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Blockchain e criptomoedas   A carreira em tecnologias que vai mudar o mundo

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há muito 
tempo por Nakamoto: serão emitidas 21 milhões de moedas no total. 
Parece próximo, mas no ritmo atual, este número será atingido apenas 
em 2140, o que dá amplo espaço para que esse mercado cresça. E oferece 
também bastante tempo para que desenvolvedores e empreendedores 
na área criem alternativas e novas tecnologias que facilitem o processo 
de mineração ou tornem os softwares mais ágeis e potentes. 
Pode ser que, daqui cem anos, o valor de mercado da Bitcoin – ou outra 
criptomoeda que entre em seu lugar – não esteja tão alto. Ou esteja mais 
alto ainda. Ou que surja um novo meio de pagamento por completo. 
Portanto, manter-se atento às mudanças no futuro do dinheiro, que 
agora inclui as criptomoedas, é questão de bom senso.
E se isso parece improvável, basta pensar que ninguém acreditaria no 
PayPal ou num caixa eletrônico mesmo se fosse há cem anos. As ideias 
surgem, as pessoas executam, as coisas mudam – e não vai parar por 
aqui. 
 
BLOCKCHAIN E CRIPTOMOEDAS: A CARREIRA EM TECNOLOGIAS QUE VÃO MUDAR O MUNDO INTRO
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O que um 
investidor precisa 
saber
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O QUE UM INVESTIDOR PRECISA SABER
Nos últimos meses de 2017, foi praticamente impossível passar uma 
semana sem ouvir falar sobre Bitcoin. É provável que algum conhecido 
tenha investido (ou queria ter investido) e perdeu (ou teria perdido) 
dinheiro. Do outro lado, estava outro conhecido: alguém que, por dias 
de diferença, lucrou com a movimentação. 
Também era possível ouvir grupos diversos conversando sobre o assunto 
pelas ruas, tentando entender como esse mercado funcionava, o que 
era essa “moeda nova”, criando conjunturas e, vez ou outra, declarando 
que claramente aquilo se tratava (ou não) de uma bolha.
Seis meses depois, o mercado de Bitcoins, que já foi avaliado em 275 
bilhões de dólares, caiu pela metade e atualmente está na casa dos 128 
bilhões, segundo o CoinMarketCap. Comprar uma única Bitcoin inteira 
(ela pode ser vendida em frações) custa mais de US$ 7,5 mil. É uma 
queda de quase 10 mil dólares em relação ao seu pico, mas ainda é um 
número impressionante.
E mesmo que as discussões no metrô, no bar ou na fila do supermer-
cado tenham se arrefecido, estima-se que ainda existam entre 700 mil 
e 1,4 milhão de brasileiros cadastrados em corretoras especializadas 
em criptomoedas – uma palavra que o Microsoft Word aponta como 
irregular, mas que faz bem em aprender.
Afinal, o que as pessoas procuram ao investir em criptomoedas como 
a Bitcoin ou, pelo menos, o que deveriam procurar? Quais são as boas 
práticas que devem ser seguidas por investidores individuais, principal-
mente aqueles que ainda não entendem as minúcias das tecnologias 
que impulsionam esse boom? 
A primeira lição é consenso entre especialistas: não perca sua chave 
privada. 
Justamente por eliminar intermediários como instituições financeiras, o 
universo das criptomoedas não oferece um SAC que vá ajudá-lo a emitir 
novas documentações, estornar transações se for roubado ou, caso 
você seja o inglês James Howells, que sem querer jogou um hard drive 
com o equivalente a US$ 9 milhões em Bitcoins no lixo, recuperá-las.
Agora que você sabe que precisa manter suas chaves privadas – utilizada 
por você para validar suas transações, como uma senha – seguras em 
algum lugar, pode seguir em frente.
A segunda lição: tenha certeza que você está preparado para a volatili-
dade intrínseca de investir em algo não convencional e que tem seu 
preço decidido pelo mercado aberto. 
A habilidade de não entrar em pânico e vender suas Bitcoins quando o 
preço se altera rapidamente tem até um nome na comunidade: “hodling”, 
um erro de digitação feito por um investidor ansioso ao garantir aos 
colegas que estaria “segurando” (ou “holding”) o que tinha.
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Essa volatilidade esteve especialmente à mostra no segundo semestre de 
2017, na época do boom da Bitcoin, quando hedge funds, investidores 
institucionais e especuladores começaram a entrar no mercado de vez.
Em dezembro daquele ano, a Bolsa de Chicago também começou 
a negociar contratos futuros de Bitcoin, um produto financeiro que 
permite que investidores apostem se o preço de uma moeda vai subir 
ou não. E no começo de 2018, o Goldman Sachs, um dos maiores bancos 
de investimentos do mundo, anunciou que criaria uma unidade de 
negociação de Bitcoins.
Em poucas palavras? Este agora é um mercado cheio de grandes 
players de Wall Street e outros centros financeiros internacionais, e eles 
chegaram para ficar.
Investir em criptomoedas é para você?
Com isso em mente, ainda é um território interessante para investido-
res individuais, sejam eles brasileiros, chineses, japoneses, sul-coreanos 
ou americanos, para mencionar apenas alguns dos entusiastas? Para 
quem tem clareza sobre como este produto funciona e o que esperar 
dele, sim. 
“Investir é um meio para um fim, e este fim é nosso objetivo financeiro”, 
esclarece Carl Richards, consultor financeiro e colunista do jornal The 
New York Times. “Objetivos financeiros são coisas como ter dinheiro 
para pagar a faculdade dos seus filhos, comprar uma casa, viajar ou se 
aposentar.”
E embora o mercado em si não esteja sob seu controle, continua, há 
uma coisa que está: o processo de identificar e definir esses objetivos 
e, com estudo e atenção, construir um portfólio que combine com eles. 
“Aí é preciso mantê-lo por muito tempo, mesmo quando é difícil ou 
assustador.”
O segredo de investimentos lucrativos, dizem especialistas como ele, 
é diversificar e entender no que se está investindo: quem investe de 
maneira inteligente não coloca todos os seus ovos numa mesma cesta, 
nem monta a cesta às pressas. 
E já que criptomoedas – sejam elas Bitcoins, Ethers, Litecoins ou outros 
diversos tipos de altcoins, diversificar aqui também é uma boa ideia – 
são consideradas investimento de alto risco, a dica é usar até 5% da 
quantia geral que você tem para investir nesse segmento. 
“Antes de comprar criptomoedas, pergunte-se: ‘O que estou tentando 
conquistar?”, aconselha Jay Shah, CEO do fundo Personal Capital. “Se você 
quer colocar algum dinheiro especulativo no jogo, trate-o como gasto ao 
invés de economia.” Ou seja, você deve estar preparado tanto para lucrar 
quanto para perder – nada de imaginar que vai ficar milionário ali.
O QUE UM INVESTIDOR PRECISA SABER
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Como investir em criptomoedas?
Para investir em criptomoedas, o caminho mais fácil é através de 
corretoras especializadas, como a Coinbase, nos EUA, e a Mercado 
Bitcoin, no Brasil, onde é possível começar com 50 reais e comprar uma 
fração de Bitcoin, Litecoin ou Bitcoin Cash. 
De maneira geral, essas corretoras conectam quem quer comprar com 
quem quer vender. Uma vez que o dinheiro convencional esteja em 
sua conta na corretora, é possível definir um valor para pagar por uma 
moeda. 
Quando um vendedor quiser vendê-la pelo mesmo preço, a condição 
é cumprida, a transação é feita e as criptomoedas vão parar em sua 
carteira digital, que pode ser armazenada pela própria corretora ou, se 
o investidor preferir, em seu próprio computador. (Para tanto, é preciso 
instalar um software open source para ter o serviço de blockchain e se 
tornar um “nó” na rede.)
No auge do boom, o Mercado Bitcoin, que tem cerca de 1 milhão de 
clientes, via 10 mil cadastros por dia e R$ 120 milhões em movimentações 
diárias. Um de seus maiores desafios, que é generalizado no mercado, 
ainda é educar os investidores para que entendam como funciona o 
sistema em que estão inseridos.
Robson Coelho, que trabalha na equipe de atendimento da corretora, 
explica que as dúvidas mais comuns