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Blockchain e criptomoedas   A carreira em tecnologias que vai mudar o mundo

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entre os usuários costumam ser 
sobre os preços das negociações e o funcionamento da própria Bitcoin.
No painel do Mercado Bitcoin, por exemplo, clientes têm acesso às 
informações das últimas 24 horas, que incluem o maior e o menor preço 
daquele período, assim como a última ordem do dia. “Muitas pessoas 
acham que o menor valor é aquele que precisa estar disponível”, fala.
E a aquisição da moeda em si é motivo de vários questionamentos. “Não 
somos uma casa de câmbio, mas sim uma plataforma que aproxima 
compradores e vendedores. Não compramos as moedas para o cliente”, 
explica. “É preciso interagir com a plataforma e suas funcionalidades e 
muitas vezes as pessoas não sabem disso.”
Um exemplo extremo dessa falta de conhecimento surgiu no fim do ano 
passado, quando alguns clientes de longa data da corretora descobri-
ram que, apesar de terem depositado seus valores na plataforma, nunca 
tinham investido, ou seja, nunca tinham feito uma ordem de compra e 
adquirido as Bitcoins de fato. 
O saldo tinha ficado ali parado – às vezes por anos – e perdido a chance 
de valorizar no boom.
O QUE UM INVESTIDOR PRECISA SABER
BLOCKCHAIN E CRIPTOMOEDAS: A CARREIRA EM TECNOLOGIAS QUE VÃO MUDAR O MUNDO
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As boas práticas para investir em criptomoedas
André Franco é analista de criptomoedas na Empiricus, uma publicado-
ra de conteúdo financeiro que trabalha com a venda de relatórios para 
assinantes. Ele se lembra bem de agosto de 2017, quando um relatório 
sobre criptomoedas fez tanto sucesso que se tornou uma série e, 
eventualmente, resultou numa equipe interna dedicada na empresa.
“Foi uma coisa insana”, lembra. Nessa época, os brasileiros começaram 
a inundar as corretoras, numa espécie de corrida do ouro digital, e 
corriam atrás também de informações sobre o mercado. “As corretoras 
chegavam a registrar 100 mil pedidos de novos cadastros em uma hora 
e tiveram até que interrompê-los.”
O efeito em seu dia a dia de trabalho foram longas horas de trabalho 
para atender a demanda repentina, que chegou aos 50 mil clientes. “As 
pessoas tinham muita confiança e a maioria não entendia [do que se 
tratava a Bitcoin]”, fala. “Não sabiam no que estavam investindo mas 
queriam comprar porque o amigo disse que ia dar dinheiro, porque 
outros estavam comprando.”
Ele mesmo tinha ouvido falar do assunto pela primeira vez em 2015, 
quando buscava outras formas de investimento. “E não foi amor à 
primeira vista”, diverte-se André. “Mas você vai entendendo a tecnologia 
e se apaixonando. É por isso que é tão importante buscar boas fontes 
de informação.”
E encontrar conteúdos de alta qualidade não é difícil, continua ele, 
que recomenda portais como CryptoPanic.com, CriptoBuzz.com.br, 
CoinDesk.com e o artigo original de Satoshi Nakamoto, disponível em 
português. Outro conselho é conversar com pessoas do mercado para 
tirar dúvidas, saber de suas boas práticas e refinar técnicas de análise.
A boa notícia? Esse esforço pode compensar bastante no médio a longo 
prazo. “Ao contrário do mercado de ações ou de renda fixa, em que 
é preciso ter muito tempo e bagagem para se tornar um especialista, 
o mercado de criptomoedas nasceu em 2009. Não existem grandes 
especialistas: se você estudá-lo por um ano, já poderá competir com 
quem está na ativa”, afirma.
O QUE UM INVESTIDOR PRECISA SABER
BLOCKCHAIN E CRIPTOMOEDAS: A CARREIRA EM TECNOLOGIAS QUE VÃO MUDAR O MUNDO
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O que é um ICO?
Você já deve ter ouvido falar de Initial Coin Offering (ICO). Trata-se de um 
tipo de campanha em que empresas arrecadam fundos para construir 
novas plataformas tecnológicas ou criar negócios por meio de suas 
próprias criptomoedas, nesse caso também conhecidas como tokens. 
Em troca de capital, investidores recebem tokens virtuais que funcionam 
dentro daquele sistema em particular e podem assim garantir acesso a 
produtos ou serviços que serão construídos com o financiamento, ou 
mesmo vender estes tokens para outros. 
É um mercado tão aquecido que uma startup americana que anunciou 
a construção de um browser anônimo conseguiu conseguiu US$ 35 
milhões em menos de 30 segundos. E não é só isso: a consultoria E&Y 
analisou mais de 370 ICOs e descobriu que, dos US$ 3,7 bilhões captados 
até janeiro de 2018, US$ 400 milhões tinham sido roubados por hackers. 
Toda essa movimentação fez com que o governo americano prestasse 
mais atenção no setor e investigasse o tema e especialistas apostam que, 
para proteger investidores, ICOs sejam regulamentados por governos 
num futuro próximo.
 
O QUE UM INVESTIDOR PRECISA SABER
BLOCKCHAIN E CRIPTOMOEDAS: A CARREIRA EM TECNOLOGIAS QUE VÃO MUDAR O MUNDO INTRO
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Como trabalhar 
com blockchain
BLOCKCHAIN E CRIPTOMOEDAS: A CARREIRA EM TECNOLOGIAS QUE VÃO MUDAR O MUNDO
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COMO TRABALHAR COM BLCKCHAIN
Com tantas coisas acontecendo, pode ser lógico imaginar que o mercado 
de trabalho para pessoas interessadas em desenvolver smart contracts 
e plataformas de blockchain estaria prosperando. Diante das inúmeras 
aplicações potencialmente disruptivas dessa tecnologia, as empresas 
estariam correndo atrás de profissionais capacitados para entrar como 
pioneiras nessa área.
No entanto, de acordo com Marison Souza, blockchain architect da TruBR, 
startup que recentemente começou a oferecer soluções de blockchain 
para empresas, a realidade é mais desafiadora. 
Segundo ele, o blockchain como tecnologia ainda está em um período 
de mostrar ao mercado seu valor, algo semelhante ao que a área de 
data science enfrentou na última década. Por isso, quem quiser entrar 
no segmento precisa se preparar. 
Um dos desafios é justamente uma curva de entrada relativamen-
te alta. Segundo Souza, o trabalho com blockchain em pequenas 
empresas acaba exigindo um conhecimento mais holístico da área de 
tecnologia da informação (TI): é necessário entender da infraestrutura 
ao desenvolvimento. 
E para algumas questões, como a implementação de contratos inteligen-
tes em blockchains já existentes, é necessário o conhecimento de 
linguagens relativamente específicas. Por esse motivo, ele acredita que 
alguém que acaba de sair da faculdade dificilmente conseguirá se colocar 
no mercado sem antes adquirir alguma bagagem profissional.
Em empresas maiores, a amplitude de conhecimento exigido acaba 
sendo menor, já que cada profissional pode se especializar em uma 
área específica. Nesses casos, o perfil esperado de um profissional 
de TI, de acordo com Souza, não difere muito do resto do mercado: 
saberes técnicos à parte, espera-se comprometimento, boa comunica-
ção e proatividade. 
Mas o número de vagas ainda é limitado, o que torna se diferenciar da 
concorrência ainda mais importante.
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As áreas de atuação de um profissional 
de Blockchain
Souza lista três áreas distintas de atuação na qual um profissional de 
TI pode se encaixar dentro de um trabalho de desenvolvimento de 
Blockchain: arquitetura, operação e desenvolvimento. 
O trabalho do profissional de cada uma assemelha ao de alguém nessas 
posições em outros setores de TI, mas com as particularidades da 
tecnologia blockchain. 
O arquiteto de blockchain é o profissional responsável por idealizar a 
maneira como o blockchain funcionará. Todas as questões referentes 
à estrutura da rede, seus nós, o tamanho dos blocos, a criptografia, 
enfim: todas as “regras” com base em que o blockchain funciona serão 
determinadas por esse profissional. Por isso, ele precisa ser alguém com 
um conhecimento profundo de infraestrutura. 
Nessa capacidade, o profissional precisa ter um sólido conhecimen-
to teórico de redes distribuídas e descentralização. De certa forma, é 
possível considerar que Satoshi Nakamoto (quem quer que ele, ela ou 
eles sejam) foi o primeiro arquiteto de blockchain: