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Blockchain e criptomoedas   A carreira em tecnologias que vai mudar o mundo

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em seu artigo pioneiro, 
ele delineou a arquitetura dentro da qual uma moeda virtual descentra-
lizada funcionaria. 
Mas quando a Bitcoinfoi implementada, isso foi o trabalho de um 
operador de blockchain. Se o arquiteto é quem idealiza a maneira 
como o blockchain funcionará, o operador é o responsável por “tirar do 
papel” aquela arquitetura. Ele é o responsável pela implementação e 
pela manutenção do blockchain, e nesse sentido precisa dialogar bem 
com o arquiteto para que a visão dos dois não tenha divergências – que 
poderiam ser fatais para o sistema. 
Para realizar bem seu trabalho, segundo Souza, um operador de 
blockchain deve ter um conhecimento pleno de Linux e entender muito 
bem de Docker, já que tudo no blockchain roda em containers. Também 
por esse motivo, é desejável que ele tenha experiência com Kubernetes, 
o sistema de gerenciamento de containers. Conhecimento de infraestru-
tura de redes também é importante, e nesse sentido é bom ter experiên-
cia com Java. 
Finalmente, o desenvolvedor de blockchain é a pessoa responsável pelo 
desenvolvimento de smart contracts e de outras aplicações que rodem 
em cima do blockchain. Se a ideia é usar blockchain para algumas das 
aplicações já descritas neste especial, como armazenamento de dados 
ou a criação de programas e jogos que rodam em blockchain, o papel 
desse profissional será central aos trabalhos. 
Os requisitos para ser um desenvolvedor de blockchain variam de 
acordo com o sistema em que ele trabalhará. Alguém que pretenda 
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atuar como desenvolvedor no blockchain do Ethereum, por exemplo, 
precisará entender bem de Solidity, a linguagem usada para programa-
ção na plataforma. Se a plataforma for Hyperledger, outro blockchain 
popular, será necessário conhecer Java, Go ou pelo menos JavaScript 
com Node.js.
Com relação à remuneração, Souza considera que ela fica acima da média 
do mercado. A TruBR, por exemplo, não costuma realizar contratações 
CLT, mas trabalha com profissionais que têm pessoas jurídicas ou em 
esquema de consultoria. Nesse caso, segundo Souza, a hora avulsa de 
trabalho do profissional custa de R$ 250 a R$ 300. Para um “mês fechado” 
de 160 horas de trabalho, cobra-se de R$ 25 mil a R$ 30 mil. 
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Características do mercado de trabalho
Como já foi mencionado, ainda não está totalmente claro para as 
empresas o valor que o blockchain pode agregar aos seus negócios. Por 
isso, nesse momento, os profissionais que pretendem atuar nessa área 
têm também o papel de comunicadores desse valor. 
É necessário que eles sejam capazes de explicar com clareza as vantagens 
que um investimento nesse setor pode trazer, não apenas saibam 
trabalhar com a tecnologia.
A TruBR é uma empresa que realiza projetos em blockchain para outras 
empresas. E de acordo com Souza, que é CIO da empresa, é comum 
que haja uma confusão de seus clientes quanto à aplicabilidade. “Muita 
gente quer usar blockchain porque ouviu falar, pela força da buzzword 
mesmo, mas não entende direito para quê aquilo serve”, conta. 
Por exemplo: algumas empresas veem o blockchain meramente como 
uma maneira de aumentar a segurança de seu banco de dados, o que 
fica muito longe do potencial total da tecnologia. Um profissional de TI 
interessado em blockchain tem muito a ganhar se for capaz de deixar 
claro, para o gerente da área que a cadeia de blocos pode fazer muito 
mais que isso.
Situações desse tipo acabam gerando problemas para a TruBR, já que a 
companhia gasta um tempo considerável entendendo o projeto proposto 
pelo cliente até dar-se conta de que não se trata de uma boa aplicação 
de blockchain. Na percepção de Souza, portanto, ainda existe uma falta 
de informação no mercado sobre blockchain que acaba dificultando sua 
expansão.
Por outro lado, essa situação também pode ser vista como oportunida-
de. Profissionais que conseguirem deixar claro o valor que seu trabalho 
pode agregar aos serviços de empresas ou que sejam capazes de recrutar 
esse valor para seus projetos colherão os benefícios de uma tecnologia 
pioneira, muito cobiçada e que oferece salários acima da média.
E é sempre bom levar em conta que, em meio a toda essa comoção, 
o white paper de Satoshi Nakamoto não completou nem dez anos de 
publicação, o que acontecerá em outubro de 2018. Quem sabe o que 
a próxima década reserva para os profissionais que saírem na frente 
dessa transformação?
 
COMO TRABALHAR COM BLCKCHAIN
BLOCKCHAIN E CRIPTOMOEDAS: A CARREIRA EM TECNOLOGIAS QUE VÃO MUDAR O MUNDO INTRO
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Startups que usam 
blockchain no Brasil 
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STARTUPS QUE USAM BLOCKCHAIN NO BRASIL
Se você tem algum interesse em tecnologia, já deve ter ouvido falar em 
“blockchain” antes de abrir este especial. Provavelmente, o que você 
ouviu falar sobre o assunto não tinha nada a ver com mulheres da zona 
rural do Brasil. Mas há uma empresa que está usando o blockchain 
justamente para empoderar essas mulheres.
Trata-se da Moeda, uma fintech fundada por Taynaah Reis que levantou 
US$ 20 milhões por meio de uma oferta inicial de moeda (ou ICO, na 
sigla em inglês) em 2017. Esse capital será usado na concretização da 
missão da empresa, que é dar a pequenos produtores rurais brasileiros 
o acesso a crédito e serviços bancários dos quais muitos deles ainda 
estão excluídos.
Como funciona a Moeda?
A Moeda permite que qualquer pessoa do mundo invista nos pequenos 
produtores com os quais a empresa está conectada. Os investidores 
fazem isso comprando a criptomoeda da empresa, chamada de MDA. 
Comprando uma MDA, os investidores podem escolher precisamente 
em que projeto querem investir, com o adicional de saberem que são 
projetos alinhados com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 
da ONU.
Mais do que isso: graças ao blockchain, conseguem também ver exatamen-
te como aquele projeto que eles estão apoiando usa o investimento que 
foi feito. E a pessoa apoiada, por sua vez, sabe exatamente de onde vem 
o dinheiro que ela agora pode investir em seu projeto. 
É quase uma plataforma de crédito peer-to-peer, com a diferença de 
que há uma instituição financeira envolvida no meio, no caso o CRESOL, 
fundo de crédito solidário também voltado para pequenos produtores.
Para a empreendedora rural que recebe o investimento, trata-se de uma 
oportunidade que antes não existia. Por meio da Moeda, os projetos 
conseguem captar recursos e investir em seus negócios, seja por meio 
de tokens MDA ou moedas físicas – nesse ponto, o CRESOL também 
ajuda a dar mais liquidez ao token em questão, um ativo digital específi-
co da Moeda.
Para os investidores, trata-se de uma oportunidade bastante interessan-
te: eles investem em uma causa socialmente importante, mas retêm 
toda a liquidez de um investimento em criptomoedas. Se em algum 
momento quiserem revender seus tokens, podem fazê-lo de maneira 
praticamente imediata via blockchain.
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OriginalMy
O objetivo da OriginalMy, como o nome sugere, é usar blockchain 
para garantir autenticidade. A startup começou com a ideia de ser um 
registro de autenticidade de obras artísticas e, com o tempo, passou a 
considerar o uso da tecnologia para a identificação de pessoas, assinatu-
ra de contratos e outros casos em que a garantia de autenticidade é 
imprescindível. 
88Insurtech
A startup 88Insurtech atua no mercado de seguros. Por um lado, ela 
funciona como um marketplace de seguros, facilitando o acesso de 
clientes a diferentes planos e tornando o processo de contratação 
de planos