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Módulo IV - Abrangências em Ações de Saúde (AAS)

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à Saúde da Mulher e da 
Família, como também maiores investimentos na cobertura de programas de 
imunizações. 
O Coeficiente de Mortalidade Infantil (CMI) é considerado como um indicador duplo de 
saúde, pois serve tanto para medir as condições de saúde quanto para medir as 
condições de vida de determinada população. Tem se observado recentemente que 
tendências decrescentes nos índices de Mortalidade Infantil não necessariamente 
indicam a melhoria nas condições de vida de uma população. Países com 
desenvolvimento econômico inferior ao Brasil como, por exemplo, Costa Rica e Cuba, 
possuem taxas de Mortalidade Infantil muito inferior as taxas brasileiras, fato este que 
demonstra que o CMI não depende exclusivamente da renda de um país, mas sim de 
como ela é distribuída e como a Mortalidade Infantil é levada a sério por seu governo. 
A situação da saúde pública brasileira é marcada por modificações desencadeadas por 
meio do desenvolvimento conjunto de políticas intersetoriais. No tocante a saúde 
infantil, essas modificações encontram-se, frequentemente, ligadas a melhoria das 
condições de saneamento básico, melhoria do poder aquisitivo da população e a 
amplitude da cobertura vacinal brasileira, além de melhorias e facilidades no acesso as 
consultas de pré-natal. Fatores estes que atuaram, mesmo que nem sempre 
simultaneamente, a favor da redução das taxas de mortalidade infantil no Brasil. Por 
muito tempo grande parte das mortes era causada por doenças infectocontagiosas e 
problemas durante a gravidez, partos e nascimento, porém com o passar dos anos 
ocorreram consideráveis melhorias na infraestrutura do sistema de saúde e das 
habitações brasileiras e nas condições ambientais e nutricionais da população. 
Atualmente a maior parte dos óbitos são resultados do rendimento familiar, afetando a 
quantidade e a qualidade da alimentação, as condições médico-sanitárias e condições 
das moradias. 
Daniela Junqueira Gomes Teixeira 
Nos últimos anos, no Brasil, essa taxa teve redução significativa de cerca de 75%. A 
ausência de saneamento básico, acompanhamento médico insuficiente e ineficaz, além 
da contaminação de água e alimentos são causas comuns de mortalidade infantil, mas 
de acordo com estudos atuais o analfabetismo do país configura- se também como uma 
das principais causas de mortes infantis no Brasil. Fato este que ocorre porque doenças 
como diarreia, Hepatite A e cólera são facilmente tratados e chegam à cura quando a 
população é instruída sobre como identificar e tratar tais enfermidades. Ou seja, tendo 
conhecimento sobre determinada doença, torna-se mais fácil identificá-la e tratá-la 
adequadamente. Análises relativas as principais causas de MI no Brasil entre os anos de 
2000 a 2010 revelam que em todo o território nacional a prematuridade se configura 
como a principal causa de óbitos infantis ocorridas na primeira semana de vida, seguida 
pela asfixia/hipóxia, que se configura como segunda maior causa de óbitos nas regiões 
Norte e Nordeste, divergindo das demais regiões do país, onde são as malformações 
congênitas que se encaixam nesta posição. 
Estudos realizados em 2010, voltados à descoberta das causas mais comuns de 
Mortalidade Infantil (MI) no mundo revelaram que dois terços das 7,6 milhões de crianças 
que morreram antes de completar cinco anos foram vítimas de infecções, onde a 
pneumonia foi a principal delas. Além da pneumonia, aparecem também encabeçando 
as listas das principais causas o sarampo e a diarreia 
MORTALIDADE INFANTIL INDÍGENA 
os fatores causais para as afecções na cultura indígena estão classificadas basicamente 
em dois grupos: os místicos e os naturais. O primeiro se caracteriza pelo fato de os índios 
interpretarem que as doenças estão associadas a crenças religiosas e o sofrimento 
humano a domínios espirituais e alterações da alma. Já no segundo grupo, eles 
consideram fatores relacionados ao ambiente, como a chuva, a seca e a estação do ano, 
além de aspectos individuais, como estresse, desânimo e alimentação inadequada, como 
fatores que determinam o desequilíbrio do corpo. Com relação ao processo saúde-
doença da criança indígena, muitas tribos acreditam que os pais são os responsáveis, 
sendo a patologia resultada de algum fator causal realizado ou cometido pelos genitores. 
Nascer em uma aldeia aumenta em duas vezes a probabilidade de morrer antes de 
completar 1 ano. Se for xavante ou ianomâmi, pior ainda – as chances de sobreviver até 
os 5 anos são quase nove vezes menores. Fome, diarreia, desnutrição, miséria e 
condições precárias de saúde e saneamento 
No início da década de 1990, a cada mil crianças nascidas vivas, 61 morriam. Hoje, são 
16. Dados dignos de comemoração, mas que não refletem a realidade de todos os cantos 
do Brasil. Se nas grandes cidades as taxas, de fato, caíram, nas comunidades mais isoladas 
– como as aldeias – elas ainda contabilizam muitas vítimas. No ano passado, 785 crianças 
indígenas morreram em território nacional. De todas as etnias, os xavantes (MT) tiveram 
o maior número de lutos: 116 crianças de até 5 anos não sobreviveram. De - pois, vem o 
Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Maranhão (que reúne mais de dez povos), com 
71 mortes. 
Daniela Junqueira Gomes Teixeira 
Em números absolutos, o problema não assusta tanto. Mas quando se aplicam as 
proporções, a realidade é chocante. A cada mil nascidos vivos nas comunidades xavante 
ou ianomâmi (que vivem no Amazonas e Roraima), por exemplo, 141 não chegam vivos 
aos 5 anos de idade. É pior que as taxas de países como Somália (137), Serra Leoa (120) 
e Nigéria (109). Segundo a Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), as principais 
causas de óbito no período neonatal dizem respeito a problemas na gestação e 
anomalias congênitas. Durante a infância, estão relacionadas ao meio ambiente, à 
condição de vida e à dificuldade de acesso a serviços de saúde – a exemplo das doenças 
infecciosas, pneumonia e diarreia. 
É no que acredita também o professor João Paulo Botelho Vieira Filho, da Uni - fesp, que 
é médico voluntário dos xavan - tes há 38 anos. Originalmente, eles eram nômades, 
mudavam-se constantemente por causa dos ciclos alimentares de caça, pesca e coleta. 
“Mas hoje vivem em aldeias permanentes. Assim, o lixo acu - mulado é muito grande, 
pois não há re - colhimento. Os detritos alimentares são lançados próximos às casas e os 
ratos sel - vagens (e baratas) se propagam. As fezes humanas deixadas perto de rios e 
córre - gos contaminam a água com bactérias e vírus, que causam diarreias. Os parasitas 
intestinais também se proliferam muito, contribuindo para a mortalidade.” 
Ao contrário do que muitos imaginam, nem toda aldeia fica no meio de uma flo - resta 
densa e fechada, onde há abundân - cia de água, peixes, frutos e animais para a caça. Os 
xavantes, por exemplo, vivem no meio do cerrado mato-grossense. Ali, a terra é 
amarelada, a paisagem é seca e a vegetação, rasteira, com pouca oferta de bichos para 
a caça e alimentos para a coleta. A Terra Indígena Marechal Rondon, com 98.500 hectares 
demarcados, abri - ga pouco mais de 700 pessoas, distribuí - das em dezenas de aldeias. 
Para atendê - -las, há apenas um posto de saúde – com enfermeira, técnicos em 
enfermagem e só um médico, cubano, do Programa Mais Médicos. Era para ter um dentis 
- ta, mas o último não gostou do trabalho e foi embora dias antes de nossa visita. A 
situação é precária, mas não tão ruim quanto a de outras comunidades, uma vez que sua 
população é relativamente pequena. A pior realidade está em locais mais povoados, 
como é caso dos xavantes que vivem nas regiões de Campinápolis (6.774 pessoas), São 
Marcos (3.896), Água Boa (3.248) e Sangradouro (1.943),

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