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Módulo IV - Abrangências em Ações de Saúde (AAS)

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do conceito que, hoje, se tem imposto em 
grande parte dos países de desenvolvidos, onde esta é tarefa de profissionais de Gestão ou 
Administração Hospitalar; assim como o envolvimento do doente e da população em geral nas 
políticas de saúde, tomada de decisões e nas medidas de promoção de Saúde, tendo como 
elemento essencial estruturas sociais criadas no contexto da Revolução, como os Comités de 
Defesa da Revolução, que ganharam, mais tarde, outras competências, sendo agora vistas como 
parte integrante do próprio Sistema de Saúde. O trabalho de equipa, com abordagem 
multidisciplinar e integração natural do trabalho das várias estruturas, é também muito 
evidente, tanto no trabalho em comunidade como no sector hospitalar, sendo imperativo 
afirmar que tal é dependente da própria organização social cubana. Como já referido no capítulo 
referente à legislação e política de Saúde, para a organização do Sistema de Saúde em Cuba foi 
e é muito importante este ser visto como um sector estratégico, motivo de orgulho e pilar da 
Revolução cubana, existindo um comprometimento absoluto com a Saúde por parte do 
Presidente Fidel Castro. Levando a que, mesmo durante o Período Especial, na década de 90, 
com um franco decréscimo no Produto Interno Bruto, a Saúde, tal como a Educação, tenha sido 
protegida no Orçamento de Estado (Pietroni, Patrick; 2000). 
FRANÇA 
O Sistema de Saúde francês possui três principais concepções: a solidariedade, o pluralismo e a 
medicina liberal. É um tipo de sistema cujas origens eram de seguro público (Securité Sociale), 
transformando-se agora em universal, cuja regulamentação é feita pelo Estado. O seguro de 
saúde público configurou-se em um sistema que misturou concepções Bismarkianas e 
Beveredgianas em que, assim como na Alemanha, foi originalmente destinado à população que 
possuía uma atividade profissional, mas, como na Inglaterra, passou a adotar o princípio da 
existência de um nível de vida mínimo que fosse equilibrado e igual a toda população. Assim, 
seu seguro de saúde público passou a integrar gradativamente as demais classes sociais, até se 
tornar um Sistema Universal de Saúde em 2000. Seguindo a lógica da solidariedade, o 
financiamento do Sistema de Saúde é compartilhado, dependendo de impostos, contribuições 
de trabalhadores e empregadores, fundos governamentais e co-pagamentos. Sua atividade 
conta com a participação de diversos atores, sendo garantidos por meio da esfera pública 
(hospitais públicos) e a esfera privada (consultórios e hospitais privados). Teve destaque em 
2010 pela World Health Organization pela alta capacidade de resposta/eficiência – ao contrário 
do Sistema de Saúde da Inglaterra, o tempo de espera para os tratamentos é curto, é um sistema 
flexível e os pacientes possuem grau alto de liberdade. Passou as últimas décadas em um 
processo de transição, de forma a ampliar a sua cobertura até se tornar universal. É um dos 
únicos sistemas de saúde que os médicos gozam de total liberdade – a chamada medicina liberal 
– em que: i) os consumidores possuem liberdade para escolher seus médicos, ii) os médicos 
Daniela Junqueira Gomes Teixeira 
possuem liberdade para determinar os tratamentos dos pacientes, iii) as taxas devem ser 
negociadas entre o médico e o paciente, sem intervenções e iv) há o sigilo médico. Os três 
princípios, solidariedade, o pluralismo e a medicina liberal são difíceis de conciliar, 
principalmente por causa do princípio da solidariedade, que requer maior intervenção estatal. 
Sua essência é embasada nos hospitais, caracterizados pela especialização, técnicas e cuidados 
(serviços de prevenção e comunitários) extremamente desenvolvidos – a principal característica 
desse Sistema de Saúde foi o seu desenvolvimento centrado nas próprias estruturas hospitalares 
(públicos ou privados), nas quais além de fornecer cuidados relacionados à saúde, também são 
fontes de estudos, ensino, treinamentos e pesquisas. 42 
“Os hospitais parisienses foram muito importantes para a constituição do saber médico, 
principalmente da semiologia. Controlado pelo Estado e administrada de forma 
centralizada, a rede de hospitais se expandiu, havendo grande quantidade de pacientes 
e muita diversidade de morbidades, o que oferecia enorme campo de estudos” (CONIL, 
2006:577). 
 
 
INGLATERRA 
National Health Service (NHS). Criado em 1948, o National Health Service (NHS), Sistema de 
Saúde do Reino Unido, possui caráter público e foi organizado em três componentes, ou seja, 
serviços hospitalares especializados, serviços qualificados como “general practitioner” e de 
saúde pública (12). Em sua origem, era composto por 14 Autoridades Sanitárias Regionais e três 
Escritórios Provinciais – País de Gales, Escócia 315 e Irlanda do Norte; o NHS baseou-se nas 
doutrinas de universalidade, equidade e integralidade, as mesmas que guiaram a criação do 
sistema de saúde brasileiro, o SUS (12). No NHS, inicialmente, havia a intenção de 
descentralização dos serviços e a consequente atribuição aos municípios; entretanto, houve 
resistência da classe médica e não foi efetivada em razão de que médicos de atenção primária 
recebiam por captação, isto é, conforme o número de pacientes que compunham sua lista de 
pacientes (12). O sistema permaneceu integralmente público e centralizado até 2004, quando 
houve uma separação para os quatro países que compõem o Reino Unido: Inglaterra, Escócia, 
País de Gales e Irlanda do Norte. Embora a base do sistema permaneça a mesma entre os países, 
a execução em cada país apresenta algumas peculiaridades. O NHS da Inglaterra, dos quatro 
países do Reino Unido, é o que mais recebe recursos do Departamento de Saúde do Reino Unido 
(13) e, por esta razão, será utilizado para nortear este estudo. O financiamento, no NHS, advém 
do setor público por meio, principalmente, de impostos gerais (do Tesouro Nacional), com uma 
pequena contribuição do Sistema de Seguridade Social. O único gasto dos cidadãos britânicos 
no sistema público de saúde refere-se ao pagamento por prescrição medicamentosa 
ambulatorial. O repasse dos recursos para os diferentes municípios se dá por um critério per 
capita, com base de captação ponderada, ou seja, é ajustado a fatores demográficos e 
epidemiológicos, como idade, saúde e localização da população. Em torno de 47% do orçamento 
do NHS é gasto em cuidados emergenciais. Setores como clínica médica, cuidado à saúde, saúde 
mental e prescrições somam ao redor de 10% do total. Para a gestão do NHS, anualmente, o 
governo estabelece o quanto lhe será destinado em relação aos impostos recolhidos (14). 
Semelhanças e diferenças gerais entre os sistemas. Apesar do alto grau de similaridade entre os 
dois sistemas, o investimento na atenção básica difere entre o SUS e o NHS. No SUS, até 2012, 
apenas 30-40% da população apresentavam cobertura efetiva, devido aos desafios enfrentados 
Daniela Junqueira Gomes Teixeira 
pelo Ministério da Saúde para alocação de investimentos na infraestrutura adequada para 
desenvolver a atenção básica de qualidade no Brasil (15,16). Vale ressaltar aqui que, embora 
documentos recentes utilizem o termo “saúde básica”, no Brasil os termos “saúde primária” e 
“saúde básica” são tidos como equivalentes (17,18). No NHS, a atenção básica de qualidade é 
um dos focos principais do governo, apresentando quase que a totalidade da população com 
acesso a atendimento primário de qualidade (12,14). O NHS também sofreu reformas após a sua 
criação, guiadas pelo contexto histórico ao qual ele estava inserido no momento. Porém, apesar 
das reformas, o sistema conseguiu preservar os princípios de universalidade, integralidade e 
equidade que o conceberam, o que provou que mesmo sistemas de saúde sólidos necessitam

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