espaço físico e geográfico, mas consiste na base mantenedora da 
historicidade, coesão e existência das gerações atuais e futuras. 
Ou seja, a existência de políticas sobrepostas que incluam os quilombolas como beneficiários 
não é suficiente para garantir-lhes o direito essencial de posse coletiva de terras ou mesmo de 
reconhecê-los como sujeitos ativos nas articulações socioculturais em face aos espaços que 
ocupam. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MEDICINA DA FAMÍLIA E COMUNIDADE 
 
A Medicina de Famiĺia e Comunidade (MFC) é definida como a especialidade médica que presta 
assistência à saúde de forma continuada, integral e abrangente para pessoas, suas famiĺias e a 
comunidade; integra ciências biológicas, clińicas e comportamentais; abrange todas as idades, 
ambos os sexos, cada sistema orgânico e cada doenca̧; trabalha com sinais, sintomas e 
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problemas de saúde; e proporciona o contato das pessoas com o médico mesmo antes que 
exista uma situacã̧o de doenca̧ ou depois que esta se resolva. Tambeḿ tem, como caracteriśtica 
especial, o acesso do médico de famiĺia e comu- nidade ao domiciĺio das pessoas.1 A MFC tem, 
como seu representante na prat́ica das espe- cialidades, o médico de famiĺia e comunidade, cuja 
definicã̧o tem pelo menos três versões desde 1974 
A Medicina de Famiĺia e Comunidade (MFC) parece ser uma especialidade bastante recente no 
Brasil, embora exista a bastante tempo com diferentes nomes, formas ou bases conceituais. 
No entanto, nas dećadas de 1960 e 1970, ja ́ ocorriam experiências, no Brasil, que se 
aproximavam do que hoje e ́ conhecido como Atencã̧o Primaŕia à Saúde (APS) e, até mesmo, 
como MFC. Essas

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