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Blockchain e criptomoedas   A carreira em tecnologias que vai mudar o mundo

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E esta criptomoeda é de fato um objeto que alimenta a economia, como 
sugere o título da obra? Alguns dados indicam que sim: nos primeiros dias 
de junho de 2018, o valor de mercado global das criptomoedas – aquelas 
que podem ser usadas para compra e venda de diversos produtos e 
serviços e excluem os tokens, criptomoedas que só funcionam dentro de 
ambientes específicos e são oferecidas a investidores desses negócios – 
ultrapassava US$ 291 bilhões.
A Bitcoin sozinha era responsável por US$ 130 bilhões. Claramente, 
não é só ela que existe, embora seja responsável por quase metade 
do montante total. O restante é a soma de mais de 800 altcoins, como 
são conhecidas as outras criptomoedas. Destaque para Ether (US$ 59,3 
bilhões), Ripple (US$ 25,3 bilhões), Bitcoin Cash (US$ 18,7), EOS (US$ 13), 
Litecoin (US$ 7), Cardano (US$ 5,9), Stellar (US$ 5,5), IOTA (US$ 5,2) e 
Tron (US$ 4) – só para ficar no top 10 de junho de 2018.
BLOCKCHAIN E CRIPTOMOEDAS: A CARREIRA EM TECNOLOGIAS QUE VÃO MUDAR O MUNDO
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Comprando uma bicicleta com Bitcoins
Saber como transações em criptomoedas funcionam é importante para 
entender porque elas valem tanto e quais são seus desafios de hoje e 
além. Trata-se, essencialmente, de um dinheiro digital capaz de comprar 
e vender coisas em transações online, que por sua vez são conduzidas 
por sistemas descentralizados que usam uma tecnologia chamada 
blockchain para acompanhar e certificar cada transação.
E como é possível usá-las na prática? Suponha que a Maria queira comprar 
uma bicicleta do João e pagar em Bitcoins, assim como pagaria em reais, 
dólares ou euros. Assim como João, ela tem uma carteira – há diversos 
jeitos de ter uma, de armazenamento em corretoras a um software no 
seu computador – em que guarda sua chave pública (seu “cofre”) e sua 
chave privada (sua “senha”). 
Através de um app ou pelo computador, Maria acessa suas Bitcoins com 
suas chaves e usa a chave pública de João como endereço para fazer a 
transação em si, que é compartilhada com todos os computadores que 
estão na rede blockchain da Bitcoin (qualquer um pode participar, basta 
instalar o programa).
Essencialmente, Maria publicou para todos sua intenção de enviar as 
Bitcoins para João. A rede então valida se ela tem as Bitcoins em primeiro 
lugar e se não as mandou para mais ninguém, o que evita algo como um 
cheque sem fundo online.
Depois dessa confirmação, essa e outras transações recentes ao redor do 
mundo formam um bloco – com número de transações, total transacio-
nado, hora e data e chaves públicas dos participantes –, que é então 
verificado por mineradores, participantes da rede que se voluntariam 
para resolver um complicado problema matemático que leva em conta 
a identidade (hash) do bloco anterior. É também uma competição: o 
computador que resolver primeiro, ganha Bitcoins de recompensa. 
A cada 10 minutos, em média, surge um novo bloco já com seu próprio 
hash, que é o resultado do problema. Esse hash permite que o resto da 
rede confira e valide as informações rapidamente ao checar se aquele é 
o resultado mesmo, um processo bem mais rápido do que descobri-lo.
O QUE SÃO CRIPTOMOEDAS
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BLOCKCHAIN E CRIPTOMOEDAS: A CARREIRA EM TECNOLOGIAS QUE VÃO MUDAR O MUNDO
Como todos têm uma cópia exata do mesmo “livro” compartilhado, em 
que tudo que já foi transacionado na história da rede está anotado, 
se uma transação trouxer uma informação fraudada, é praticamen-
te impossível passar por tudo isso impune. Ao transformar uma única 
informação de um bloco, transforma-se seu hash – e aí seria preciso 
transformar todos os seguintes, o que exige um poder computacio-
nal veloz inexistente atualmente, pelo menos no caso da Bitcoin. (Este 
processo é explicado detalhadamente no primeiro artigo deste ebook.)
Assim, quando tudo estiver OK, o bloco validado é então adicionado à 
cadeia de blocos (o famoso blockchain) e se torna uma transação oficial, 
pública e indelével. 
João recebe suas Bitcoins e Maria, sua bicicleta. E apesar de toda essa 
sofisticação, o esforço que ambos fizeram para tanto foi apenas digitar 
algumas informações. Nada fora do comum para quem usa banco online.
Como Satoshi Nakamoto ofereceu o mapa do mina, diversas companhias 
aproveitaram para criar suas próprias criptomoedas, redes de blockchain 
e diferenciais que compõem esse ecossistema crescente. 
Há altcoins que focam em Internet das Coisas, outras em contratos 
inteligentes e outras ainda em pagamentos em parceria com instituições 
financeiras. Enfim, há criptomoedas para todos os gostos e necessidades.
Desafios e oportunidades
Repare que, no exemplo anterior, não houve uma pessoa ou instituição 
específica intermediando a transação. Ninguém questionou se Maria 
estava no Japão e João, no Chile. Não tem um imposto tipo IOF que 
chegará com essa bicicleta.
A pioneira Bitcoin nasceu para ser um tipo de dinheiro que não era 
controlado por nada nem ninguém – seja uma instituição financeira 
ou um governo – e que poderia estar na carteira de qualquer um, em 
qualquer lugar. É sua razão de ser: sustentar uma economia que opera 
além de fronteiras.
Os grandes benefícios que defensores da Bitcoin apresentam estão 
ligados a isso: oferecer serviços financeiros àqueles que não são 
atendidos por bancos; tornar transferências internacionais mais baratas; 
trazer uma alternativa a populações que vivem em países instáveis e 
que correm o risco de perder todo seu dinheiro em crises econômicas, 
O QUE SÃO CRIPTOMOEDAS
BLOCKCHAIN E CRIPTOMOEDAS: A CARREIRA EM TECNOLOGIAS QUE VÃO MUDAR O MUNDO
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entre outros. 
No entanto, há críticos que afirmam que, para que ela realmente finque 
raízes, deve ser guiada para algo específico e uma aplicação principal 
capaz de dominar um segmento, como transferências internacionais ou 
sistemas de pagamento baratos. Desfocada, ela não vai conseguir ser 
preferencial em nenhuma modalidade.
De qualquer maneira, por limites tecnológicos e debates na comunida-
de, essas opções futuras não parecem tão próximas. Enquanto a Visa 
processa em média cerca de 3674 transações por segundo com seu 
sistema, o blockchain da Bitcoin geralmente faz apenas 3,3. Portanto, é 
preciso melhorar seu sistema para que ele funcione mais depressa. 
Há também as taxas cobradas por mineradores de Bitcoin para validar 
uma transação. Elas são opcionais, mas garantem prioridade em um 
processo que pode levar, de outra maneira, horas ou mesmo dias para 
ser concluído.
Uma transação pode levar 10 minutos e exigir uma taxa média de US$ 
20 dólares, 24 horas e US$ 3 dólares ou ninguém sabe quanto tempo e 
zero dólares. Para transações cotidianas como pagar um pão de queijo 
ou transferências de pequenos valores, não é nada atraente.
Por fim, essas taxas estão subindo por um motivo alarmante: a infraestru-
tura necessária para minerar os blocos do blockchain. Por ser uma rede 
peer-to-peer com 10 mil nós, ela é tecnicamente limitada.
Quem quer levar a mineração a sério precisa investir em conjuntos de 
computadores poderosos e consumir enormes quantidades de energia 
elétrica e hardware para mantê-los funcionando. De verdade: estima-se 
que, em janeiro de 2017, o processo de mineração tenha consumido 
mais eletricidade que nações como Estônia, Costa Rica e Guatemala no 
mesmo período.
Em resumo? O potencial das criptomoedas na era digital é imenso e 
praticamente inexplorado. Para que ela atinja este potencial, no entanto, 
há uma série de melhorias que precisam ser feitas pelo caminho.
O QUE SÃO CRIPTOMOEDAS
BLOCKCHAIN E CRIPTOMOEDAS: A CARREIRA EM TECNOLOGIAS QUE VÃO MUDAR O MUNDO INTRO
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O futuro das criptomoedas
Atualmente, há quase 17 milhões de Bitcoins em circulação pelo mundo 
e cada bloco minerado gera outras 12,5 Bitcoins. E há um limite para o 
número de Bitcoins que vão existir no mundo, determinado