A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
56 pág.
Módulo IV - Abrangências em Ações de Saúde (AAS)

Pré-visualização | Página 3 de 23

experiências, porém, eram isoladas, incipientes e com pouca clareza 
conceitual. A primeira manifestacã̧o escrita e bem estruturada de que se tem notićia e que não 
deixa dúvidas tratar-se do que hoje denomina-se de APS e MFC foi o documento “Projeto de um 
Sistema de Saúde Comunitaŕia”, cuja primeira versão foi concluid́a em outubro de 1974 e a 
segunda, e definitiva, em abril de 2005. Tal projeto foi elaborado por profissionais que trabalha- 
vam no então denominado Centro Médico Social São José do Murialdo, da Secretaria da Saúde 
do Estado do Rio Grande do Sul, unidade de saúde localizada na periferia de Porto Alegre. 
Sem dúvida, esse projeto era altamente inovador e contra-hegemônico para a época, e, por um 
lado, foi natural o fato de ter sido pouco valorizado ou ate ́mesmo ironizado naquele momento. 
Por outro lado, foi uma semente que gerou muitos frutos com o passar dos anos. Ainda em 1975, 
Carlos Grossman, juntamente com seus colegas Busnello, Lewin e Ruschel, concluiu o projeto de 
um Programa de Residência em Saúde Comunitaŕia, que viria a ser implantado em janeiro do 
ano seguinte. 
Esse projeto determina que o Programa de Residência visa completar a formacã̧o de um médico, 
em termos de conhecimentos, de atitudes e de habilidades necessaŕios para que ele: 
 Utilize métodos clińicos, epidemiológicos, administrativos e sociais. 
 Proporcione cuidados personalizados, contińuos e integrais à saúde fiśica, mental e 
social de uma populacã̧o numérica e geograficamente definida, por meio de medidas de 
prevencã̧o primaŕia, secundaŕia e terciaŕia dirigidas a pessoas, famiĺias e comunidade. 
 Atenda diretamente à maior parte (90%) da demanda de servico̧s de saúde da 
populacã̧o, com a colaboracã̧o de uma equipe primaŕia de saúde. 
 Promova o atendimento do restante da demanda (10%) por meio do encaminhamento 
a outros niv́eis do Sistema de Saúde ou a outros setores, mantendo a responsabilida- de 
pela execucã̧o e pela avaliacã̧o dos servico̧s prestados. 
 Promova a identificacã̧o de problemas de saúde, o estabe- lecimento de prioridades, a 
programacã̧o de atividades e a avaliacã̧o dos resultados, colaborando com a 
comunidade para essas acõ̧es. 
E ́ surpreendente perceber que tudo isso, e muito mais, tenha sido escrito anos antes da 
Declaracã̧o de Alma Ata (1978), da realizacã̧o da 8a Conferência Nacional de Saúde (1986) e 
cerca de 20 anos antes da criacã̧o do Programa de Saúde da Famiĺia (1994)5 no Brasil. Esse foi, 
de fato, um documento inovador. 
Daniela Junqueira Gomes Teixeira 
As obrigacõ̧es e os objetivos da prat́ica de todo médico de famiĺia e comunidade envolvem dois 
elementos conflitantes, poreḿ essenciais: identificar e resolver os problemas de saúde de cada 
pessoa individualmente e prestar um cuidado médico efetivo para a comunidade como um todo. 
 
TRIADE DONABEDIAN 
Donabedian, 2001, definiu uma taxonomia para a mensuração da qualidade da assistência à 
saúde. “A Tríade de Donabedian” divide as medidas da qualidade em Estrutura (como a 
assistência é organizada), Processos (o que foi feito) e Desfechos (o que aconteceu com o 
usuário). Para o autor, a qualidade dos serviços de saúde consiste em um ponto estratégico e 
prioritário para os gestores e profissionais. 
É um modelo conceitual que fornece um enquadramento para examinar os serviços de saúde e 
avaliação de qualidade dos cuidados de saúde. De acordo com o modelo, as informações sobre 
a qualidade dos cuidados podem ser extraídas três categorias: 
1. Estrutura descreve o contexto em que os cuidados são prestados, incluindo os edifícios 
do hospital, pessoal, financiamento e equipamento. 
2. Processo denota as transações entre pacientes e fornecedores em todo o fornecimento 
de cuidados de saúde. 
3. Resultados refere-se aos efeitos dos cuidados de saúde no estado de saúde dos 
pacientes e populações. 
ESTRUTURA 
Inclui todos os fatores que afetam o contexto em que os cuidados são prestados. Isso inclui a 
instalação física, equipamentos e recursos humanos, bem como as características 
organizacionais, como a formação do pessoal e métodos de pagamento. Esses fatores 
controlam como os provedores e pacientes em um ato sistema de saúde são medidas qualidade 
média dos cuidados dentro de uma instalação ou sistema. A estrutura é muitas vezes fácil de 
observar e medir e pode ser a causa a montante dos problemas identificados no processo. 
PROCESSO 
É a soma de todas as ações que compõem saúde. Estes geralmente incluem diagnóstico, 
tratamento, cuidados preventivos e educação do paciente, mas pode ser expandida para incluir 
as ações tomadas pelos pacientes ou seus familiares. Os processos podem ser classificados como 
processos técnicos, como os cuidados são entregues, ou processos interpessoais, que todos 
englobam a maneira pela qual o cuidado é entregue. Segundo Donabedian, a medição do 
processo é quase equivalente à medição da qualidade do atendimento porque o processo 
contém todos os atos de entrega de cuidados médicos. Informações sobre o processo podem 
ser obtidos a partir de registros médicos, entrevistas com pacientes e profissionais, ou 
observações diretas de visitas de saúde. 
RESULTADOS 
Contém todos os efeitos de cuidados de saúde sobre os pacientes ou populações, incluindo 
alterações ao estado de saúde, comportamento, ou conhecimento, bem como a satisfação do 
Daniela Junqueira Gomes Teixeira 
paciente e saúde relacionados com qualidade de vida. Os resultados são muitas vezes vistos 
como os mais importantes indicadores de qualidade, porque a melhoria do estado de saúde do 
paciente é o principal objetivo dos cuidados de saúde. 
 
PLANO DE AÇÃO 
A hipertensão arterial sistêmica é definida pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2016, como 
uma condição clínica multifatorial caracterizada por níveis elevados e sustentados de pressão 
arterial – PA (PA ≥140 X 90 mmHg). Associa-se frequentemente a alterações funcionais e/ou 
estruturais dos órgãos-alvo (coração, encéfalo, rins e vasos sanguíneos) e a alterações 
metabólicas, com consequente aumento do risco de eventos cardiovasculares. Com sua grande 
representatividade e prevalência de um bilhão de hipertensos no mundo, a HAS é responsável 
por aproximadamente 7,6 milhões de mortes ao ano, segundo a Organização Mundial de Saúde, 
2002. 
Modificações de estilo de vida são de fundamental importância no processo terapêutico e na 
prevenção da hipertensão. De acordo com Brasil, 2006, a alimentação adequada, sobretudo 
quanto ao consumo de sal, controle do peso, prática de atividade física, tabagismo e uso 
excessivo de álcool são fatores de risco que devem ser adequadamente abordados e 
controlados, sem o que, mesmo doses progressivas de medicamentos não resultarão alcançar 
os níveis recomendados de pressão arterial. A doença, por não apresentar cura, exige 
tratamento adequado e para a vida inteira, com o objetivo de se obter o controle dos níveis 
pressóricos e a redução na incidência de complicações cardiovasculares e neurológicas, 
repercutindo na melhoria da qualidade de vida do portador. O sucesso no seu tratamento inclui, 
além da utilização correta do medicamento, a mudança dos hábitos de vida referentes aos 
fatores citados e apesar das inúmeras evidências relacionando os fatores de risco com o 
desenvolvimento da doença, a incidência da hipertensão arterial vem aumentando a cada dia, 
e em faixas etárias cada vez menores. O controle da doença depende de ações adequadas das 
instituições e dos profissionais de saúde, bem como da adesão dos pacientes. 
Quando não tratada adequadamente, traz graves complicações, temporárias ou permanentes, 
“representando elevado

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.