A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
261 pág.
Ponto 7 - Constitucional - Administrativo - Penal - Processo Penal - Civil - TRF5 - XII

Pré-visualização | Página 35 de 50

Segundo o STF, a CF/88 distinguiu o regime de responsabilização político-administrativa dos agentes políticos do regime aplicável aos demais agentes públicos, razão pela qual aqueles (agentes políticos) não estão sujeitos à disciplina da Lei 8429/92.
“O sistema constitucional brasileiro distingue o regime de responsabilidade dos agentes políticos dos demais agentes públicos. A Constituição não admite a concorrência entre dois regimes de responsabilidade político-administrativa para os agentes políticos: o previsto no art. 37, § 4º (regulado pela Lei n° 8.429/1992) e o regime fixado no art. 102, I, "c", (disciplinado pela Lei n° 1.079/1950). Se a competência para processar e julgar a ação de improbidade (CF, art. 37, § 4º) pudesse abranger também atos praticados pelos agentes políticos, submetidos a regime de responsabilidade especial, ter-se-ia uma interpretação ab-rogante do disposto no art. 102, I, "c", da Constituição.” (STF, Rcl 2138, Relator(a):  Min. NELSON JOBIM, Relator(a) p/ Acórdão:  Min. GILMAR MENDES (ART.38,IV,b, DO RISTF), Tribunal Pleno, julgado em 13/06/2007
O STJ diverge dessa orientação. Para o Tribunal da Cidadania, somente o Presidente da República não está submetido à Lei de Improbidade Administrativa, porque foi o único caso em que o constituinte originário previu expressamente que o ato de improbidade por ele praticado consubstanciaria crime de responsabilidade (Art. 85, V, CF). Para os demais agentes políticos, não há qualquer norma imunizante nesse sentido, de forma que estão sujeitos às duas esferas de responsabilização: por improbidade administrativa e por crime de responsabilidade. Veja-se:
CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA. AÇÃO DE IMPROBIDADE CONTRA GOVERNADOR DE ESTADO. DUPLO REGIME SANCIONATÓRIO DOS AGENTES POLÍTICOS: LEGITIMIDADE. FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO: RECONHECIMENTO.
USURPAÇÃO DE COMPETÊNCIA DO STJ. PROCEDÊNCIA PARCIAL DA RECLAMAÇÃO.
1. Excetuada a hipótese de atos de improbidade praticados pelo Presidente da República (art. 85, V), cujo julgamento se dá em regime especial pelo Senado Federal (art. 86), não há norma constitucional alguma que imunize os agentes políticos, sujeitos a crime de responsabilidade, de qualquer das sanções por ato de improbidade previstas no art. 37, § 4.º. Seria incompatível com a Constituição eventual preceito normativo infraconstitucional que impusesse imunidade dessa natureza.” (STJ, Rcl 2790/SC, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, CORTE ESPECIAL, julgado em 02/12/2009, DJe 04/03/2010)
Advogados: Alguns doutrinadores estão entendendo que os advogados, porque exercem função essencial à justiça, o que é uma função pública, é agente público; quando tumultua o processo, estaria praticando ato de improbidade. CORRENTE MAJORITÁRIA: os advogados não praticam ato de improbidade porque não têm vínculo com a administração pública.
O árbitro (justiça arbitral) pode praticar ato de improbidade? O árbitro não compõe o PJ. É uma função pública, mas também não há vínculo com a administração, assim também não será sujeito ativo do ato de improbidade.
Pessoa jurídica pode ser sujeito ativo de ato de improbidade? A lei fala no agente público (que exerce uma função pública) ou aquele que se beneficiou com a prática do ato. Se a pessoa jurídica se beneficia com a prática do ato de improbidade, responderá por ato de improbidade.
Herdeiro responde por improbidade? Art. 8° O sucessor daquele que causar lesão ao patrimônio público ou se enriquecer ilicitamente está sujeito às cominações desta lei até o limite do valor da herança.
Emagis 33.13 Segundo posição sedimentada no STJ, nas ações civis públicas por improbidade administrativa, NÃO HÁ litisconsórcio passivo necessário entre o agente público e os terceiros beneficiados com o ato ímprobo; cabe ao autor da ação indicar quem repute responsável pelo ato, sem prejuízo a que acuse, em nova demanda, outro agente cuja responsabilidade anteriormente não havia sido divisada (STJ, Segunda Turma, EDcl no AgRg no REsp 1314061, Rel. Min. Huberto Martins, DJe de 05/08/2013)
Emagis 41.12 Pessoa jurídica de direito privado, ainda que não integrante da Administração Pública, pode figurar como ré em ação de improbidade administrativa, ainda que desacompanhada de seus sócios. CORRETO. Tem apoio não apenas no art. 3º recém referido mas também em recente precedente do STJ. Com efeito, uma empresa particular também pode ter concorrido para a prática do ato de improbidade, ou então dele se beneficiado, atraindo a incidência do art. 3º da Lei 8.429/92. Por outro lado, não se nega a existência jurídica de tal ente, que não se confunde com a pessoa (física) dos seus sócios; daí não haver, na lei, qualquer exigência de que os sócios também sejam demandados na ação de improbidade (STJ, Primeira Turma, REsp 970393, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 29/06/2012).
3.3 ATO DANOSO: é o ato causador de enriquecimento ilícito para o sujeito ativo, prejuízo para o erário ou atentador contra os princípios da AP.
Todo ato de improbidade é um ato administrativo? NÃO, ato de improbidade não precisa ser ato administrativo. Não há necessidade de dano econômico. Aprovação das contas pelo TC não é suficiente para afastar a configuração. 
Art. 21. A aplicação das sanções previstas nesta lei independe:
I - da efetiva ocorrência de dano ao patrimônio público;
II - da aprovação ou rejeição das contas pelo órgão de controle interno ou pelo Tribunal ou Conselho de Contas.
São três modalidades de atos de improbidade, em ordem decrescente de gravidade das penas aplicáveis e preferindo sempre a conduta mais grave:
	ATO DE IMPROBIDADE
	ENRIQUECIMENTO ILÍCITO
	PREJUÍZO AO ERÁRIO
	VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIO
	Artigo 9o
	Artigo 10
	Artigo 11
	Penas do artigo 12, I
	Penas do artigo 12, II
	Penas do artigo 12, III
Se um ato violar os 03 dispositivos (9º, 10 e 11)? Podem ser aplicados dois artigos ao mesmo tempo? O entendimento é o de que somente seja cabível a indicação em somente um dos artigos, preferindo sempre a conduta mais grave.
Capitulado o comportamento do agente, daí será estendida a capitulação para o terceiro, como no concurso de agentes do CP (teoria monista).
3.3.1 ATO DE IMPROBIDADE POR ENRIQUECIMENTO ILÍCITO
Enriquecimento ilícito consiste em lograr uma vantagem econômica indevida. Pode enriquecer ilicitamente sem que haja perda para o erário, sendo lesado um terceiro. Assim, o prejuízo pode ser da administração pública, mas pode ser suportado por terceiro (artigo 21, da Lei 8924). 
Art. 21. A aplicação das sanções previstas nesta lei independe:
I - da efetiva ocorrência de dano ao patrimônio público;
II - da aprovação ou rejeição das contas pelo órgão de controle interno ou pelo Tribunal ou Conselho de Contas.
A simples comprovação de que o agente tem mais do que ganha é suficiente para puni-lo. Muitos doutrinadores estão defendendo que deve existir uma inversão do ônus da prova, cabendo ao agente a comprovação de onde saiu o patrimônio. Isso é interessante, porque a inversão fica justificada em decorrência da obrigação que o agente público tem de declarar os bens.
STJ, DIREITO ADMINISTRATIVO. INQUÉRITO CIVIL PARA APURAÇÃO DE ATOS DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. Não é possível impedir o prosseguimento de inquérito civil instaurado com a finalidade de apurar possível incompatibilidade entre a evolução patrimonial de vereadores e seus respectivos rendimentos, ainda que o referido procedimento tenha-se originado a partir de denúncia anônima, na hipótese em que realizadas administrativamente as investigações necessárias para a formação de juízo de valor sobre a veracidade da notícia. Nos termos do art. 22 da Lei 8.429/1992, o MP pode, mesmo de ofício, requisitar a instauração de inquérito policial ou procedimento administrativo para apurar qualquer ilícito previsto no mencionado diploma legal. Ressalte-se que o art. 13 dessa lei obriga os agentes públicos a disponibilizar periodicamente informações sobre seus bens e evolução patrimonial. Vale destacar que