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Escatologia   Doutrina das Últimas Coisas

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entre o corpo e a alma (ou espírito). 
 
Algumas considerações importantes sobre a morte: 
 
1º A morte é conseqüência do pecado (Gn 2.15-17; 3.6; Rm 5.12; 6.23a), sendo que a 
morte espiritual foi a que o homem recebeu em primeiro lugar - observe que Adão não 
morreu fisicamente assim que comeu o fruto (Gn 3.6, 7), mas apenas espiritualmente. 
2º Deus, por sua graça em Jesus Cristo, limitou a ação da morte, sendo que a mesma 
não é completa no crente, mas ocorre em etapas e está sempre associada à idéia de 
separação. Existe a etapa da morte física - refere-se à separação entre a matéria 
(corpo) e o espírito (alma). Neste caso, todos os homens podem ser afetados, tanto 
crentes quanto não-crentes. Caso o indivíduo esteja vivo quando da segunda vinda de 
Cristo, ele não passará pela morte física (1 Co 15.51, 52. Leia esse texto na Bíblia na 
 5
Linguagem de Hoje - BLH1). De fato, nem os ímpios poderão morrer fisicamente quando 
Cristo estiver voltando (Ap 6.15-17). O segundo tipo de morte que existe é a morte 
espiritual - refere-se à separação do espírito humano do espírito divino de Deus, 
sem que o indivíduo tenha passado pela morte física. Há pessoas que estão vivas 
fisicamente, mas mortas espiritualmente, pois não têm comunhão com o espírito do 
Senhor (Ef 2.1; Cl 2.13. Nesse texto de Colossenses, é feito um contraste entre a morte 
espiritual e a vida espiritual que recebemos em Cristo). Por fim, há também a morte 
eterna, na qual, semelhantemente à morte espiritual, o espírito humano está 
separado do espírito divino; entretanto, essa morte eterna ocorre somente após a 
morte física. O crente em Jesus Cristo “escapa” das mortes espiritual e eterna (Ef 2.1 
novamente, Jo 3.36a, Jo 11.25, 26), mas só escapará da morte física quando tiver um 
corpo imortal (1 Co 15.54. Ver ainda o verso 26, que se refere obviamente à morte física). 
 
2. Imortalidade da alma 
 
 Os cristãos não são imortais, pois seus corpos físicos estão sujeitos à morte (no 
sentido de que podem ser extintos). A alma, entretanto, é imortal (inextingüível) Os corpos 
humanos somente desfrutarão da imortalidade quando sofrerem uma transformação que 
os tornará invulneráveis à morte (1 Co 15.52, 53). 
 
Logo: 
A morte física não coloca um ponto final em nossa existência, visto que há a 
imortalidade da alma. 
 
Dois argumentos extrabíblicos a favor da imortalidade da alma: 
 
Argumento histórico: Em geral, pode-se dizer que a crença na imortalidade da alma se 
acha em todas as raças e nações, não importa seu estágio de civilização. Tal coisa pode 
ser considerada como um instinto natural ou como algo envolvido na própria constituição 
da natureza humana (veja Ec 3.11: “...Deus...pôs a eternidade no coração do homem...”2). 
Há algo em nós dizendo que as coisas não terminam por aqui. Foi Deus quem colocou 
essa convicção em nossos corações. Os ateus são indivíduos que negam esse 
sentimento, negam essa intuição. 
Argumento lógico ou filosófico (onde a razão pura e simples é utilizada como meio 
de avaliação): Na morte a matéria se dissolve, visto que é tangível. Mas a alma, como 
entidade espiritual, é incapaz de dissolução; por que, então, ela teria o mesmo fim que a 
carne? Portanto, a destruição do corpo não leva à destruição da alma. Este argumento é 
muito antigo, e já foi utilizado por Platão. 
 
O mais importante dos argumentos, para nós, é o bíblico. E, de acordo com a Bíblia, a 
alma continua existindo após a morte física. 
 
A idéia de existência da alma (ou imortalidade da alma) no Velho 
Testamento 
 
 
1 A Bíblia Vida Nova diz, sobre este trecho, que o judeu relaciona a figura da trombeta com festividades, triunfos e 
eventos escatológicos, acrescentando que a designação “última” trata do fim da história, simultaneamente à segunda 
vinda de Cristo (compare com Mt 24.30, 31 e com 1 Ts 4.15-17).” 
2 A Bíblia Anotada comenta o trecho: “Deus deu ao homem uma perspectiva eterna para que este possa enxergar além 
da rotina da vida.” 
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Dissemos acima que, de acordo com a Bíblia, a alma continua existindo após a 
morte física. Isso é verdade, tanto no Velho quanto no Novo Testamento. Um exemplo no 
Velho Testamento de que a alma humana continua existindo após a morte física pode ser 
percebido no uso da expressão: “foram reunidos (ou congregados) ao seu povo”. 
 A expressão referida acima está relacionada com a morte de Abraão (Gn 25.8, 9), 
Isaque (Gn 35.29) e Jacó (Gn 49.33 e 50.7, 13). Nesses trechos, os patriarcas foram 
reunidos ao seu povo depois de morrerem e antes de terem sido sepultados. 
Cremos, com base nessa expressão, que os espíritos desses homens não foram 
aniquilados, extintos, e sim levados ao encontro daqueles que morreram antes deles3. 
Veja também outros casos semelhantes em Gn 25.17; Dt 32.48-50 e Jz 2.8-10. 
 A BLH traduz o texto de Gn 25.8 da seguinte maneira: “Ele morreu bem velho e foi 
reunir-se com os seus antepassados no mundo dos mortos.” 
 A Bíblia Anotada (BA) faz o seguinte comentário a respeito da expressão “foi 
reunido (ou congregado) ao seu povo”: “Este versículo é uma indicação de que os mortos 
eram considerados pessoas ainda existentes. É um testemunho antigo da crença na vida 
após a morte.” Sobre o mesmo trecho, a Bíblia de Estudo Pentecostal (BEP) assevera: 
“Esta expressão do AT significa mais do que o sepultamento natural; refere-se ao 
encontro do falecido com seus familiares, na outra vida, após a morte.” O texto de Ec 
12.7, por exemplo, não menciona a aniquilação do espírito humano após a morte física. 
Diz apenas que ele retornará a Deus. 
 Outros textos do Velho Testamento também confirmam o ensino de que a alma 
continua existindo após a morte física. O único problema é que o povo do Velho 
Testamento não sabia se a alma ficava consciente ou inconsciente depois que ela saía do 
corpo. Em outras palavras, Deus permitiu que o assunto da consciência ou inconsciência 
da alma ficasse em aberto para os escritores do Velho Testamento, aceitando a 
convicção pessoal de cada escritor. Por isso alguns escritores são favoráveis à idéia de 
consciência pós-morte, enquanto outros são desfavoráveis (Jó 24.12 é favorável; Sl 6.5 e 
13.3 são desfavoráveis; Pv 23.14 é favorável e Ec 9.5, 6 e 10 é um trecho desfavorável). 
Esse tipo de coisa não anula a inspiração da Bíblia, pois a revelação de Deus é 
progressiva. Algumas verdades foram reveladas em semente no Velho Testamento, e só 
no Novo Testamento encontramos sua plena expressão, como por exemplo o ministério 
de Cristo (Gn 3.15; 9.27; 49.10 e Jó 19.25), a Igreja (Rm 11.25; Ef 3.3-6), a nova 
dimensão da guarda do sábado (Jo 20.19, 26 cf. Lc 24.7; At 20.7; 1 Co 16.1, 2) e a 
situação pós-morte, que é o objeto do nosso estudo. 
 Deve-se considerar a revelação progressiva no processo de interpretação. Alguém 
pode ler Ecl 9:5 e concluir uma doutrina errônea, afirmando que “os mortos não sabem 
cousa nenhuma”. Os adventistas, por exemplo, fazem isso, ensinando que depois da 
morte a pessoa fica inconsciente, no túmulo, aguardando o dia da ressurreição. Essa é 
uma interpretação que desconsidera claramente a revelação progressiva. O texto de 
Eclesiastes não pode ser interpretado sem considerarmos as passagens do Novo 
Testamento que falam sobre o estado intermediário, quando estaremos com Cristo no céu 
aguardando a ressurreição. A situação pós-morte é um exemplo de progressão da 
revelação, pois esse assunto só é melhor esclarecido no Novo Testamento. 
 
 
 
3 Alguns questionam se esse “reunir-se ao seu povo” não se refere, simplesmente, ao fato de enterrar o cadáver no 
mesmo lugar onde foram enterrados os outros parentes da família (veja que tanto Abraão quanto Jacó foram enterrados 
na caverna de Macpela - Gn 25.9 e 50.13). Mas note que é a expressão “sepultado” que se refere ao lugar do corpo,